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quarta-feira, 20 de março de 2013

Porque não aumentam as empresas ("patrões") o salário mínimo?...

1. No turbilhão de comentários político-económicos, nomeadamente dos opinion-makers com vínculo contratual ao politicamente correcto bem como dos políticos profissionais agora em registo de quase histeria, passou praticamente despercebida uma sábia questão hoje suscitada por um dos economistas que, em minha opinião, tem revelado mais sagacidade na análise da situação nacional, o Dr. Vítor Bento...
2. ...que, muito singelamente, se interrogou: se os empresários (vulgo “patrões”) têm toda a liberdade para aumentar os salários que pagam aos seus trabalhadores, nomeadamente àqueles que auferem o salário mínimo, porque razão estão esperando que seja o Governo, o Estado em suma, a decidir esse aumento?
3. A questão parece ter toda a pertinência quando se ouve dizer que os representantes das confederações estão disponíveis para apoiar o aumento do salário mínimo nacional, juntando-se assim às confederações sindicais (estas com toda a lógica, uma vez que a demagogia, eregida a instrumento de trabalho quase obrigatório, já é desculpável)...
4. Com efeito, se os representantes patronais estão sendo sinceros, e se o aumento é assim tão oportuno, porque “carga de água” haverão as empresas associadas nas suas confederações de aguardar pelo aumento legal do salário mínimo nacional se dele não precisam para efectuarem os aumentos que muito bem entenderem?...
5. ...porque razão as Confederações Patroniais não dirigem já uma Carta-Circular aos seus associados, convidando-os a procederem a esse aumento sem mais demora, sem esperarem pela alteração da disposição legal?
6. Trata-se de um enigma muito curioso, que diz bem do grau de irrealismo e demagogia que hoje se instalou na discussão destes temas...muito provavelmente, se dirigissem aos seus associados a tal Carta-Circular, os responsáveis patronais arriscavam-se a receber em resposta numerosas missivas bem pouco simpáticas, algumas porventura com comentários bem abrasivos...
7. ...assim preferem habilmente atirar o odioso para cima do Governo que, queimado por 100 ou queimado por 500, já tanto faz! Mas que exemplo de coerência e de boas-práticas!

A responsabilidade dos réus ausentes

Esta, de que o ´Público´ dá notícia, é a primeira de uma série de decisões dos tribunais em que os juizes são chamados a interpretar e aplicar uma lei unanimemente considerada, no mínimo, equívoca. O que se segue é tão previsível como a sucessão dos dias: daqui a umas semanas outro tribunal, chamado a pronunciar-se sobre a admissibilidade de candidatura de alguém nas mesmíssimas condições que Fernando Seara, vai decidir em sentido diametralmente oposto. A seguir virão os recursos e o resultado será também previsível - desgaste dos candidatos, descrédito da justiça, desprestígio ainda maior da classe política.
Nestes julgamentos em que se convocam juízes para descortinar a opção política vertida na lei (afinal de que se queixam os políticos quando verberam a invasão do político pelo judicial?), há manifestamente um réu ausente - o legislador. A responsabilidade da confusão que só agora começou a ser gerada em redor dos limites aos mandatos dos autarcas, é inteirinha da Assembleia da República, recte, das direções partidárias e da lógica parlamentar de obediência cega à voz do dono. Perante a equivocidade da lei (devo dizer de lei?), um legislador responsável teria respeitado o dever que a Constituição lhe impõe exercendo as funções para que foi eleito. Demitiu-se por conveniência e em nome do habitual calculismo político. Não será julgado porque a falta de comparência passa impune na política. Mas aposto que a maioria das pessoas atribui a irresponsabilidade cada vez menos ao caráter revel do legislador e cada vez mais a um fenómeno próximo da inimputabilidade.

terça-feira, 19 de março de 2013

Elegância...




A minha amiga garça estava hoje muito inspirada, armou-se em bailarina e mostrou a sua elegância. Que inveja...

