Número total de visualizações de páginas
sexta-feira, 16 de dezembro de 2005
O amante da boa soneca!...
Manuel Alegre, no Debate com M. Soares, na TVI
quinta-feira, 15 de dezembro de 2005
Os poderes...
Esta campanha para as presidenciais começou com a esquerda a agitar o fantasma do abuso de poderes constitucionais por parte de Cavaco Silva, caso fosse eleito Presidente.
Vital Moreira afirmava "(...) que não existe nenhum meio constitucional de controlar ou limitar os actos do Presidente, caso ele - Cavaco Silva - extravase dos seus poderes". Estávamos a 14 de Novembro.
Passou pouco mais de um mês.
Agora Francisco Louçã afirma que demitirá Alberto João Jardim.
Manuel Alegre diz que substituirá Souto Moura como Procurador-Geral da República caso seja eleito Presidente.
E vai mais longe. Afirma que admite dissolver o Parlamento em caso de privatização da água.
Afinal quem é que se prepara para abusar dos poderes constitucionais do Presidente da República?
Até os pinguins fazem exercício...
A necessidade de exercitar o nosso corpo é indispensável para um bom equilíbrio. A situação também se aplica a outros animais. Vejam o que está a acontecer com os pinguins de um jardim zoológico no Japão.
Os pinguins-rei que ficam mais gordos no Inverno vão ter que fazer passeios de 500 metros no interior do Zoológico Asahiyama, na Ilha de Hokkaido, duas vezes por dia até a segunda quinzena de Março. Cada passeio dura 30 minutos. Os animais só podem fazer este passeio apenas enquanto há neve já que as patas não estão preparadas para andarem noutra superfícies.
“Porque hoje é sábado”
…
Tudo isso porque o Senhor cismou em não descansar no Sexto Dia e sim no Sétimo
E para não ficar com as vastas mãos abanando
Resolveu fazer o homem à sua imagem e semelhança
Possivelmente, isto é, muito provavelmente
Porque era sábado.
(Vinicius de Moraes – O dia da criação)
A forma como os cidadãos identificam os problemas é interessante e merece a devida reflexão.
Na primeira análise dos dossiers da Provedoria do Ambiente surgiu-me uma queixa de uma munícipe perguntando por que razão num sábado à tarde estavam estacionados carros na Rua Larga entre a Faculdade de Medicina e a Faculdade de Ciências local onde é proibido circular, pelo menos para o comum dos cidadãos. A pergunta vinha enfeitada de uma fotografia esclarecedora. À guisa de complemento a senhora informava que os locais onde é permitido estacionar estavam às moscas. A pergunta foi, obviamente, canalizada para a polícia municipal, a qual informou que dispunha à data de 13 funcionários e que o horário aos sábados só abrangia o período da manhã.
Mais recentemente um outro cidadão insurgiu-se contra o facto de um agente da polícia municipal ter autuado todos veículos que não estavam devidamente parqueados no largo da Sé Nova, local onde muitos funcionários estacionam os seus veículos. Claro que o autor não questiona a legitimidade da polícia na sua actuação, como é óbvio, mas atendendo às dificuldades de estacionamento naquelas áreas – e não é de agora – a colocação de carros nos passeios, mesmo devidamente alinhados e sem que provoquem qualquer obstáculo aos restantes, deveria ser permitida. O melhor seria transformar o largo, reduzindo parte dos passeios circundantes, de forma a facilitar o estacionamento, aplicando parquímetros.
Os cidadãos têm de respeitar as regras e as autoridades têm a obrigação de as fazer cumprir. Certo. Certíssimo! O pior, são as evidências práticas de não cumprimento por parte de ambos, o que origina algum desconforto. A discrepância entre a não actuação aos sábados da parte da tarde e uma atitude zelosa de um funcionário numa qualquer manhã da semana é evidente. Mas, podemos ajudar os agentes a actuar, por exemplo, na rua Padre António Vieira, acesso privilegiado para quem vá para a Universidade. Nalgumas manhãs, é visível a dificuldade em circular naquela via, devido à presença de grupos de pessoas, com um ar tipo cliente-beato, as quais largam impunemente os seus veículos em segunda fila, numa rua de sentido único com estacionamento dos dois lados.
Os agentes têm direito a descanso. Deus também descansou ao sétimo dia. Mas argumentar a não autuação de veículos mal estacionados aos sábados da parte da tarde, por causa do justo descanso, fez-me recordar o famoso poema de Vinicius de Moraes: “o dia da criação”.
Porque que é que isto acontece? “Porque hoje é sábado”…
Pensamento sábio...
Mário Soares, Jornal de Notícias, 25.06.1976
quarta-feira, 14 de dezembro de 2005
A palavra de Soares
Ressalvado o facto de Soares ter aqui entrado em sério conflito com a verdade, já que criticou repetidamente Cavaco mesmo depois de decididos os debates, também já reincindiu após aquela afirmação.
Mas hoje, no debate com Manuel Alegre, Soares mais uma vez fez tábua rasa do que disse, já que por várias vezes criticou Cavaco, para mais não com objectividade, mas recorrendo a condenáveis processos de intenção.
Parafraseando João de Deus, a palavra de Soares:
…É o dia de hoje
…É ai que mal soa
…É sombra que foge
…É nuvem que voa!...
…É sonho tão leve
Que se desfaz como a neve
…E como o fumo se esvai!...
…É flor na corrente
…É sopro suave
…É estrela cadente
…Núvem que o vento nos ares
Uma após outra lançou.
…É pena caída
De vale em vale impelida
A palavra de Soares…
…O vento a levou!…
Barbárie
Estou profundamente chocado e não consigo conter a indignação.
De facto vivemos paredes meias com a barbárie, quer ela se exponha como expressão organizada do Estado ou como a mais nojenta manifestação da natureza humana.
A Descoberta!...
Esta verdadeira descoberta, que até à edição de hoje do Diário Económico ainda não tinha sido revelada, resultou de um profundo trabalho de investigação que durou os últimos dez anos.
Como sub-produto do estudo, foi também descoberta uma substância explosiva, a que um Assessor da Presidência deu o nome de pólvora!...
terça-feira, 13 de dezembro de 2005
Barbaridades

«Quando a pena [de morte] é aplicada de forma justa, rápida e segura, tem um efeito dissuasor e serve para salvar vidas inocentes».
A frase é nem mais nem menos do que do porta-voz da Casa Branca, o senhor Scott McClellan, e com ela alegadamente procurou justificar o apoio convicto do Presidente Bush à pena de morte.
Como é de facto ténue a película que separa a civilização da barbárie...
Gincanas
Saborosa Resposta!...
Mário Soares acerca de Cavaco Silva:"Quando um candidato diz que não é político profissional, o que é que quer dizer com isso? Não foi político profissional durante os dez anos em que foi primeiro-ministro? ”
”Permitam-me que adapte a lógica soarista à minha pessoa.
Um dos meus primeiros passos profissionais remunerados passou por enfiar um Actimel gigante na cabeça e andar aos saltos pelo Vasco da Gama.
Actimel once, ergo Actimel para sempre....
Estou agora disponível em aromas de tuti-fruti, morango e baunilha!... "
Mudam-se os tempos...
Por isso, decidi fazer umas leituras sobre o que lá se disse.
A minha memória sofreu um repentino abanão.
Então este Primeiro-Ministro que vem agora falar em contenção de despesas por parte dos municípios, não era o deputado que na anterior legislatura zurzia o Governo por cortar no orçamento para as autarquias?
Este Primeiro-Ministro que fala na necessidade de alterar a Lei das Finanças Locais, não era o deputado do PS que protestava contra a suspensão dessa Lei?
Quero aqui proclamar aos sete ventos que estou finalmente de acordo com o Sr. Dr. José Sócrates.
Os municípios portugueses têm que partilhar os sacrifícios dos portugueses!
Só espero que o Sr. Dr. José Sócrates não mude novamente de opinião sobre este tema...
... quando voltar para a oposição.
segunda-feira, 12 de dezembro de 2005
Confrangedor
Apesar de noutras ocasiões este encontro ter ocupado relevante espaço noticioso, desta vez a coisa passou quase despercebida. Só mereceram nota da comunicação social a abertura pelo Senhor Presidente da República e o encerramento pelo Senhor Primeiro-Ministro.
