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sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Fatalidade portuguesa

Tivesse o novo administrador da CGD sido escolhido para liderar um banco no estrangeiro e estaríamos todos agora a considerá-lo mais um génio desperdiçado no País. Como ficou por cá, é sujeito a um processo demolidor onde não cabe qualquer apreciação do seu projecto e dos seus objectivos mas sim quanto vai ganhar e a que título?, quanto tem de seu e como o obteve?, quantas suspeições levanta e muitos, muitos pontos de interrogação sobre a razoabilidade de se terem aceite as condições para aceitação do cargo, quem decidiu não podia ter arranjado melhor e mais barato?
Isto, em Portugal, é uma fatalidade, pende-nos o pé para a inquirição, para o regateio de decisões, para a exigência sem fim àqueles de quem se espera colaboração. Num ápice, quem vem trabalhar é um devedor, alguém que terá que provar duramente o que vale, já que é a desconfiança que o recebe e nunca a confiança no seu mérito e no seu trabalho. Isto é verdade para os administradores dos bancos como é verdade para qualquer trabalhador que entre numa empresa com um salário que não seja o mínimo, ou mesmo que se atreva a mostrar qualquer tipo de ambição de progredir. Os que conseguem demonstrar o seu mérito poderão dizer que o fizeram apesar de tudo e, mesmo assim, como muitos duvidaram, haverá muitos a diminuir esses méritos, só para provar que a sua desconfiança estava certa.
É assim que muitos desistem de se integrar neste “colectivo” arrasador, preferem ir embora para, a partir de outros púlpitos, mostrar os seus louros, é por isso que nunca temos heróis vivos a menos que se tenham afirmado fora de portas e, de preferência, que por lá fiquem. Porque para nós, portugueses, os que voltam é porque iniciaram o seu declínio, senão por que os deixariam voltar?

11 comentários:

opjj disse...

Não a conheço e nem sei a que clube pertence.Acho o seu texto um pouco sem norte.
V.Exª. não acha mesmo que a estória da CAIXA está mal contada? Eu vejo uns quantos espertinhos ( para não les chamar sabujos)num jogo manhoso do gato e do rato.
Ontem ouvi António Ramalho presidente do Novo Banco e não é que o Senhor foi claro como água!
GANHO 23.740€ e este mês recebi líquidos 10.140€ e entreguei provas do património. Ás 21h na SIC-N uma locutora já estava a trocar os pés pelas mãos.
Saíram 300.000 génios segundo o 1ºMinistro.DEVEM ter saído todos porque não constam mais saídas.
Um familiar meu terá de aumento na pensão 1,71€. Na minha aldeia em pequeno ouvia dizer; é uma corja. Agora percebo!
Cumprimentos

João Pires da Cruz disse...

Eu também não acho mal o que ele ganha. Acho mal é ser eu a paga-lo.

Suzana Toscano disse...

Caro opjj, sou do Benfica, se isso pode interessar para esclarecer o que escrevo.
Caro João Pires da Cruz, pagará de qualquer maneira, ou por ter lá alguém que põe condições ou por ter alguém que iria pelo lugar.

Maria Margarida disse...

Suzana
Tudo serve para fazer política mesmo que para tal se dê cabo das instituições e das pessoas. É a ver quem tem razão, ainda que ninguém a tenha ou que todos tenham alguma. No fim toda a gente a perdeu. A escalada de agressão e irracionalidade políticas a que se chegou só nos leva ao abismo.

João Pires da Cruz disse...

