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terça-feira, 16 de dezembro de 2014

TAP: Os sabotadores da economia

Os Sindicatos da TAP persistem na sua decisão de "greve", no caso uma acção de verdadeira sabotagem da economia. Sabotagem por razões políticas, porque não querem a privatização da empresa, como se fossem eles, e não o poder eleito, que tivessem legitimidade para tal. 
Não é uma acção contra o Governo, nem sequer apenas contra os clientes da TAP, é uma vergonhosa atitude de desprezo absoluto pelos portugueses e pelos direitos dos trabalhadores e famílias e pelas actividades que sofrem prejuízos incalculáveis, financeiros e de reputação, pela insensatez dos sindicatos. 
Não tome o governo as medidas que se impõem e será o reconhecimento objectivo de que os verdadeiros donos da companhia são os sindicatos. E, se assim for, também o governo não escapará à conivência da sabotagem da actividade económica.

21 comentários:

septuagenário disse...

Agora até Soares é saudosista da Obra Prima de Salazar, a TAP é um símbolo diz ele.

Simbolo do Império? talvez.

Não sabia é que Soares era filho do senhor prior, disse-me ele no DN.

Zuricher disse...

Quando se aceita e defende como direito constitucionalmente protegido o direito à greve sem quaisquer limitações não pode esperar-se que ele seja usado apenas de acordo com dados critérios que cada um tem como aceitaveis segundo o seu sistema de valores pessoal.

Ou se defende o direito à greve e se aceitam as consequências que o exercício desse direito acarreta, incluindo o uso político da greve ou se defende a limitação constitucional do direito à greve ou mesmo a sua inexistencia.

Pinho Cardão disse...

Caro Zuricher:
O direito à greve não é um direito absoluto.

Caro Septuagenário:

Esta TAP não é nada estratégica para o país, seja lá o que isso for. É estratégica, sim, para os sindicatos, por isso querem-na como ela está.

Zuricher disse...

Caro Pinho Cardão, mas como tal é tratado, não apenas pela opinião pública como pela própria lei. Os casos em que pode ser cerceado através da requisição civil são muito limitados e apenas possiveis quando estão em causa efeitos particularmente graves e limitada aos serviços essenciais ou sectores vitais. Ou seja, o âmbito em que pode aplicar-se é muito reduzido.

septuagenário disse...

A TAP não é estratégica, as colónias lusófonas se querem viajar de TAP que a sustentem tal como fazem com os acordos ortográficos.

Eles é que mandam em tudo o que nos sobrou.

Andamos cheios de saudosismo e armados em grandes para quê?

Até a selecção de futebol e a TAP já estão dependentes de brasileiros e africanos.

Remodelemos o regime.

Nem império nem saudades do mesmo.

Diogo disse...

Retirado daqui:

http://www.opolvodanoticia.com/2011/12/cp-manobra-dos-maquinistas-da-cp-para.html

CP - manobra dos maquinistas da CP para abrir caminho à privatização – por trás, administradores e velhos sindicalistas engajados.

Greve da CP - jogada escondida entre sindicalistas e administradores da confiança do capital - querem aproveitar o descontentamento popular para privatizar.

Passos quer «programa mais robusto de privatizações»

Anos a fio sem tomar decisões e agora tudo é feito à pressa

As greves dos maquinistas da CP, em conluio com outros sindicalistas do sector, mais não visam que dar pretexto à direita para abrir caminho à privatização - Trata-se de anafados funcionários da CP, que recebem altos salários em fim de carreira, que têm interesses obscuros no chorudo negócio que se antevê (tal como os pilotos da TAP, a quem foi prometida uma fatia da empresa.

Pilotos da TAP querem uma fatia da privatização

Obviamente, também na CP, nos transportes públicos, não faltam estratégias do mesmo género - Tratando-se, como sabe, de um dos sectores mais apetecidos da gula privatizadora.

Greves dos "proletários" da CP é isto que eles querem - que os utentes aceitem, sem pestanejar, a privatização das linhas mais lucrativas.

