Número total de visualizações de página

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Em jeito de desabafo...

Vejo a democracia como um espaço de confronto pelo diálogo. Talvez por isso não me faça impressão a instabilidade do momento que tanto parece preocupar alguns, convencidos - mas enganados - de que a vida dos Portugueses e o presente e futuro próximo de Portugal dependem de um Pedro ou de um António (as yelds da dívida soberana no mercado secundário deram hoje um salto maluco de 8 pontos por causa de uma suspeita de aumento de juros referenciais nos EUA, não por causa das constantes aparições da Catarina ou do anúncio do acordo com o Jerónimo). O que verdadeiramente me chateia é a sobranceria, a superioridade moral com que a chamada esquerda se afirma, como se as ideias dos outros fossem obra do diabo. Esta esquerda apostada no maniqueísmo é patética. E eu estou pessoalmente convencido que não tem qualquer tradução sociológica na larguíssima maioria dos portugueses.

6 comentários:

Zuricher disse...

Caro JMFA, à cautela eu preferiria vastamente que não houvesse regime democrático em Portugal ou, como máximo, uma democracia musculada da qual estivessem excluídos os partidos comunistas, sejam os comunistas velhos ou os comunistas embrulhados de novo.

Não o acompanho na acepção que faz de que esta esquerda não tem expressão sociológica na larguissima maioria da população Portuguesa. O povo Português é, infelizmente, um povo sociologicamente de esquerda. Não me admiro minimamente que esta coisa tenha o apoio duma grande, grande parte dos eleitores.

Em Espanha uma situação assim (com o Podemos, por exemplo) não me preocuparia porque em Espanha existem Forças Armadas a sério e que havendo derivas autoritárias de esquerda imediatamente interviriam. Aliás, quem segue a actualidade militar Espanhola tem podido observar ao longo dos últimos anos, nas revistas militares, certos artigos de opinião que se aproximam muito dum pronunciamento tanto a propósito da questão da Catalunha como a propósito da possibilidade de desvios de extrema-esquerda. Em Portugal não existem Forças Armadas com essa intervenção e, se alguma tivessem, seria ainda a ajudar à festa vermelha. Portanto, olhe, valha-nos o PR e tenhamos esperança (eu não tenho mas gostaria de ter) que se recuse a dar posse a um governo de frente popular argumentando o que melhor lhe parecer, nem que seja que as alianças externas de Portugal ficam em risco com um governo dessa gente.

JM Ferreira de Almeida disse...

É verdade, Zuricher, nesta matéria não nós acompanhamos. De qualquer modo o meu desabafo é motivado pela superioridade moral exibida pelos dirigentes de esquerda. Quanto à maioria sociológica de esquerda, creio que o meu Amigo está a contabilizar nela todos aqueles que seguem o partido que dizendo-se de esquerda, ao longo destes anos tem ensinado como se governa à direita.

Zuricher disse...

Caro Ferreira de Almeida, esses discurso e tom de sobranceria e superioridade moral não são nada de novo. Têm sido uma constante nos comunismos desde sempre. Leia Lenin e verá lá todas essas marcas. Aliás, ler Lenin e a seguir ir ouvir esta mocita zangada do Bloco de Esquerda é ter uma sensação de estar a ouvir a mesma coisa com mais de 100 anos de diferença, no mesmo tom, com as mesmas certezas absolutas e com os mesmíssimos atestados de idiotice passados a todos os demais. Faz parte.

Henrique Pereira dos Santos disse...

Nem mais

João Pires da Cruz disse...

A mim faz-me confusão explicar aos meus filhos que a democracia é o regime em que há quem chegue ao governo por esquemas e aproveitando as falhas do sistema.

Pinho Cardão disse...

Claro. O que está a acontecer é mais uma machadada na credibilidade da classe política, o que seria o menos, não fossem as consequências para a atitude dos cidadãos perante o actual sistema em que a democracia política se expressa. Afinal, o voto de nada serve, perante os arranjos de secretaria. Além do mais, os portugueses votaram em deputados, não em directórios partidários. Estes decidem, os elementos em quem votámos obedecem ao directório. Para quê deputados?