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sexta-feira, 29 de maio de 2015

Os dias seguintes de um desempregado...

Ficou desempregado, foi toda a vida empresário e gestor. Foram muitos desafios bem sucedidos, sempre partilhados com os seus colaboradores. Depois de muitas dificuldades e muita luta para manter a empresa em funcionamento e os postos de trabalho daqueles que sempre nele confiaram viu-se forçado a fazer o que nunca pensou fazer, encerrar a empresa.
De um dia para o outro tornou-se desempregado e agora depende de uma entidade patronal chamada Segurança Social. Dirigiu-se à SS para se apresentar, conhecer os seus direitos e as suas obrigações.
O subsídio de desemprego não irá receber por agora porque a SS ainda não dsipõe da aplicação informática que gere o subsídio de desemprego dos empresários/gerentes. Ficou estupefacto quando a funcionária lhe comunicou que ficasse descansado porque recebia tudo de uma vez lá para Outubro/Novembro. Quando reagiu que era agora que o subsídio fazia falta, a funcionária prontamente respondeu que era assim, tinha que esperar. 
Bom, mas as obrigações do desempregado entraram imediatamente em vigor. Impressionaram-me as seguintes, pelo estatuto equivalente a "arguido": 
- apresentação quinzenal na Junta de Freguesia da área de residência.
- deslocações ao estrangeiro só com autorização expressa do IEFP.
O desempregado em questão é licenciado em Direito, tem um MBA em Gestão e tem um currículo apreciável de investidor e gestor. Por isso mesmo, a funcionária deu-lhe a escolher de entre uma  lista de acções de formação de gestão aquela que mais lhe interessasse. Pensou que seria uma despesa inútil para o Estado e que não retiraria para seu benefício o que quer que fosse, atendendo ao desfazamento entre o seu currículo académico e profissional e a dita formação "chapa quatro". Chamando a atenção para o facto, questionou se não seria bem mais útil ser contratado pelo IEFP como formador. Com pronta diligência a funcionária reagiu que uma tal situação não estava prevista, sugerindo que apresentasse superiormente o assunto. 
Os absurdos só agora começavam...

18 comentários:

Bartolomeu disse...

Pois... em paises terceiro mundistas, tudo isto é normal passar-se. Os sistemas informáticos funcionam a carvão, como as locumotivas antigas e a intercomunicação dos serviços é ainda uma utopia. Ele que espere pelo bafejo da sorte este ano ainda...

Pedro disse...

Pois.....falta apenas acrescentar, que a não aceitação de participação nas "formações" sugeridas pelo IEFP - tenham ou não as mesmas enquadramento no percurso profissional do desempregado - é factor de pressão e/ou até mesmo de suspensão do Subsidio.

Eu, com 22 anos de experiencia de Analista de Sistema, acabei de frequentar um curso de "Programador Informatico", de 3 meses, onde fui quase que compulsivamente inscrito, para não ver o Subsidio cortado.

Acrescenta-se ainda a esta triste conjuntura, que dos 5 Modulos da formação, em 3 deles não foi sequer dáda a matéria e os conteudos previstos -> Os formadores não os dominavam, e limitavam-se a enviar PDF's - dos que qualquer pessoa acede no Google - e a conversar de bola, e de banalidades.

"Avaliações do Curso" - por exemplo no modulo "Programação em C avançada", a nota mais baixa foi 14, varios 18's...um 19' e um 20. Eu, que concretamente já programei muito C, em projectos bem complexos, posso afirmar com toda a segurança que ali, no meio de tanta nota alta e nenhuma nota abaixo de 13, ninguém sabia ou sequer aprendeu, por exemplo, a salvar ou abrir um simples ficheiro em disco, via programa feito em C.

No entretanto, tambem verifiquei que a acçao de formação onde estive, deu trabalho a 6 (supostos) formadores...mas 5 administrativos da papelada...mais 2 tecnicos que dávam suporte aos equipamentos na sala...mas, deduzo, alguns administrativos que centralmente no IEFP.

Nitidamente, continua a olhar-se todos estes processos de formação, num sentido de autofagia...onde a Formação propriamente dita pouco importa, porque o que interessa, no imediato é manter pessoas ocupadas (formadores, tecnicos de suporte, burocraticos e administrativos) e mais que procurar melhoria efectiva, procuram-se Estatisticas e Numeros para apresentar.

