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quinta-feira, 15 de junho de 2006

Taxilogia

Segundo li no Diário de Notícias, para se ser taxista qualificado tem que se frequentar um curso de 550 horas lectivas, isto "para quem nunca trabalhou como motorista”. Porque, "para quem já tem dois anos de experiência como motorista de empresa”, o curso obrigatório é de 200 horas.
Daí deduzo que Taxilogia é o curso que se exige a quem pretenda seguir a carreira de operador de condução de táxi, antes denominado taxista.
Muito bem esse número de horas, porque a coisa verdadeiramente não é nada fácil. Veja-se que um operador de condução de táxi só tem normalmente dois pés, mas três pedais para activar, assim como tem geralmente duas mãos, mas um só volante para rodar. Isto é, se lhe sobram mãos, faltam-lhe pés, pelo que a sincronização deste vasto instrumental se reveste, manifestamente, de complexidade extrema…
A Matemática, a Física ou a Filosofia, ao pé da Taxilogia, são de uma simplicidade enervante.
Tendo cada uma daquelas disciplinas do Secundário 3 tempos de 90 minutos por semana, no ano lectivo serão 162 horas. As três ocuparão 486 horas, menos 64 horas do que a complexa Taxilogia!...
Aí se compreende que o DN diga que há falta de taxistas, quando abundam os detentores de tantos outros diplomas!...
Depois destas 550 horas de curso taxilógico obrigatório, um operador de condução de táxis é um verdadeiro bacharel por Bolonha. Por isso, todas as vezes que entrar num táxi, em vez de Bom Dia ou Boa Tarde, passarei a dizer Bom dia ou Boa Tarde, Sr. Engenheiro Condutor!..
E ao dar-lhe esse título, considero-me dispensado de dar gorgeta!...Porque até se poderia ofender!...

Ano de 6010 da criação do Mundo

“Adão, Pai dos Homens, foi criado no dia 28 de Outubro, às duas horas da tarde... Assim o afirma, com majestade, nos seus "Annales Veteris et Novi Testamenti", o muito douto e muito ilustre Usserius, bispo de Meath, arcebispo de Armagh, e chanceler-mor da Sé de São Patrício (Adão e Eva no Paraíso - Eça de Queiroz)”.

Ao longo da vida fui confrontado com várias situações que contribuíram, e muito, para a minha formação.
Uma delas foi uma discussão acerca da criação do mundo. Na altura, andava no 3º ou no 4º ano e, após um jogo de bilhar no café da terra, em que consegui vencer pela primeira vez um colega mais velho e “perito” na matéria, envolvi-me numa acesa troca de palavras a propósito de determinados achados humanos que afirmei terem sido produzidos há mais de 10 ou 20 mil anos. O pateta começou a rir e a dizer que isso era impossível, porque o mundo era muito mais recente, tinha sido criado 4.000 anos antes de Cristo. Foi quando perdi as estribeiras e disse-lhe das boas. E cheguei a perguntar-lhe onde tinha aprendido tamanha asneira e se não esteve atento nas aulas de história. O que é certo é que não consegui demover um milímetro que fosse, argumentando que foi o padre que lhe tinha dito. Subi a calçada fulo da vida e quando cheguei a casa desabafei a minha indignação. Como era possível um comportamento destes?
Hoje, não me surpreende atitudes destas. Apesar de todas as conquistas, divulgação e democratização da ciência, cerca de metade dos norte-americanos acreditam que Deus criou o homem tal como é há 10.000 anos ou mesmo menos. A percentagem dos que acreditam na evolução a partir de formas de vida primárias atinge apenas 13 por cento. O restante acredita que a evolução ocorreu, mas sob a vontade de uma entidade suprema. O interessante é a existência de uma correlação inversa entre a criação plena do homem por Deus e o nível educacional.
A par da criação, outro tema que sempre me incomodou foi o fim do mundo. A visão escatológica está tão presente na nossa sociedade que tudo serve de pretexto para a invocar. Altera-se o clima, é o fim do mundo, quando chegaram à Lua diziam que ia ser o fim do mundo, aparece um cometa é fim do mundo, fim de século e de milénio sinónimos de fim do mundo, isto só para contar com alguns cenários. Nunca acreditei nas histórias de fim do mundo. Em pequeno dizia que o fim do mundo acontecia com muita frequência, bastava ver os que iam para Vale Maceira (o local do cemitério lá do burgo)!
A natureza humana é mesmo assim. As emoções sobrepõem-se às evidências. Há mesmo quem ponha em dúvida se haverá alguém que queira viver num mundo regulado por frios intelectos. Também concordo. O que seria da vida se não fossem os disparates?

quarta-feira, 14 de junho de 2006

Não faz mesmo sentido!...

Desde que eclodiu a crise timorense, Paulo Gorjão tem ministrado, no Bloguitica, um verdadeiro curso de política internacional, a propósito de Timor.
Para além das opiniões pessoais e críticas, faz chamada para múltiplos artigos, notas de blogs e declarações de responsáveis políticos, nacionais e estrangeiros, sobre o tema.
Por isso, creio mesmo que quem vem acompanhando esse blog já tem os créditos necessários para ser um qualificado bacharel, segundo o Processo de Bolonha.
Todavia, e por infelicidade, escapou-lhe a excelente Nota do Ferreira de Almeida, no 4R, dia 13 de Junho, intitulada Faz sentido?
De facto não faz nenhum sentido esquecer essa Nota. Até porque, com ela, os visitantes do Bloguítica, para além de bacharéis passariam a ter, desde logo, os créditos suficientes para um brilhante mestrado!...
Mas nada que uma visita ao 4R não resolva!...

