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quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Venezuela em gravíssima crise económica? Como entender?!


  1. As notícias mais recentes confirmam uma situação de muito grave crise económica na República Bolivariana da Venezuela, crise que já era notória e projfunda há muitos meses mas que o choque petrolífero em curso só veio agudizar e exponenciar.
  2. Inflação galopante, de mais de 60% até Outubro e previsão de mais de 100% em 2015, queda acentuada do PIB, escassez grave de divisas – com o registo curioso de uma diferença abissal, de mais de 1.000%, entre as taxas de câmbio oficial e a do mercado paralelo – escassez de todo o tipo de produtos de consumo, no mercado, desde produtos alimentares a bens de consumo duradouros, corrupção em grande escala, polícia e exército incumbidos da nobilíssima função de vigiar os preços de venda dos produtos nas grandes superfícies, “pondo na ordem” algum funcionário que se atreva a substituir etiquetas de preços fora das determinações oficiais (talvez para garantir que a situação de escassez se prolongue por tempo indeterminado), filas intermináveis nas superfícies comerciais para chegar a prateleiras quase vazias, etc, etc…
  3. Esta situação deve ser motivo da mais profunda estranheza, se tivermos em atenção que a RB da Venezuela é um país que goza do privilégio de uma política económica quase perfeita, a tomar como padrão de aferição os juízos que entre nós são diariamente emitidos, por conhecidos fazedores de opinião (com relevo para um grande magnata da opinião política) e por não poucos media…
  4. …política económica inserida num projecto de Socialismo reforçado, (i) com generosa redistribuição dos muitos recursos do País (começando, precìpuamente, pela elite dirigente, mas neste caso com toda a justificação e lógica pois são aqueles que dão mais a cara por um projecto económico e social todo estruturado a “pensar” nos interesses do bom Povo venezuelano),  (ii) com a nacionalização de numerosas empresas em todos os sectores, nomeadamente na área da distribuição – certamente aquelas que mais vazias de produtos se encontram mas que “disponibilizam”, em contrapartida, os produtos mais baratos – (iii) acabando (last but not the least) na formidável vantagem de dispor de autonomia na condução da política económica e monetária em especial…
  5. …permito-me aliás destacar esta enorme vantagem da autonomia monetária, que dá às autoridades a possibilidade de emitir moeda, em grande escala, para dinamizar a actividade económica, como tantos por cá têm infatigavelmente sustentado…
  6. Isto para além da vantagem da autonomia financeira, que os dispensa da prestação de contas a terceiros - à opressora Snra. Merkel, por exemplo, ou ao Snr. Obama  – daquilo que gastam bem como dos seus generosos défices públicos, não se encontrando por isso acorrentados a uma insuportável disciplina orçamental, séria inimiga do crescimento, ao contrário de Portugal, da infelicíssima Grécia (agora com um pequeno raio de syriziança no horizonte), da Espanha e da Itália…
  7. Com tantas condições para atingir uma situação económica invejável, para exibir um ritmo elevado de crescimento do seu PIB, de beneficiar de uma moeda fortíssima, gerando grandes excedentes no seu vastíssimo sector público empresarial  (estou a recordar-me da sábia recomendação do SG/CGTP no sentido do Estado investir mais capital na TAP, para podermos retirar bons dividendos desse investimento), é totalmente incompreensível a situação dramática em que esta economia se encontra e que não terá, aparentemente, solução ou saída pacífica…
  8. Algum dos nossos habituais comentadores será capaz de decifrar este enigmático paradoxo?

8 comentários:

João Pires da Cruz disse...

Na realidade, caro Tavares Moreira, tudo isso são indicadores do norte capitalista e não interessam nada no enquadramento das epistemologias do Sul. Certamente a equipa do prof. Boaventura já tem uma resposta pronta mas, mesmo que não tenha, pode fazer uso do 1.1 milhões de euros que o seu centro de Economia diferente vai receber da FCT. Senão, podem sempre usar o DEP. De Economia da U. Coimbra para fazer umas sandochas para alimentar o povo venezuelano da fome que pensa ter( fome, essa criação do norte materialista)

Jose' Salcedo disse...