Mas não foram estes momentos algo que merecesse grande atenção, de facto.
A alocução do Dr. Jorge Sampaio foi mais do mesmo. A do Primeiro-Ministro, depois da frase "vamos directamente ao que interessa" que ameaça ser a imagem de marca do Engº Sócrates (ignorando com ela, olimpicamente, os queixumes de Mário de Almeida e os protestos de Fernando Ruas contra as maldades do Governo), soou a déja vu.
Bem sei que os presidentes das Câmaras de Lisboa e do Porto (como de outras importantes autarquias) se estiveram nas tintas para o congresso, não comparecendo (salvo Rui Rio na abertura) o que desde logo deu o sinal do pouco impacto que a reunião efectivamente veio a ter.
Não deixa, porém, de ser estranho este alheamento mediático uma vez que o congresso foi marcado por dois factos que deveriam, por politicamente significativos que foram, merecer a atenção dos media e dos nossos omniscientes comentadores e analistas.
Um: a ausência quase total de renovação dos órgãos da ANMP.
É verdade que na sequência das recentes eleições autárquicas poucos foram os municípios que mudaram de responsáveis. Isso não impediria, porém, que neste congresso se procurasse uma imagem nova para o poder local democrático que bem precisada dela anda. O primeiro passo seria naturalmente fazer aparecer protagonistas novos, com ideias renovadas, capazes de reabilitar e valorizar o papel das autarquias e dos autarcas à frente da sua associação. Mas não. Tudo nas mãos dos mesmos, nenhum refrescamento. Isto passou despercebido e não deveria ter passado.
Dois: uma confrangedora pobreza nas temáticas abordadas. Do documento estratégico até às intervenções (dos mesmos de sempre...), os temas passaram recorrentemente pelo auto-elogio e nenhuma auto-avaliação; pelo ataque - com laivos de irracionalidade - aos detratores do poder local; e à frenética condenação do Governo pelas medidas restritivas de carácter financeiro que incidiram sobre os municípios. Pouco ou nada de positivo ali aconteceu. Isto também passou despercebido e não deveria ter passado.
É de facto espantoso como quase nenhum dos temas da agenda actual ocupou os mais de 600 eleitos locais ali presentes.
No dia em que se fazia a avaliação da cimeira de Montreal sobre os resultados de Kyoto, os temas ambientais andaram arredados das "discussões". Nem uma palavra para a Agenda Local XXI. As questões do ordenamento do território foram abordadas pela empobrecedora óptica da necessidade de, mais uma vez, se rever legislação que tem poucos anos e que ninguém ainda avaliou seriamente. Ao de leve alguém tocou na questão do papel das autarquias no apoio social em ambiente de crise. A mais franciscana pobreza!
O ritual previsto, porém, cumpriu-se. A confirmar, em boa verdade, que foi para isto que o congresso se convocou: lá investiram, pelo voto, os mesmos de sempre num exercício de plena unicidade onde o bloco central melhor se realiza.
Crise de valores também por aqui...
ET: Já me esquecia de registar a maior ovação ocorrida na sala. Aconteceu quando foi anunciado que o próximo congresso, daqui a dois anos, se reunirá...nos Açores.
Banir os telemóveis das escolas...
O que é certo é que o executivo francês, assim como todos os partidos da oposição assinou uma proposta de lei que proíbe o uso de telemóveis nas escolas primárias e secundárias do país.
Aqui está uma solução mais saudável do que retirar os crucifixos das escolas ou impedir o uso do véu muçulmano.
Baleias-assassinas ou baleias-vítimas?
A poluição é uma constante exprimindo-se a vários níveis. A situação é alarmante. Desta feita as Orcas começam a sofrer as consequências da poluição em níveis superiores aos dos próprios ursos polares.
A gordura das orcas revela níveis elevados de pesticidas, retardantes e bifenilos policlorados. A gordura armazena estas substâncias que poluem o Árctico que se tornou num esgoto químico.
Parece que o que se anda a fazer em matéria de contaminação ambiental não está a dar resultados. Não esqueçamos que somos, também, animais que estão no topo da cadeia alimentar.
O Pacífico Mário, que já não ataca ninguém!...
domingo, 11 de dezembro de 2005
As 25 mais importantes questões científicas
Voila!
- What is consciousness?
- What is life?
- What is the universe made of?
- To what extent are genetic variation and personal health linked?
- Can the laws of physics be unified?
- How much can the human life span be extended?
- What controls organ regeneration?
- How can a skin cell become a nerve cell?
- How does a single somatic cell become a whole plant?
- How does Earth's interior work?
- Are we alone in the universe?
- How and where did life on Earth arise?
- What determines species diversity?
- What genetic changes made us uniquely human?
- How are memories stored and retrieved?
- How did cooperative behavior evolve?
- How will big pictures emerge from a sea of biological data?
- How far can we push chemical self-assembly?
- What are the limits of conventional computing?
- Can we selectively shut off the immune responses?
- Do deeper principles underlie quantum uncertainty and non-locality?
- Is an effective HIV vaccine feasible?
- How hot will the greenhouse world be?
- What can replace cheap oil, and when?
- Will Thomas Malthus [who predicted that overpopulation could lead to a global disaster] continue to be wrong?
Mao- O grande herói do socialismo chinês II
A deformação do carácter de Mao vem sendo confirmada aos poucos.
Mao era egocêntrico e megalómano e justificava o seu comportamento com a seguinte máxima ( utilizava, mesmo, o plural majestático…):
“…As pessoas como eu só têm obrigações para si próprias: não temos quaisquer obrigações para com as outras pessoas….”
Nesta ordem de ideias, utilizava o povo para chamar a si mais e mais poder.
“Nunca teve qualquer sentimento de altruísmo ou piedade, antes agiu sempre, de forma determinada, habilidosa e cruel, com um só e único fim: ter poder, exercer o poder, aumentar o poder”
Para tal, Mao recuperou a prática da tortura e das execuções em público.
Depois da Grande Marcha, a segunda e mais cega aventura de Mao foi o Grande Salto em Frente, o seu projecto lunático de fazer da China uma potência industrial num curtíssimo espaço de tempo.
“…Nenhuma das directrizes que mandou aplicar fazia sentido e o resultado foi uma quebra tão colossal do rendimento agrícola que dezenas de milhões de chineses morreram à fome, enquanto ele dava ordens para que os poucos cereais que ainda eram colhidos fossem requisitados pelo Exército e doados a países amigos...”
“…As políticas demenciais que haviam caracterizado o Grande Salto em Frente, como a ordem para mandar matar os pardais, o que deixou as culturas à mercê das pragas, ou a exigência de que cada aldeia construísse o seu alto forno siderúrgico, onde todos os objectos de ferro deviam ser fundidos, o que deixou os camponeses sem instrumentos para trabalhar a terra...” levaram à morte, pela fome, de milhões de camponeses.
É este o herói que muitos, em Portugal, ainda teimam em colocar como exemplo!…
Retalhado para vender
Não esquecerei os dias que lá passei e as novidades que então conheci.
Hoje, está ao abandono.
Um enorme parque de sucata.
A pouco e pouco estão a desfazer aquele conjunto urbano e os equipamentos que ainda lá restam. Uma verdadeira acção de desmembramento e desmantelamento.
A última notícia é a hipotética venda do teleférico, que está parado há 13 anos.
E ainda há quem diga mal da nossa Expo?!
Uma anedota...
Esperando a indulgência dos meus caros companheiros destas andanças, decidi reproduzir no 4R uma piada que ouvi por aí e que, em minha opinião, resume de forma magistral o estado da opinião pública sobre a presente campanha para as presidenciais.
A anedota é a seguinte:
"Cavaco Silva e Mário Soares declinaram um convite para aparecerem no programa 'Levanta-te e Ri'.
O primeiro porque não sabe rir.
O segundo porque já não se consegue levantar."
sábado, 10 de dezembro de 2005
Chupetas
Um estudo acabado de publicar vem demonstrar que as crianças que usam chupeta têm menos risco de sofrer a morte branca que atinge um em 2.000 bebés, passando para um caso em 20.000.