Há uma enorme indignação com a greve dos maquinistas da CP. No caso, fizeram uma greve total para impedir os processos disciplinares contra alguns dos que aderiram à greve anterior.

Pois claro - uma greve que vai muito para além das reivindicações salariais.

O presidente da confederação do comércio e serviços de Portugal, João Vieira Lopes, instou o governo a acelerar o processo de privatização do setor dos transportes e manifestou-se disponível para ajudar no enquadramento do processo.

CCP PEDE CELERIDADE NA PRIVATIZAÇÃO DO SETOR DOS TRANSPORTES - RTP

O PSD E OS AUMENTOS COLOSSAIS DOS TRANSPORTES ........O processo de privatização do Sector Público de Transportes ...

Fizeram a greve, na altura das eleições, agora fazem-no pelo natal - mas só favorecem os desígnios da direita - que, tendo a maioria, está-se nas tintas para as sondagens.

(continua)

Diogo disse...

(continuação)

Plano Estratégico dos transportes "é plano de privatizações .......PSD propõe saneamento das empresas públicas de transportes....Com os aumentos dos transportes o governo prepara a privatização....Plano governamental contra transportes públicos ...

Marques Mendes - Segundo o ex-líder do PSD, o Governo prepara-se para fundir metro e autocarros, em Lisboa e no Porto, e os barcos que ligam a capital à margem sul.

Quanto às fusões - Carris e Metro de Lisboa; Soflusa e Transtejo; STCP e Metro do Porto -, Carlos Braga entende que se estão a "criar condições para entregar o sector público dos transportes aos grandes grupos privados", uma vez que o que se pretende é "concessionar aos privados as linhas mais rentáveis".

Mudanças no sector dos transportes

Novas medidas para sector dos transportes penalizam as famílias

Quem está por detrás das greves do Metro, Carris, Correios e CP: são as próprias administrações, em conluio com a burguesia dos sindicalistas e auto-denominados trabalhadores, funcionários antigos, à beira da reforma, com altos ordenados, mascarados de comunistas, mas que, na realidade, não passam de pontas de lança dos que querem promover a destruição das empresas e facilitar a sua privatização.

Trabalhadores da CP voltam à greve - Sociedade - Sol.

Se não houvesse essa obscura cumplicidade, de duas uma: ou atender-se-ia às suas reivindicações (e estas seriam razoáveis) ou essa gente era imediatamente corrida, pois ficaria mais barato a essas empresas públicas, pô-los na rua (mesmo por justa causa) de que alimentar greves sucessivas, com as gravíssimas perturbações sociais e os consequentes prejuízos, desastrosos, que o Estado, os bolsos dos contribuintes, terão que sanar. Faz tudo parte do mesmo jogo: as reivindicações são incomportáveis e as administrações é justamente no argumento a que se agarram. Ambas as partes não cedem porque, na essência, são correias transmissoras dos mesmos objectivos: servir interesse obscuros.

Os velhos sindicalistas, que já nos habituámos a ver há dezenas de anos, nas televisões, sempre os mesmos e a fazerem as mesmas greves: - ganham chorudos ordenados, sem mexerem uma palha, comem e bebem à grande e à francesa, gozam as férias onde querem e lhes apetece; têm casa e automóvel e não lhes falta nada. Há muito adquiriram hábitos burgueses: desprezam as dificuldades das populações; estão-se nas tintas para o futuro dos trabalhadores, com vínculos precários ou que se sujeitam a contratos que agora não lhes oferecem as antigas garantias. Dizem defendê-los, mas isso não passa de uma rotunda hipocrisia; os seus intentos, são outros.

Pois todos sabem que, com o seu persistente comportamento, o liberalismo avançará, ainda mais rápido e implacavelmente, dar-lhe-ão ainda mais pretextos para se apoderaram das empresas públicas, flexibilizando as leis laborais ou fazendo delas letra morta - Quem não se lembra do

o conto do vigário:..

