Número total de visualizações de páginas
sábado, 8 de julho de 2006
É difícil ser oposição...
Recomendo a leitura.
Ficam assim justificadas várias ausências e omissões.
A começar pela oposição.
Aliás acho que o título devia ser: "É fácil governar".
sexta-feira, 7 de julho de 2006
Nascimento da pessoa
Faz agora dez anos que nasceu a Dolly, o primeiro animal clonado. Muitas foram as tentativas e outras tantas as expectativas sobre este procedimento que “furacanizou” a comunidade científica e social. É certo a existência de inúmeros problemas relativamente à clonagem. Os animais clonados não se comportam como os originais e os riscos de doenças são um facto. Não basta “copiar” a parte genética, existem outros factores de natureza ambiental que exercem pressão e alterações na expressão dos mesmos. Mesmo que sejamos capazes de fazer regredir uma célula adulta à sua “origem” parece que não somos capazes de “limpar” os efeitos resultantes de uma vivência que faz “ligar” e “desligar” os genes. De qualquer modo, o processo de clonagem terapêutica, caso dos seres humanos, encerra um potencial nada desprezível. Mas a problemática da utilização das células estaminais e da clonagem terapêutica não está encerrada, longe disso, devido à forte intervenção de determinados sectores que consideram a “inviolabilidade” do embrião, considerando muitos, inclusive, uma obscenidade criar embriões em laboratório, chegando nalguns casos a não aprovarem quaisquer terapêuticas para ultrapassar a infertilidade!
A pequena bolinha, blastocito, fonte das tais células “milagrosas” é considerada para determinados sectores como possuindo os mesmos direitos que um ser humano.
É curiosa esta posição, porque durante muito tempo, ao contrário do que poderia imaginar-se, não foi tomada em linha de conta, já que a ciência desconhecia os processos da fecundação. Pio IX, em 1869, sacralizou a vida humana neste preciso momento, embora fosse ainda mal compreendida.
Qual o limiar em que podemos considerar estar presente perante um ser humano? Não é fácil. No entanto, a tradição cristã fazia a diferença entre o estatuto moral do “embrião não formado” e o “embrião formado”.
Quando o espermatozóide penetra no óvulo a conjugação dos dois pronúcleos não se faz de forma imediata. Será que podemos falar de um novo ser nesta etapa? Não. Só quando os dois pronúcleos se unirem e após três divisões é que os genes do embrião tomam o controlo do seu próprio desenvolvimento. Até aí, as instruções provêm do pai ou da mãe. Mas ainda há outros aspectos que devem ser tomados em linha de conta. Nas primeiras divisões um ovo pode dividir-se em dois ou mais. Mas também pode acontecer que dois ovos diferentes se unem originando um novo ser, ou, no caso de um ovo se dividir em dois, estes poderem, teoricamente unir-se novamente.
Nas primeiras fases do desenvolvimento pode haver muita confusão: um “indivíduo” que não comanda o seu destino nas três primeiras divisões celulares, um “individuo” a transformar-se em dois, dois “indivíduos” a fundirem-se num só, um “indivíduo” a dividir-se em dois e depois voltar a originar um outro. Enfim, a nossa ignorância quanto ao momento em que uma “pessoa” verdadeiramente nasce é uma realidade. No entanto, os que recusam em aceitar que um embrião nas primeiras divisões seja uma “pessoa” apresentam argumentos. Sendo assim, há que respeitar a sua opinião ao não considerarem o embrião, nas primeiras divisões, como sinónimo de indivíduo, legitimando as iniciativas de carácter científico.
Porque não também o sudoku?
Li no DN de hoje que o senhor Director Nacional da Polícia Judiciária considerou que a participação dos inspectores daquela polícia nos concursos de progressão "constitui factor de secundarização e de distracção das funções ou das actividades profissionais normais e correntes".Há, de facto, que variar nas distracções. Só concursos... Não se faz!
