Número total de visualizações de página

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Xtraordinário!...

Passados uns dias sobre as eleições na Grã-Bretanha, e no rescaldo da votação que deu a maioria absoluta aos Conservadores, os artigos da maioria dos jornalistas portugueses versam predominantemente o descontentamento dos cidadãos perante a vitória conservadora, dando-se mesmo o extraordinario feito de não conseguirem encontrar qualquer votante satisfeito e amigo do partido vencedor. 
Por outro lado, os sábios comentadores têm sobretudo evidenciado os malefícios do sistema eleitoral inglês, em que o número de deputados eleitos não traduz o número de votos no partido.  
Esquecem-se de duas coisas: a primeira, é que as estratégias eleitorais se alterariam caso o sistema eleitoral fosse diferente; a segunda, é que os cidadãos ingleses conhecem muito bem o seu sistema eleitoral e estão satisfeitos com ele. Mais do que uma proporcionalidade estrita, o que sobretudo desejam é a governabilidade do país, com maiorias claras. O que, salvo raras excepções, vem acontecendo. 
Verdadeiramente extraordinário é que, quando ganham os trabalhistas, nenhuma destas questões se coloca...
Enfim, critérios de uma informação objectiva e nada ideológica nem esquerdista...  

11 comentários:

Vasco Ja foste disse...

caro Pinho Cardão, o que mais estranho é que quando na Grécia 30% dos votos chega para dar maioria ao Siriza o sistema é perfeito, e +/- 3 milhoes de eleirores de esquerda vai mudar a vida de 500 milhões.

A Qualidade do eleitor de esquerda é maior que o eleitor de direita.

João Pires da Cruz disse...

Mas, já a seguir virá a teoria de que a democracia não se esgota nas eleições para que as manifestações em Londres se transformem na verdadeira vontade do oprimido povo inglês...

Mas é perfeitamente compreensível que os jornalistas escrevam para pessoas e esquerda. Pela mesma razão que não estaríamos à espera que se fizessem fotonovelas para cientistas. É uma questão de mercado.

Tavares Moreira disse...

A vitória de David Cameron foi um exercício de ilegitimidade democrática, evidentemente, como ontem fizeram questão de acentuar 200 manifestantes de esquerda radical que ontem protestaram em Londres (em Downing Street, creio) contra essa ilegitimidade.
A vontade desses 200 manifestantes, opondo-se à decisão do eleitorado britânico, devia ser respeitada, conduzindo à anulação desta eleições com fundamento na manifesta falta de piada do voto popular.

Carlos Sério disse...

Caro Pinho Cardão,
na verdade o Pinho Cardão consegue estabelecer alguma diferença de fundo entre as políticas de Cameron e Blair?
Será que existe diferenças entre as políticas de Hollande e Sarcozy?

Meu caro, tanto liberais como trabalhistas ou sociais democratas afinam pelo mesmo diapasão - o modelo único desta união europeia dominada pela finança quer eles se encontrem em Londres, Roma, Berlim ou Paris.
É uma europa de rosto único a caminho do empobrecimento e da ampliação das desigualdades. Uma europa que em matéria de direitos sociais está a retroceder rapidamente aos tempos do século XIX.


Manuel Silva disse...

Caro Dr. Pinho Cardão:
E que tal um post(zito) sobre a entrevista ao seu novo ódio de estimação, o diabinho Sampaio da Nóvoa, no Público, Domingo?
Aproveite mais esta oportunidade para desancar neste novo diabinho vermelhusco: encontrará lá matéria mais do que suficiente.
E talvez outro post(zito) sobre o artigo do seu ídolo das letras Vasco Correia Guedes (vulgo Vasco Pulido Valente) com o título «O diletante».
Ou as opiniões desta estrela do comentário político só valem contra os diabinhos vermelhuscos?
file:///C:/Users/Manuel%20Henrrique/AppData/Local/Microsoft/Windows/Temporary%20Internet%20Files/Content.Outlook/J4U48F0Q/Publico-20150510.pdf

Unknown disse...

O que os Ingleses vão tremer quando tomarem conhecimento do que "pensa" sobre o resultado das eleições a imprensa portuguesa - prestigiada, rigorosa, isenta, informada e de um conhecimento histórico profundo.Pedagógica, enfim.
Tal qual a maioria dos seus(cada vez menos)leitores.
E com a complementaridade do cano de esgoto telivisivo.
Não se vislumbra escapatória...

