Domingo, 19 de Março de 2006

Postais esquecidos

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Monte Estoril no princípio do século XX. Três pontos de referência: a Vila Eugénio de Almeida, à esquerda, os apoios de praia e o Tamariz, à direita e ao fundo, o comboio a vapôr da então novíssima Linha do Estoril. Retratos de uma época em que as "estâncias balneares" ganhavam projecção nacional. Desde 1889 que a linha férrea unia Lisboa a Cascais democratizando o acesso às praias da Linha. Até então, a "ida a banhos" circunscrevia-se a um círculo limitado da burguesia lisboeta que enchiam os numerosos "chalés" que polvilhavam a orla costeira. A pouco e pouco, torna-se possível ir e vir em poucas horas, o acesso massifica-se e a pressão urbanística abafa a arquitectura distinta de princípios do século XX. Pedrouços e Algés tornam-se praias populares, o Estoril e Cascais são reservadas para as élites. Estrutura-se um ordenamento social da "Linha" até que o crescimento industrial da "cintura" lisboeta e a poluição acabaram por acelerar a decadência bem visível nas décadas de 70 e 80. Nos últimos 10 anos nota-se alguma recuperação, mas nada que se equipare à distinção da "belle époque". Entretanto descobriu-se o Algarve,a Costa Vicentina, Fortaleza, Ceará, ou mesmo as ilhas do Índico. Tudo isto em menos de 100 anos.

1 comentário:

JardimdasMargaridas disse...

Estes postais esquecidos do Prof. David Justino são uma relíquia. Quando os olhamos abanamos a nossa memória que o tempo e o progresso fazem esquecer.
A propósito das descobertas fui até ao Algarve. O de ontem com as suas frondosas falésias, as areias finas e brancas das praias, as suas costas multi recortadas, banhadas por uma água azul transparente... A contrastar com o Algarve de hoje, uma zona em declínio. Classificada de turística, em que o turismo é cada vez menos de qualidade, por entre o desordenamento urbanístico e o desfiguramento da paisagem.
Fatalidade? Não, é a nossa estranha tendência para o abismo! Sem sensibilidade e sem visão corremos sem regra e sem esquadro atrás do desenvolvimento, como se nos fugisse debaixo dos pés...
Seria bom olharmos – políticos e cidadãos – os postais antigos, talvez assim pudéssemos melhor educar a nossa sensibilidade à beleza e aos encantos da natureza e valorizar a riqueza de que o País dispõe. Talvez que com os postais esquecidos nos lembremos do que temos, ou melhor do que tínhamos, e nos questionemos sobre a necessidade de mudarmos os nossos hábitos e vícios.

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