Regionalização ou Descentralização

Há sinais de que estes temas estão a voltar ao cimo da agenda política.
O PS parece não desistir do velho projecto da Regionalização, apoiado por alguns notáveis, especialmente da região Norte.
O PSD aparece a defender um projecto aparentemente diferente, da descentralização/desconcentração, visando atribuir novas competências aos Municípios em matérias como a educação e a saúde.
Em ambos os casos está subjacente a ideia de que aproximando a Administração Pública dos cidadãos se obtêm melhores resultados, no pressuposto de que com essa proximidade se ganha eficiência na gestão dos recursos públicos.
Melhor conhecimento das realidades implicaria melhor resposta às necessidades colectivas e, em consequência, conseguir idêntico grau de satisfação de necessidades colectivas aplicando menos recursos.
Ou, em alternativa, com os mesmos recursos conseguir maior grau de satisfação das necessidades colectivas.
Tudo isto é hoje muito duvidoso, para além de muito vago.
Parece evidente – quase uma verdade de La Palisse – que a maior proximidade das administrações locais ou regionais dos problemas dos cidadãos lhes confere, em princípio, a possibilidade de obter um melhor conhecimento das necessidades colectivas na respectiva área de competência ou jurisdição.
Mas já será discutível que daí se possa concluir que essas mesmas administrações farão um melhor uso dos recursos públicos na satisfação das necessidades colectivas.
Julgo mesmo que isso só se verificaria forçosamente numa hipótese: da existência de recursos ilimitados para a satisfação das necessidades colectivas.
A situação que temos hoje é todavia muito diferente. Temos recursos escassíssimos para satisfação de imensas necessidades.
Não estou nada certo que, em tais circunstâncias, os responsáveis municipais/regionais se encontrem na melhor posição para assegurar uma hierarquização correcta das prioridades na satisfação das necessidades colectivas.
Creio mesmo que existe uma tendência, algo perversa, para que o investimento na melhoria da satisfação de algumas necessidades básicas – redes de saneamento, sistemas de tratamento de resíduos sólidos, sistemas de abastecimento de água, por exemplo – seja preterido por despesas em obras mais vistosas, que geram uma satisfação mais rápida e fácil nos eleitores locais.
Não quero ser injusto e dizer que é sempre assim. Creio todavia que a experiência dos últimos anos é bem pouco animadora quanto a esta realidade.
Não é minha intenção aprofundar a discussão das vantagens ou desvantagens da regionalização ou da descentralização/desconcentração.
O meu ponto hoje prende-se mais com a constatação de que, tanto a regionalização como a descentralização estarão congeladas por muitos anos por causa da dramática situação das nossas finanças públicas.
Se quiserem, dito doutro modo, a serem levados mesmo a sério, esses projectos teriam como consequência (entre outras) a definitiva impossibilidade de resolução do problema das finanças públicas em Portugal.
É esta, sinceramente, a minha opinião. Pode ser que não tenha razão, mas a ver vamos…

“Mais uns anitos de vida”…


Podemos considerar como extraordinária a posição dos industriais ligados à produção de bebidas alcoólicas que, recentemente, despertaram para a necessidade de promoverem iniciativas, das mais diversas, conducentes a uma ingestão moderada por parte do cidadão, de forma a limitar ou impedir consequências nefastas.

É estranho, no mínimo, este despertar serôdio para uma problemática que, quer queiram quer não, não deixaram de promover e consequentemente retirar os respectivos (e substanciais) lucros, sem se importarem com os efeitos físicos, psíquicos, sociais e familiares resultantes do consumo excessivo de bebidas alcoólicas.

Esta viragem não é mais do que uma antecipação ao impacto das futuras medidas legislativas comunitárias, as quais terão repercussões na diminuição do consumo. No fundo tentam acautelar o futuro!

Os movimentos destinados a salientarem os efeitos benéficos das bebidas alcoólicas tem-se multiplicado a um ritmo tal que não deverá haver alguém que não “saiba” qualquer coisita sobre esta matéria. O efeito positivo da cerveja na osteoporose, e do “tinto” nas doenças cardiovasculares são alguns exemplos que têm tido honras de primeira página e dos noticiários televisivos.

É raro o dia em que não surgem novas “descobertas”. As mais recentes prendem-se com uma substância chamada resveratrol, a qual reduz de uma forma intensa as complicações pulmonares resultantes do efeito do tabaco, além de ser capaz de prolongar a vida, pelo menos em animais de experiência. Como esta substância se encontra no vinho tinto, não tarda que os lóbis do álcool comecem a propagar mais umas “virtudes”, e quem sabe se não conseguirão mesmo, à semelhança dos novos anúncios de morte e de doença dos maços de cigarros, obter autorização com vários dizeres tais como: “o vinho tinto protege das doenças cardiovasculares”. Neste caso, o dilema de um fumador, cujo maço de cigarros indique: “ o tabaco provoca doenças cardiovasculares” ou o “tabaco provoca doenças pulmonares” fica resolvido com a ingestão da garrafita de tinto. Ai provoca! – Então, vamos lá fazer a profilaxia! Fico protegido das doenças cardiovasculares e evito mais umas complicaçõezitas pulmonares. E como tem o resveratrol, até tenho como bónus mais uns anitos de vida. Pois é! O pior são as complicações hepáticas resultantes do consumo excessivo de álcool. Mas neste último caso, beber uma boas chávenas de café protege o fígado de lesões relacionadas com o consumo de álcool. Neste caso, os produtores e revendedores de café também poderiam colocar rótulos do género: “O café protege-o contra a cirrose hepática”.

Ora aqui está uma interessante associação: se o tabaco provoca doenças cardiovasculares, o melhor é beber uns copitos de vinho para “neutralizar” esse efeito. Mas como o álcool pode provocar cirrose hepática, que tal uns cafezitos para travar esta complicação? …

Vão marchar para outro lado!...

