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terça-feira, 4 de julho de 2006

Simplex e propaganda II

Desde o passado dia 1 de Julho que o acesso ao Diário da República Electrónico passou a ser universal e gratuito.
Parabéns ao Governo e à Imprensa Nacional Casa da Moeda.
Mas anunciar esta medida como um acto de desburocratização do Simplex é risível.
Desburocratizar não é fornecer serviços de borla.
Desburocratizar não é tornar gratuito algo que já existe e funciona.
Se assim fosse porque é que temos que continuar a "aturar" os dislates dos serviços de finanças, das conservatórias, dos notários e da segurança social?
Será que um dia destes se ocorrer o milagre da redução do preço da gasolina também é uma medida do Simplex?

2 comentários:

Anónimo disse...

O preço da gasolina não depende exclusivamente do Governo, mas o do Diário da República sim.
Facilitar o acesso das empresas e dos cidadãos aos serviços públicos fundamentais, como é o caso, é também um acto desburocratização.
É natural que um Governo tire partido político das coisas que concretiza. Aqui só vejo lugar para o elogio. Mais dificilmente compreendo, noutras circunstâncias, a “feérica” propaganda de medidas putativas que se anunciam sem condições objectivas para se cumprirem os prazos definidos. Nestes casos sim, não há que poupar a demagogia.

JardimdasMargaridas disse...

O acesso universal e gratuito ao Diário da República é uma medida positiva.
Claro que ainda assim há custos, nada é de graça. Porque os custos do Diário da República em suporte documental não são apenas os custos do papel.
Sim, alguém vai ter que os pagar. Mas agora não se fala disso. Não podemos estar sempre a pensar nos tostões!
Quanto ao Simplex, já as coisas são diferentes.
A este propósito transcrevo o meu comentário em "Simplex e propaganda".
Desculpem, fica um post um bocadinho longo, mas é por uma boa causa:

Mais uma iniciativa política muito oportuna, não fosse a oposição tecê-las (enfim, o risco até nem era grande).
O Governo sabe, e se não sabe devia saber, que 333 medidas Simplex (ou metade, ou um terço, ou um quarto,...) não se resolvem num abrir e fechar de olhos, porque a questão não é um mero exercício de informatização ou "webização".
É bem mais complexo, envolve toda uma reestruturação organizacional e processual, reconversão de activos, redesenho de processos, novos instrumentos de comunicação e controlo, etc.
Para já não falar de uma nova mentalidade e cultura de pensar e fazer as coisas, desde o topo até à base (ou da base até ao topo!)
O Governo vir lamentar-se que é a própria burocracia do Estado que atrasa a aplicação do Simplex é um facto político extraordinário.
O Governo tem então que lançar um qualquer outro programa Simplex para promover a desburocratização.
A urgência de mudança é grande, mas não é por anunciar medidas às centenas que vamos andar mais depressa.