Mas não se pense que as velhas estruturas dos sindicatos (com os seus eternos dirigentes, arvorados em vedetas), diferem grandemente umas das outras.

(continua)

Diogo disse...

(continuação)

O caso da UGT/Fundo Social Europeu envolveu 23 arguidos... Mas não se pense que os maduros e bem nutridos da CGTP-IN, (unidade sindical) são uns santinhos e difiram muito de outros, igualmente bem gordinhos, da União Geral de Trabalhadores

Nos tempos que correm, quem promove a greve é quem tem o emprego assegurado - Já notou alguma diferença entre os diversos sindicatos, quanto toca a defender privilégios?

Não haja ilusões: - hoje, em dia, certas estruturas sindicais, constituem-se como autênticas organizações mafiosas, em perfeita sintonia com os interesses obscuros dos administradores das empresas do Estado, grupos económicos e certas forças partidárias - Só assim se compreende, que, em Itália, Berlusconi, seja reeleito e, em Portugal, tenhamos que aturar Cavaco Silva (onde a media, o idolatra) por mais cinco anos. Isto para já não falar de Sarcozy e de Putine - e tantos outros.

CP põe fim a serviço da madrugada aos fins-de-semana e feriados....Privatização da CP é negócio ruinoso.....Privatização de linhas da CP e dos CTT vai agravar o défice público...CP e sindicato dos maquinistas reúnem-se hoje...Greve de maquinistas da CP vai provocar "supressões e atrasos....Greve dos maquinistas da CP desconvocada - ....Sindicato Nacional dosMaquinistas dos Caminhos de Ferro ......Greve dos maquinistas. O que a CP não paga o sindicato compensa ....Portugueses perdem 5,4% de remuneração.Este ano 100 mil portugueses deixaram o País...Subsídio de desemprego com maior quebra desde 2008...Portugueses perdem 5,4% de remuneração..CP diz que a empresa não pode ficar refém dos maquinistas....Greve dos maquinistas da CP mantém-se....Greve deve paralisar 661 comboios este domingo.....661 comboios parados no primeiro dia do ano...

Carlos Sério disse...

Eu só queria saber onde é que vão buscar dinheiro depois do festival das privatizações. Entretanto, as taxas portuárias da ANA privatizada já aumentaram cinco vezes; o preço da electricidade idem, aspas, aspas; o preço da água bem como o dos transportes e dos correios para lá caminham. E, depois de tudo eu só queria saber quem vai financiar o preço das viagens da TAP para os Açores e Madeira. Respondo: o orçamento do estado seguramente com subsídios aos novos patrões da TAP. É que nesta coisa de benefícios atribuídos aos privados, às SGPS o governo é um mãos largas. Mais de mil milhões de euros, foi quanto o governo lhes atribuiu em 2012 (dados de 2013 ainda não conhecidos).
Cá para mim, insisto, quando acabarem as privatizações, seguir-se-á a venda do Jerónimos, Torre de Belém e das Berlengas.
Estejam ou não o Passos e o Portas em Évora a fazer companhia ao Sócrates, o mexilhão é que vai sempre sofrer.

Luís Lavoura disse...

Não vejo que a greve da TAP seja uma grande sabotagem da economia.
No inverno não há grande turismo a chegar a Portugal. Também não há muitas atividades de negócios previstas. Portanto, o prejuízo para a economia produtiva e exportadora será relativamente pequeno.
O maior impacto será sobre os portugueses que iam de férias para Londres. Mas isso até é benéfico para a economia, que eles deixem de ir.

João Pires da Cruz disse...

Lavoura, você imagina quantos portugueses vivem hoje em Londres? Em Dublin? Em Paris? Pimenta no rabo dos outros...