Uma série de projectos PIN, isto é, projectos com potencial interesse nacional, têm vindo a abortar com enorme estrondo. Ora se a designação é rigorosa, e o aborto se dá, tem que se entender que os Serviços que intervêm na análise se estão “borrifando” para o interesse nacional, visando apenas interesses específicos e particulares. Como tal, os seus responsáveis deviam ser chamados à responsabilidade e demitidos. Como isso não acontece, posso supor que o qualificativo de PIN não é visto pelo próprio Governo como algo mais do que um adorno de marketing do Ministério da Economia. Seja uma situação ou outra, a coisa parece-me grave, pois demonstra a completa descoordenação dos diversos departamentos governamentais.
Nada a que o Ferreira de Almeida já não tenha aludido em diversos “posts” e comentários no 4R, chamando a atenção para a visão dispersa dos projectos e para a consequente necessidade da sua análise integrada. E aqui há uns oito dias, escreveu um esclarecedor “ post”, intitulado “Os PIN ou a responsabilidade de governar”, onde comentava o facto de o Presidente da API – Agência Portuguesa para o Investimento, ter feito uma proposta para que os PIN passassem a ser aprovados em Conselho de Ministros.
A razão estará no facto de a declaração de um projecto como PIN pouco efeito ter nos diversos Serviços que sobre ele se têm que pronunciar, quer em cumprimento de prazos, quer na integração das suas diversas valências, daí resultando a sua muito fraca taxa de concretização.
De facto, se não for visível um empenho forte do Governo na sua aprovação, cada Serviço tende a exercer a sua esfera própria de poder e lá fica o projecto “empatado” nos diversos coletes de força da burocracia.
Ainda a propósito da refinaria de Sines, mais um PIN abortado, o Diário de Notícias de ontem apresenta um exemplo acabado desta forma burocrática e descoordenada de exercer o poder.
Numa entrevista ao Secretário de Estado do Ambiente, Humberto Rosa, pergunta o jornalista: "Como explica então que o Estado tenha assinado um memorandum como aquele?"
Resposta do Secretário de Estado: “O Ministério do Ambiente não assinou esse memorandum. Foi a API que assinou”.
Lapidar!
E já que estamos em tempo de marchas populares, por que não pô-los a marchar para outro lado?

Um Mundo desequilibrado...

Há matérias em que o Mundo aprendeu pouco com a História, nem quedas de Impérios alguma vez e para alguns serviram de lição!
Bem, vou deixar os comentários...serôdios...e passo ao facto: será que viram a fantástica notícia que nos dá conta que alguns Airbus A380 estão a ser transformados em mansões aéreas para multimilionários?
A Airbus fez parceria com a Lufthansa Technik, que é especialista na decoração interior de cabines, por forma a que o dito A380 venha a ter ( para além de suites, sauna nas casas de banho, escritório, salas de estar VIP's, salas de conferências e de refeições---tudo equipado com ecrãs de plasma gigantes...) venha a ter, dizia, ginásio, casino e campo de golf!!!
Extraordinário!
Parece que o avião dá para isto e muito mais, é o maior avião de passageiros d o Mundo com a altura de um prédio de 3 andares e o comprimento equivalente a 2/3 de um campo de futebol...
É "baratíssimo"! 300 milhões de euros!!!
Diz a notícia que a lista de interessados está cheia de" gente de gostos requintados".
Será?
Será que os barões do petróleo, os chefes de Estado de países do Médio Oriente,o sultão do Brunei, o príncipe saudita Alwaleed Al Saud são gente de gosto requintado?
Ou são gente de gosto confinado, Cultura deficiente, espírito deslumbrado, amoralidade humana, isolamento "aéreo" ( bem confirmado neste caso)..., etc, etc,
É que os séculos vão passando...e já não se compreende tanto, assim, um Mundo tão desequilibrado!

Estatinas e gripe


Em Setembro de 2005, num artigo publicado na Science, discutia-se o papel das estatinas como forma de prevenir as complicações decorrentes da gripe. De facto, entre 1996 e 2003, os doentes com gripe aos quais tinham sido prescritos estatinas nos 12 meses anteriores apresentavam um risco 26% mais baixo de virem a sofrer pneumonias ou outras doenças respiratórias graves. Esta classe de medicamentos protege as pessoas de graves complicações.

Agora, um estudo muito interessante revela que as estatinas, medicamentos para reduzir o colesterol e que têm efeitos imunomoduladores e anti-inflamatórios, além da protecção cardiovascular, desempenham, também, outras funções, tais como redução das complicações tipo infecção pulmonar e sanguínea. Deste modo, o seu uso durante a infecção virusal poderá ser acompanhada de benefícios muito grandes. O facto de serem facilmente disponibilizadas e baratas, graças aos genéricos, e de uma percentagem significativa de doentes serem habituais consumidores deste grupo de medicamentos, por motivos cardiovasculares, abre novas e interessantes perspectivas para a prevenção e tratamento em caso de epidemia. As vantagens decorrentes da facilidade na sua obtenção a que se associa o baixo preço são factores tranquilizantes e quem sabe se não porá em causa a tentativa de açambarcamento do famoso Tamiflu.

Não me admiraria nada que os produtores dos antivirais venham a fazer uma grande operação de marketing para que as autoridades procedam à sua aquisição, quanto antes!

Também seria interessante ver o que irá acontecer nos próximos tempos, face a estas descobertas. Às tantas, muitas pessoas começarão a tomar estatinas (não há perigo de ruptura de stocks) com medo de virem a ser contaminados pelo vírus da gripe. Para já, caso se verifique este comportamento, ainda poderemos observar uma redução muito significativa das doenças cardiovasculares, mesmo que não ocorra a tal pandemia…

Só espero que não seja aproveitada como uma forma de “manipulação” para vender mais estatinas…

terça-feira, 13 de junho de 2006

Faz sentido?