Cara Suzana,

Esse é o pior tipo de argumento que me podem mandar. O homem terá os méritos que tiver, nem sequer discuto, e acredito que é o último dos génios da banca. Mas, factos, era vice do BPI, uma pequena instituição financeira de resultados modestíssimos na Europa e cuja dimensão deverá estar ao nível da CGD no Alentejo.
Ainda assim, continuo a dizer que isso não quer dizer que não seja bom. Agora, não me digam que tenho que pagar aquilo para ter um gestor, porque isso é um ofensa às pessoas que a CGD tem, responsáveis por um nível de empregados, activos, clientes, negócios, geografias, numa escala onde o António Domingues nunca sequer imaginou. Por isso, até me podem dizer que é o maior génio que o país conheceu, mas não menorizem os vários gestores que a CGD já tem, até porque os números mostram que essa presunção é, no mínimo, ridícula.
Mas, pior de tudo, em nada isto vai resolver o problema principal nem por às claras o escândalo financeiro que se anda a tentar esconder que, obviamente, 5 mil milhões não deve cobrir nem um quarto. O que resolvia era se deixasse de ser dono daquilo. Portanto, quem gosta tanto, até pode ficar com aquilo de borla e não venha pedir mais nada.

Suzana Toscano disse...

Caro João Pires da Cruz, concordo consigo quando diz que nesta discussão toda se tem memorizado os anteriores administradores da CGD que fizeram o seu trabalho,não é o nível salarial que aceitaram que pode servir para tirar conclusões quanto a sua qualidade, estou totalmente de acordo. Mas acontece que este novo administrador pôs outras condições que, no actual contexto, foram aceites, não sei se por não haver mais gente dedicada à causa pública se por a tarefa que tem em mãos não merecer o sacrifício de melhores proventos. O ponto é que, se tivesse ido "para fora" ganhar o mesmo ou muito mais, estaríamos todos a lamentar não ter podido recrutá-lo, além de que não percebo como é que se considera que a CGD tem que competir com os outros bancos ao mesmo tempo que não nos dispomos a remunerar o trabalho na mesma bitola. E sim, o que pagam aos que lá trabalham é relevante e pode ser uma das dificuldades de quem entra.
Margarida, andávamos todos tão nervosos porque não se resolvia a questão da nova administração da CGA, ao ponto de a anterior administração ter tido que ficar quase por favor. Agora, e melhor dar já cabo destes antes que comecem o seu trabalho. Como diz, no fim quem é que ganha com isto?

opjj disse...

Caríssima SrªToscano, não é que interesse muito, mas troque clube por partido.
Quanto à CGD o Homem recebe 5000M€ para tratar da saúde de + 2000. Será caso único em Portugal.
Cumps.

Alberto Sampaio disse...

Cara Suzana Toscano,
não conheço a pessoa e não tenho nada contra que ganhe o que vai ganhar, ou até o dobro, ou o triplo.
Tenho contra, é o facto de a CGD ser um banco público e que é público apenas para satisfação de interesses políticos. Não há coragem nem interesse desses políticos em fazer com que deixe de ser do estado (dos governos o que é ainda pior).

Suzana Toscano disse...

Caro Alberto Sampaio,
Também não conheço nenhum dos novos membros da administração da CGD mas não percebo por que motivo um banco que se decidiu manter público não pode ter as condições de recrutamento que se dariam ao mesmo banco se fosse privatizado, este estatuto de menoridade, fingindo que é rigor e transparência,só acrescenta grandes dificuldades à já difícil tarefa de gerir a instituição. Ou estamos dispostos a diminuir as exigências ao mesmo tempo que impomos salários políticos e declarações inúteis, que são hoje uma espécie de "praxe" a cumprir por quem é chamado a servir o Estado?

Manuel Silva disse...

Este Senhor Pires da Cruz só pode ser um génio:
Quem paga os 30 mil euros/mês do Senhor Sérgio Monteiro para vender o BES/NB?
E quem paga as dívidas (perdão, dividendos negativos) do BPN, do BPP, do Banif, do BES/NB?
Ó homem, com tanto oculista por aí, é só passar por um, caramba, deixe de fazer figura de ceguinho.

Alberto Sampaio disse...

Cara Suzana Toscano,
quanto a isso estou inteiramente de acordo.