A solução é óbvia, é por os aviões à venda e admitir que se tentou mas, na realidade, não existe uma necessidade estratégica para a manutenção da existência da TAP. E se os principais beneficiados com a privatização não a desejam, então vendam-se os aviões.
Quanto a constitucionalidade da greve, ela é tão constitucional com o estado decidir pela não garantia de qualquer passivo da TAP, que tendo capitais negativos, vai ser uma festa...

Pinho Cardão disse...

Caro Luís Lavoura:
Acha então que 130.000 pessoas com bilhetes marcados não é coisa nenhuma...

Pinho Cardão disse...

Caro Diogo:

Bom, se os sindicatos da TAP e outros que indicou fazem greve para as empresas serem privatizadas,"a contrario sensu" fico então a saber que os trabalhadores das empresas privadas não fazem greve para as suas empresas não serem nacionalizadas...

septuagenário disse...

Não é possível passar sem CP, METRO, mas sem colónias não é preciso qualquer companhia de aviação.
Quaisquer Low cost resolve.
Quando no 26 de Abril de 1974 acabaram as companhias de navegação para o Ultramar, devia ter acabado a TAP.

Mas a mamata era muito boa para a malandragem.

Sindicatos e administrações são todos uns gulosos.

Fim da TAP e agradecer a quem fique com ela de graça.

Pedro Almeida disse...

Excelente observação, caro Dr. Pinho Cardão.

A respeito da privatização da TAP, vale a pena ler um excelente artigo de José Manuel Fernandes. Eis o link:

http://observador.pt/opiniao/antonio-costa-tap-e-caravelas-seculo-xxi/

Diogo disse...

Caro Pinho Cardão,

"A Contrario Sensu"


Os carrascos da linha do Oeste

Publicado a 14 de Outubro de 2012

Se não houver comboios não haverá maquinistas para os conduzir

Conforme tem sido noticiado na comunicação social, desde Março deste ano que o Sindicato dos Maquinistas instruiu os seus afiliados (na prática a quase totalidade dos maquinistas) a fazer greve ao trabalho extraordinário (horas extra e em dias de descanso) e em dia feriado.

Face a isto, numa medida de gestão que, apesar de tudo, nos parece correcta e legítima, a CP tem gerido esta situação de forma a garantir que não sejam afectados os serviços de maior procura, nomeadamente os comboios Alfa Pendular e Intercidades. Em contrapartida, o serviço inter-regional e regional tem sido fortemente afectado, sendo suprimida todos os dias uma grande quantidade deste tipo de comboios em todo o país.

Sendo a linha do Oeste unicamente percorrida por comboios regionais e inter-regionais, tal facto está a ter consequências catastróficas para o transporte ferroviário na região e coloca em risco a sobrevivência da própria linha.

Para quem procura transporte um dos factores mais dissuasores, se não mesmo o mais dissuasor, é a incerteza e a falta de fiabilidade do serviço prestado. E o resultado prático desta greve para os passageiros da linha do Oeste tem sido a sistemática supressão dos comboios de forma casuística e sem aviso prévio. Ou seja, a realização ou não de qualquer comboio na linha do Oeste é uma realidade inteiramente aleatória para o passageiro, cuja concretização favorável não irá correr o risco de assumir na sua opção de viagem. E o resultado é que actualmente na região do Oeste já ninguém conta com o transporte ferroviário. As páginas da Gazeta, outros órgãos de comunicação social e o universo bloguista, têm espelhado inúmeros testemunhos disso mesmo, com situações indescritíveis e globalmente nada favoráveis para o futuro do transporte ferroviário nas linhas ditas secundárias.

Até os passageiros que eram tipicamente cativos da linha do Oeste, ou seja, estudantes e pensionistas, desviaram-se para o inevitável meio rodoviário, transferência esta favorecida ainda pela agressiva campanha de captação de clientes que tem sido inteligentemente desenvolvida pelos operadores rodoviários da região.

De tal forma que, presentemente, mesmo sem acesso a quaisquer dados oficiais, é fácil concluir que a procura da linha do Oeste caiu seguramente para menos de metade da que se verificava em 2010.

(continua)

Diogo disse...

