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domingo, 17 de maio de 2015

Aproveitando o mainstream

Confesso-me comovido por esta onda de nacionalismo a propósito da entrada em pleno vigor do acordo ortográfico. Gostaria que aproveitássemos este tocante momento de afirmação do mais puro portuguesismo para protestar também:
a) contra o abandono da lingua portuguesa por muitos dos nossos dirigentes políticos, que não perdem oportunidade de mostrar a nossa universalidade em (quase sempre mau) inglês, mesmo quando discursam para plateias em pleno território luso;
b) contra a utilização de expressões estranhas à nossa língua comum - que, recordo, é o português - desde logo pelo legislador que povoa a lei de termos para os quais existem palavras e expressões denotativas na nossa língua;
c) contra o ensino, em especial o ensino superior, em língua que não o português, designadamente quando ministrado por professores portugueses; 
d) contra o incumprimento da lei que determina a tradução para português de rótulos, instruções ou manuais do que por cá se consome, e contra a absoluta falta de fiscalização dessa legislação por parte das entidades pagas para o efeito; 
e) contra o exibicionismo bacoco a que se dedicam alguns responsáveis pela difusão da cultura nacional, que não se poupam aos briefing ou aos target... 

... and so on.

5 comentários:

Pinho Cardão disse...

Completamente de acordo, caro Ferreira de Almeida. Embora me mova num meio em que é moda a utilização de expressões em inglês, confesso que, embora dominando o palavreado, raramente deixo de utilizar as palavras portuguesas, só não o fazendo quando ainda não encontrei a palavra exacta que traduz a ideia veiculada pela expressão inglesa.
Acontece que a nova tecnocracia e a burocracia que dominam as instituições europeias, e também os reguladores, todos os dias criam novas expressões, talvez para fazerem prova de existência.

Fernando Vouga disse...

Caro Zé Mário

Enfim, tristes figuras de parolos engravatados.

Freire de Andrade disse...

Há que referir ainda a adesão (ou intenção de aderir) de Portugal à Patente Europeia Unificada, deixando de ser obrigatória a tradução para português do texto das patentes. Acontece assim que passamos a ter textos com valor legal em Portugal mas escritos numa língua estrangeira. De notar que a Espanha e a Itália negaram a sua adesão. Portugal continua a não defender a sua língua.

JM Ferreira de Almeida disse...

Muito bem, caro Freire de Andrade. A essa rendição nos referimos num post dedicado ao assunto, a propósito da posição contra corrente assumida por alguns dos senhores deputados, e, de entre eles, o Dr, José Ribeiro e Castro (post de 10 de abril).

Unknown disse...

Como é que se pode defender o uso da Língua Portuguesa se pessoas de Alta responsabilidade : "...falam oralmente" e dizem "... nunca fiz nem fazerei"?

Duarte V. marques