A pergunta será impertinente para muitos porque toca num daqueles assuntos em que não se deve tocar porque constituem consenso nacional. Sacrossanto. Que não pode ser posto em causa. Nem em sussurro...
O apoio de Portugal a Timor em crise é um desses.
Como a minha opinião nada muda - e mesmo que mudasse... - confesso que cada vez que um dos responsáveis governamentais se pronuncia pela presença militar portuguesa em Timor, a pergunta herege apoquenta-me. Faz sentido?
O nosso Ministro de Estado e da Administração Interna acha que sim. Acha mais: se a comunidade internacional pedir (suspeito que não tem sequer que pedir muito...) reforçamos o nosso contingente da GNR. Faz sentido? Tenho profundas dúvidas.
Se é o orgulho que nos obriga a estar porque a Austrália está, creio que a razão é um disparate. A Austrália é a potência regional por aquelas paragens. Tem por isso especiais responsabilidades na manutenção da paz na região, sendo natural que lhe caiba o mandato internacional de coordenação de forças constituídas para o efeito .
Se é por os nossos governantes sentirem uma particular responsabilidade histórica em relação a Timor, uma espécie de insuportável peso na consciência nacional, penso então que o disparate é um tanto maior.
Portugal redimiu-se de uma descolonização desastrosa quando desempenhou um papel corajoso e irrepreensível contra a ocupação Indonésia. Durante um largo período lutámos sozinhos contra tudo e contra todos. Lográmos inverter a opinião pública internacional que anos a fio nos foi desfavorável, ou então nos ignorava olimpicamente. Conseguimos cativar a Europa e os EUA. A maioria do membros do Conselho de Segurança. Fomos determinantes na independência de Timor. Estaremos mesmo assim e para sempre condenados a expiar o pecado da descolonização falhada à custa de um enorme e permamente esforço, mesmo que os timorenses não se esforcem por encontrar o rumo (como é pressuposto da auto-determinação que tantas vidas custou)?
Mas pergunto-me se faz sentido tendo em conta também a conjuntura dificil que o País actualmente vive. Observo o pudor que leva a classe política a não questionar quanto custa ao País mais este acto de solidariedade com Timor Lorosae, agora que passou o tempo da solidariedade emocional. Não, não se deve falar destas coisas materiais quando está em causa uma coisa tão espiritualmente nobre como o futuro de um jovem, pequeno e pobre País que esteve (está?) à beira de uma guerra civil (não porque o povo continua pobre apesar das ajudas, mas porque se degladiam as elites), diz-se em surdina.
Mas faz sentido? Faz sentido que não se questione a intervenção portuguesa também deste ponto de vista? Sobretudo se pensarmos que se pedem sacrifícios enormes aos portugueses porque corremos o risco do empobrecimento acelerado? Quando não há condições para a poupança por mais esforçado que o trabalho seja? Numa situação em que cada vez há mais gente no desemprego ou sofrendo a dor da incerteza sobre se terá ainda emprego, amanhã, daqui a uns meses? Quando os que hoje se vêem privados de uma parte do rendimento para a contrapartida de uma pensão de reforma que ninguém responsavelmente garante que venha a ter no futuro?
Faz sentido que este esforço de muitos milhões, se peça a um Estado na situação financeira delicada como é a nossa?
Podem julgar-me demagogo. Mas tenham santa paciência, em consciência e procurando ser justo, julgo não fazer qualquer sentido.
Sei que turvo o santo consenso que se estabeleceu sobre este assunto. Mas em consciência não vejo razões para que a solução não passe pelo contributo de outros, mais próximos, mais preparados e seguramente noutras condições internas para colaborar numa solução de paz.
O quê?! O petróleo? Ah! Essa é outra conversa. Ou então, se é a mesma, a razão do nosso empenho não é um disparate. É do mais rematado absurdo!

As más notícias-II: o aumento da falência social


A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima recebeu no ano passado 347 queixas de idosos vítimas de violência física e psíquica praticada pela família, número que nos últimos cinco anos atingiu 2.484 crimes.

Estes são os números conhecidos. E qual a real dimensão desta falência social que a vergonha tanta vez leva a esconder?

As más notícias: a diminuição das falências

Segundo noticiou o Diário de Notícias de ontem, o número de falências de empresas diminuiu pela primeira vez em quatro anos. Em 2005, faliram 1747 empresas, o que significou uma queda de 33% em relação às 2605 falências observadas em 2004.
Quando se anuncia um menor número de falências, muitas pessoas concluem que a economia está a melhorar e os Governos normalmente retiram do facto ilações favoráveis à governação. No entanto, quer uma, quer outra são conclusões falsas.
Desde logo, porque um processo de falência demora, em média, cerca de dois anos. Deste modo, os casos concretizados em 2005 reportam a empresas que se apresentaram à falência em anos anteriores. Se se pretendesse concluir por uma evolução favorável da economia, então a conclusão seria que a melhoria não era em 2005, mas sim em anos anteriores, provavelmente quando outros governos estavam à frente do país. Mas este é o aspecto menos importante. Porque o aspecto verdadeiramente importante tem sobretudo a ver com um número de falências profundamente desajustado à nossa estrutura empresarial.
Um proteccionismo ainda não erradicado tem vindo a perpetuar um conjunto significativo de empresas que, ao longo dos anos, acumulam prejuízos, não pagam impostos, não cumprem com Clientes e Fornecedores, distorcem a concorrência, e ocupam, abusivamente, o lugar de outras, mais aptas e viáveis.
As falências apresentam números irrisórios: de 2002 a 2005 foram declaradas apenas 6.970 falências, sendo que, nos últimos 10 anos, a média de falências andou à volta de 900 por ano, em termos relativos valor não comparável, por tão baixo, com o que acontece nos outros países.
Para que tivéssemos uma estrutura empresarial adequada seria necessário que o número de falências subisse. Portugal deve ser dos poucos países em que as empresas nascem, crescem, vivem, uma grande parte vegeta, mas não morrem.
Assim, nas circunstâncias actuais, uma notícia sobre a diminuição do número de falências não é uma boa notícia: é que, ao contrário dos países mais desenvolvidos, em Portugal ainda não se compreendeu que um processo de falências correcto e tempestivo é o meio mais adequado para punir quem merece ser punido e para preservar o bem social de uma empresa, isto é, o universo dos clientes, fornecedores, instalações, equipamentos e trabalhadores, universo esse que poderá continuar a produzir, só que, agora, com novo dono e nova gestão.
A diminuição do número de falências não é, pois, uma boa notícia, significando apenas que continuam a funcionar empresas que não criam valor, limitando-se tão só a parasitar a riqueza produzida por outras.