Além dos aspectos de natureza mecânica inerentes à alça externa das chupetas com carácter protector, parece que ainda ajudam a desenvolver a parte do cérebro que controla as vias respiratórias.
A Fundação para o Estudo de Mortes na Infância recomenda que um bebé que utilize este instrumento deve continuar a usá-lo regularmente e que não deve ser suprimido de um momento para o outro, porque nos dias em que não usem chupeta o risco de morte do berço aumenta.
Estamos a falar de uma doença que atinge as crianças com menos de um ano de idade. Quando atingirem esta idade, de acordo com os especialistas, deve ser retirada. O pior é que elas não querem e continuam a chuchar durante muito mais tempo. Às tantas ficam dependentes.
Imaginem o que poderia acontecer se um dia destes descobrissem outros efeitos positivos nas idades mais avançadas, tais como, estimular a inteligência, a verborreia (!), a criatividade e inovação políticas ou evitar qualquer tipo de morte súbita social. Era vê-los com chupetinhas de vários tamanhos e cores a todo o momento…
Soares o único com imagem negativa
O Barómetro Marktest/DN/TSF revela os saldos de imagem pública de cada um dos candidatos às eleições presidenciais, relativos ao mês de Novembro. O efeito da campanha de Mário Soares merece ter o maior destaque: é a prova provada que a sua estratégia ou foi errada ou o candidato é mesmo muito mau. Como não considero razoável a segunda hipótese explicativa, prefiro pensar que foi a primeira, precisamente a mesma explicação - vista ao contrário - que permite perceber o "score" de Manuel Alegre.
São estas as eleições limpas que se desejam!
O debate
A propósito do frente-a-frente a que hoje pudemos assistir entre Cavaco Silva e Francisco Louçã lembrei-me desta reflexão de MK e percebi o que realmente soa estranho nestes debates artificialmente organizados numa base de pseudo igualdade entre candidatos. A dimensão destes dois homens, goste-se ou não de cada um deles, é de tal modo diferente que é penoso ouvi-los com a obrigação de confrontarem. O homem de Estado e o regedor da aldeia, para retomar o exemplo do autor que cito, a pequena imortalidade de Louçã a agarrar-se com desespero ao grande momento em que se ilude com voos mais altos...
Aguardemos o debate entre homens de Estado, Cavaco Silva e Mário Soares, para então termos um grande momento da política nacional.
sexta-feira, 9 de dezembro de 2005
Não fume. Este filme mata!
A Convenção Quadro da Organização Mundial de Saúde para o Controlo do Tabaco foi ratificada, a 8 de Novembro, por Portugal. Este documento exige, entre outras, a tomada de medidas legislativas.
O anúncio, por parte do Ministério da Saúde, de alteração da legislação de forma a impedir que se fume nos locais públicos e a venda a menores de 18 anos, é bem-vindo, mas, estranhamente, tarda em conhecer a luz do dia. Até parece que há alguns travões ao processo.
A luta contra o tabagismo assume importância mundial, já que se trata da principal causa de morte evitável. As medidas instituídas nalguns países, nomeadamente as de carácter proibitivo, estão a dar resultados surpreendentes. A par destas disposições, a educação e o esclarecimento dos mais jovens são vitais para contrariar este comportamento. Evitar que um jovem comece a fumar é mais prático e fácil do que levá-lo a desistir.
Os interesses ao redor do tabaco são de grande monta. O próprio Estado, na sua hipocrisia pseudo preventiva, não descura a cobrança dos impostos sobre o mesmo. Aliás, já anunciou aumentos para o próximo ano, o que não é despropositado como medida dissuasora, mas não deixa de ser alvo de críticas de lutas de classes. O reputado cronista, Ruben de Carvalho, já se insurgiu contra o facto do imposto ser maior no “vulgo cigarro, bem como ao chamado tabaco de corte fino destinado a cigarros de enrolar, isto é, a popularíssima "onça" que vemos os mais idosos enrolarem com fascinante proficiência nas propriamente ditas "mortalhas" de papel”. Acontece que não há aumento do imposto nos charutos e cigarrilhas, facto inexplicável e que traduz injustiça fiscal. Para mim podia e devia ser aumentado de forma substancial nestes casos. O que me preocupa mais é a forma encapotada de continuar a publicitar e estimular o seu consumo. É proibida a publicidade. Pois é! Mas, acontece que através dos filmes, sobretudo para os jovens, se consiga fazer passar a mensagem. Não se via desde 1950 cenas de consumo de tabaco como agora. Um estudo, publicado na revista médica Pediatrics, descreve “10,9 cenas de tabaco” por hora de filme em 2002, valor superior ao observado nos filmes em 1950! Foi em 1982 que se observou as cifras mais baixas, metade da observada em 2002.
Stanton Glantz, professor de medicina na Universidade da Califórnia, calculou que os filmes levam, anualmente, cerca de 400.000 jovens adolescentes a entrar no mundo de tabagismo. Um aspecto curioso diz respeito à diferença do número médio de cenas de tabaco entre os filmes classificados para jovens e os filmes de adultos. Neste último caso o número de cenas é manifestamente inferior. Alguém acredita que se trata de uma simples coincidência? A indústria tabaqueira não se coíbe de utilizar todas as formas possíveis e imagináveis para se alimentar. Os jovens são os alvos preferidos.
Se os velhinhos vierem a ter dificuldade na compra da sua “onça” de tabaco, motivado pelo próximo aumento do imposto, e por essa razão deixarem de fumar, ainda poderão beneficiar em termos de saúde.
Vamos lá apostar ...
Devem ter andado a rebuscar os ficheiros todos, se calhar até de antes do 25 de Abril. Uma declaração, um documento para mostrar diante das câmaras e "fazer a cena".
Eleições limpas
No início e no fim do debate na RTP1, deu para perceber um pouco mais o que poderá tornar menos limpas as próximas eleições: o modelo dos debates não está ajustado ao estilo e à estratégia de Mário Soares, ele gostaria que os jornalistas lhe fizessem outras perguntas que não as que fazem e que os ataques feitos a Cavaco Silva foram por culpa dos jornalistas - "andam sempre a fazer perguntas sobre CS!".
O que Mário Soares está a tentar passar é uma tese muito simples: há uma coligação 2CS (Cavaco Silva + Comunicação Social) que está a limitar a liberdade de expressão do candidato Mário Soares. Ele não consegue levar a campanha e os debates para o estilo e ambiente que o poderiam favorecer, detesta as regras dos debates que o limitam, não quer defender as suas ideias, apenas pretende levar o adversário a cometer erros. Desta vez ainda não houve nenhum incidente que possa dramatizar.
Por isso considera o risco de estas eleições não serem limpas.
Pelo contrário, para mim, o problema de Mário Soares é o de que estas eleições estão a ficar limpas de mais.
Bellamy. O leão de ouro....
A problemática do envelhecimento não se confina apenas aos seres humanos. Muitos animais que vivem em cativeiro têm cada vez mais oportunidade de atingir idades nunca pensadas se tivessem que viver em liberdade. Atendendo ao número crescente de animais de companhia e em cativeiro não tarda muito que surja a especialidade de geriatria veterinária.
A minha cadelita lá vai andando com os seus 16 anos (tempo máximo de sobrevivência para os leões em cativeiro). Já se queixa. Está a ficar surda, meio cegueta, teimosa, mas mesmo assim é um espectáculo.
quinta-feira, 8 de dezembro de 2005
O Viajante Global!...
Não. M. Soares anda da esquerda para o centro, do centro para a direita, da direita para o centro, do centro para a esquerda…em contínuos e permanentes círculos…
Com a devida vénia ao Blog “OSinédrio”:
A Associação das Agências de Viagem Portuguesas (AAVP) quer aqui anunciar, que apoia o candidato Mário Soares à Presidência da República, pelas razões de seguida mencionadas:
Durante os anos que ocupou o Palácio de Belém, Soares visitou 57 países(alguns várias vezes como, por exemplo, Espanha, que visitou 24 vezes e aFrança, 21 vezes), percorrendo no total 992.809 KMS o que corresponde a 22 vezes a volta ao mundo!...
