1. No turbilhão de comentários político-económicos, nomeadamente dos opinion-makers com vínculo contratual ao politicamente correcto bem como dos políticos profissionais agora em registo de quase histeria, passou praticamente despercebida uma sábia questão hoje suscitada por um dos economistas que, em minha opinião, tem revelado mais sagacidade na análise da situação nacional, o Dr. Vítor Bento...
2. ...que, muito singelamente, se interrogou: se os empresários (vulgo “patrões”) têm toda a liberdade para aumentar os salários que pagam aos seus trabalhadores, nomeadamente àqueles que auferem o salário mínimo, porque razão estão esperando que seja o Governo, o Estado em suma, a decidir esse aumento?
3. A questão parece ter toda a pertinência quando se ouve dizer que os representantes das confederações estão disponíveis para apoiar o aumento do salário mínimo nacional, juntando-se assim às confederações sindicais (estas com toda a lógica, uma vez que a demagogia, eregida a instrumento de trabalho quase obrigatório, já é desculpável)...
4. Com efeito, se os representantes patronais estão sendo sinceros, e se o aumento é assim tão oportuno, porque “carga de água” haverão as empresas associadas nas suas confederações de aguardar pelo aumento legal do salário mínimo nacional se dele não precisam para efectuarem os aumentos que muito bem entenderem?...
5. ...porque razão as Confederações Patroniais não dirigem já uma Carta-Circular aos seus associados, convidando-os a procederem a esse aumento sem mais demora, sem esperarem pela alteração da disposição legal?
6. Trata-se de um enigma muito curioso, que diz bem do grau de irrealismo e demagogia que hoje se instalou na discussão destes temas...muito provavelmente, se dirigissem aos seus associados a tal Carta-Circular, os responsáveis patronais arriscavam-se a receber em resposta numerosas missivas bem pouco simpáticas, algumas porventura com comentários bem abrasivos...
7. ...assim preferem habilmente atirar o odioso para cima do Governo que, queimado por 100 ou queimado por 500, já tanto faz! Mas que exemplo de coerência e de boas-práticas!



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