“Prevenção Senhor, prevenção!”…

Acabei de adquirir uma tradução em português de uma obra de H. Fournier, efectuada por Narciso Alberto de Sousa: “ O onanismo – suas causas, perigos e inconveniente para o indivíduo, família e sociedade: - remédios” (Coimbra, 1879). É notável o conteúdo desta obra, no que respeita à quantidade de asneiras, pseudo-interpretações, princípios moralistas, numa época em que devia haver um certo grau de liberdade intelectual e de respeito pela ciência. Um bom exemplo de anti-ciência que me fez recordar um pequeno texto que escrevi há algum tempo sobre tão ancestral prática.

Nesse tempo Judá desceu de entre seus irmãos e entrou na casa dum adulamita, que se chamava Hira, e viu Judá ali a filha de um cananeu, que se chamava Suá; tomou-a por mulher, e esteve com ela. Ela concebeu e teve um filho, e o pai chamou-lhe Er. Tornou ela a conceber e teve um filho, a quem ela chamou Onã. Teve ainda mais um filho, e chamou-lhe Selá. Estava Judá em Quezibe, quando ela o teve. Depois Judá tomou para Er, o seu primogénito, uma mulher, por nome Tamar. Ora, Er, o primogénito de Judá, era mau aos olhos do Senhor, pelo que o Senhor o matou. Então disse Judá a Onã: Toma a mulher de teu irmão, e cumprindo-lhe o dever de cunhado, suscita descendência a teu irmão. Onã, porém, sabia que tal descendência não havia de ser para ele; de modo que, toda vez que se unia à mulher de seu irmão derramava o sémen no chão para não dar descendência a seu irmão. E o que ele fazia era mau aos olhos do Senhor, pelo que o matou também a ele (Génesis 38:1 – 38:10).

É muito provável que esta história tenha condicionado muitas das atitudes e interpretações populares e médicas acerca do onanismo.
Até ao final do século XVIII pensava-se que o esperma era fabricado pelo cérebro, descendendo para se acumular nos testículos.
O esperma era considerado como um “licor” muito precioso, pelo que era necessário não desperdiçá-lo e, consequentemente, deveria ser reservado para a procriação. Além disso, era “bombeado” para a circulação geral redistribuindo a sua riqueza e qualidades por todo o corpo. Face a estes argumentos não é de admirar o aparecimento de diferentes técnicas destinadas a impedir que se vertesse tamanha preciosidade. Infusões, dietas, colchões especiais, corpetes tipo armadura, cinturões dos mais diversos tipos e até aparelhos destinados a acomodarem os pénis com tamanhos diferentes (havia já respeito pelos aspectos ergonómicos), feitos de latão, os mais baratos, até aos de prata! O assunto era de tal modo relevante que suscitava a elaboração de trabalhos “científicos” destinados a provar o perigo para a saúde de tal prática (caso do famoso Tissot com as suas obras: “O onanismo”, dissertação sobre as doenças produzidas pela masturbação ou “Aparelhos cirúrgicos de Misericórdia contra o onanismo”, entre outras).
Em meados do século XX estes conceitos ainda estavam bem presentes. Basta ver a obra de Eugene Steinach que propunha a vasectomia, precisamente para evitar que se perdesse o esperma e desta forma contribuir para o rejuvenescimento. Foram muitos os que se sujeitaram a esta “poupança” seminal, mas não enriqueceram em termos de juventude. Este conceito não é apanágio do mundo ocidental. Quem diria que já vigorava na antiga China, e, segundo os médicos chineses, o melhor era fazer amor sem ejacular! Paciência de chinês!
Hoje, sabe-se que não há qualquer prejuízo, pelo contrário, até pode ser benéfico. De facto, um trabalho recente, realizado na Austrália, sugere que, quanto mais vezes um homem ejacula — sobretudo entre os 20 e os 50 anos — menor é o risco de contrair cancro da próstata. Discute-se quais as razões para este efeito “protector”. Provavelmente, a ejaculação impede as substâncias cancerígenas de agredir a próstata, além de sofrerem uma forte concentração naquele órgão. A hipótese de estagnação prostática carece de confirmação, como é óbvio.
Se Onã tivesse tido conhecimento deste trabalho poderia ter respondido ao Senhor quando lhe perguntou: — Onã, Onã, o que estás a fazer?!
— Prevenção Senhor, prevenção!
Não tinha provavelmente sido morto e as “coisas” teriam sido muito diferentes….

segunda-feira, 12 de junho de 2006

Então...


... um bom Santo António

Vieira da Silva e Santana Lopes, a mesma luta!...