1986
11 a 13 de Maio - Grã-Bretanha; 06 a 09 de Julho - França
12 a 14 de Setembro – Espanha; 17 a 25 de Outubro - Grã-Bretanha e França
28 de Outubro – Moçambique; 05 a 08 de Dezembro - São Tomé e Príncipe
08 a 11 de Dezembro - Cabo Verde
1987
15 a 18 de Janeiro – Espanha; 24 de Março a 05 de Abril - Brasil
16 a 26 de Maio - Estados Unidos; 13 a 16 de Junho - França e Suíça
16 a 20 de Outubro – França; 22 a 29 de Novembro - Rússia
14 a 19 de Dezembro - Espanha
1988
18 a 23 de Abril – Alemanha; 16 a 18 de Maio - Luxemburgo
18 a 21 de Maio – Suíça; 31 de Maio a 05 de Junho - Filipinas
05 a 08 de Junho - Estados Unidos; 08 a 13 de Agosto - Equador
13 a 15 de Outubro – Alemanha; 15 a 18 de Outubro - Itália
05 a 10 de Novembro – França; 12 a 17 de Dezembro - Grécia
1989
19 a 21 de Janeiro – Alemanha; 31 de Janeiro a 05 de Fevereiro - Venezuela
21 a 27 de Fevereiro – Japão; 27 de Fevereiro a 05 de Março - Hong-Kong e Macau
5 a 12 de Março – Itália; 24 de Junho a 02 de Julho - Estados Unidos
12 a 16 de Julho - Estados Unidos; 17 a 19 de Julho - Espanha
27 de Setembro a 02 de Outubro – Hungria; 02 a 04 de Outubro - Holanda
16 a 24 de Outubro – França; 20 a 24 de Novembro - Guiné-Bissau
24 a 26 de Novembro - Costa do Marfim; 26 a 30 de Novembro - Zaire
27 a 30 de Dezembro - República Checa
1990
15 a 20 de Fevereiro – Itália
10 a 21 de Março - Chile e Brasil; 26 a 29 de Abril – Itália
05 a 06 de Maio - Espanha; 15 a 20 de Maio – Marrocos
09 a 11 de Outubro - Suécia
27 a 28 de Outubro – Espanha; 11 a 12 de Novembro - Japão
1991
12 a 31 de Janeiro – Noruega; 21 a 23 de Março - Cabo Verde
02 a 04 de Abril - São Tomé e Príncipe; 05 a 09 de Abril - Itália
17 a 23 de Maio – Rússia; 08 a 11 de Julho - Espanha
16 a 23 de Julho – México; 27 de Agosto a 01 de Setembro - Espanha
14 a 19 de Setembro - França e Bélgica
08 a 10 de Outubro – Bélgica; 22 a 24 de Novembro - França
08 a 12 de Dezembro - Bélgica e França
1992
10 a 14 de Janeiro - Estados Unidos; 23 de Janeiro a 04 de Fevereiro - India
09 a 11 de Março – França; 13 a 14 de Março - Espanha
25 a 29 de Abril – Espanha; 04 a 06 de Maio - Suíça
06 a 09 de Maio – Dinamarca; 26 a 28de Maio - Alemanha
30 a 31 de Maio – Espanha; 01 a 07 de Junho - Brasil
11 a 13 de Junho – Espanha; 13 a 15 de Junho - Alemanha
19 a 21 de Junho – Itália; 14 a 16 de Outubro - França
16 a 19 de Outubro – Alemanha
19 a 21 de Outubro - Áustria; 21 a 27 de Outubro – Turquia
01 a 03 de Novembro - Espanha
17 a 19 de Novembro – França; 26 a 28 de Novembro - Espanha
13 a 16 de Dezembro – França
1993
17 a 21 de Fevereiro - França 14 a 16 de Março - Bélgica06 a 07 de Abril - Espanha
18 a 20 de Abril - Alemanha- 21 a 23 de Abril - Estados Unidos
27 de Abril a 02 de Maio - Grã-Bretanha e Escócia -14 a 16 de Maio - Espanha
17 a 19 de Maio - França-22 a 23 de Maio - Espanha
01 a 04 de Junho - Irlanda-04 a 06 de Junho - Islândia
05 a 06 de Julho - Espanha-09 a 14 de Julho - Chile
14 a 21 de Julho - Brasil-24 a 26 de Julho - Espanha
06 a 07 de Agosto - Bélgica-07 a 08 de Setembro - Espanha
14 a 17 de de Outubro - Coreia do Norte-18 a 27 de Outubro - Japão
28 a 31 de Outubro - Hong-Kong e Macau
1994
02 a 05 de Fevereiro - França-27 de Fevereiro a 03 de Março - Espanha (incluindo Canárias)
18 a 26 de Março - Brasil-08 a 12 de Maio - África do Sul (Tomada de posse de Mandela)
22 a 27 de Maio - Itália-27 a 31 de Maio - África do Sul
06 a 07 de Junho - Espanha-12 a 20 de Junho - Colômbia
05 a 06 de Julho - França-10 a 13 de Setembro - Itália
13 a 16 de Setembro - Bulgária-16 a 18 de Setembro - França
28 a 30 de Setembro - Guiné-Bissau-09 a 11 de Outubro - Malta
11 a 16 de Outubro - Egipto-17 a 18 de Outubro - Letónia
18 a 20 de Outubro - Polónia-09 a 10 de Novembro - Grã-Bretanha
15 a 17 de Novembro - República Checa-17 a 19 de Novembro - Suíça
27 a 28 de Novembro - Marrocos-07 a 12 de Dezembro - Moçambique
1995
30 de Dezembro 94 a 09 de Janeiro 1995 - Brasil-31 de Janeiro a 02 de Fevereiro - França
12 a 13 de Fevereiro - Espanha-07 a 08 de Março - Tunísia
06 a 10 de Abril - Macau-10 a 17 de Abril - China
17 a 19 de Abril - Paquistão-07 a 09 de Maio - França
21 de Setembro - Espanha- 23 a 28 de Setembro - Turquia
14 a 19 de Outubro - Argentina e Uruguai
20 a 23 de Outubro - Estados Unidos-27 de Outubro - Espanha
31 de Outubro a 04 de Novembro - Israel-04 e 05 de Novembro Faixa de Gaza e Cisjordânia
05 e 06 de Novembro - Cidade de Jerusalém-15 a 16 de Novembro - França
17 a 24 de Novembro - África do Sul-24 a 28 de Novembro - Ilhas Seychelles
04 a 05 de Dezembro - Costa do Marfim-06 a 10 de Dezembro - Macau
11 a 16 de Dezembro - Japão
1996
08 a 11 de Janeiro - Angola
UFF!...
Poesia matemática
Do livro matemático
Um Quociente apaixonou-se
Um dia
Doidamente
Por uma Incógnita.
Olhou-a com seu olhar inumerável
E viu-a, do Ápice à Base,
Uma Figura Ímpar;
Olhos rombóides, boca trapezóide,
Corpo otogonal, seios esferóides.
Fez da sua
Uma vida
Paralela a dela
Até que se encontraram
No Infinito.
"Quem és tu?" indagou ele
Com ânsia radical.
"Sou a soma dos quadrados dos catetos.
Mas pode me chamar de Hipotenusa."
E de falarem descobriram que eram
- O que, em aritmética, corresponde
A almas irmãs -
Primos-entre-si.
E assim se amaram
Ao quadrado da velocidade da luz
Numa sexta potenciação
Traçando
Ao sabor do momento
E da paixão
Retas, curvas, círculos e linhas sinoidais.
Escandalizaram os ortodoxos das fórmulas euclideanas
E os exegetas do Universo Finito.
Romperam convenções newtonianas e pitagóricas.
E, enfim, resolveram se casar
Constituir um lar.
Mais que um lar,
Uma perpendicular.
Convidaram para padrinhos
O Poliedro e a Bissetriz.
E fizeram planos, equações e diagramas para o futuro
Sonhando com uma felicidade
Integral
E diferencial.
E se casaram e tiveram uma secante e três cones
Muito engraçadinhos
E foram felizes
Até aquele dia
Em que tudo, afinal,
Vira monotonia.