Foi há 10 anos
E acrescentava, “...Há boas razões económicas para tal. Tudo indica que quem ficar fora desse espaço terá de vir a respeitar regras idênticas ou muito semelhantes às nele praticadas. Mas perderá os enormes benefícios que decorrerão da substancial redução do custo do crédito e de credibilidade da nova moeda.”
A seguir, dizia “...Só ao nível das contas públicas a nossa adesão representará uma poupança anual superior a 200 milhões de contos. O mesmo se passará para as empresas, com vantagens evidentes para o investimento e o emprego.”
Mais adiante e em tom de desafio afirmava, “... Alguns perguntarão: conseguirá Portugal entrar? Serão as medidas para tal necessárias à economia portuguesa? Será suportável o eventual custo social? Creio estar em condições de responder afirmativamente a essas três questões. É possível alcançar estes objectivos, fazê-lo com medidas úteis à economia portuguesa e evitar em Portugal situações de ruptura social que, infelizmente, se estão a verificar em muitos países bem mais ricos que o nosso.”
E rematava com uma tirada que iria fazer escola, “Porque o rigor económico é um bem em si. Mau é o rigor económico cego, sem consciência social. Ora a política deste Governo é uma política de rigor económico com consciência social.”
Sabemos bem, infelizmente, no que deu este “rigor económico” assorti de uma consciência social: os 200 milhões de contos/ano de poupanças desapareceram “sem deixar rasto”, mais do que compensados por um extraordinário esbanjamento em despesas públicas, inúteis em boa parte.
Foi o tempo de atirar dinheiro para cima dos problemas, de qualquer maneira, na expressão feliz de um comentador da época.
Sacrificou-se uma oportunidade única de aproveitar as vantagens da adesão à nova zona monetária – ao contrário do que esse discurso prometera.
E forçando a economia, muito por causa desse esbanjamento, a um longo período de estagnação, que já leva 5 anos e não se sabe bem quando poderá terminar.
E o que aconteceu ao investimento e ao emprego?
Passaram 10 anos, parece que foi ontem.
Por cruel ironia, alguns dos que tiveram a lucidez de apontar o dedo para os erros que se estavam a cometer, acabariam perseguidos e atingidos por medidas sancionatórias sem qualquer fundamento, totalmente arbitrárias, num exercício maquiavélico de vingança política e de abuso do poder que em breve será conhecido.
Parte importante deste discurso foi transcrita na revista Info Euro, edição de Janeiro de 1999 (Nº 11), uma publicação do Ministério das Finanças que visava fazer a divulgação do Euro, sob a epígrafe “Uma vitória de todos os Portugueses”.
Não me recordo de uma vitória tão cara e tão amarga...
Desumanidade triunfante!...

Comecei a dar mais atenção, quando começou a referir-se à greve dos “profissionais da saúde”, e insolentemente enumerou uma série de blocos operatórios de grandes, médios e pequenos hospitais que estavam totalmente paralizados.
Lembrei-me que uma pessoa que muito estimo estaria a essa hora a ser sujeita a uma delicada operação ao fígado, marcada de urgência num hospital público.
Fiquei receoso que a intervenção não pudesse ser feita.
À noite, em casa, a minha mulher disse-me que a pessoa em questão não fora operada e só o seria na próxima quinta-feira.
Com tanto anúncio de greves, com tantas greves efectuadas, confesso que já nem dou muita atenção à matéria e ignorava até a razão desta.
Mas perante a insolência de gritar vitória pelo fecho grevista dos blocos operatórios, que leva à desumanidade de adiar operações marcadas de urgência, mais uma vez me interrogo sobre a legitimidade moral de praticar tal “crime” de ofensa objectiva á vida de um semelhante.
Contribuir para a morte de uma pessoa é crime, e o crime deve ter castigo.