É bem verdade que os “bons espíritos” acabam sempre por se encontrar!...
Todas as vezes que o PSD esteve no Governo e Santana Lopes se via mais longe de ser líder, vinha sempre propor haver pessoas diferentes na liderança do Partido e na chefia do Governo.
Os argumentos eram sempre pertinentes, tão pertinentes como aqueles que justificaram, em fase posterior, que Santana Lopes tivesse também o seu tempo de glória como líder do Partido e 1º Ministro, ainda por cima, e por vicissitudes várias, sem eleições para qualquer dos cargos!...
Agora é Vieira da Silva, outrora o braço direito do chefe da ala esquerda e Secretário-Geral do PS, Ferro Rodrigues e agora Ministro deste Governo, que vem pregar a mesma doutrina, em entrevista ao Jornal de Notícias.
A uma pergunta do entrevistador sobre se “funciona ter um líder que é primeiro-ministro e ao mesmo tempo responsável pela dinâmica do Partido”, Vieira da Silva respondeu, de forma algo engrolada, diga-se:
“…Como partido do Governo, para não fugir à sua questão, a acumulação da liderança governativa com a liderança partidária sempre existe, mas na dimensão operativa espero que, no decurso da preparação do congresso que está aí à porta, seja possível encontrar uma solução institucional, uma solução operativa que reforce a ligação entre o Governo e o partido sem que isso passe necessariamente por uma acumulação das funções…”
Ora Vieira da Silva, que conhece bem o PS, pois até já foi responsável do Partido para a organização, vem agora defender que o Partido Socialista deve “procurar outra solução para a liderança”. Estranho? Talvez não, a não ser que, e após Manuel Alegre, se continuem a marcar espaços próprios no PS, à revelia de Sócrates que, para muitos socialistas, governará demasiado às direitas…Não sou socialista, mas na actual situação do país, estas “guerrilhas” só distraem da governação e não me agradam mesmo nada.
Enfim, Vieira da Silva e Santana Lopes, a mesma luta!...

sábado, 10 de junho de 2006

Uma questão de credibilidade!...


O nosso companheiro Tavares Moreira já comentou no 4R os dados do INE, segundo os quais a economia portuguesa teve um crescimento de 1% nos primeiros três meses de 2006, em comparação com igual período do ano passado. A grande razão veio da procura externa, que contribuiu para o aumento do produto precisamente com 1%. De facto, as Exportações tiveram um crescimento homólogo de 7,2%, ainda que as Importações tenham também acelerado, apresentando uma variação de 3%.
Assim sendo, o contributo da procura interna foi nulo, com o consumo privado a contribuir positivamente e o consumo público a contribuir negativamente.
O investimento também contribuiu negativamente, ao cair 2,7% em volume em relação ao trimestre homólogo.
Perante este dado, de queda do investimento em 2,7% em relação ao trimestre homólogo, muito me espantou a notícia inserta no Diário de Notícias de hoje, em que o Primeiro-Ministro, José Sócrates, qualificou a expansão da economia no primeiro trimestre como "virtuosa", porque "apoiada nas exportações e no investimento".
Congratulamo-nos todos com o crescimento de 1% da actividade económica, muito mais por ele se fazer por força das exportações e com diminuição do consumo público. Mas o Primeiro-Ministro tem que ser rigoroso e não nos pode vender grosseiramente gato enfezado por lebre gorda, ao dizer que o crescimento foi apoiado no investimento, já que este, pelo contrário, continuou a diminuir.
A palavra do Primeiro-Ministro tem que ser credível e episódios como este e como aqueles em que “afirmou” investimentos que o próprio Governo veio a abortar, não ajudam nada à credibilidade necessária e exigível.

sexta-feira, 9 de junho de 2006

Intolerantes!

Todos, sem excepção, têm direito a manifestar as suas idiossincrasias, as suas imperfeições, o seu lado menos positivo, utilizando os meios à sua disposição.

O cronista Vasco Pulido Valente tem, de vez em quando, uns repentes curiosos, como foi o caso de hoje. Atira-se como um gato a bofes ao senhor ministro da saúde e coloca-o em pé de igualdade com Hitler. Nem mais, nem menos. A versão portuguesa do expoente máximo da bestialidade humana está consubstanciada no ministro da saúde e na sua “lei sobre o tabaco”. Incrível! Os argumentos do cronista não são correctos, são desproporcionados, são mesmo irracionais, próprios de um fumador compulsivo que vê ameaçada a sua condição de prima donna por não poder fumar onde lhe apetece daqui a uns tempos. Não há quaisquer medidas coercivas, totalitárias ou similares na proposta de lei. Antes pelo contrário, são medidas justas e equilibradas e todas fundamentadas na ciência. Por outro lado, ninguém considera os fumadores como uma "nojenta raça". Têm o direito de fumar e não deverão ser perseguidos, nem prejudicados em função das suas opções. Já escrevi várias vezes sobre o assunto e defenderei os seus direitos. Não posso é aceitar que prejudiquem a saúde de terceiros. Irrita-me solenemente esta mania de comparar os defensores de determinados princípios a Hitler, aos fascistas ou ao Holocausto. Os defensores das correntes “pró-vida”, que têm todo o direito de expressar as suas posições, também recorrem a imagens idênticas, classificando como um novo Holocausto, o facto de alguns cientistas defenderem, por exemplo, a utilização das células estaminais, de embriões não viáveis ou sem projecto de vida, para fins nobres.

Não é digno, e traduz um nível de intolerância inaceitável, tentar comparar-nos ao pior do pior que a Humanidade já viu.

Há um pequeno facto curioso nesta análise. Na mesma página, ao lado, podemos ler a notícia de meloas em forma de cubo, criadas pelos japoneses com o objectivo de poderem ser melhor armazenadas. Parece que não é difícil moldar estes frutos, basta colocá-los dentro de recipientes cúbicos. Se conseguem dar esta forma, também poderão arranjar outras formas, tipo falo ou tipo charuto, por exemplo, capaz de deliciar as preferências de alguns que julgam poder moldar a forma de ser e de pensar com argumentos quadrados.