"Não ter medo da bondade"


Ouvir dizer que "não devemos ter medo da bondade" perturbou-me. Uma frase não feita, não encomendada, apenas sentida por quem deve gostar e acredita na vida. A frase perturbou-me e, muito provavelmente, não a irei esquecer. Qual o seu sentido, qual o seu alcance, qual a sua origem? Não importa qual, o que importa é que vai ficar na mente de alguns, na minha vai ficar com toda a certeza. Sempre irá ajudar-me a esconjurar a maldade que abunda por aí. Não esconjura nada, mas não há nada melhor do que acreditar numa esperança vã, dá sentido e significado, ainda que momentaneamente, à vida, enquanto a sentimos ou enquanto ela se faz sentir, tanto faz. 
Ouvir dizer que "não devemos ter medo da bondade" aleijou-me, porque no momento em que a ouvi estava a ler um pequeno artigo sobre uma das mais horríveis manifestações de um representante da espécie humana, Joseph Mengel, o "Anjo da Morte", um dos poucos demónios que nunca foi capturado e julgado pelos seus atos criminosos. Ao reler algumas das suas atividades e "experiências" senti um sabor nauseabundo a percorrer aquilo a que podemos chamar alma, coisa que não sei bem o que é, ou se existe, mas que interpreto como uma sopa quente de sentimentos, de emoções, de esperanças, de temores e de dissabores, sem pernas, sem braços, sem memória, sem nada, algo confuso que vive sem saber que vive. Incomodou-me a circunstância de ter de ouvir e de ler, praticamente ao mesmo tempo, o conselho a não ter medo da bondade e o renascer do medo da maldade. Velhos medos, humanos, diabólicos e divinos, a fazerem das suas, a convidarem-me à fuga ou ir ao encontro do que não sei e nem sei se valerá a pena. Fugir ou encontrar são duas faces da mesma moeda da vida, moeda cara e fria, embora leve e bela por vezes. Assusta-me a maldade humana, uma maldade projetada nos demónios. Pobres demónios. Nem eles são capazes de fazer o que pode fazer um humano. Assusta-me não fazer "bondade", mas assusta-me mais o alheamento da bondade divina. Os deuses devem ter inveja de muitos humanos porque estes são capazes de atos de bondade que nem lhes passa pelas divinais mentes. Mas afinal o que é o ser humano? Um somatório de sentimentos e de emoções com vida própria capaz de oscilar entre a maldade absoluta e uma divinal bondade. Onde pairamos neste longo espetro de sentimentos e de emoções? Algures.
Eu tenho muito medo da maldade, mas, afinal, o que eu queria era não ter medo da bondade... 

segunda-feira, 18 de março de 2013

Não há pachorra para tal pedagogia

Acabei de ouvir uma reportagem no telejornal da RTP 1, serviço público, sobre a angústia, foi dito, angústia de os alunos do 4º ano irem fazer exame numa escola diferente daquela que frequentam. A própria RTP, sempre politicamente correcta, titulou a peça Angústia para o exame. E os especialistas entrevistados falaram do stress suplementar que a deslocação provoca. E uma distinta Federação, creio que dos Pais, e não sei se das Mães ou dos Avós, perorou sobre os males e gravíssimos inconvenientes de tal vil procedimento. Como muitos, também fiz exame da 4ª classe, exame na altura muito mais exigente do que um exame do 4º ano. E sobrevivemos, ao contrário do que hoje os especialistas anunciam para a novíssima geração. Os alunos deslocavam-se à sede do concelho. Os mais afortunados iam na camioneta da carreira; outros, se o horário não coincidia, levantavam-se de madrugada e iam a pé, largos quilómetros. Poucos, pouquíssimos, iam no carro de familiares ou de algum vizinho. Estreava-se roupa nova, que o exame era acto solene e merecia o sacrifício dos pais. E muitos calçavam sapatos ou botas pela primeira vez, substituindo os tamancos e as chancas.  
Porque não se conhecia a palavra, ninguém era atacado de stress; e, se o havia, era dos professores, esses sim, com algum nervosismo, pois não gostavam de ficar mal perante os colegas da vila. O professor sentia que a reprovação de um aluno era a sua própria reprovação. E havia prova escrita de manhã, com ditado, redacção, matemática, história, geografia, eu sei lá. E prova oral, da parte da tarde.No fim, era uma festa. Os mais abonados iam ao café festejar com uma sande e laranjada, que era preciso refrescar do exame e do tempo quente, outros com um pirolito. E regressava-se a casa na camioneta da carreira ou a pé, mais uns quilómetros de volta. Agora, as televisões, os psicólogos, os sociólogos, os especialistas de não sei quê, as associações de pais representadas por avós proclamam a angústia, o traumatismo, a tensão. Os meninos tornaram-se flores de estufa. Cuidado, não lhes sopre nem um ventinho ligeiro. É assim que os vão preparando para a vida. Quietinhos no seu canto, que o Estado velará por eles.
Não há pachorra!