Unknown disse...

"televisivo", claro.
Mea culpa.

JM Ferreira de Almeida disse...

Os amanhãs não cantam por terras de Sua Majestade...
Há muito que deixei de dar crédito à maioria de analistas, politólogos, comentaristas e tudólogos sobretudo quando discorrem sobre o que se passa noutras paragens. É, quase sempre, fruto colhido na espuma do dia. E é também nestes momentos que dou por bem empregues os euros que me custa a TV por cabo. Bendita 24Kitchen!

Vasco Rodovalho disse...

Não é que eu pense que os defensores portugueses da "justiça eleitoral" britânica vão ler isto, mas aqui fica uma singela explicação da razão essencial da diferença entre os sistema eleitoral português e o britânico, que já expus noutro local:

Há que distinguir as diferentes origens de parlamentos como o português, o qual, logo na Constituição de 1822 era constituído por "deputados da Nação", na linha de inspiração francesa, e não por representantes de interesses regionais e particulares, como sempre foi a matriz do parlamentarismo inglês, o mais antigo de todos, como sabemos. Ainda hoje os deputados à Assembleia da República portuguesa representam supostamente toda a Nação e não o distrito que os elegeu. Já no Reino Unido, um deputado representa os eleitores do seu círculo eleitoral e não a "Nação". Neste quadro, não faz de de facto sentido a representação proporcional no sistema inglês, mas faz algum no sistema português. A "representação proporcional" é filha do centralismo partidário, da "partidocracia" e consiste numa caricatura do parlamentarismo original, o anglo-saxónico. Além disso, o sistema eleitoral inglês foi concebido para um modelo bi-partidário, o qual quase sempre tem prevalecido.

Pinho Cardão disse...

Caro Vasco Ja foste:
E ninguém fala nos 50 deputados atribuídos como bónus ao Syriza, enquanto partido vencedor...Se fosse a Nova Democracia a vencer o que não teria sido dito!...

Caro João Pires da Cruz:
Não me tinha lembrado dessa, mas aparece como muito verdadeira. Por isso é que os jornais vendem tão pouco...

Caro Tavares Moreira:
Mas duzentos são uma multidão!...Que significa o voto de milhões perante esses duzentos? Nada, claro!...
Aliás, por cá, e no verão, os telejornais virão cheios com 6 indivíduos a manifestarem-se conta Cavaco na praia da coelha e mais oito suhjeitos a manifestarem-se contra Passos Coelho na Manta Rota...

Caro Carlos Sério:
Quem vê extraordinária diferença é a comunicação social, ao ponto de dedicar primeiras páginas a letras garrafais a uns e pequenas notas aos outros.
O meu amigo devia pôr a questão aos detentores exclusivos do gene do critério jornalístico...
Uma nota: não me revejo nessa sua ideia de retrocesso social.

Caro Manuel Silva:
O meu amigo está infeliz. Em poucas linhas errou duas vezes. Reprovado!...
Primeiro, porque não tenho ídolos de qualquer espécie e argumentos de autoridade, só por si, nunca me convenceram. Com VPV, ou outro qualquer, concordo por vezes e discordo noutras. Para mim vale o que vale. E não hipoteco a minha maneira de pensar a ninguém. Posso fazê-lo, sou livre.
Segundo, porque não tenho ódio a ninguém, muito menos de estimação. Ter ódio deve dar um trabalho e umas preocupações do diabo, e nunca me quis meter em sarilhos desses. Posso gostar ou não gostar, e fico-me por aí. Mas não gostar não significa odiar, como gostar não significa anmar.
Entendido?
Quanto a SN , não faltarão oportunidades de lhe zurzir no discurso. No discurso, que, quanto a ele, desejo que passe muito bem.

Caro Unknown:
Eles passaram estes dias a tremer como varas verdes e continuam a tremer só de pensar o que, por exemplo, o Público ou a SIC dirão amanhã...

Caro Ferreira de Almeida:
Atitude inteligente a sua, de um homem cheio de sabedoria...

Pinho Cardão disse...

Caro Vasco Rodovalho:
Obrigado pelo seu contributo. De facto, não se podem criticar regimes eleitorais sem conhecer a sua origem e pressupostos em que assentam. Coisa que os nossos comentadores televisivos e da imprensa não sabem...nem mesmo sonham.