Sinto uma certa relutância ao dizer: - Quero acreditar na melhoria da espécie humana! Não vejo como. Tudo muda em redor, mas a essência dos comportamentos e atitudes dos seres humanos continuam a ser sobreponíveis aos nossos antepassados mais remotos. Às tantas é uma questão biológica que se sobrepõe a todos os esforços e conquistas nas áreas culturais, éticas e estéticas tão bem desenvolvidas por inúmeros pensadores. A única vantagem é permitir manter a chama meio nervosa da esperança à espera de uma qualquer mutação evolutiva do tipo moral, se é que isso seja possível. Não acredito mas gostaria de acreditar.
Olho para o jornal e deparo-me com uma fotografia de um candidato a uma autarquia com a fácies ensanguentada. Aconteceu em Alcochete e foi vítima de um opositor. Foi agredido não por causa de opiniões políticas, mas por motivos pessoais, como se fosse uma justificação acertada! Outra notícia revela que um padre, responsável por colégios que acolhem crianças e jovens desafortunados, afirma que não têm direito a iogurtes, por serem considerados como “luxo”, pese embora outros aspetos relacionados com a gestão. Passando por cima dos crimes, acontecimentos mais do que corriqueiros, deparo-me com crónicas, algumas das quais, não deixam de esconder um certo proselitismo ideológico crescente, a proclamar as verdadeiras “verdades”, como é o caso de Fernanda Câncio que, sendo uma paladino de causas interessantes, começa a desnortear-se, quem sabe se devido à proximidade eleitoral. Mas não ficamos por aqui. Mais um caso de escravatura, a nausear os defensores dos direitos humanos. Saramago, reconhece o erro na troca das suas obras a propósito do hastear da bandeira monárquica com o sui generis pretendente ao trono. Mas, reconheço, de facto, o magistral conselho dado pelo nosso Nobel da literatura para a restauração da monarquia em Portugal. Basta haver uma equipa de futebol, constituída por jogadores, treinador e presidente monárquicos, que ganhe a liga de futebol e, de preferência, a liga europeia. No dia seguinte, os portugueses aclamariam como rei o senhor Duarte ou o seu petiz. A polémica ao redor da nomeação e eleição dos membros do Conselho de Ética continua, e ainda bem, porque revela, aos olhos dos portugueses, a apetência para a sua instrumentalização. Mas ainda é cedo. Espero que as qualidades intrínsecas das personalidades que o compõem deem provas de que são superiores a quaisquer interesses políticos ou doutrinais. Pessoalmente estou convicto de que sim. São individualidades superiores. Mas não deixa de ser preocupante o que se passou, atitudes mesquinhas e lamentáveis por parte do Governo. É um conselho consultivo mas com profundas influências nas decisões politicas que irão ser tomadas no futuro sobre assuntos muito delicados.
Muitas outras notícias corroboram o meu pessimismo sobre o futuro da espécie humana, mas, houve uma que me ajudou a ser um pouco mais feliz e até otimista, porque não dizer, quando li uma reportagem sobre Raul Solnado. De todas as suas facetas há uma que merece ser realçada, o seu sentido ético. Notável. A par das suas capacidades humorísticas, transpirava ética por todos os poros, além de uma criatividade ímpar. Mas o que me chamou a atenção foi o facto de que tinha também um feitio vingativo. Quem diria que numa conversa a propósito de D. Sebastião, Solnado e Júlio César tomaram a seguinte decisão: “E logo os dois acharam que deviam ir a Alcácer Quibir vingá-lo. Meteram-se num carro e foram logo, nessa mesma noite. Dormiram em Elvas e no dia seguinte, já estavam em Marrocos. Correram a Alcácer Quibir. Chegaram lá pela meia-noite. Contava ele: “Chegámos, e mijámos. Mijámos ali, no chão, em Alcácer Quibir. Foi a nossa vingança. Foi como lavar a face do Rei”.
Ora o que estamos a precisar é vingarmos do que nos andam a fazer. Como? Simples! Vingança à Solnado...
Olho para o jornal e deparo-me com uma fotografia de um candidato a uma autarquia com a fácies ensanguentada. Aconteceu em Alcochete e foi vítima de um opositor. Foi agredido não por causa de opiniões políticas, mas por motivos pessoais, como se fosse uma justificação acertada! Outra notícia revela que um padre, responsável por colégios que acolhem crianças e jovens desafortunados, afirma que não têm direito a iogurtes, por serem considerados como “luxo”, pese embora outros aspetos relacionados com a gestão. Passando por cima dos crimes, acontecimentos mais do que corriqueiros, deparo-me com crónicas, algumas das quais, não deixam de esconder um certo proselitismo ideológico crescente, a proclamar as verdadeiras “verdades”, como é o caso de Fernanda Câncio que, sendo uma paladino de causas interessantes, começa a desnortear-se, quem sabe se devido à proximidade eleitoral. Mas não ficamos por aqui. Mais um caso de escravatura, a nausear os defensores dos direitos humanos. Saramago, reconhece o erro na troca das suas obras a propósito do hastear da bandeira monárquica com o sui generis pretendente ao trono. Mas, reconheço, de facto, o magistral conselho dado pelo nosso Nobel da literatura para a restauração da monarquia em Portugal. Basta haver uma equipa de futebol, constituída por jogadores, treinador e presidente monárquicos, que ganhe a liga de futebol e, de preferência, a liga europeia. No dia seguinte, os portugueses aclamariam como rei o senhor Duarte ou o seu petiz. A polémica ao redor da nomeação e eleição dos membros do Conselho de Ética continua, e ainda bem, porque revela, aos olhos dos portugueses, a apetência para a sua instrumentalização. Mas ainda é cedo. Espero que as qualidades intrínsecas das personalidades que o compõem deem provas de que são superiores a quaisquer interesses políticos ou doutrinais. Pessoalmente estou convicto de que sim. São individualidades superiores. Mas não deixa de ser preocupante o que se passou, atitudes mesquinhas e lamentáveis por parte do Governo. É um conselho consultivo mas com profundas influências nas decisões politicas que irão ser tomadas no futuro sobre assuntos muito delicados.
Muitas outras notícias corroboram o meu pessimismo sobre o futuro da espécie humana, mas, houve uma que me ajudou a ser um pouco mais feliz e até otimista, porque não dizer, quando li uma reportagem sobre Raul Solnado. De todas as suas facetas há uma que merece ser realçada, o seu sentido ético. Notável. A par das suas capacidades humorísticas, transpirava ética por todos os poros, além de uma criatividade ímpar. Mas o que me chamou a atenção foi o facto de que tinha também um feitio vingativo. Quem diria que numa conversa a propósito de D. Sebastião, Solnado e Júlio César tomaram a seguinte decisão: “E logo os dois acharam que deviam ir a Alcácer Quibir vingá-lo. Meteram-se num carro e foram logo, nessa mesma noite. Dormiram em Elvas e no dia seguinte, já estavam em Marrocos. Correram a Alcácer Quibir. Chegaram lá pela meia-noite. Contava ele: “Chegámos, e mijámos. Mijámos ali, no chão, em Alcácer Quibir. Foi a nossa vingança. Foi como lavar a face do Rei”.
Ora o que estamos a precisar é vingarmos do que nos andam a fazer. Como? Simples! Vingança à Solnado...