Mas parece que o direito à greve tem mais dignidade que o direito à vida. Parece, não; tem, de facto!...
quinta-feira, 6 de julho de 2006
“Tudo deve ser comido no respectivo tempo”
O homem, e a mulher, é preciso ter cuidado com a língua nos dias que correm, passam a maior parte da vida num estado de excepção, ou seja num progressivo envelhecimento. Se olharmos para as outras espécies verificamos que a partir do momento em que se reproduzem “deixam” de ter utilidade. De um modo geral predomina a sobrevivência da espécie face ao indivíduo. No nosso caso ninguém quer desperdiçar esta fase, pelo contrário, queremos viver cada vez mais e melhor. Acontece que o homem precisa de códigos próprios para poder sobreviver e explorar o máximo possível da longevidade, que, como todos sabemos, se acompanha da perda de algumas qualidades e potencialidades. Os códigos de conduta são importantes, sem sombra de dúvida. A vivência das virtudes é uma das consequências. Acontece que à medida que vamos ficando mais velhos, mais nos arrependemos de não termos tirado mais “prazer” da vida. A palavra prazer foi colocada entre aspas por motivos óbvios, já que tem um alcance muito vasto.
Um estudo recente revela que a escolha do trabalho (o dito trabalho excessivo, louco, praticado por muitos) ao contrário da opção pela diversão leva, mais tarde, ao arrependimento por não ter sido aproveitada em tempo oportuno. Esta conclusão fez-me recordar a avó da minha mulher que dizia o seguinte: “Tudo deve ser comido no respectivo tempo”. Sábia senhora! Paralelamente, o sentimento de culpa por ter caído em tentação vai diminuindo à medida que o ser humano envelhece. É certo que a rendição aos desejos pode ser prejudicial e perigosa para a saúde e bem-estar, mas o excesso de controlo e de hipermetropia podem ser fontes de problemas a longo prazo. Quanto mais velhos menor o sentimento de culpa relativo às faltas cometidas em jovem. Muitos acabam por considerar ridículas as formas como entretanto se comportaram ou, então, esqueceram-se completamente. Ainda de acordo com o estudo, à medida que envelhecemos acabamos por “sentir saudades dos prazeres adiados”.
É curiosa a conclusão dos autores: “A curto prazo, o arrependimento pelo vício é maior que pela moral, mas a longo prazo a virtude causa mais arrependimento”.
Passar a maior parte da vida em permanente dieta e não tocar na sobremesa, ou adiar permanentemente a tal ambicionada viagem, constituem alguns exemplos, para não falar da tão famosa crise da meia-idade. Mas isso é uma outra história, embora este estudo não deixe de dar um contributo…
quarta-feira, 5 de julho de 2006
Nem mágico...nem magia!...
"Já ganhámos tudo mesmo se perdermos"
O meu prognóstico: Portugal vai ganhar!...
Portugal vai ganhar. Não sei por quantos, mas vai ganhar.
E vai haver golos!...
Talvez 2-1.
Porque o trio Figo, Pauleta, Ronaldo se vai superiorizar à defesa Barthez, Sagnol, Thuram, Gallas, Abidal.
Porque o meio-campo português Costinha, Maniche, Deco vai bloquear o trio Makelele, Vieira, Zidane.
E porque a defesa Ricardo, Miguel, Carvalho, Meira e N. Valente vai parar os ataques de Ribery, T. Henry e Malouda.
E porque a nossa Selecção é mais nova e tem qualidade!…
E porque acredito mais em Scolari do que Domenech.
E, vá lá, perdoem-me alguns…porque é preciso magia...e joga o Deco!...
Socialismo pragmático ou pragmatismo socrático?
O que se adopta como verdadeiro critério é o da utilidade do "corta", uma doutrina filosófica de resultados contabilísticos, ao estilo a que, pelos vistos, agora se chama de"socialismo-pragmático"!
Se muita da acção propagandeada poderá não vir a traduzir-se em proporcionais resultados, houve uma decisão do último Conselho de Ministros que foi bem baseada na experiência e na observação dos factos : verdadeiro "pragmatismo socrático"...que revogou uma decisão tomada, em tempos, por um socialismo ( que ainda não dava jeito designar de "pragmático") !
