Número total de visualizações de página

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Rendas congeladas, subsídios trocados, ou de como se converte o garantido apoio às novas rendas no eventual apoio aos velhos senhorios


Que País maravilha!, tão preocupado com os pobres e com a justa distribuição da riqueza, troca subsídios como quem troca as cartas num baralho, tira e volta a dar, são sempre trunfos na manga, com um subsídio resolve-se tudo a contento sem mudar realmente nada.
Foi agora a vez de se anunciar um subsídio ainda não baptizado mas que podemos chamar de insuficiência de renda, destinado a não deixar morrer na miséria os empobrecidos senhorios de casas com renda congelada há mais de meio século. O truque é simples. Com o fim do regime de transição das rendas congeladas para o mercado livre, previsto para o próximo ano, o Governo teria que legislar sobre a atribuição de um subsidio de renda para ajudar os inquilinos pobres a suportar a diferença para as novas rendas devidas ao senhorio. Mas isto saía caro, e era complicado, como adiar tudo e fingir que se resolveu o problema? Lá se terão feito as contas e concluído o óbvio, que deve haver mais inquilinos pobres do que senhorios ainda dependentes das rendas congeladas para viver. Ou seja, entre dar subsídio para renda aos inquilinos pobres ou subsidiar os senhorios que não possam sustentar o inquilino, sai mais em conta ir por estes, pelo menos abate ao subsídio a renda que já recebe, e fica “assim garantida a casa e a renda também".  O mais certo é não gastar nada, nem com as rendas, nem com os senhorios. Não gasta com as rendas porque ficam congeladas mais 5 anos, até ver. Não gasta com os senhorios porque devem contar-se pelos dedos os que, sendo pobres, ainda não venderam ao desbarato as casas arrendadas que tinham que sustentar.
E assim, com este passe de mágica, o País maravilha mantém os senhorios a subsidiar as rendas e cria o subsídio de insuficiência de rendas para os senhorios, abrindo  mais um guichet na Segurança Social para atender os novos pedintes e avaliar criteriosamente a sua condição de recursos.

Imaginação não falta, decisões sérias sim.

6 comentários:

Alberto Sampaio disse...


Vivemos num País a fingir. Não se resolvem os problemas, adiam-se.
A ideologia e a ganância de poder falam mais alto que os interesses do País.

Como já referi noutra altura, a esquerda adora a subsídio dependência. Esta é uma forma de a alargar.

Todos escravos do estado e desses políticos.

Suzana Toscano disse...

Caro Alberto Sampaio, é a mentalidade de que o Estado pode determinar a vida de todos, estragando por um lado, remendando por outro, de acordo com o iluminado critério dos "subsídios" e dos "apoios" que, por sua vez, legitimam a cobrança de impostos. Tudo ungido de bondade e nobre espírito de "justiça", como se vê no tema que refiro.

Jorge Lucio disse...

Suzana,

Infelizmente, a este Governo com o seu fervor fiscal e obsessão assistencialista, aplica-se bem a frase de um Presidente dos EUA:

"Government's view of the economy could be summed up in a few short phrases: If it moves, tax it. If it keeps moving, regulate it. And if it stops moving, subsidize it."

Alberto Sampaio disse...

Cara Suzana Toscano,

O adiamento do descongelamento das rendas foi apenas mais uma forma de conseguir garantir mais uns milhares de votos à custa dos outros.

Criou mais dependentes. O subsídio cria mais alguns.

Tudo sempre à custa dos outros.

Fomenta-se uma sociedade sem sentido de responsabilidade. Exactamente aquilo por que a extrema esquerda luta.
Estado, mais estado e cidadãos com valor zero.

Suzana Toscano disse...

Caro Jorge Lúcio, é um gosto voltar a encontrá-lo aqui no 4r! Excelente frase, a que citou, infelizmente actual apesar de a realidade ter tantas vezes demonstrado como esse caminho não cria riqueza, apenas dependências políticas e sociais.Eu concordo que o Estado, sobretudo em países pobres, como o nosso, tem que ter um papel muito ativo no apoio e equilíbrio social, sobretudo através da garantia da qualidade do serviços públicos como a saúde, a educação e a segurança social ou o acesso de todos aos bens gerais que garantem alguma qualidade de vida, mas isso é muito diferente da subsidio mania como "remédio" para as consequências dos erros das políticas públicas. Infelizmente, parece ser o caminho mais fácil a curto prazo.

Margarida Corrêa de Aguiar disse...

Suzana
Não compreendo porque é que os senhorios ditos ricos tenham que se substituir à Segurança Social. Este é o ponto. Se os inquilinos pobres não podem pagar a renda devem ser apoiados pelo Estado para que os respectivos senhorios recebam a renda a que têm direito. Inverter estes princípios não faz qualquer sentido nem é necessário.