Eu prefiro saborear as meloas com as suas curvas naturais e de preferência num ambiente livre de fumo.

Misturas!

A palavra mistura está frequentemente associada a aspectos negativos. Resta saber se com ou sem fundamento.

Todos temos conhecimento de casos em que a associação de dois ou mais produtos ou situações é má, embora sem razão.

Os consumidores excessivos de bebidas alcoólicas defendem a seguinte e brilhante teoria: “não se pode fazer misturas”. Se começam com o tinto, só pode ser tinto, se for cerveja, só pode ser cerveja, caso contrário arriscam-se a apanhar tremendas bebedeiras ou a ficarem mal de saúde! Há os que não querem misturar-se com pessoas de outras classes ou condição, porque seria prejudicial para o seu estatuto social. Na área da alimentação o perigo das misturas é ancestral. São inúmeras as citações a este propósito, do género: não se poder beber vinho em cima da melancia (porque “dá pneumonia”), ou beber água fria e comer pão quente (“nunca fizeram bom ventre”). Tantas vezes ouvi esta última recomendação em pequeno que ficava na dúvida sobre se devia beber água ou comer o pão quentinho que o padeiro entregava a meio da tarde. A brincar e a correr constantemente sentia muita sede e fome, logo tinha que fazer a mistura… Do mesmo modo me diziam para não comer ou beber alimentos ácidos em cima do leite, porque talhava o mesmo, nem beber água fria depois das refeições, porque podia sofrer uma congestão mortal. Enfim, uma catrefada de recomendações que não faziam sentido. Também tive que aprender a não misturar alhos com bugalhos, apanágio dos verdadeiros mestres da confusão, que acabam por reforçar as más consequências das misturas, mas neste caso foi bom, embora um pouco doloroso, às vezes. Colocar no mesmo espaço, ferrenhos opositores futebolistas ou políticos, também não costuma dar bons resultados!

Já vai longo este arrazoado sem que tenha explicado a razão de ser do mesmo. O factor despoletador foi o facto de ter lido que certos anfíbios, mais particularmente rãs, andarem a levar na perna devido aos efeitos dos pesticidas. Uma série destas substâncias, respeitando as doses de exposição ambiental, não provocam, isoladamente, quaisquer problemas, mas se estiverem presentes várias, mesmo, repito, dentro dos limites, acabam por ter uma acção muito nefasta nestas espécies sensíveis. Importa, deste modo, tomar em linha de conta a interacção entre as várias substâncias mesmo que estejam dentro da normalidade recomendada, já que poderão ter, também, consequências no desenvolvimento embrio-fetal dos seres humanos. Mas há ainda um ponto adicional que nos permite compreender melhor todos estes aspectos de relacionamento entre os seres vivos e o meio ambiente. As simpáticas e sensíveis rãs, quando expostas a uma concentração baixa de um dos pesticidas e ao cheiro de um predador, zás, morrem!

Parece que existe um efeito multiplicador entre os dois agentes “stressantes”, embora, isoladamente, não apresentem quaisquer efeitos nocivos. Ainda bem que este fenómeno não ocorre nos seres humanos. Não é que haja muitos predadores a cheirarem mal, pelo contrário, alguns, e algumas, são mesmo bem cheirosos.

Numa recente viajem à Alemanha, num voo interno, e depois de ter comido uma refeição, cujos teores em pesticidas deveriam estar dentro das normas, tive que sofrer o aroma ecológico de muitos germânicos que devem desconhecer as virtudes higiénicas da água. Ainda bem que não interpretei os seus odores como sinal de predação, e ser mais resistente que as rãs! E logo eu, um fervoroso adepto da miscigenação, a dizer mal de uma mistura...

Polis para que te quero!

O País está em crise.
O desemprego cresce.
Não há dinheiro.
O crescimento da economia é lento ou nulo.
Todos sabemos que isto não vai bem.
O Governo também.
E corta na despesa, nos projectos, e num sem fim de coisas.
Mas em Viana do Castelo vive-se num outro mundo.
O Sr. Presidente da Câmara passeia-se com o seu Polis.
Milhões para aqui.
Obras para ali.
Mais uma avenida.
Umas quantas hastas públicas.
E a pouca vegonha da demolição do prédio Coutinho.
Aqui parece que o dinheiro não falta.
O país pode estar à míngua.
Mas em Viana do Castelo, andam a gozar connosco.
Será porque fica mal ao Sr. Primeiro-Ministro acabar com o esbanjamento que começou quando era Ministro do Ambiente?