Os cipriotas... duplamente gregos!

As autoridades europeias, normalmente emergentes da pior burocracia instalada nos diversos países da União, já perderam qualquer tino e só lhes resta o autoritarismo institucional.  Sem ele, seriam escriturários de segunda em qualquer empresa da terceira divisão.
Apesar do peculiar sistema financeiro grego, dificilmente se pode conceber medida mais absurda do que taxar os depósitos nos bancos, como acaba de ser decidido. Claro que taxar rendimentos é taxar depósitos futuros, mas taxar depósitos actuais é taxar retroactivamente. E é discriminar entre as diversas formas de aplicação da poupança. Acontece que em quase todo o lado o Estado não é pessoa de bem, por isso não há que admirar. Mas taxar depósitos, ignorando olimpicamente as consequências do feito, é perfeita sabotagem económica, incentivo à fuga de capitais, desvio do investimento, atentado económico, mas também ético.
Têm culpa as autoridades cipriotas e têm-na duplamente, pelo estado a que deixaram chegar os desequilíbrios e por terem aceite as condições impostas para os corrigir. Mas o Eurogrupo é co-responsável, se não o primeiro responsável, pela quebra de confiança dos aforradores europeus, cada vez mais empurrados para aplicar poupanças nas praças alternativas. Que são as próprias autoridades a fomentar.
Depois da discriminação fiscal sobre os reformados em Portugal e dos seus efeitos económicos e sociais, poderia pensar-se que a tonteria mais rasteira tinha chegado ao fundo. Acontece que há sempre um fundo mais fundo. Que o pessoal de Bruxelas vão cavando com inesgotável pertinácia.
Resgate por resgate, o que os Europeus devem pensar é resgatar-se desses burocratas sem dimensão e sem a mais pálida ideia do que seja pensar.  

domingo, 17 de março de 2013

Achar em seara alheia

"...Padecendo de uma estranha maleita que os impede de viver em paz sem que o líder de uma fé a que se dizem radicalmente indiferentes concorde com eles, os ateus militantes receberam o Papa Francisco sob três perspectivas. A perspectiva simpática apreciou a circunstância de o homem vir do hemisfério sul (porquê?) e ter sido nomeado contra o "sistema" (apesar de ter sido o "sistema" a nomeá-lo). A perspectiva hesitante lamenta que o homem não defenda o casamento homossexual, o aborto, a eutanásia e, afinal, cada imperativo dos bem pensantes. A perspectiva desconfiada descobriu (ainda que, conforme se comprova no site do Bloco de Esquerda, à custa de manipulações fotográficas) a afinidade entre o sr. Bergoglio e a antiga ditadura argentina.
Enquanto os cardeais não designarem um herege para pastorear os crentes, o catolicismo não se redime". 
 Alberto Gonçalves, na coluna Dias Contados do DN de 17.03.13. 

Incertos

Tornou-se penoso ligar a televisão ou o rádio e ouvir os dirigentes europeus, nas suas diferentes vestes, económicas ou políticas, mais parecem um bando de desorientados a dar tiros para o ar à procura de “incertos”. Se, desde 2008, os discursos foram mudando de azimute, ora apontando os abusos do sistema financeiro americano, depois europeu, ora acusando os governos despesistas dos países que se iludiram com a possibilidade de viverem como “os outros” europeus, ora exigindo “reformas estruturais” purificadoras dos vícios instalados nos incorrigíveis do sul, esses discursos têm agora um novo cambiante. É o “apelo” ao crescimento, qualquer coisa de misterioso quando não acompanhado de qualquer ideia sobre donde e como poderá vir, tudo misturado com estratégias 2020 desenhadas como se tudo continuasse “business as usual”. É assustador ouvir com atenção as incoerências, os sinais de medo e as tentivas frouxas de simular uma força que há muito se esvaneceu. A Europa clama contra incertos e apela a incertos para que ajam, para que surjam, enquanto dispara em todas as direcções. Pelo caminho, um rasto de destruição que espanta e atordoa todos os que, até agora, acreditavam nas virtudes da sociedade informada, dirigida e controlada. Erro fatal, como demonstra a História.