Foi então que surgiu
O Máximo Divisor Comum
Freqüentador de Círculos Concêntricos.
Viciosos.
Ofereceu-lhe, a ela,
Uma Grandeza Absoluta,
E reduziu-a a um Denominador Comum.
Ele, Quociente, percebeu
Que com ela não formava mais Um Todo,
Uma Unidade. Era o Triângulo,
Tanto chamado amoroso.
Desse problema ela era a fração
Mais ordinária.
Mas foi então que o Einstein descobriu a Relatividade
E tudo que era expúrio passou a ser
Moralidade
Como, aliás, em qualquer
Sociedade.
Millôr Fernandes
O grande herói do socialismo chinês!...
Segundo as últimas investigações, Mao terá sido responsável por milhões e milhões de mortos, falando-se em números como 70 milhões.
Enquanto milhões morriam na China devido ás políticas, às purgas e às vinganças de Mao Tsé-Tung, o revolucionário herói cuidava da sua qualidade de vida.
Na Longa Marcha, era transportado em liteira, sempre bem agasalhado e alimentado, enquanto os soldados morriam aos milhares, de fome, de frio e de doença e eram abandonados pelos caminhos.
Passada a Longa Marcha, o grande herói decidiu viver, em nome do povo, no meio do luxo e do prazer.
“…Tendo descoberto o prazer de ser lavado por criados, deixou de tomar banho e durante 25 anos toda a sua higiene era assegurada por lavagens com toalhas embebidas em água quente.
Por fim, tinha ao seu dispor “bailarinas” com quem dormia, para escândalo dos comunistas mais ortodoxos.
Mesmo velho e doente, fazia passar pela sua cama jovens virgens como os velhos senhores do Império do Meio.
Tinha comboios próprios e, quando o seu avião levantava voo, todos os outros aviões chineses não militares não podiam descolar…”
Jung Shang, in Mao Tsé-Tung, a História desconhecida
quarta-feira, 7 de dezembro de 2005
Comboio movido a vacas!
O esforço por um melhor ambiente está na ordem do dia. Encontrar combustíveis alternativos, menos poluentes e evitar o efeito estufa constituem objectivos prioritários.
Dentro dos gases com efeito estufa destacamos o metano. Tem várias origens, mas uma delas não é nada discipienda. O gado bovino é um dos principais responsáveis. Em França, por exemplo, as vacas e touros gauleses são responsáveis pela emissão de 38 milhões de toneladas de metano por ano, mais do que o dobro dos gases emitidos pelas 14 refinarias de petróleo do país. De facto, a agricultura francesa é a campeã europeia da emissão de gases com efeito estufa. Não sei se o protocolo de Quioto contempla a compra de créditos de metano. Mas não são só as vacas francesas a poluírem de metano a atmosfera. Os próprios comedores de coxas de rã, devido ao hábito de comerem muita carne, também contribuem para a emissão deste gás.
Os suecos, por sua vez, descobriram uma nova forma de obter energia: biogás proveniente de vaca. O combustível pode ser obtido a partir de restos de animais. As vacas são abatidas e trituradas e misturadas com água e plantas. Após semanas de decomposição produz-se metano que alimenta os motores. Graças a este novo combustível foi possível por em marcha o primeiro comboio do mundo movido a vacas. A primeira viagem inaugural decorreu muito recentemente numa extensão de 80 Km. A propósito, o consumo médio é de uma vaca por quatro quilómetros. Sendo assim foram necessárias 20 vacas. Quem diria que muitos países já manifestaram o seu interesse, entre eles a própria Índia. Neste último caso, as vacas, sendo sagradas, não poderão ser usadas como combustível directo, mas os produtos dos quatro estômagos, ricos em metano, poderão ser uma interessante opção.
Ora, aqui está uma alternativa válida para um país, como o nosso, que não dispõe de petróleo. Produzir metano não me parece ser muito difícil de alcançar. Temos vacas, touros e outros animais, claro…
Eliminação do Português ou Governo contra Governo!...
“Fui, já lá vão bastantes anos, professor de Cálculo Financeiro, disciplina que exige uma sólida preparação matemática.Verificando as dificuldades dos alunos, procurei saber as causas. A Matemática, na sua formulação algébrica, é uma linguagem simbólica: traduz-se em transformar a linguagem corrente em símbolos e, depois, operar com eles. A transformação em símbolos algébricos da linguagem corrente, oral ou escrita, por exemplo, na equacionação de um problema, não é possível, se o aluno não compreender essa mesma linguagem, isto é, se não a souber decompor e distinguir nos seus diversos elementos. Sem isso, nunca conseguirá navegar na matemática. Concluí assim que a principal dificuldade dos alunos advinha, pasme-se, de não saberem ou dominarem mal o português!...Por isso, ao propor, oralmente ou por escrito, qualquer exercício, a primeira coisa que passei a exigir aos alunos era aquilo que, no tempo em que aprendi, se chamava divisão das orações. (Agora, se esta prática não for ainda anti-pedagógica, terá, pela certa, nome bem mais complexo!...) Dividida a oração, obrigava os alunos a saberem onde estava o sujeito, o predicado, os complementos, etc, etc. (Julgo que a esses conceitos correspondem agora outras palavras, como sintagma verbal para o predicado, entre muitas igualmente eruditas!...) Chegados a este ponto, mandava traduzir em símbolos matemáticos as diversas orações, ligando os elementos conhecidos com aqueles que se pretendia conhecer, as incógnitas. A colocação de um problema em equação, por exemplo, tornava-se assim razoavelmente simples. Às regras da operativa matemática dava semelhante tratamento. Confesso que os resultados me espantaram!...O problema não estava na Matemática, mas no Português.Por isso, não me causa qualquer espanto que os maus resultados de matemática andem associados aos de português. Sendo inevitável que assim seja, aqui deixo uma leve sugestão: aponte-se para o que é básico e ensine-se bem português, para que os alunos comecem por saber e compreender português, para poderem compreender e saber matemática!...
terça-feira, 6 de dezembro de 2005
Dois sinais preocupantes da Educação
Duas notícias relativas a medidas que o Ministério da Educação tem em preparação deixam uma preocupação acrescida relativamente à sua natureza e significado.
A primeira dá-nos conta da eliminação do Português e da Filosofia do leque de disciplinas com exame obrigatório para conclusão do ensino secundário. Na prática transformam um instrumento de avaliação externa dos conhecimentos e competências adquiridos no ensino secundário, numa prova de acesso ao ensino superior. Aquilo que devia ser um instrumento de avaliação e aferição de desempenhos, bem como um referencial de exigência para os saberes estruturantes, passa a ser uma prova de selecção e seriação de candidatos ao ensino superior.
Mais uma vez, reforça-se a concepção do ensino secundário como um mero ciclo propedêutico do ensino superior, cedendo-se à pressão de algumas Universidades e a alguns serviços do Ministério da Educação que manifestamente não gostam de exames.
A segunda notícia anuncia a possibilidade de contratação de “animadores” para preencher os prolongamentos horários do 1.º ciclo. Primeiro, esvaziaram-se os Centros de Tempos Livres (geridos por associações de pais, IPSS’s e autarquias) que se viram obrigados a dispensar pessoal e alguns a encerrar as portas, para depois autorizar as escolas a contratar os ditos animadores, não se sabe ainda sob que regime contratual.
Os sindicatos aplaudem, mas o orçamento contorce-se com dores cada vez maiores.
Não vale a pena fazer dramas, mas que estou mais preocupado estou, mesmo que me venham dizer que o que se poupa com menos exames dá para contratar umas dezenas de animadores.
“...Cinco escudos azuis esclarecidos, em sinal destes cinco reis vencidos...”
Faz hoje anos que morreu Afonso Henriques (1185). Apesar de todas as vicissitudes valeu a pena o seu esforço.
"Já fica vencedor o Lusitano,
Recolhendo os troféus e presa rica;
Desbaratado e roto o Mauro Hispano,
Três dias o grão Rei no campo fica.
