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sexta-feira, 7 de julho de 2006

Desumanidade triunfante!...



Ia ontem de manhã no carro, quando me entrou pelos ouvidos dentro a voz um sindicalista, anunciando, de forma triunfal e arrogante, o êxito que estava a ser a greve da função pública.
Comecei a dar mais atenção, quando começou a referir-se à greve dos “profissionais da saúde”, e insolentemente enumerou uma série de blocos operatórios de grandes, médios e pequenos hospitais que estavam totalmente paralizados.
Lembrei-me que uma pessoa que muito estimo estaria a essa hora a ser sujeita a uma delicada operação ao fígado, marcada de urgência num hospital público.
Fiquei receoso que a intervenção não pudesse ser feita.
À noite, em casa, a minha mulher disse-me que a pessoa em questão não fora operada e só o seria na próxima quinta-feira.
Com tanto anúncio de greves, com tantas greves efectuadas, confesso que já nem dou muita atenção à matéria e ignorava até a razão desta.
Mas perante a insolência de gritar vitória pelo fecho grevista dos blocos operatórios, que leva à desumanidade de adiar operações marcadas de urgência, mais uma vez me interrogo sobre a legitimidade moral de praticar tal “crime” de ofensa objectiva á vida de um semelhante.
Contribuir para a morte de uma pessoa é crime, e o crime deve ter castigo.
Mas parece que o direito à greve tem mais dignidade que o direito à vida. Parece, não; tem, de facto!...

12 comentários:

Massano Cardoso disse...

Ainda gostava de ver como é que esse sindicalista reagiria se tivesse necessidade de uma intervenção "interrompida" por uma greve!
Espero, sinceramente, que a situação não seja grave e passível deste compasso de espera. Estou convicto que seria operado se corresse perigo de vida. Mas ninguém o livra do incómodo e do sofrimento, o que é lamentável.
Saúde para o doente. É o meu desejo.

tempodividido disse...

"intervenção interrompida por uma greve"?! Direito à vida ameaçado?! Alguém ouviu falar em serviços mínimos? Ou em demagogia? Que este post ressuma do princípio ao fim. Não questiono a justeza desta greve em particular. Só os lugares-comuns e o choradinho patético do post.

LMSP disse...

Caro tempodividido,

O lugar comum será a greve. Já ninguem tem pachorra para tantas greves, tanta ineficácia (das greves, pois sem credibilidade...), tanto tempo perdido, tanto incómodo.
E normalmente para reivindicar direitos adquiridos (como o caso dos trabalhadores do metro) a que o comum dos mortais não tem direito.

Pinho Cardão disse...

Caro tempodividido:
O meu amigo estava numa situação clínica grave; como tal, e já sabendo que iria haver greve,o hospital e o cirurgião marcaram-lhe uma intervenção urgente. Assim,entrou na véspera no hospital, para preparação. No dia seguinte, dia da greve, comunicaram-lhe que a operação só seria feita daí a oito dias.
O meu amigo aceitava tudo isto alegremente.
E se algum doente ao lado, nas mesmas condições, protestasse, o meu amigo interrompia-lhe o choradinho.
Não lhe desejo obviamente a situação.
Mas, perante ela, não comentaria da mesma forma que o fez; aliás um comentário cheio de desumanidade e dos lugares- comuns que é uso fazer nestas ocasiões. E que não têm importância, porque a situação toca a outros. Que não são pessoas, mas "massas", numa expressão tão do agrado sindicalista.Mas com semelhantes atitudes é que os sindicatos estão a ver o número de filiados descer dia a dia.E a desacreditarem-se cada vez mais.

Clara Carneiro disse...

Que o direito à greve é indiscutível, é!
Que o direito à saúde é indiscutível, é!
Que é indiscutível que os nossos serviços funcionam em quase serviços mínimos, sobretudo em Julho e Agosto, é!
Que o incómodo e agravamento da situação, quer fisico quer psíquico, é indiscutível,é!
Que as greves se fazem para que se sinta realmente a sua perturbação, também é indiscutível!
Que nunca por nunca uma cirurgia programada deveria ser , na hora, comunicado o seu adiamento, tb. é indiscutível!
Que se entenda este post como "demagógico" e repleto de "lugares comuns" é de uma indiscutível ausência da real gravidade do assunto ( este e tantos outros...)que nos trouxe à conversa!