(continuação)

Ainda que o Sindicato dos Maquinistas afirme que privilegia as linhas ameaçadas pelo designado “Plano Estratégico de Transportes” e, se, como por vezes tem alegado, são as opções de gestão da CP que conduzem a essa situação, não se percebe como continua a pactuar com elas.

Uma greve tendo como objectivo condicionar ou modificar a actuação do empregador, para atingir os resultados pretendidos tem – por definição – de causar prejuízo à entidade patronal, seja esse prejuízo directo ou indirecto.

Ora, será possível que o Sindicato dos Maquinistas não compreenda que o modo como esta greve às horas extraordinárias está a ser feita, com os resultados práticos que efectivamente tem, é inteiramente prejudicial aos seus objectivos e nunca suscitará na administração da CP ou no Governo qualquer motivação para atender às pretensões dos grevistas? Não perceberá o Sindicato que, pelo contrário e acreditamos que inconscientemente, está a fazer um favor às intenções declaradas pela sua empresa e pelo Governo de supressão dos serviços regionais?

Afinal de contas, o objectivo completamente contrário à greve!

Não compreendemos como não é óbvio para o Sindicato que a supressão significativa, mas intempestiva e irregular, dos comboios regionais e de alguns suburbanos, afinal os serviços da CP cuja operação é mais deficitária, que resulta da greve ao trabalho extraordinário tem dois resultados evidentes:

* Diminuir os custos operacionais (pela não operação dos serviços e pelo não pagamento de horas extraordinárias) num valor muito superior às receitas que deles adviriam;

* Reduzir significativamente a procura dos serviços regionais, tornando-os, entretanto, efectivamente desnecessários.

Ambos estes resultados são benéficos e colaborantes para os objectivos expressos no PET no sentido de diminuir significativamente o serviço regional e, por absurdo, dificilmente se poderia arquitectar uma estratégia mais bem concertada.

Por muito legítimas que sejam as razões que assistem à classe profissional dos maquinistas, o que não colocamos em causa, os fins não podem justificar os meios! E os meios que estão a ser utilizados nesta greve estão a fazer a decadência do serviço ferroviário na linha do Oeste atingir o seu ponto de não retorno, se é que o não atingiu já.

Com a implementação das medidas preconizadas no “Estudo sobre a linha do Oeste”, entregue pelos municípios da região interessada ao Governo e que terá permitido suster até ao momento as intenções constantes no PET de supressão em parte da linha do serviço de passageiros, acreditamos que seria possível revitalizar o serviço, aumentando a quota de mercado da ferrovia no corredor e melhorando os seus resultados operacionais.

(continua)

Diogo disse...

(continuação)

Em torno deste objectivo concretizável se reuniram os municípios, o tecido empresarial e a sociedade civil da região Oeste, numa união de esforços invulgar e que deu frutos.

Mas após os efeitos desta greve – que se prolonga continuamente há seis meses – aquilo que seria possível torna-se impossível e é todo o sentir da região Oeste que fica defraudado. Não esqueçamos a velha máxima em transportes: “É fácil perder um passageiro; é muito difícil trazê-lo de volta”. E neste momento já não é só o troço a norte das Caldas que está em risco, mas sim toda a linha, pois o troço a sul das Caldas é aquele onde a diminuição do número de passageiros tem sido mais significativa, mesmo sem os factores desestabilizadores da presente greve.

Muitas têm sido as atrocidades que, por negligência e incompreensão de sucessivas equipas de gestão do operador ferroviário, têm sido feitas à linha do Oeste, mas, se a linha encerrar com base em, agora sim, real ausência de procura, a machadada final só tem um responsável e um motivo: o Sindicato de Maquinistas e a forma absurda e contraproducente que escolheu para defender os interesses da classe profissional que representa.

E, quanto menos linhas e comboios houver no futuro, menos pessoas serão necessárias para os fazer funcionar…

Pedro Almeida disse...