PIB cresce 1% no 1ºTrim/2006

Acabamos de saber que o PIB teve uma variação de 1% no 1ºTRIM/2006 quando comparado ao 1ºTIM/2005.
Este resultado deve 1% à procura externa e -0,1% à procura interna (+0,5% do consumo privado e -0,6% do consumo público e do investimento) obtendo-se, por arredondamento para cima, o valor de 1% para o PIB.
Dir-se-á que não é mesmo nada mau, considerando as perspectivas mais recentes de organismos independentes, OCDE, Comissão Europeia, FMI que apontam valores da ordem de 0,6 a 0,8% para o crescimento no conjunto do ano.
Trata-se de um valor superior ao registado no último trimestre de 2005 (+0,8%) e, sobretudo, apresenta com aspecto mais relevante e favorável uma contribuição positiva, e crescente, da procura externa.
A questão estará em saber, nos próximos três trimestres, se poderemos continuar a contar com um contributo positivo das exportações e se a procura interna se vai aguentar.
Não excluo que as exportações possam continuar a dar um contributo positivo, a reboque da recuperação europeia, de uma ordem de grandeza semelhante à verificada neste trimestre.
Mais difícil me parece que a procura interna se possa aguentar, mantendo o consumo privado uma evolução positiva como aconteceu neste trimestre.
Julgo dever admitir-se como mais provável uma desaceleração do consumo privado, acabando mesmo em terreno negativo, em termos homólogos, no 2º semestre.
As restrições orçamentais conjugadas com a subida dos juros que se tem verificado e que deverão em princípio continuar, tornam muito difícil que o consumo privado de possa manter positivo ao longo de todo o ano, apesar do optimismo que se vem tentando insuflar.
Para contrariar esta provável tendência, seria necessário que o investimento recuperasse fortemente, o que não parece possível.
A minha “bola de cristal” diz-me que, tudo ponderado, deveremos acabar o ano com um crescimento muito em linha com as previsões dos organismos internacionais, entre 0,5 a 0,8%.
Não será um grande resultado, mas na aridez em que nos encontramos não será, apesar de tudo, uma má notícia.
Tudo o que venha acima desse intervalo será uma surpresa positiva. Mas, se ficar abaixo, não deveremos estranhar.
A questão central da economia portuguesa continua a ser o forte desequilíbrio das finanças públicas e, dentro deste, o insustentável crescimento da despesa improdutiva que lhe está subjacente.
Esse pesado ónus continuará a condicionar gravemente o desempenho da nossa economia, justificando que um crescimento de 1%, inferior a metade do registado na União Europeia, seja recebido quase com júbilo.
Como o valor do PIB para o 2º trimestre só será conhecido em Setembro e até lá temos o Mundial de Futebol (iniciado há 45 minutos) e as férias de Verão, o melhor é festejarmos este 1%.

Em tempo de futebol, um depoimento isento!...

Embora goste muito de futebol, e em especial daquele que é eximiamente praticado pelo FCP, é sabido que mantenho sempre uma posição isenta sobre a matéria. Como tal, não havendo emoção que me tolde a razão, a minha “postura” é de uma independência obstinada…desde que o FCP não seja prejudicado, claro!...Fico é regularmente triste, pelo facto de a minha mulher ( sportinguista dependente, que apoia Soares Franco e a venda do Alvaláxia XXI) e os meus filhos (benfiquistas de lugar cativo "vitalício") não mostrarem, perante o fenómeno futebolístico, o mesmo desprendimento que eu!...Consolo-me, no entanto, pelo facto de não lhes ter imposto as minhas ideias, embora a contrapartida é que, sistematicamente, me procuram impor as deles!...Contingências de um procedimento democrático…
É pois com esta objectividade que vou antever a carreira da selecção.
A crítica tem sido unânime e repetitiva no sentido de dizer que o “quarteto de ouro português” constituído pelo Figo, Cristiano Ronaldo, Pauleta e Deco pode remover todos os obstáculos e levar-nos à vitória. Não estou tão confiante assim!... Ora vejamos.
Figo já foi, efectivamente, o melhor do mundo. Excelente tecnicista, com boa capacidade de passe e de colocação de bola à distância, exímio marcador de livres, a “diferença” em relação aos outros media-se pela sua capacidade de explosão, que dinamitava os adversários, aliada ao poder de drible que entontecia os que sobreviviam. Pela força da lei da vida, atenuada a “diferença”, começou a perder o lugar no Real Madrid. No Inter era titular, mas quase sempre vinha a ser substituído. A comunicação social continua a apresentá-lo como o mito de há anos, mas apesar de combativo e valoroso, já não faz a “diferença” de que precisávamos.
Diz-se que o Cristiano Ronaldo será o substituto de Figo. Não vou longe disso. Mas acontece que ainda não é. Joga no Manchester, mas nem sempre é titular, muito menos titular indiscutível. Tem valor real e potencial, fala-se que é o melhor da sua geração, mas na Inglaterra, onde gostam dele, tem sido sempre preterido na eleição para o melhor jovem jogador. No entanto, é daqueles de quem sempre se pode esperar o lance inspirado da vitória.
Pauleta é o melhor marcador da Selecção e tem brilhado em França, onde já foi várias vezes o melhor marcador do Campeonato, o que diz do seu valor. É um excelente ponta de lança, mas muito susceptível a uma boa marcação por um central de boa técnica e poder físico. Não sendo um fora de série, é sempre de contar com o seu “oportunismo”.
Por último, Deco. Deco é o jogador de topo mais bem sucedido nos últimos anos. Titular indiscutível das equipas do Porto e do Barcelona, ganhou, nos últimos quatro anos, quatro Campeonatos Nacionais e três Taças Europeias, duas delas dos Campeões. Foi titular no Campeonato da Europa em que Portugal foi Vice- Campeão.
Talvez possa não ser o maior tecnicista do mundo, já que Ronaldinho e Zidane o suplantam nessa competência; não é jogador com mais poder físico, não é o jogador que melhor defende, nem é o jogador que mete mais golos. Mas é, de entre os melhores, aquele que pode desempenhar qualquer função no campo: defende bem, desdobra-se como nenhum outro na defesa-ataque, tem excepcional visão do jogo, marca bem livres, tem qualidade de passe e potência de remate. Considerado o jogador que mais quilómetros corria em campo na Liga dos Campeões que o Porto ganhou, e considerado como o “melhor jogador de equipe” pelo treinador do Barcelona, precisa de estar em óptima condição física para expressar todos os seus “skills” e qualidades. E não me parece que esteja, depois de quatro anos de fulgor permanente.
Por outro lado, a selecção, no seu todo, em relação ao Campeonato da Europa, que não ganhou, está dois anos mais “usada”…
Daí, o meu muito moderado optimismo… Oxalá a minha “razão” me engane!...