Infelizmente, nada se aprendeu com todas as trapalhadas do FSE nos idos 90's...e infelizmente constato que nestes moldes, com Troika ou sem Toika, este pais dificilmente irá evoluir.

Tiro ao Alvo disse...

Sim, têm razão. Aqui está uma área onde se justificava uma varridela, apoiada num acordo entre os principais partidos.
Também conheço um caso de um gestor que passou pelo desemprego e que se viu "obrigado" a frequentar um curso promovido pelo IEFP, onde ensinavam a bem escrever um currículo. E um outro, de um carpinteiro que, a três meses de ter direito à reforma por "inteiro", acabou de frequentar um curso de "fiel de armazém", que lhe agradou, por que, disse ele, foi uma boa maneira de passar o tempo, sem necessidade de andar a mendigar carimbadelas, pelas lojas do concelho.

Eduardo Freitas disse...

Cara Dra. Margarida Corrêa de Aguiar

Com o devido respeito, não creio tratar-se de um absurdo (ou de uma sua infindável colecção). Se me permite o paralelismo, parece-me aplicável um dito frequente em área em que trabalhei: "não se trata de uma anomalia, antes de uma funcionalidade".

Cumprimentos,

Eduardo Freitas

Luis Moreira disse...

Isto aconteceu-me tal qual. Depois de 35 anos de gestor de empresas sem uma única baixa. Ter que ouvir aquelas meninas com 30 anos com emprego garantido para toda a vida...

Margarida Corrêa de Aguiar disse...

Caro Bartolomeu
Ele e os outros com a mesma sorte terão que viver do "ar" enquanto o sistema informático estiver em "off".
Caro Pedro
Tem muita razão, o que interessa são as estatísticas. Os recursos são muito mal gastos e as pessoas muito mal aproveitadas. Não há um plano.
Caro Tiro ao Alvo
O "acordo" é um problema.
Caro Eduardo Freitas
É, então, uma funcionalidade absurda. Mais do que as palavras são os factos e as realidades que contam.
Caro Luis Moreira
O "meu" desempregado sentiu precisamente o mesmo.

João Pereira da Silva disse...

Cara Drª Corrêa de Aguiar,

Um pedido de ajuda:

Estou a tentar fazer um exercício de cálculo e segmentação de pensões e procuro o valor total de pensões pago pela CGA em 2014. Neste artigo (http://www.ionline.pt/309208), encontro que a pensão média era de 1280,95 euros, o que multiplicando pelo total de pensionistas em 2013 = 471 149
(http://www.pordata.pt/Portugal/Reformados+e+aposentados+da+Caixa+Geral+de+Aposenta%C3%A7%C3%B5es+total+e+por+escal%C3%B5es+de+pens%C3%A3o-2129) dá uma despesa total de 603 518 312 euros.
Está certo este valor? Na bibliografia disponível na Net, inclusive trabalhos seus, a despesa CGA com pensões é bastante mais alto na ordem dos 8,6 milhões de euros. (http://www.ordemeconomistas.pt/xportalv3/file/XEOCM_Documento/20374057/file/Ca%20OE%202014%20Margarida%20Correa%20de%20Aguiar.pdf).
A que se deve a diferença?
Muito obrigado, cumprimentos,

João Pereira da Silva

Margarida Corrêa de Aguiar disse...

Caro João Pereira da Silva
Sugiro a consulta do Relatório e Contas da Caixa Geral de Aposentações - 2013. Está disponível no Site da CGA.
Concretamente na página 35 estão indicados os montantes das pensões pagas: 8.348 milhões € de pensões de aposentação (reforma) e 864 milhões € de pensões de sobrevivência.
Com efeito, se multiplicar o número de pensionistas que refere pelo montante da pensão média que refere e por 14 meses obtém cerca de 8.450 milhões, montante que se aproxima do montante acima indicado. O número de pensionistas e o montante da pensão média de aposentação também constam do Relatório.
Espero ter ajudado.

João Pereira da Silva disse...

Muito obrigado.

João Pereira da Silva disse...

Bom dia Drª Corrêa de Aguiar,

Fiz o meu exercício. A ideia é dar aos leitores do meu blog (Gremlin Literário) um pequeno simulador do impacto na alteração de pensões para a CGA. Será que pode dar um vista de olhos no Excel em anexo e fazer um comentário? É necessariamente algo muito simplista, mas penso que pode dar uma ideia da dificuldade que é tomar uma decisão política no caso.
Muito obrigado, cumprimentos,

https://dl.dropboxusercontent.com/u/73629358/CGA%202013.xlsx

João Pereira da Silva

Margarida Corrêa de Aguiar disse...