Tenho pena que não exista coragem para acabar com a pseudo-ciência em Portugal. Coimbra parece-me ser um excelente porto de partida e não apenas em economia diferente.

João Pires da Cruz disse...

Esquece, José António, já lá vão mais 1100000 euros para o projecto estratégico do CES. Aquilo é um sucesso comercial como há poucos, embora o prof. Karamba e o Mestre Bambo se possam queixar da concorrência desleal e de não terem financiamento estatal para as suas "investigações".

Tavares Moreira disse...

Caros Pires da Cruz e José Salcedo,

Não posso deixar de partilhar a vossa incomodidade com mais este exemplo de má (péssima?)aplicação de recursos públicos.
Com efeito, esta utilização de recursos que saem dos nossos impostos para financiar actividades investigativas do CES, afigura-se bem mais desequilibrada do que a da famosa máquina de Newman - famosa porque, sendo destinada a produzir energia, conta-se que era mais a energia consumida do que a produzida.
E aqui estaremos pior, pois neste processo de transformação de recursos teremos de um lado (segundo Pires da Cruz) € 1.100.000 e, como produto da investigação realizada um resultado zero - não acredito que ninguém, nenhuma empresa, por exemplo, esteja disponível a pagar um cêntimo que seja para adquirir os relatórios desta investigação.
Devo admitir que seria bem melhor solicitar ao CES que desvendasse este enigma da economia venezuelana, de como é possível com políticas tão correctas obter resultados tão desastrosos.
Embora creia ser possível antecipar que o CES, depois de uma aturada investigação (quem sabe se a justificar o pedido de um reforço de verba), iria concluir que a explicação para este enigma estará numa conjura internacional, habilmente orquestrada pela Snra. Merkel e pelo Snr. Obama, para desacreditar a experiência socialista bolivariana...

João Pires da Cruz disse...

http://www.fct.pt/apoios/unidades/avaliacoes/2013/index.phtml.pt

Peço desculpa. Não são 1 100 000 mas sim 1 303 000

João Pires da Cruz disse...

São mais 200000 que aquilo que tinha dito. Se calhar já a pensar no estudo da economia grega depois dos syrizas ganharem....

Pinho Cardão disse...

Na mesma linha de pensamento, a minha grande dúvida é se são Chavez ou Maduro os insignes mestres que inspiram a douta Faculdade de Economia de Coimbra ou se, ao contrário, foram os mestres doutores catedráticos desta Faculdade que inspiraram Chavez e Maduro....
Como acho que é mais provável está última hipótese, acto patriótico seria que o governo português diligenciasses exportar tal Faculdade e tais mestres para a Venezuela.

Tavares Moreira disse...

Caro Pires da Cruz,

Verifico que o ilustre Comentador entrou em 2015 verdadeiramente aturdido com a dimensão dos apoios oficiais (leia-se desperdício) ao CES...
Quanto a um eventual estudo da economia grega pós-eleições de 25 do corrente, a impressão que tenho é de que o Syriza dispensará qq estudo tipo CES, tal é a velocidade a que se está aproximando de posições centristas...
Enfim, os estudos do CES são mesmo invendáveis, toda e qq verba que lá seja aplicada é mesmo para perder.
Ainda em relação ao Syriza, dominado por demagogos mas não por tolos, não há nada como sentir o peso da responsabilidade a aproximar-se, para abandonar ideias fantasistas.
Nesta altura, por exemplo, nem lhes falem em sair do Euro...

Caro Pinho Cardão,

A diligência que o meu Amigo amavelmente sugere não é infelizmente exequível: a exportação em causa nunca poderá ser executada, para qualquer destino, uma vez que não existe nem poderá ser obtido certificado de qualidade para o objecto da exportação...