Aqui pinta no branco escudo ufano,
Que agora esta vitória certifica,
Cinco escudos azuis esclarecidos,
Em sinal destes cinco Reis vencidos,
"E nestes cinco escudos pinta os trinta
Dinheiros por que Deus fora vendido,
Escrevendo a memória, em vária tinta,
Daquele de Quem foi favorecido.
Em cada um dos cinco, cinco pinta,
Porque assi fica o número cumprido,
Contando duas vezes o do meio,
Dos cinco azuis, que em cruz pintando veio.
Lusíadas iii
Mário Soares-símbolo e garantia do facilitismo!...
Com a devida vénia, transcrevo um excerto de um actual e esclarecedor "post" que aí encontrei e que traduz o pior da nossa sociedade, que é o facilitismo e a mão sempre estendida ao Estado.
“Um grupo de jovens decidiu criar um site de jovens, para os jovens e com jovens para apoiar Mário Soares. Até aqui nada de especial.
E elaboraram um manifesto de 30 pontos, que inclui entre outros …
segunda-feira, 5 de dezembro de 2005
Hoje é diferente!

Ontem, um estudo pôs em destaque que o consumo de vinho, mesmo em doses moderadas, não tem o tal efeito positivo em termos de prevenção das doenças cardiovasculares. Hoje, um novo estudo vem revelar que o consumo moderado pode ser uma boa maneira de evitar a obesidade. Claro que os que bebem em demasia tem tendência para ficarem obesos.
Ora, sabendo que os portugueses estão entre os mais obesos do mundo, espero que a eventual mensagem de que o consumo moderado de bebidas pode protegê-los da obesidade, não se venha a revelar como perniciosa. É que o conceito de moderado entre nós é mesmo muito, muito relativo…
Uma questão de cultura...e nada mais!...
Nos comentários que se seguiram, a Suzana recomendou a leitura do artigo “A Cruz e o Trapézio” de João Bénard da Costa, no Público de 4 de Dezembro, que também li.
Por ter muito conteúdo e por ser muito bem escrito, não resisto a deixar um pequeno excerto.
“…Nos casos evocados, como no caso das cruzes nas escolas, a dimensão do símbolo ultrapassa de longe a questão religiosa, para ser sobretudo uma questão cultural.
Entendam-me bem: para um católico...qualquer cristão, seja ele protestante ou ortodoxo, ...nenhuma outra simbologia se sobrepõe a essa.
Mas, para os outros portugueses, mesmo os que mais professem o ateísmo, o símbolo é o símbolo de uma cultura que, goste-se ou não, queira-se ou não, desde a fundação da nacionalidade foi e é critério.
Mesmo aqueles para quem Jesus foi só um dos milhares de homens que sofreu uma das mais horríveis formas de morte que os homens infligiram a outros homens, mesmo até para aqueles que põem em causa a sua existência histórica, a Cruz é um elemento sociologicamente identificador, que assinala a nossa pertença a uma determinada civilização e a uma determinada cultura..
A História que culminou nela e que foi narrada pelos quatro evangelistas...é a História sem a qual nada compreenderíamos da História de Portugal e da esmagadora maioria da poesia e literatura portuguesa ou da arte portuguesa...”
Novo triângulo das Bermudas?
Debate Cavaco-Alegre, primeiras impressões
A elevação do debate, a forma como cada candidato esclareceu as suas posições, não escondendo as suas divergências, constrastam com o tipo de campanha dos restantes três candidatos, em especial a de Mário Soares que tinha obrigação de ter um comportamento que não fosse a de líder de facção ou de grupelho partidário.
Duas apreciações adicionais:
Cavaco Silva - quem diz que não percebe o seu projecto e as suas ideias, está a fazer um autêntico elogio à surdez e à cegueira. Só não percebe quem não quer perceber e apenas destruir.
Manuel Alegre - Em três ou quatro pontos assumiu-se como candidato da esquerda, nos restantes - e foram muitos mais - em nada se distinguiu do seu opositor.
Como um primeiro balanço direi que Cavaco Silva justificou e consolidou o que as sondagens vêm anunciando e Manuel Alegre é cada vez mais "o outro candidato".
domingo, 4 de dezembro de 2005
Isabelle Dinoir

A notícia do primeiro transplante da face prendeu a nossa atenção. A história de uma senhora desfigurada pelo seu cão levou à tomada desta inédita iniciativa.
Afinal poderão dizer que os animais também podem ser cruéis e, por vezes, não reconhecem os próprios donos. No caso vertente o cão de Isabelle Dinoir desfigurou-a, porque a senhora tinha tentado suicidar-se com hipnóticos. O cão tentou acordá-la e fez as coisas à sua maneira. De certo modo acabou por a salvar.
Boa sorte para a senhora.
Esqueci-me de dizer que esta é a primeira fotografia após o transplante.
Um copo de vinho...
"Red glass of wine" (Neal Evans)
Em 1979 foi publicado um artigo na revista The Lancet onde se estabelecia pela primeira vez uma associação protectora do vinho nas doenças cardiovasculares. Desde então, muitos outros vieram a terreiro comprovando não só o achado, como também explicar os mecanismos. Generalizou-se o conceito ao ponto de hoje não haver praticamente ninguém que não saiba que o consumo moderado de vinho faz bem ao coração. Alguns mais puristas vão ao ponto de dizer que só o tinto é que tem essas propriedades, devido os famosos antioxidantes denominados flavonóides.
Calculou-se inclusive uma redução de 20 a 25% das doenças cardiovasculares nos bebedores moderados. Mas, agora, um estudo neo-zelandês, envolvendo mais de 200.000 pessoas, vem por em causa esta asserção. Os ditos benefícios podem ser menores que os danos causados mesmo bebendo um ou dois copos de vinho por dia. Dentro de três dezenas de factores de risco cardiovascular, 27 são mais comuns nos que não bebem. Deste modo, reaparece o velho conceito de que os que bebem são mais saudáveis do que os que não bebem. Sendo assim, a diferenças entre os dois grupos tem a ver mais com a prevalência dos factores de risco.
"A boa notícia é que as pessoas ainda podem beber álcool em moderação. Não há evidências de que um consumo leve ou moderado de álcool prejudique o coração. No entanto, beber demais pode trazer efeitos adversos para a saúde", afirma Belinda Linden, da Fundação Britânica do Coração.
Pronto! Lá se vai o argumento de muitos que queriam cuidar do seu coração desta forma.
Afinal é preciso ter saúde para beber e não beber para ter saúde. De qualquer modo, ainda vou tendo (acho eu!) alguma saúde…
Um pacote de leite...e um preservativo!...
As pegadas

Ontem fui a casamento que teve uma cerimónia religiosa lindíssima. Um dos textos escolhidos pelos noivos é de um autor anónimo e, pela sua beleza tocante e porque serve para todos os Credos e sobretudo para a ausência deles (isso existe??), aqui o deixo para que possam conhecê-lo.
"Uma noite, eu tive um sonho. Sonhei que andava na praia, passeando com o Senhor e, no Céu, passavam cenas da minha vida. À medida que passavam iam ficando pegadas na areia: umas minhas, outras do Senhor. Ao olhar para elas notei que muitas vezes, no caminho da minha vida, havia apenas um par de pegadas. Vi que isso aconteceu nos momentos mais difíceis e angustiosos do meu viver.
Disse então ao Senhor:
Tu disseste-me que, quando decidi seguir-Te, andarias sempre comigo em todos os Caminhos. Contudo, durante as maiores tribulações, havia apenas um par de pegadas na areia. Não compreendo porque é que nas horas que eu mais precisava de Ti, Tu me deixaste sozinho.
Respondeu o Senhor:
Meu querido filho, jamais te deixaria sozinho nas horas de sofrimento. Quando viste na areia apenas um par de pegadas, eram as minhas. Foi nessas alturas que te levei ao colo".
Paredes vazias
Isto nada tem que ver com a fé de cada um e muito menos com a liberdade religiosa. Uma coisa é impôr nas escolas os crucifixos e impedir quaisquer outras referências religiosas. Outra coisa, muito diferente, é deixar que surjam com naturalidade ou aí permaneçam porque alguém as considerou importantes. A humanização dos espaços, de que hoje tanto se fala, passa por aí. Fazer disso um caso, dando ordens para tirar ou impondo que fiquem, é que conduz aos extremismos que tanto se quer combater. Estes ou outros.