Caro João Pereira da Silva.
Não consegui aceder à página que indicou.
É sempre arriscado dar uma opinião sobre um simulador que lida com inúmeras variáveis e neste caso com diversos regimes aplicáveis. Gabo-lhe a coragem.
Se me permite a sugestão, tente comparar os resultados do seu simulador com os resultados do simulador que está disponível no Site da Caixa Geral de Aposentações.
Cumprimentos.


João Pereira da Silva disse...

Bom dia,

Obrigado pela sua paciência.
Ao colocar o link que enviei, devia descarregar um ficheiro Excel (seguro) que coloquei em cloud.
De qualquer modo, se tiver curiosidade, coloquei uma imagem do mesmo ficheiro que poderá visualizar na web sem ter de descarregar. Aqui: https://dl.dropboxusercontent.com/u/73629358/CGA%202013/Print%20CGA%202013.jpg
Quero fazer o mesmo para a Segurança Social (embora haja diferença nos escalões que consegui obter face à CGA ).
Melhores cumprimentos, obrigado mais uma vez, e bom fim de semana,

João Pereira da Silva

Margarida Corrêa de Aguiar disse...

Caro João Pereira da Silva
Felicito-o pelo trabalho que desenvolveu. Muito interessante.

João Pereira da Silva disse...

Bom dia Drª Corrêa de Aguiar,

Acabei (acho) o exercício. Permite fazer variar os valores das pensões da CGA e SS por segmentos de Baixos, Médios e Altos, e verificar o impacto nas pensões médias e em algumas rubricas das contas nacionais.

O ficheiro está aqui: https://dl.dropboxusercontent.com/u/73629358/SS%20e%20CGA%202013/SS%20e%20CGA%202013.xlsx

Gostaria muito que pudesse dar uma vista de olhos.

Caso queira, e não consiga descarregar no link, deixo-lhe o meu email, pois se pretender pode enviar-me uma mensagem com um seu email, para que depois eu lhe possa enviar o Excel.

Muito obrigado, melhores cumprimentos,

João Pereira da Silva

João Pereira da Silva disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
SLGS disse...

Entendo e lamento profundamente que todos os que e encontram na necessidade de contactar e até "depender" dos serviços da Segurança Social e do IEFP, sejam confrontados com situações quase humilhantes (essa de andar a acarretar carimbos é deplorável). Melhor entendo quanto mais o sentirão pessoas com elevadas qualificações a terem que se sujeitar a frequentar cursos e cursinhos, inúteis para eles.
No entanto, não se deve pôr aqui em causa o atendimento por jovens de 30anos, sem experiência e com emprego certo. Eles não têm culpa da situação difícil de quem está à sua frente. O que se deve pôr em causa, isso sim, é se o atendimento foi correcto e competente, seja ele feito por jovem ou velho. Se o foi, o "cliente" não lhe deve assacar quaisquer culpas, pois o atendedor não tem capacidade de decisão para lhe oferecer mais do que o sistema lhe permite. Deve sim pôr-se em causa esse mesmo sistema, exigir-lhe maior flexibilidade, para que se minimizem situações como as descritas e até, se possível, eliminá-las.
Infelizmente quem está a dar a cara é sempre quem fica na "boca do lobo". E quantas vezes essa pessoa, por não poder ir mais além, também se sente ela humilhada, ou frustrada por não poder chegar ao que ela própria entende dever ser sua missão? ´
Alguém pensou nisso?
Situações de incompetente atendimento, falta de respeito ou desumanidade, são outra coisa. Para isso há LIVRO DE RECLAMAÇÕES.

Margarida Corrêa de Aguiar disse...

Caro João Pereira da Silva
Já dei uma vista de olhos. O exercício é interessante e útil. Mas há algumas rúbricas e alguns montantes que não entendo. Poderei enviar-lhe um mail logo que me seja possível.
Cumprimentos

Caro SGLS
Não gosto da expressão, mas é aquela que me ocorre dizer: "a culpa é o do sistema", a precisar de uma "varridela" como comentou o Caro Tiro ao Alvo.

João Pereira da Silva disse...

Obrigado. Entretanto o ficheiro está actualizado com gráficos.