O governo alterou o regime remuneratório dos médicos nas urgências, revogando um diploma da antiga Ministra Manuela Arcanjo que determimava que as horas extraordinárias eram pagas pelo mesmo valor, estivesse o médico em regime de exclusividade (42h./semana) ou em regime de não exclusividade ( 35h./semana ) , isto é ,tabelas salariais iguais sem ser tido em linha de conta um cálculo proporcional aos respectivos salários-base.
O pagamento fazia-se, portanto, desde 2001, pela tabela máxima das 42h.semanais.
Por ano, vão 300 milhões de euros em pagamentos aos médicos por horas extraordinárias nas urgências e o Ministro diz, que com esta medida, vai poupar 20 milhões/ano.
O que ele ainda não disse é que não é esta medida-- independentemente da sua justeza, até face à lei geral do Estado-- que vai resolver a preocupante proporção que os pagamentos em horas extraordinárias ocupam no valor total dos custos com pessoal médico: mais de 5o% destes custos!
E como não se fazem omoletes sem ovos ( e o problema já nem é de não haver dinheiro para ir comprar as omoletas a qualquer lado..., o problema é que não há mesmo ovos!) só resta mesmo reestruturar concentrando serviços; expliquem é tudo muito bem, porque estas medidas são dramáticamente impopulares.
Oxalá tenham aprendido com a desabilidade política das maternidades!
terça-feira, 4 de julho de 2006
Rainha Santa
Hoje, dia da cidade de Coimbra e da Rainha Santa, foram homenageadas várias entidades e instituições da cidade. A cerimónia contou com a participação dos grupos políticos que fazem parte da Assembleia Municipal, além dos elogios aos condecorados, assim como a intervenção do presidente da câmara.
A cerimónia solene teve lugar na Quinta da Conraria, local fabuloso, onde a Associação Portuguesa de Paralisia Cerebral tem feito um papel notável e que honra qualquer cidadão.
Parabéns aos homenageados: Professor Manuel Antunes, Dr. José Mendes Barros, Padre Francisco Proença Serra, Padre António de Sousa, Associação das Cozinhas Económicas Rainha Santa Isabel e Fundação Bissaya Barreto. Durante a cerimónia foi entregue o Prémio Miguel Torga Cidade de Coimbra 2006 ao escritor Cristóvão de Aguiar.
Valeu a pena.
De todos os discursos, brilhantes, sucintos e adequados à efeméride, recordo uma passagem do representante do Grupo Socialista, por acaso um colega meu, que recuou ao passado e à Rainha Santa Isabel. A dado momento, a propósito do célebre milagre das rosas, em que o pão, segundo uns, o ouro, segundo outros, foi transformado em rosas, símbolo da solidariedade social, conotou a atitude da padroeira de Coimbra e as rosas do milagre com o partido socialista e o seu símbolo: a rosa. Podemos concluir que a proto-fundação do PS é isabelina e santificada! Achei curiosa a associação e provocou-me uma certa inveja. Explico porquê. Cá em casa o pessoal é mesmo devoto da Rainha Santa. Quando regressei a casa no Domingo fiquei estupefacto com a pequena estatueta da Rainha Santa junto ao televisor. Vi logo que o meu filho mais novo, que nem manifesta, aparentemente, sinais de religiosidade, “agarrou-se” à imagem da sua devoção. Imagino o que sofreu com o Portugal-Inglaterra! Outra característica da família é gostar de rosas e ser adepta do PSD.