Porque uma coisa é certa - as paredes nunca ficam vazias, a ausência do que quer que seja também tem um sentido.
Os limites do laicismo
Recebi alguns honestos e legítimos comentários, contrariando a opinião expressa.
Mas esta questão da laicidade parece ter geometria muito variável…os seus limites são de acordo com as conveniências…
Segundo o artigo 120 da Constituição, o Presidente da República “representa a República Portuguesa…e garante a unidade do Estado…”, laico, como se sabe.
Atentaria a unidade do Estado e repugnaria ao laicismo que o Presidente da República (pessoa a quem todos, normalmente, adoram…) pudesse ter no Palácio de Belém, residência oficial, um quadro, estou a falar de mera hipótese, como a Adoração dos Magos, de Grão Vasco, excelente pintor português?
Ou que a Assembleia da República, “representativa de todos os cidadãos portugueses”, segundo o art. 147 da Constituição, (e em que todos os Presidentes se sentem no céu…) pudesse ter no Palácio de S. Bento um quadro como, por hipótese, a Assunção de Nossa Senhora ao Céu, de Rúbens?
Ou que na Residência Oficial do 1º Ministro (um verdadeiro “Cristo”, a quem todos atiram pedras…) pudesse estar dependurado um quadro como, por hipótese, Cristo na Cruz, de Velásquez, de ascendência portuguesa?
Custar-me-ia a acreditar que tal não pudesse acontecer, por razões de laicidade!…
Como parece estar longe qualquer contestação aos feriados de natureza religiosa cristã, como o Natal, a Páscoa, o Corpo de Deus, a Assunção de Nossa Senhora, a Imaculada Conceição ou o Dia de Todos os Santos!...
Há alguma ruptura na sociedade portuguesa por causa disso?
E, então, se nas paredes de uma escola, em vez de um crucifixo vulgar, estivesse uma dos Cristos de Bual?
Retirava-se também, por atentado ao laicismo? Ou por atentado à cultura?
Enfim, quais os limites do laicismo, é a minha pergunta honesta?
sábado, 3 de dezembro de 2005
Crucifixos ou preservativos?
Ainda não apagado o fogo da indignação eis que surge uma proposta originária dos mesmos sectores. Mário Soares, em declarações no acto de lançamento do MP3, movimento de jovens apoiantes da sua candidatura, defendeu "a distribuição de preservativos nas escolas" (edição impressa do Público, p.9). A ideia não é nova. A JS e o Bloco de Esquerda já haviam defendido a instalação de máquinas de preservativos em todas as escolas.
O que me impressiona é esta obsessão com os preservativos nas escolas, como se estas fossem locais privilegiados para a concretização do acto sexual desprotegido.
Será que é esta a imagem que querem fazer passar? Uma espécie de novo símbolo da pós-modernidade escolar?
Já agora porque não colocar máquinas de preservativas nos tribunais, nos corredores da Assembleia da República, nos Paços do Concelho, na sede da Junta de Freguesia ou à entrada de qualquer quartel militar?
A inocente
O facto é que Catarina Eufémia não deve ter avaliado o perigo do que fazia, não teria sido um assomo heróico e revolucionário com que a pintaram para fins políticos o que a moveu, mas sim a atitude corajosa de quem achou que tinha o direito de mostrar a sua razão e a sua necessidade de um aumento de ordenado. Não contava com a morte.
Era esta a sua inocência, não precisava a história de lhe acrescentar uma falsa gravidez, como se o inocente fosse a criança e ela a revolucionária assassinada. A revolução vingaria a revoltosa e choraria o inocente, isso era o que convinha mais, como se a morte de alguém que afirma os seus direitos não desse tema para uma lenda arrebatadora de novas militâncias.
Não há agora dúvidas sobre a não gravidez de Catarina Eufémia e ainda bem. Afinal morreu só uma inocente, muito mais inocente do quem lhe construiu a história sem saber o que é ser mãe.
Coitado de quem faz...
Quem trabalha no Estado, sobretudo com funções de responsabilidade em matéria financeira, sabe bem do que falo, chegando a haver serviços que têm sete e oito inspecções de serviços diferentes, que só por milagre dão a mesma interpretação ao emaranhado que se foi tecendo sobre a legalidade disto ou daquilo.
Além disso, ou por isso mesmo, as funções de quem executa são em geral muito menos bem pagas do que as de quem avalia e fiscaliza e a sua qualificação técnica é muitas vezes desprezada em matéria de formação.
Os serviços financeiros despovoam-se quando se abre um concurso para as carreiras inspectivas e o que se reclama é mais e mais gente para reforçar este tipo de funções, ao mesmo tempo que se retrai a contratação de técnicos para executar. O resultado é que onde antes se decidia, agora se suscitam dúvidas, pedem-se pareceres, confrontam-se doutrinas e só quando há segurança absoluta se põe o despacho.
O Tribunal de Contas pede reforço de competências e poderes? Admito que sim, mas seria sem dúvida mais importante simplificar, ensinar quem faz e dotar os serviços das competências que lhes permitam depois assumir as responsabilidades. Ganhariamos todos em celeridade dos processos, em mais transparência e em mais responsabilidade.
sexta-feira, 2 de dezembro de 2005
Prostituição e MP3
Dentro das trinta propostas do manifesto da organização “Mário Soares Presidente 3” (MP3), movimento de jovens que apoiam o leão da política nacional, destaco a seguinte: “É necessário um enquadramento legal que proteja as mulheres e homens que se prostituem, defendendo os seus direitos e combatendo a sua exclusão. Só a regulamentação da prostituição permitirá combater de forma mais eficaz a exploração e o tráfico de seres humanos, a prostituição infantil e a violência exercida sobre as mulheres e homens que se dedicam a esta actividade”.
Fiquei surpreendido com a atitude de Mário Soares, defensor e paladino das liberdades e direitos dos seres humanos, ao aderir a esta posição. A razão é muito simples. A prostituição deve ser considerada como uma forma de violência do homem contra a mulher e as crianças. Hoje fala-se muito da violência doméstica e violência sobre as mulheres. É um paradoxo esta posição. Mesmo que invoquem que estamos perante a “mais velha profissão do mundo”, cliché clássico, não conseguem legitimar uma actividade que é contrária aos direitos e à dignidade humana. As prostitutas que abundam por aí não são propriamente clones de Aspásia de Mileto.
A legislação sueca conseguiu através de várias medidas acabar praticamente com a prostituição. As prostitutas não são condenadas mas os compradores de sexo são criminalizados. Quanto à legalização vejam o que aconteceu na Austrália. Falhou estrondosamente.
Nivelar por baixo é fácil. Nivelar por cima é mais complexo, mas não é impossível e tem a vantagem de não por em causa a dignidade de um ser humano.
Ponho-me a imaginar a prostituição regulamentada em Portugal. O tráfico e a exploração das mulheres continuavam. Os chulos passariam a ter estatuto de profissão e de actividade económica legalmente reconhecida. Passariam a andar por aí, ufanos, ricos, anafados, benfeitores, instituidores de alguma fundação, arriscando-se a receberem alguma comenda.
Não consigo compreender certas posições. Que os seres humanos se amem e façam amor, tudo bem. Agora prostituírem-se…
A burrice laica
Sendo um símbolo religioso, também é o símbolo e a explicação de uma cultura e de uma civilização.
A opinião do colunista João Miguel Tavares na coluna de Opinião do Diário de Notícias de 2 de Dezembro:
“…Por mim, podem limpar as escolas de todos os crucifixos, e, já agora, que se aproxima essa perigosa quadra para o laicismo do Estado chamada Natal, podem proibir também os presépios e até a apanha de musgo. A única coisa que me incomoda neste pequeno psicodrama é que o Ministério da Educação perca o seu tempo a expelir circulares muito legais, muito constitucionais e muito burras. O senhor que está pendurado nos crucifixos não é apenas um símbolo religioso - é também um símbolo civilizacional, que atravessa todo o Ocidente através da pintura, da literatura, da música, da arquitectura, do teatro, do cinema. Mais do que propaganda católica, o crucifixo faz parte da nossa identidade e é uma chave para compreender os últimos 21 séculos de História. Não tem a ver com fé. Não tem a ver com Deus. Tem a ver connosco”.
