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sexta-feira, 8 de junho de 2018

"Preguiça da noite"…

Nunca tive grandes pretensões exceto o desejo de sentir a beleza pintada de paz num mundo que não entendo. Não sei se é pouco ou muito, mas para mim é suficiente. Não fujo de nada, mas o nada sabe perseguir-me como se fosse um naco de carne para lobos esfomeados. Acontece. Eu sei que acontece e até consigo explicar com base nos meus conhecimentos. A natureza humana foi caldeada e assada em raivas, ódios, violências, mortes e destruição, os principais elementos indispensáveis ao "nosso" sucesso enquanto espécie. Tarda em "(H)umanizar" a nossa existência. Códigos e princípios começaram a ser produzidos de forma a tentar expurgar a natureza maldita da nossa origem substituindo-a por uma outra, superior, mais bela e pura. Um esforço notável que tenta espalhar-se, tentando garantir a emergência de uma nova "Humanidade". Uma intenção impregnada de fantasia, mas ao mesmo tempo suficientemente esperançosa para que possamos continuar a lutar contra tanta coisa, violenta, sabuja e reles. É possível? Não. A cada esquina, a cada instante, a cada sopro, a cada escrito, surgem manifestações do cérebro "reptiliano", o garante do "nosso" sucesso e o inimigo da beleza e do amor.
Pouco há a fazer, exceto continuar a sonhar e a tentar respirar poesia, quer seja num dia cinzento e chuvoso ou num dia solarengo e amoroso. O que vale é a preguiça de uma noite silenciosa para ajudar a esquecer. Tudo? Não, apenas algumas coisas...

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