Número total de visualizações de página

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Economia portuguesa: novo patamar de estabilidade pode ser boa notícia...


  1. As novas projecções para a economia portuguesa, no período 2014-2016, ontem divulgadas pelo BdeP, sugerem que a economia portuguesa, não tendo por certo ultrapassado muitos dos seus problemas ou desequilíbrios “ancestrais”, está dando passos visíveis e consistentes para um novo patamar de estabilidade.
  2. Com efeito, essas projecções mostram que a economia poderá experimentar, no período em referência, um crescimento moderado do PIB (0,9%; 1,5%; 1,6%), em boa parte animado pelo consumo privado (+2,2%; +2,1%; +1,3%) e pelo investimento em Capital fixo (+2,2%; +4,2%; +3,5%), mantendo ao mesmo tempo um saudável excedente nas contas com o exterior.
  3. O excedente das contas com o exterior deverá traduzir-se, segundo as mesmas projecções, em saldos conjuntos das Balanças Corrente e de Capital, em % do PIB, de 2,6% em 2014,  2,8% em 2015, e 2,9% em 2016.
  4. O que estes cenários também evidenciam, na minha modesta avaliação, é que teremos chegado ao ponto em que não se mostrarão necessárias doses adicionais da famosa “Austeridade”, permitindo à actividade económica ir ganhando crescente ritmo e criando mais emprego, sem que com isso sejam colocados em causa os chamados equilíbrios fundamentais da economia…
  5. …tornando possível, ao mesmo tempo, ir reduzindo o endividamento do País em relação ao exterior(não ainda do Estado, infelizmente, mas já sabemos que este é o mais preguiçoso de todos os agentes económicos).
  6. De resto e como já aqui assinalei em Post recente, a melhoria que se vem verificando nas contas externas, excedendo as melhores expectativas no corrente ano, fica a dever bastante à descida das taxas de juro da dívida ao exterior, a qual, por sua vez, é fruto do enorme esforço feito pelo País – Empresas e Famílias em grande destaque – nos últimos 3 anos…que não foi em vão, por muito que digam em contrário...
  7. Admito que haja alguns ou mesmo muitos cidadãos insatisfeitos com o ritmo de recuperação revisto para este período – e até se poderá ser algo mais ambicioso que o BdeP,  no que diz respeito a 2016 em especial, sem com isso cair em exagero – desejando que a actividade cresça a muito maior ritmo…
  8. …mas será  altura de lembrar que os problemas mais difíceis que temos enfrentado resultaram, quase sempre, de se ter imprimido excesso de velocidade á actividade económica, utilizando o motor errado (procura interna), que acaba sempre por gripar e atirar o País para a valeta…

17 comentários:

Magico disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Carlos Sério disse...

“deve-se à descida das taxas de juro da dívida ao exterior, a qual, por sua vez, é fruto do enorme esforço feito pelo País – Empresas e Famílias em grande destaque – nos últimos 3 anos…”
Será mesmo essa a razão fundamental da descida das taxas de juro da dívida? Tais descidas verificaram-se em todos os países do euro, desde a Grécia, à Espanha passando pela Itália e pela França.
Tendo o país uma dívida pública superior a 130% do PIB, quando em 2010 não chegava aos 94%; com o garrote anual da despesa do pagamento dos juros superior a 7 mil milhões de euros quando em 2010 não chegava aos 4 mil milhões; com uma taxa de desemprego efectiva superior a 15% quando em 2010 não chegava aos 10%; com um total de população empregada em 2013 de 4.429 pessoas quando em 2010 era de 4.848 pessoas; com um investimento (FBCF) de 25.923 milhões de euros em 2013 quando em 2010 esse investimento era de 36.938 milhões de euros; sem as receitas para o Estado das empresas lucrativas que entretanto foram privatizadas, CTT, Galp, Ren, etc; bem, dizer que por estas razões a taxa dos juros da dívida baixaram, não lembraria ao mais cego ortodoxo neoliberal.
Ou não será antes porque entretanto as políticas relativas ao endividamento dos países por parte do BCE e do senhor Mario Draghi mudaram?
(Mario Draghi confirmou hoje que o BCE está pronto para comprar dívida pública de países do euro em dificuldades em nome do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF) logo que os Governos assim o decidam.)


Pedro Almeida disse...