João Melo disse...

os sindicalistas tem muitos direitos e poucos deveres.e essencialmente defendem as corporações já instalados , que não querem perder os tachos ,perdão, direitos adquiridos..

LMSP disse...

Então em que ficamos?
Todos os direitos são indiscutíveis?
Das três uma:
- ou se acaba com o direito à greve;
- ou se acaba com os sindicatos, que usam e abusam do mesmo;
- ou se acaba com tantos direitos adquiridos e nivelamos.

João Melo disse...

os direitos adquiridos parecem os "Dez mandamentos".imutáveis , inquebráveis, dogmas e que devem ser guardados numa redoma , escoltados e guardados por uma guarda pretoriana feroz.mas a sociedade tambem muda. e é isso que os sindicatos não percebem.na sua torre de marfim , ainda não se aperceberam que o tempo mudou. com estratégias ridiculas e contrapruducentes , que não fazem mais que acicatar os animos contra si e isolá-los cada vez mais e torna-los indesejados mum mundo que cada vez mais os rejeita, porque já não pertencem a este mundo.pelo menos ,nos moldes em que estão hoje...

Anónimo disse...

Os sindicatos fazem parte, cada vez mais, do folclore mediático.
As suas propostas anacrónicas são, em regra, de uma frivolidade confrangedora. Não há pingo de inovação ou criatividade nas suas iniciativas. Reagem sempre, mesmo na dúvida, a qualquer esboço de mudança. O movimento sindical gerou, ao longo dos tempos, uma classe de dirigentes situacionistas que, acima de tudo, luta pela preservação da sua própria espécie – os “sem-abrigo” do trabalho. O poder dos dirigentes sindicais é, porventura, a mais imutável forma de exercício político. Os seus cargos se não são vitalícios, pelo menos confundem-se com as pessoas que os exercem. O sindicalismo não conhece conceitos como rotatividade ou alternância. É, talvez, o exemplo terreno, laico, que mais se confunde com a eternidade celeste (para os sindicalistas, entenda-se…). Sei que as generalizações são sempre injustas. Mas, o estado geral da arte não se afasta muito deste retrato. Já cansa, caramba!
Não sei como é possível haver gente que são se sensibiliza, direi mesmo, que não se revolta, com o exemplo relatado por Pinho Cardão neste post.
Os direitos são muito importantes, sim senhor. Mas direitos sem deveres, sem responsabilidade, tornam certas práticas absolutamente insuportáveis. Não vou agora, aqui, discutir qual é a fronteira, mas talvez, sugiro, um certo humanismo seja suficiente para ajudar o discernimento de alguns.

Anthrax disse...

Aos sindicatos falta-lhes uma pessoa como "moi même" :))).

Olhem, criatividade é coisa que não me falta, querem um exemplo? Bom, mesmo que não queiram, vou dá-lo na mesma.

Ainda ontem, enquanto caminhava para a estação de combóios ali de Alcântara-Terra, conversava alegremente com o Tico e o Teco (os meus 2 neurónios). O tema em debate era: "O fenómeno Jack Bauer na óptica da Teoria dos Jogos". E agora perguntem-me, qual é a importância disto? Eu digo-vos, nenhuma. Mas lá que foi criativo, foi (e interessante também).

O que me aborrece nestes sindicalistas é o facto de parecer que nunca foram crianças. Eu já estou farto de dizer que fazer greve é demodé. Pode até ser um direito, mas está ultrapassado porque é aborrecido e chateia à brava. Há tanta forma interessante e engraçada de protestar, para quê escolher uma tão sem graça.

Onde estão as tartes, os ovos, as tintas que não fazem mal à pele? Para quê sacrificar tanta gente, quando quem "faz mal" é só um? Nunca ouviram falar em "ataques cirúrgicos"? Dah!

João Melo disse...

Porque greve Anthrax? uma greve à sexta ou entre dois feriados calha que nem gingas!uma pontesinha e bora para o algarve!!

nikonman disse...

Parabéns por este post!