Fiquei danado pelo facto do PS ter tentado “roubar” a Rainha Santa para o seu lado. Pelo menos até teve bom gosto. Ainda bem que o colega não se lembrou de associar o outro símbolo do PS, o “punho”, a quaisquer outras manifestações históricas…
Ricardo
Muitos estudos têm demonstrado capacidades cognitivas por parte de diferentes animais fazendo com que a fronteira entre os seres humanos e outras espécies, que ainda há muito pouco tempo estava definida por uma linha precisa, mesmo com os primatas, se alargue de forma apreciável. Há, no entanto, um aspecto que ainda não foi reconhecido noutras espécies, e que na nossa começa a desenvolver-se a partir dos quatros de idade, em média, a denominada “teoria da mente”.
Quando estamos conscientes de uma crença, um desejo ou uma intenção, utilizamos o termo “intencionalidade”. A “intencionalidade” pode ser entendida como uma série hierarquicamente organizada dos estados de crença. Um computador é uma entidade intencional de ordem zero e o mesmo se deve passar com as bactérias e talvez com alguns insectos. No entanto, a maioria dos seres que possuem cérebro estão conscientes do conteúdo das suas mentes, já que “sabem” que têm fome ou “acreditam” que estão a ser vigiados por algum predador. Sendo assim, podemos afirmar que possuem uma intencionalidade de primeira ordem. Quando se tem a crença do que o outro está a pensar ou qual a sua intenção, então designamos a situação de intencionalidade de segunda ordem. Só os seres humanos, e a partir de determinada idade, é que são dotados desta capacidade que está na base da teoria da mente. Mas, não ficamos por aqui, já que a intencionalidade pode atingir a quinta ou sexta ordem, mas não é muito habitual chegar a este grau de elevada complexidade, ou seja, por exemplo: “A acredita que B pensa que C quer que A suponha que B pretende que C acredite” que a sua análise é a verdadeira. Confuso? Claro! Com tantas ordens de intencionalidade… Mas há por aí alguns “superdotados” que não fazem outra coisa, lançando cada confusão!
As interpretações que fazemos acerca do que os outros estão a pensar em função das nossas crenças, desejos ou intenções, nem sempre correspondem e podem ser fontes de equívocos e de graves problemas. Mas é um atributo humano que está constantemente em actividade.
Esta breve análise nasceu da afirmação feita por Ricardo que disse: “Vi nos seus olhos que não estavam confiantes para marcar penaltis. A baliza para eles estava a encolher. Só me cabia tentar prolongar o sofrimento deles”. Um excelente exemplo de intencionalidade de segunda ordem num guarda-redes de primeira…
Força Ricardo!
Oposição à Oposição?
Simplex e propaganda II
Parabéns ao Governo e à Imprensa Nacional Casa da Moeda.
Mas anunciar esta medida como um acto de desburocratização do Simplex é risível.
Desburocratizar não é fornecer serviços de borla.
Desburocratizar não é tornar gratuito algo que já existe e funciona.
Se assim fosse porque é que temos que continuar a "aturar" os dislates dos serviços de finanças, das conservatórias, dos notários e da segurança social?
Será que um dia destes se ocorrer o milagre da redução do preço da gasolina também é uma medida do Simplex?
Simplex e propaganda
Combater a burocracia do Estado é um objectivo que qualquer português defende.
Criar um programa para alcançar esse objectivo só pode ser aplaudido.
Mas pretender apresentar "serviço" ao fim de três meses não é sério e denuncia preocupações propagandísticas censuráveis.
Bem pode o Governo falar das 333 medidas do Simplex e lamentar-se que é a própria burocracia do Estado que atrasa a sua aplicação.
Basta conhecer este Estado e as suas debilidades para perceber que este trabalho levará anos.
Os sistemas de informação da administração pública continuam por modernizar.
Exigem-se escrituras públicas de habilitações de herdeiros com custos astronómicos para se legitimar de forma meramente declarativa aquilo que os serviços de finanças deviam saber.
Os cidadãos têm que esperar duas semanas para obter uma simples certidão da segurança social.
Não existe um cadastro actualizado dos prédios rústicos e urbanos.