Imperfeição


A humanidade viveu desde sempre períodos muito angustiantes, chegando, por vezes, a ser dramáticos, violentos e destruidores. São curtos os momentos de paz, de esperança e de alegria, breves frações de segundos na escala do nosso tempo, mas contrariando tudo e todos, alguns de nós sofrem de um otimismo patológico, digo patológico, porque há doenças que não me importaria de sofrer, e o otimismo é uma delas. O pior é que não sou atingido por esta doença, entretanto outras já marcaram a sua presença. 
Gosto de ouvir, de ler e de meditar. Necessito de o fazer, porque há pessoas que me convidam a isso. Há pessoas brilhantes que, embora nunca tenha cruzado com elas, me marcam. Posso não partilhar das suas ideologias, das suas crenças, das suas filosofias, mas, mesmo assim, atraem-me, por vezes mais do que aquelas com quem me identifico. Talvez seja por isso, ver e sentir que posso aprender e crescer com elas. Preciso cada vez mais dessas pessoas. Preciso muito daqueles com quem não consigo identificar-me. Seduzem-me, porque me obrigam a afogar numa saudável insignificância, situação que cada vez aprecio mais. 
Os homens conseguem colocar outros em determinados pedestais donde podem emitir opiniões e produzir pensamentos que noutras circunstâncias não teriam qualquer impacto. Veja-se o caso dos religiosos, caso de um papa, uma afirmação parida pela sua mente fecunda facilmente milhões ou centenas de milhões. Quem diz o papa, diz qualquer líder religioso, muçulmano, ortodoxo, budista, xintoísta entre outros. Também certos políticos são capazes de mudar a forma de ser e de pensar dos seus súbditos, coisa que seria impossível de fazer se não atingissem o poder. O poder é isso mesmo, utilizar um espaço, um trono, um altar, um parlamento de onde podem emitir mensagens capazes de ajudar a humanidade a evoluir, embora, por vezes, possam ter efeitos perniciosos. A força de uma ideia depende do local onde é emitida e por quem a produz. Os seres humanos têm consciência desse facto. Por isso desejam ardentemente individualidades que ocupem lugares "divinizados", que podem ser os mais variados. Necessitam de os ouvir a partir dos púlpitos. A melhor forma para poderem acreditar numa vida melhor e cheia de esperança. Mas há muito "mas", "mas" que resultam da natureza humana, insuficiências, falhanços, fraquezas, limitações e imperfeições dos diversos tipos. É por isso que, sempre que alguém ocupa determinadas posições, é de imediato escrutinado ao mais ínfimo pormenor para provar que não são seres perfeitos, que não são deuses, logo, ficarão comprometidas as suas futuras afirmações e reveladas algumas  imperfeições. É aqui que quero chegar. As imperfeições são mais do que desejáveis, são absolutamente necessárias para que os outros compreendam melhor a sua condição. A condição humana é incompatível com a perfeição e quem quiser provar o contrário está a impedir o progresso da humanidade. Sendo assim, o melhor que temos a fazer é acabar com qualquer tentativa de "divinização" de seres humanos que ocupem lugares de destaque e de soberania, sejam quais forem.
Podemos aprender com o novel papa Francisco ou com o falecido Hugo Chavez. Cada um, à sua maneira, vai tentando ajudar os outros. Que o façam, desde que respeitem a condição humana, o que, por vezes, muitos anónimos não conseguem ou não sabem...

Euro reforçado ou euro ameaçado...

Pela primeira vez na história do Euro um resgate financeiro impõe um haircut nos depósitos: de um momento para o outro os depósitos em bancos do Chipre sofrem um corte no respectivo capital. O haircut oscila entre 6,75% para depósitos inferiores a 100.000 euros e 9,9% aplicável aos restantes. Ontem as televisões davam conta da corrida dos cipriotas às caixas multibanco. Revelou-se inútil.
Uma medida que vem em contraciclo às políticas europeias de reforço da protecção das poupanças dos depositantes dos sistemas bancários, tendo recentemente sido imposto na zona Euro um aumento para 100.000 euros do nível de garantia de depósitos. Mas uma medida considerada pelo governo de Chipre necessária para salvar o sistema bancário da bancarota.
Que leitura se pode fazer desta medida? Que riscos e perigos podem afectar a confiança nos sistemas bancários/financeiros e a sua estabilidade? Vale a pena ler o artigo Cyprus Depositor Tax: Genius Plan or the End of the Euro?” do economista irlandês Karl Whelan:
“(…) Even if we get through the next week without panic, my gut feeling is that this decision is a bad one and the Europeans should have chosen from the other two options on the table.  Over the longer-term, I doubt if financial stability in the euro area (and the continued existence of the euro) is compatible with a policy framework that doesn’t protect the savings of ordinary depositors.”