TAP, A MAIS LONGA PRIVATIZAÇÃO DA HISTÓRIA

(Por Paulo Ferreira no Diário Económico)

Recordo uma conversa com década e meia. Estávamos no final dos anos 90 e acompa-nhei o Sérgio Figueiredo, então director do Diário Económico, a um almoço de trabalho com o presidente da TAP, Manuel Ferreira Lima.
Com o jornal em fase de afirmação e crescimento levávamos uma proposta: oferecer o jornal do dia aos passageiros da classe executiva da TAP. Não estávamos a inventar nada porque o Financial Times já o fazia com a Air France. Quando os passageiros da classe executiva entravam no aparelho já encontravam no respectivo assento uma cópia do jornal do dia com um pequeno autoco-lante que dizia "Cortesia da Air France". Para esta era mais um "mimo" feito aos clientes. Para o FT era uma forma de aumentar a circulação e influência junto de um segmento importante.

Ferreira Lima ouviu, gostou da ideia mas, lamentou, não podia aceitar. Explicou porquê. Colocar um jornal em cada um dos assentos da classe executiva - serão 15 ou 20 por avião? - antes da entrada dos passageiros seria uma rotina nova para o pessoal de cabine, não prevista na lista de tarefas que constava dos acordos da empresa. Para que os trabalhadores passassem a desempenhá-la a administração teria de abrir negociações laborais e atrás desse outros temas seriam colocados em cima da mesa pelos sindicatos, como contrapartida. Era abrir uma caixa de Pandora numa empresa que vivia em permanente convulsão laboral. Uma insignificância que não ocuparia mais de um minuto a um elemento da tripulação era, por isso, impraticável. Daí não veio mal ao mundo para ninguém mas retive este episódio como símbolo do absurdo até onde pode ir a regulamentação laboral e do conflito entre interesses corporativos parcelares e o interesse global da empresa. O tão português "não me pagam para isso" torna difícil qualquer mudança, por mais pequena, temporária e ridícula que seja. Volto a lembrar-me dele agora que estamos em novo braço-de-ferro laboral, com a ameaça de greve dos sindicatos da TAP (cujo desfecho não conheço à hora a que escrevo).

Provavelmente hoje a administração da TAP já poderia oferecer o jornal sem ter que negociar cláusulas laborais porque a aviação deu entretanto muitas voltas. Algumas empresas públicas de bandeira faliram e no dia seguinte nasceram outras no seu lugar, mais ágeis. Aconteceu com a Swissair e com a Sabena. Com os Estados impedidos pelas regras europeias de financiar estas empresas, as privatizações tornaram-se a regra. Iberia, British Arways e Lufthansa são hoje privadas. A liberalização do mercado e a chegada da concorrência ‘low cost' obrigou os paquidermes públicos a mexerem os pés e a ganhar competitividade. E esse aumento exponencial da oferta retirou uma boa parte do carácter estratégico das velhas companhias de bandeira.

http://economico.sapo.pt/noticias/tap-a-mais-longa-privatizacao-da-historia_208174.html

Pedro Almeida disse...

No Público, o Secretário de Estado dos Transportes responde a treze perguntas colocadas pelos leitores, a respeito da privatização da TAP. Vale a pena ler. Eis o link:

http://www.publico.pt/economia/noticia/a-tap-so-nao-sera-vendida-se-nao-houver-concorrentes-interessados-para-as-condicoes-que-o-estado-coloca-1679632?page=-1

septuagenário disse...

O cancro da TAP não é o mesmo cancro da CP e do Metro.

Enquanto a TAP serve emigrantes e turistas e diversos viajantes para o exterior e regresso, pode ser extinta simplesmente e entregar a solução à concorrência nacional e internacional.

A CP e o Metro não tem alternativas, temos que suportar o cancro.

O automóvel e o autocarro não é suficiente.

Só com uma solução à Salazar, que criou os sapadores e preparou-os para substituir os ferroviários revolucionários.

E claro, tau-tau no rabinho e prontes!