Caro Dr. Tavares Moreira,

Mas não eram eles, os profetas da desgraça, que falavam em "espiral recessiva"? Não eram eles que falavam em "inevitabilidade de um novo resgate financeiro"? A realidade encarregou-se de os desmentir! Aliás, foram ao ponto de afirmarem que "a direita" queria destruir o Serviço Nacional de Saúde! Ora, quem tem pago as dívidas que foram deixadas no âmbito da saúde? Aliás, que foram deixadas nos mais variados âmbitos! E à falta de argumentos dizem que com o atual Governo a dívida tem crescido. Mas omitem que se alargou o perímetro de contabilização da dívida...Havia a famosa dívida escondida! Esse era um dos expedientes a que se recorria para ir disfarçando o verdadeiro estado das finanças públicas!

Pedro Almeida disse...

Contudo, apesar de todos os avanços conseguidos pelo atual Governo e com imensos mas inevitáveis sacrifícios, mantenho algum pessimismo quanto ao futuro. A respeito disso, sugiro a leitura de uma excelente reflexão de José Manuel Fernandes. Eis o link:

http://observador.pt/opiniao/um-povo-que-nao-se-governa-nem-se-deixa-governar/

Carlos Sério disse...

Sobre a dívida escondida

A Comissão (Eurostat) entende a expressão «dívida pública indirecta» como a dívida das empresas públicas. Embora a Comissão tenha conhecimento da existência desses dados e acolha favoravelmente a sua publicação, tais dados não são, por agora, recolhidos nem validados pela Comissão. No futuro, e impreterivelmente a partir de Janeiro de 2015, a Comissão (Eurostat) estará em condições de publicar a dívida de empresas públicas (bem como as garantias governamentais e as parcerias público-privadas extrapatrimoniais) por força da Directiva 2011/85/UE sobre requisitos aplicáveis aos quadros orçamentais dos Estados-Membros.
Se à dívida das empresas públicas e das parcerias público privadas (PPP), ao que se chama dívida pública indirecta (fora das regras de Maastricht) e que em 2012 correspondia a cerca de 15% do PIB, contarmos com o endividamento garantido pelo Estado em nome dos bancos (passivos contingenciais) o endividamento indirecto ascende a 30% do PIB. Uma autêntica bomba-relógio no parecer da Standard & Poor's.

Pedro Almeida disse...

Ainda sobre o aumento da dívida pública:

Em suma, e uma vez mais reforçando o que já foi dito vezes e vezes sem conta, a dívida pública portuguesa em % do PIB aumentou nos últimos 3 anos essencialmente devido a cinco factores:

A contracção do PIB, fenómeno que explica entre 2 a 6 p.p. de crescimento no rácio, consoante o ano de referência;

Os défices orçamentais que ainda se registam, que têm um efeito positivo (isto é, são fluxos que acrescem ao stock) na dívida pública;

A redefinição do perímetro orçamental e a inclusão da dívida do Sector Empresarial do Estado, e ainda a inclusão contabilística de despesas futuras, como os encargos com as PPPs, cuja rúbrica apenas entrava para o défice no ano do seu efectivo pagamento;

O fundo de provisionamento financeiro que foi constituído e reforçado em caso de urgência;

O empréstimo de 78 mil milhões da Troika.

In
http://oinsurgente.org/2014/11/04/porque-aumentou-a-divida-publica/#

(Inclui quadro do IGCP sobre a evolução da dívida)

Pedro Almeida disse...

UMA OUTRA ANÁLISE (INCLUI GRÁFICOS) SOBRE O AUMENTO DA DÍVIDA PÚBLICA. EIS O LINK:


http://oinsurgente.org/2014/02/03/a-falacia-do-aumento-da-divida-publica/

Pedro Almeida disse...

Não deixem de ler toda a análise contida na página cujo link foi indicado no post anterior.

Carlos Sério disse...

“Ainda sobre o aumento da dívida pública: O empréstimo de 78 mil milhões da Troika”.
Quando as "entidades" forem de facto incluídas na dívida pública (o que irá acontecer por regra da UE em 2015, a nossa dívida subirá de 130% do PIB para 147% do PIB. Quem o diz é o hedge fund (http://www.zerohedge.com/news/2014-01-09/hedge-fund-slams-portuguese-bonds-64-page-slideshow).
Não, a dívida subiu porque subiram os encargos do Estado, fruto do aumento da despesa do Estado provocado pela crise financeira e pelo agravamento da recessão dada a opção da duplicação da austeridade inicialmente prevista no memorando (enquanto o memorando da Troika exigia medidas de consolidação orçamental em 2012 no valor de 5.073 milhões de euros, o Governo decidiu agravá-las para um valor de 9.042,3 milhões (Relatório do OE-2012) e 5.300 milhões em 2013), o que alias constitui o orgulho deste governo. Casos de aumento da dívida provocados pela crise financeira aconteceram em todos os países do euro. A Espanha tinha em 2007 uma dívida de 43% do PIB e hoje está próxima dos 100%, como a Irlanda que tinha uma dívida inferior a 30% e hoje é superior aos 100%.
Não, o empréstimo dos 78.000 milhões de euros da Troyca não agravou a dívida em 78.000 milhões de euros. Retirando os 12.000 milhões cativos para a banca, nada mais constitui uma nova dívida. Os 66.000 milhões de euros foram gastos na troca de dívida, isto é, paga as amortizações de dívida que aconteceram em 2011, 2012 e 2013. Mudamos de credores e mantivemos igual dívida.