Por quem Deus nos manda avisar...

É pela voz Jorge Coelho, na apresentação de José Junqueiro como candidato a Viseu, que o PS acusa o Governo de levar o Pais à ruína. Significativo.

sábado, 16 de março de 2013

Um requinte sempre à mão...



Fiquei fascinada com uma colecção espectacular de bules que hoje apreciei em casa de uns amigos. São centenas de bules de todos os cantos do mundo, que percorrem séculos de história, verdadeiras obras de arte. E no final da visita, não faltou uma colecção de folhas de chá. Felizmente que os anfitriões tinham uma escolha preparada. Uma selecção requintada, perfeita, a condizer com o gosto e personalidade dos convidados. 
Não há nada como um chá para confortar e reconfortar. Vai-se bebendo, devagarinho se vai saboreando, convida à tranquilidade e a uma certa espiritualidade. A variedade de chás é inesgotável, há sabores para todos os gostos e sensibilidades. Quase se pode dizer que há tantos chás quantos os paladares. Um chá é um momento e os momentos nunca são iguais. Há chás para todas as ocasiões.
Guardei há tempos um artigo muito interessante sobre a história do chá. Foram os portugueses que descobriram a planta do chá no Japão no século XVI. E foi depois a bordo dos galeões portugueses que as primeiras folhas de chá chegaram à Europa. No século XVII, a Infanta D. Catarina de Bragança – casada com o Rei Carlos II de Inglaterra – introduziu o hábito do chá das cinco no Reino Unido. 
Portugal levou tempo a tomar o gosto pelo chá. Mas tem estado a recuperar o atraso. Nas cidades e vilas portuguesas as salas e as boutiques de chá multiplicaram-se nos últimos anos. Há uma grande variedade de marcas. Também somos produtores, temos, aliás, uma das duas únicas produções de chá na Europa. Fica nos Açores. Hoje somos grandes bebedores de infusões. O requinte do chá popularizou-se… 

Responda-me quem sabe, sff

É possível crescimento na Europa (sublinho, na Europa e não em dois ou três Estados europeus) com um euro tão forte e políticas obsessivamente anti-inflacionistas?

sexta-feira, 15 de março de 2013

Cansaço

Ouço o senhor Presidente da República - apesar do que se pretende fazer passar na comunicação social, uma das poucas vozes escutadas com atenção no País - chamar a atenção para o cansaço das pessoas e das empresas com a austeridade. Do cansaço à exaustão e desta ao desespero é um saltinho...

Bolo de anos



Faria hoje noventa anos. Morreu três dias após ter completado oitenta e oito anos, depois de um longo processo de sofrimento. Acordei a meio da noite ansioso perante um estranho silêncio. Pressenti que algo se estaria a passar. Entrei no quarto e apercebi-me da realidade, tinha acabado de adormecer no sono mais profundo que a vida pode proporcionar. 
A neta mais nova tinha, na altura, pouco mais de dois anos. O que é curioso foi o facto de nunca a ter esquecido. Quis saber para onde tinha ido e tivemos de apontar para uma estrela brilhante dizendo que estava ali. A partir de então procura-a sempre que pode, o pior é quando o céu não está visível. Nessa altura diz que deve estar a dormir. 
Vai ser, muito provavelmente, a sua memória mais antiga. Como a avó fazia anos no dia seguinte ao da mãe, quis, desde ontem, saber como é que ela iria fazer a festa, quem é que iria cantar os "parabéns a você", quem é que iria fazer o bolo, como seria o bolo, enfim, uma metralhada de perguntas que nunca mais acabava. Até queria ir ao céu passar o dia de anos. Tiveram de lhe explicar que era muito complicado, seria preciso um foguetão e demoraria a chegar a tempo. Calou-se e aceitou as explicações.
Antevi que o dia de hoje iria ser um pouco complicado para a menina. E assim foi, à noite recebi um telefonema a dar conta do sucedido. A mãe teve de arranjar à pressa uma explicação de como seria o bolo de anos da vovó Aninhas.
Partilho aqui essa pequena história. 