João Miguel Tavares jmtavares@dn.pt
Trabalho político!...
É das votações mais importantes, a par das Sessões de aprovação do Programa do Governo, e daquelas em que se votam moções de confiança ou de rejeição.
Faltaram 20% dos Deputados!...
Como não é crível que se desse tamanha acumulação de mortes de familiares ou de doenças de Deputados, motivos de justificação de faltas, os Deputados faltosos vão justificar a ausência invocando a única outra justificação possível que, aliás, nem tem que ser comprovada, e que é trabalho político...
É que assim não correm o risco de perder o mandato, por darem além de três faltas injustificadas, …o que, aliás, nunca aconteceu por esse motivo...e com tal justificação, também não perdem o vencimento...
Trabalho político, pois!...
Com exemplos destes, Faltistas de todas as profissões... faltem…que estão perdoados!...
quinta-feira, 1 de dezembro de 2005
Dívida, eficiência e confiança
De acordo com associações do sector o prazo médio de pagamento é de 5,8 meses quando a lei impõe um máximo de 2 meses.
É natural que durante o corrente ano estes indicadores se possam agravar. Muita obra concluída a tempo das eleições está agora a ser facturada. Muitos autos de medição estão ainda retidos de forma a não agravar as contas do corrente ano. Sei de um caso, pelo menos, em que a presidente reteve os autos para poder continuar a dizer em campanha eleitoral que pagava a 30 dias, não denunciando a grave situação financeira da edilidade.
Perante esta prática o que fazem os empreiteiros? Inflacionam os preços de forma a cobrir os mais que certos custos financeiros adicionais. Mas, acima de tudo, não falam nem apresentam queixa, sob risco de perderem a próxima empreitada.
O Estado poderá sempre publicitar a lista de devedores ao fisco, mas seria interessante saber quais os serviços e organismos da Administraçao Pública que são eles próprios devedores e maus pagadores. Talvez que esse recurso ajudasse a fazer baixar o prazo médio de pagamento e a responsabilizar politicamente quem é useiro e vezeiro neste tipo de práticas.
Também neste caso o exemplo tem de vir de cima.
Misérias da justiça
O julgamento do caso da criança que caiu numa caixa de esgoto alegadamente sem tampa ou protecção e foi encontrada morta em 1999 na estação de tratamento da Arrentela, que culminou na condenação do município do Seixal no pagamento de uma indemnização, terá de ser repetido.
A crer no que noticiam os jornais a razão da anulação do julgamento deve-se à circuntância de os registos magnéticos de algumas perguntas às testemunhas e parte dos depoimentos destas serem inaudíveis, impedindo que o tribunal de recurso se pronuncie sobre a bondade da sentença.
Não se pense que é este um episódio raro.
Acontece-me amiúde mudar de sala de audiências por causa das avarias continuadas dos equipamentos de gravação.
Ou esperar horas por um técnico para resolver um problema de captação (que nunca aparece).
Já passei pela caricata situação de ter de me deslocar do tribunal onde deveria decorrer a audiência, em procissão participada por juizes, restantes advogados, testemunhas e funcionários transportando o volumoso processo, para as instalações do Centro de Estudos Judiciários, solução de recurso para evitar mais um adiamento de sessão de julgamento por impossibilidade de gravação da prova, porquanto ali existia um aparelho que funcionava.
Lembro-me que nesse julgamento o stress e a irritação eram tais pelo facto de se chegar ao fim de 20, 30 minutos, uma hora de julgamento e se perceber que afinal...nada tinha sido registado, que eu e o Colega da parte contrária acertámos em dividir a despesa da aquisição de um gravador, manifestando ao Colectivo a mútua disposição de, naquela hora, nos deslocarmos ao Martim Moniz - onde existiu uma feira de rua na qual se transaccionavam aparelhagens de som - para definitivamente resolver o problema que ninguém se apresentava a resolver, oferecendo o aparelho ao tribunal!
A decisão desse julgamento (cujo processo se iniciou em 1993!) encontra-se hoje em fase de recurso. Adivinham qual é um dos fundamentos?
Poderia também contar aqui alguns episódios caricatos com a obtenção do depoimento de testemunhas pelo sistema de video-conferência instalado nos tribunais. Mas era pôr demasiado na carta...
O sistema de justiça terá, como todos os sistemas sociais, as suas grandezas e as suas misérias. Falar nas grandezas é um acto cada vez mais difícil porque as misérias são de tal forma gritantes que compreensivelmente obnubilam qualquer registo de elevação.
Voltando ao caso que deu mote a esta nota.
Sei bem quais "as regras do jogo" do sistema. É com elas que faço o meu dia-a-dia. Não ignoro, por isso, que a inaudibilidade dos registos magnéticos é obviamente razão para a anulação e repetição do julgamento.
Apesar de o saber, não consigo deixar de pensar que o facto é em si a negação da própria ideia de justiça, uma vez que ninguém poderá garantir que a prova que conduziu áquele resultado será reproduzida nas novas audiências. E, logo, que o resultado se repetirá...
E apesar destes anos todos a assistir a coisas destas, não deixo igualmente de imaginar a dor horrorosa que não terão tido aquela mãe e aquele pai na hora em que souberam que afinal não acabou, mal começou...
Por coisas destas gostaria eu de ver os chamados "operadores judiciários" a exercer com veemência o seu direito à indignação. Ou, por isto sim, a convocar para a greve. Por coisas destas...
Dia Mundial da Luta Contra a Sida
Hoje é o Dia Mundial da Luta Contra a Sida. O papa Bento XVI referiu-se à situação vivida à escala planetária como “alarmante”. Apela a uma maior proximidade em relação aos doentes e famílias, assim como um melhor “acesso económico aos medicamentos retro-virais”.
O papel a desenvolver pela Igreja Católica é fundamental na luta contra esta praga. Mas, há sempre um ou mais mas, nestas iniciativas. A não referência ao uso do preservativo é de lamentar. É triste ver o papel desempenhado pela hierarquia religiosa agarrada a certos princípios dogmáticos. A falta de adaptação à realidade tem consequências. Para todos, inclusive para a própria igreja. O afastamento de uma artista católica, Daniela Mercury, do concerto de Natal no Vaticano, pelo facto de ser uma defensora da utilização do preservativo constitui uma atitude perfeitamente anedótica. Começo a pensar o que diria Cristo perante uma situação destas. Ponho-me a adivinhar…
Bioterrorista
Passada a onda...podem faltar descansados!...
Também não aprovo a atitude de Manuel Alegre: é Deputado, devia comparecer e votar.
Mas a “irritação” do PS revela a profunda hipocrisia dos nossos políticos.
Basta consultar o Regimento da A. República para verificar que um Deputado perde o mandato se der mais que três faltas injustificadas por sessão legislativa.
E basta também consultá-lo, para verificar que as faltas só podem ser justificadas em três casos: morte de parente próximo, doença comprovada, e trabalho político, não sendo necessário comprovar a razão deste último motivo.
Como os dois primeiros motivos não dão para justificar todas as faltas, muitos Deputados usam e abusam, sobretudo abusam, da sua justificação por trabalho político, não sujeito a comprovação.
Por isso, e já não falando das ausências às reuniões das Comissões, em todas as Sessões Parlamentares há muitas faltas, como é evidenciado no Diário das Sessões.
Na anterior Legislatura, Mota Amaral fez um grande esforço para disciplinar as faltas dos Deputados ao Plenário e às Comissões, propondo um novo Regulamento, mas sem qualquer resultado substancial, já que defrontou a reacção contrária dos Deputados.
Agora, Manuel Alegre, que até pode invocar formalmente, como justificação das faltas, o trabalho político, é censurado por faltar.
Não fosse ele candidato à margem do PS, e o Partido Socialista não falaria na falta, pelo que a censura radica apenas no oportunismo e na hipocrisia.
Mas, passada a onda, todos os deputados poderão continuar a invocar trabalho político para faltar descansados!...



