Tavares Moreira disse...

Caro Pedro de Almeida,

Tem muita razão na sua análise explicativa dos factores que determinaram a evolução (leia-se crescimento) da dívida pública portuguesa nos últimos anos.
Ressalvo, todavia, a parte do empréstimo da Troika, quanto aos € 66 milhões que resultam da exclusão da verba que foi afectada ao reforço da solidez de instituições financeiras.
Esses € 66 milhões na prática serviram para refinanciar dívida que se foi vencendo, pelo que tiveram um efeito praticamente nulo quanto ao saldo total da dívida.
No restante, reitero a minha concordância, não deixando de notar as leituras dominantemente patéticas que muitos comentadores vêm fazendo sobre este fenómeno do crescimento da dívida, ignorando (nalguns casos deliberadamente) os seus "drivers".

Pedro Almeida disse...

Caro Dr. Tavares Moreira,

Obrigado pelo seu comentário. Tem efetivamente razão quanto ao empréstimo da troika.

Já agora uma outra reflexão:

Via e-mail, um leitor coloca uma questão antiga: por que é que é precisamente nos países que pediram ajuda externa que a dívida pública mais tem crescido? Mais desconcertante ainda, por que é que isso só acontece após a chegada da Troika?


A resposta é simples, mas tem algumas nuances. E dá-me a oportunidade de falar acerca de uma questão que não abordei da última vez que escrevi sobre o assunto.

Comecemos pela aritmética da dívida. A dívida pública resulta do somatório de défices orçamentais. Se num determinado ano o défice dispara, a dívida acumula-se*. E essa acumulação prossegue ininterruptamente até que a origem do problema, o défice, seja por fim eliminada.

Claro que o crescimento do PIB pode reduzir o peso da dívida, através da sua ‘diluição’ num denominador maior. Mas se estivermos a falar de défices na casa dos 8 ou 9% do PIB, este efeito é, para todos os efeitos práticos, pouco relevante.

Como não é fácil eliminar um défice orçamental de um dia para o outro, basta que o défice atinja um valor anormalmente alto durante um ano t para que a dívida pública aumente na mesma medida e tenda a aumentar nos anos seguintes - pelo menos até que o défice atinja um nível que possa ser acomodado pelo crescimento natural do PIB. O crescimento da dívida é inevitável após o período ; a única incerteza é em relação à magnitude desse crescimento, que depende do grau de consolidação obtido atingir e da evolução do PIB.

Ora, foi precisamente a degradação da situação das contas públicas das economias periféricas (2008/2009) que provocou tanto o pedido de ajuda externa como as medidas de consolidação orçamental que se seguiram – os dois factores estão associados.


Continua (com gráficos) em:

https://desviocolossal.wordpress.com/2014/09/18/dinamica-da-divida-e-opcoes-de-politica/#more-1736

João Pires da Cruz disse...

Há uma resposta mais simples. Só depois da chegada de troika se consolidou a dívida de maneira a que os contribuintes soubessem quanto é que os respectivos estados deviam de facto. Tudo se resume a uma mera mas gigantesca fraude contabilística, que se fosse feita por mim estaria na cadeia, mas como foi feita por políticos...

Carlos Sério disse...