"Queria, porque queria, a todo custo que lhe dissesse ou lhe mostrasse como seria o bolo de aniversário da avó Aninhas.
Dei voltas à minha cabeça, até que encontrei esta imagem e a chamei: "Leonor, anda cá!"
Sem saber do que se tratava lá veio ela, sempre a cantarolar... 
Mostrei-lhe finalmente o tão esperado bolo. Reação:
- Ena pá!!!!! Puxa, é muito grande e tem tantas estrelas, parece um céu, não é mamã?!
- É pois... É muito lindo!
- Qual das estrelas é a vovó? 
Hummm... Perguntas tão difíceis de responder, pensei eu.
- É a que está no meio, filha, as outras todas são as suas amigas do céu!
-Ahhh... Tem muitas amigas lá!
- Sim, claro, amigas, amigos e o Jesus que olha por todas elas!
- Pois... E o Jesus sabe tudo, até fazer bolos... Muito bem!"

Uma delícia ter netos assim...

Dia glorioso para os Crescimentistas!

1. Assim como já aqui assinalei dias de notícias negras para os Crescimentistas, é justo reconhecer que hoje estamos em dia grande para esta classe de ilustres pensadores e políticos, face às funéreas novidades esta manhã divulgadas em conferência de imprensa do Ministro das Finanças. Senão, vejamos:

- Governo antecipa agora um cenário de queda do PIB em 2013 de -2,3%, sendo assim de concluir que se “ENGANOU” mais uma vez, depois das previsões de queda de -1% e de -2%, esta última divulgada há pouco mais de 2 semanas!
- Nessa mesma previsão, o Governo admite uma quase estagnação das exportações, em termos reais obviamente, ficando assim quase neutralizada a locomotiva da economia (devo confessar que me intriga bastante esta componente da previsão, mas para aqui pouco interessam as minhas suspeitas...);
-Previsão de crescimento do desemprego até atingir uma taxa de 18,2% (suspeito que aqui ainda haja algum optimismo, mas tal como para as exportações pouco conta a minha suspeita);
- Défice orçamental de 5,5% em 2013 em vez dos anteriores 4,5%...
- Défice de 2012 pode ter atingido 6,6% com a desconsideração das receitas extraordinárias com que o Governo tinha contado para reduzir o défice para 5%.

2. É imaginável o ambiente de euforia que deverá reinar por esta hora nas hostes Crescimentistas, as quais poderão agora, com argumentos irrebatíveis, condenar sem apelo nem piedade as políticas neo-liberais pelos resultados desastrosos que por sua causa o País está suportando...

3. Nem a promessa do Ministro das Finanças de que nas próximas semanas Portugal poderá seguir o caminho da Irlanda e emitir dívida a 10 anos consegue mitigar a imensa vantagem que estas notícias lhes oferece...

4. A ponto de um (aliás simpático) porta-voz dos Crescimentistas ter vindo já declarar algo que certamente ninguém mais, por muito ousado ou imaginativo que fosse, teria inspiração para dizer: “Obrigatório é sair da crise de forma sustentada”!
5. Vamos pois adoptar as políticas necessárias para sair da crise "de forma sustentada", aceitam-se sugestões dos nossos ilustres Comentadores!