Habitualmente, os serviços públicos exigem aos cidadãos documentos de outros serviços públicos que deviam ser trocados directamente entre esses serviços.
Quando nos dirigimos a Conservatórias e Notários constatamos frequentemente que cada um faz a sua livre interpretação da lei e não existe qualquer preocupação em harmonizar os procedimentos.
Estes são alguns exemplos do País que precisa de um Simplex duradouro e que não esteja submetido a calendários irrealistas ditados por necessidades propagandísticas.
segunda-feira, 3 de julho de 2006
O socialismo pragmático
Raras são as oportunidades de o ouvir. Mas hoje assisti à prédica semanal de António Vitorino na RTP. Vale a pena escutá-lo. Não só pela inteligência com que analisa, mas também porque ora nas palavras ora no que deixa subentendido, revela muito do que se passa e do que se pensa no núcleo que rege a família que hoje domina largamente a vida política nacional.Tudo para concluir que o socialismo moderno é o "socialismo do pragmatismo". Tal como Ségolène Royal o diz.
Portanto, por muito que se esforce a esquerda histórica do PS em agitar as velhas bandeiras, o mote e a justificação estão dados na forma como António Vitorino, em linguagem apropriada ao momento, fechou a conversa: "em equipa que ganha não se mexe". Ou seja, o que importa é marcar golos sem curar de seguir princípios de jogo.
É a verdade dos tempos que correm em que os ideais cedem lugar à absoluta necessidade de ganhar. Ainda que muitas vezes se não repare que se ganha também por ocupar todo o terreno de jogo, ou mesmo por falta de comparência do adversário...
Dúvidas do Banco Central Europeu (BCE)
Nesse breve texto de 5 páginas, deparamos com alguns comentários sobre a situação orçamental portuguesa que me parecem merecer aqui uma curta referência.
O primeiro comentário é comum a Portugal e à Itália e refere que “...o ritmo de ajustamento e o calendário para a correcção do défice excessivo estão em risco”.
O segundo comentário é dirigido à evolução do saldo orçamental ajustado do ciclo, dizendo que “...é provável que fique aquém da variação esperada no caso de Portugal em 2007”.
O terceiro comentário situa-se nos objectivos de médio prazo – de conseguir um orçamento equilibrado ou com ligeiro superavit – afirmando que no caso da Alemanha, Grécia, Itália e Portugal os planos orçamentais sugerem que o objectivo de médio prazo só na próxima década será conseguido.
Finalmente, num quadro resumo (pág. 74), a avaliação global da situação orçamental portuguesa é classificada de “alto risco”, em especial devido à previsível evolução dos encargos orçamentais nos sistemas de pensões e de saúde associados ao envelhecimento da população. Este quadro resumo foi utilizado no último Conselho ECOFIN.
Igualmente de alto risco e por razões semelhantes é considerada a situação orçamental da Grécia.
Os restantes casos difíceis, da Itália, Alemanha e França são considerados de médio risco.
Esta análise, de cuja independência não é possível duvidar, evidencia um significativo contraste em relação ao optimismo que o marketing oficial pretende vender em Portugal sobre o sucesso da estratégia orçamental.
Eu não considero estranho que o marketing oficial nos pretenda convencer de uma realidade que está longe de ser adquirida. Tem sido normalmente assim ao longo do tempo, embora me pareça que desta vez a dose tem algo de exagerado.
Mas creio que, na situação em que nos encontramos, seria bastante recomendável que o marketing oficial fosse menos insistente nas notas de optimismo que coloca.
Pela razão simples de que, em caso de insucesso no cumprimento dos objectivos (de alto risco), a frustração da opinião pública será proporcional à intensidade do marketing que garantia o sucesso.
Também a opinião pública aceitará menos bem um possível agravamento da carga fiscal, que parece anunciar-se, sob a veste de uma redução ou eliminação de benefícios fiscais ligados a despesas sociais.
Não será isto evidente? Ou estarei enganado e não será assim tão evidente?