A dívida pública “antes da chegada da Troika” subiu, quase na mesma ordem de grandeza, para menos contudo, desde o ano de 2008, isto é desde o estalar dos efeitos da crise financeira internacional iniciada nos Estados Unidos, em 2007, com o chamado "subprime".
A dívida pública portuguesa era em 2007 de 68,4% do PIB, subindo para 94,0% em 2010 e 108,2% em 2011. Não é verdade portanto que a subida da diva se deve à entrada da Troika. O mesmo aliás aconteceu na Grécia, na Espanha, na Irlanda, na Itália e na generalidade dos países do euro.
A divida pública deve-se a dois efeitos conjugados que se somam.
O arrefecimento, ou melhor o congelamento da economia por falta de crédito bancário (os bancos europeus estavam a braços com problemas de solvência atolhados como se encontravam em activos tóxicos, sem liquidez, deixando de emprestar dinheiro uns aos outros para o rolamento das suas dívidas e com necessidades imperiosas das ajudas dos estados que injectaram dinheiro nos bancos sendo estes substituídos depois pelo BCE com massivos empréstimos. O BCE ofereceu à banca europeia em 21 de Dezembro de 2011, 529.531 milhões de euros a 523 bancos a juros de 1% a três anos, acrescentando a 29 de Fevereiro de 2012 uma nova oferta de 489.200 milhões a 800 bancos, com iguais tão condições, deixaram de dar crédito às empresas que teve como resultado a falência de muitas e despedimentos em série. Tal acarretou menos receita para o estado em IRC, IRS e IVA por um lado e mais despesas com o subsídio de desemprego e outros apoios sociais por outro. Somado a isto os apoios financeiros à banca resultou num acelerar da dívida pública. O que alias aconteceu por toda a Europa. A crise financeira é a responsável pelo eclodir das chamadas crises das dívidas públicas e não outras razões como aquela que se conta às crianças para as assustar como “os portugueses viviam acima das suas possibilidades”.
Que os neoliberais cegos em seus dogmas queiram negar a realidade não é de estranhar. O tempo se encarregará de demonstrar a sua cegueira.

Tavares Moreira disse...

Caro Pedro de Almeida,

Quanto mais leio esta argumentação falaciosa em contrário (sem prejuízo do respeito devido às pessoas que a emitem), mais me convenço da razoabilidade dos seus comentários. Pode estar certo da justeza dos raciocínios que enunciou.

Carlos Sério disse...

Los resultados son pasmosos: en un plazo de poco más de dos años y medio, entre el 1º de Diciembre del 2007 y el 21 de Julio de 2010, la Fed otorgó préstamos secretos a grandes corporaciones y empresas del sector financiero por valor de 16 billones de dólares, una cifra mayor que el PIB de los Estados Unidos que en el año 2010 fue de 14.5 billones de dólares y más elevada que la suma de los presupuestos del gobierno federal durante los últimos cuatro años.
Los principales beneficiarios de estos préstamos –concedidos entre el 1º de Diciembre de 2007 y el 21 de Julio de 2010- son los siguientes:

Citigroup: $2.5 billones ($2,500,000,000,000)
Morgan Stanley: $2.04 billones ($2,040,000,000,000)
Merrill Lynch: $1.949 billones ($1,949,000,000,000)
Bank of America: $1.344 billones ($1,344,000,000,000)
Barclays PLC (United Kingdom): $868 mil millones ($868,000,000,000)
Bear Sterns: $853 mil millones ($853,000,000,000)
Goldman Sachs: $814 mil millones ($814,000,000,000)
Royal Bank of Scotland (UK): $541 mil millones ($541,000,000,000)
JP Morgan Chase: $391 mil millones ($391,000,000,000)
Deutsche Bank (Germany): $354 mil millones ($354,000,000,000)
UBS (Switzerland): $287 mil millones ($287,000,000,000)
Credit Suisse (Switzerland): $262 mil millones ($262,000,000,000)
Lehman Brothers: $183 mil millones ($183,000,000,000)
Bank of Scotland (United Kingdom): $181 mil millones ($181,000,000,000)
BNP Paribas (France): $175 mil millones ($175,000,000,000)
Wells Fargo & Co. $159 mil millones ($159,000,000,000)
Dexia SA (Belgium) ) $159 mil millones ($159,000,000,000)
Wachovia Corporation $142 mil millones ($142,000,000,000)
Dresdner Bank AG (Germany) $135 mil millones ($135,000,000,000)
Societe Generale SA (France) $124 mil millones ($124,000,000,000)
Todos los demás $2,6 billones ($ 2,639,000,000,000)
Total $16.115 billones ($ 16.115.000.000.000)

Carlos Sério disse...

"argumentação falaciosa"
João Rendeiro, no lançamento do seu livro,
"em 2008 todos os bancos estavam falidos; uns assumiram outros esconderam".

Pedro Almeida disse...

Caro Dr. Tavares Moreira,

Obrigado pelas suas palavras. Um bem-haja e um forte abraço.