Meteoro


Há dias, enquanto esperava pelo comboio, numa manhã bela e inundada de um frio glacial, li a notícia de que um meteorito invadiu o espaço aéreo do planeta para as bandas do norte da Rússia. Um susto que traduz a apreensão de um dia podermos ter um contacto muito mais violento com algum calhau perdido no espaço. Os astrónomos, profissionais e amadores, vasculham incessantemente o cosmos à sua procura, e são unânimes em afirmar que mais tarde ou mais cedo vai cair algo pesadote em cima dos nossos iluminados crânios, a relembrar um outro fenómeno ocorrido há 65 milhões e que provocou o desaparecimento de muitas espécies, entre as quais os famosos dinossauros. Se não fosse esse meteoro, descomandado, ou talvez não, deus pode ter acordado naquele dia mal disposto e para se entreter lembrou-se de andar à pedrada, não teria havido condições para que os pequenos mamíferos tivessem vingado e ocupado o espaço deixado vazio por outras espécies. Claro, em consequência, a espécie humana acabou por aparecer no topo dessa classe, graças a um fenómeno de extinção em massa, presumo que foi a sexta. Agora andamos por aqui, armados ao pingarelho, arrogantes e infelizes para permitir que alguns gozem a vida com hedonismo a que se acham com direito. E do que é que nos lembrámos? Fazer aquilo que a natureza consegue fazer com muito mais eficiência e rapidez, entrar num processo de extinção, a sétima, a de origem humana, lenta, absurda, irreal e até estapafúrdia. As ameaças não se põem só em termos ambientais, mas também são comportamentais, com consequências a diferentes níveis. Até hoje já desapareceram 99,9% de todas as espécies que se lembraram de surgir e de tentar a sua sorte, mas apesar disso ainda existem milhões, muitas delas desconhecidas. Sendo assim, então podemos continuar nesta senda, perfeitamente à-vontade, porque quando deixarmos de existir outras nos substituirão com mais eficiência, ou talvez não. O problema está no tempo de autodestruição, que, à nossa escala, é demasiado longo, o que faz com que muitos acreditem na possibilidade de um futuro melhor. Mesmo que tudo isto dê para o torto, o que é mais provável, quem sabe se uma pobre espécie de formiga não desencadeie uma cadeia de acontecimentos evolutivos que dê origem a uma espécie mais adequada, e se não for uma formiga, uma barata nojenta também pode ser a mãe sublime de uma qualquer “vontade” superior, já que qualquer animal encerra esse potencial. Foi pena aquela cena do meteoro de há 65 milhões de anos, hoje teríamos políticos, profissionais e religiosos tipos dinossauros, não aqueles que "abusam" desse termo, porque é insultuoso para os verdadeiros, os dignos desse nome, e, com alguma probabilidade, muito melhores do que os representantes da nossa espécie. Se um dia desaparecermos, que é o mais certo, só tenho pena de uma coisa, a arte com que expressamos os nossos melhores sentimentos não terá leitores e nunca será apreciada, o que é uma pena, quanto ao restante não vale nada, é para esquecer, e ainda bem...

quinta-feira, 14 de março de 2013

As coisas que as pessoas não sabem...

Anos e anos a fio o Estado prometeu e convenceu as pessoas que não tinham que se preocupar com as suas pensões, em chegando à idade de reforma o Estado aí estaria para entregar uma pensão. A segurança social era forte, todos acreditavam nela. O problema é que o Estado em quem as pessoas sempre confiaram, porque foram ensinadas a pensar assim, afinal tudo correu sempre muito bem, andou a prometer o que não tinha para dar.
Muitas pessoas não acreditam que as suas contribuições – as delas e das empresas – não foram guardadas num cofre, à espera da data da reforma. Estão chocadas e espantadas. De repente, o dinheiro não é suficiente para pagar as pensões, são os “cortes” da austeridade e são as reduções que sucessivas reformas foram fazendo no convencimento de que a sustentabilidade por mais umas décadas estaria assegurada, que os pensionistas ficariam a salvo de cortes e que as novas gerações pagariam a factura. 
Faz confusão às pessoas que agora lhes venham dizer que as contribuições são para financiar as pensões que estão em pagamento. Afinal não existe um cofre e perguntam-se onde está a TSU, como é possível que o Estado tenha gasto o dinheiro de uma vida de trabalho.
Agora começam a entender que o Estado não cumpriu com o contrato social que lhe tinha sido confiado. A verdade é que haverá cada vez mais pensionistas e menos trabalhadores, mais pensões para pagar e cada vez menos contribuições para as financiar. A demografia é implacável e com a economia não podemos contar num futuro próximo. As pessoas têm razão para estar preocupadas, os pensionistas que não têm como se defender e os jovens que não acreditam que valha a pena fazer descontos para a segurança social porque não vão receber pensões. As pessoas deixaram de confiar no Estado e, no entanto, estão dependentes dele...

Non electi sanctus

Os media esforçam-se por esgravatar o passado do novo Papa. Já surgiram as primeiras revelações, ainda longe do bombástico, é certo, mas com o propósito manifesto de revelarem que os cardeais non electi sanctus, escolheram um homem, sujeito a erros, a fraquezas e imperfeições como qualquer ser humano.
O novo Papa faria bem em acabar com a divinização do patriarcado de Roma. Talvez assim a Igreja, ela própria, recuperasse alguma da humanidade perdida...