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Confesso que este ano hesitei. Os dias foram passando, hoje não posso, amanhã logo vejo, onde é que eu vou agora encontrar uma árvore bonita, as crianças já são grandes e não estão cá… Para quê fazer a árvore de Natal e o Presépio?, ponho as figurinhas num canto e já está…
Mas ontem cheguei a casa, tarde como sempre, e ali estava num canto da cozinha um pinheiro todo embrulhado, muito bonito, com um papelinho a dizer – “Procurámos desses que a Câmara vende, com raízes e terra, depois podes plantá-lo”! As minhas filhas sabem dar recados bem directos…
E lá arrastei a mesa, medi o canto na sala, gastei um tempão a arranjar o suporte que comportasse as raízes e, ainda de mau humor, lá consegui que a árvore não me caísse em cima. Ainda pensei: fica assim, amanhã vou buscar os caixotes com as mil coisas que fomos acumulando, escolho duas ou três, e está feito!
Mas o pinheiro cheira tão bem! E fui buscar tudo. Ficou uma árvore bem pirosa, daquelas cheias de cor e bolas diferentes, nada de geometrias ou tudo a condizer, uma árvore de Natal tem que brilhar por todos os lados e levar muito tempo a apreciar tudo o que tem. O pior foram as luzinhas, é sempre o mais difícil de pôr para ficar bem e não se apagarem a meio com os puxões.
Sobravam por fim as caixas do Presépio, muito rancorosas a olhar para a minha cara de quem ia mas é dormir, já chega por hoje…
Mas abri a primeira e dei logo com a cabana de cortiça e o Menino Jesus de pernas para o ar lá dentro, coitado, um ano inteiro assim e ainda a ter que dar presentes! Procurei o meu mau humor e tinha desaparecido…
Lá tirei tudo, o prazer de rever, de associar cada peça ao momento em que a escolhemos, esta foi daqui, aquela dali, mas porque é que a vaca e o burro não cabem na casinha?...ah, bem sei, partiram-se os outros quando o Presépio se virou há 2 Natais atrás com as brincadeiras dos sobrinhos pequenos.
Acabei já eram várias horas do novo dia, mas tive pena de não ter mais peças ainda. Um Presépio é também uma celebração de todas as vezes que nos juntámos para o Natal, dos que vieram de novo em cada ano e também dos que estiveram mas já não podem voltar, por isso vai crescendo, coisas novas e coisas velhas, numa harmonia que espelha os encontros da família e o desejo de os repetir.
Dá trabalho, é verdade, mas é tão bonito! E ganhei uma árvore nova para o meu jardim, se uma mãozinha deslumbrada não derrubar num instante estas horas de paciência e encanto. Mas isso também faz parte das festas…
Um Feliz Natal a todos!