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quarta-feira, 20 de julho de 2016

Futebol, critério de escolha como exemplo para os políticos

"...Para uma melhor compreensão, calcule-se o que aconteceria se os jogadores da equipa portuguesa vencedora do Europeu fossem escolhidos com os mesmos critérios com que são escolhidos os deputados da Assembleia da República, com base no pagamento de favores antigos, de fidelidades e de interesses vários. Ou se as carreiras dos diversos profissionais presentes em Paris não tivessem sido baseadas no mérito, na vocação e na competição entre todos.
Esta é a lição útil a retirar do sucesso da equipa nacional de futebol, a que acrescento o facto de a liderança do grupo ter sido entregue a alguém que é também um produto da competição e da concorrência, competição no plano nacional mas também no plano internacional..."
Henrique Neto  , no jornal i

6 comentários:

Rui Fonseca disse...


Muito interessante, Estimado António.
Mas como devem, então, ser seleccionados os deputados?

Zuricher disse...

Excelente artigo esse de Henrique Neto que aqui cita. É evidente que só com ingredientes de qualidade pode fazer-se um bolo delicioso. Só que essa meritocracia é a total antítese da sociedade Portuguesa. É mais verdadeiro o inverso, aliás. Portanto o que há é o que há.

Rui, se estruturar o seu pensamento em termos meritocráticos verá que não é particularmente dificil fazer uma coisa dessas. Pode é não ser possivel num quadro democrático.

Rui Fonseca disse...


Zuricher,

Já o percebi há muito tempo.
Mas, mesmo assim, não resisto a perguntar-lhe onde vê o Zuricher um ditador conveniente.

Pinho Cardão disse...

Caro Rui:
Aconselho-te a dar uma vista de olhos pelo Manifesto Por uma Democracia de Qualidade
https://www.facebook.com/DemocraciadeQualidade/
onde poderás ver algumas medidas: possibilidade de candidaturas independentes, círculos uninominais, que levem a uma maior responsabilização dos deputados perante os eleitores, possibilidade de riscar nomes das listas, etc, o que levaria a que os partidos tivessem mais cuidado, e decoro, na escolha dos deputados.
Fui um dos promotores e subscritores do Manifesto, que espelha um consenso alargado e uma posição genérica comum, independentemente de algumas diferenças de pontos de vista sobre matérias particulares.
Alguns dos subscritores vêm mantendo textos na imprensa, que também podes ver no site.

Rui Fonseca disse...

Obrigado, António, por me recordares um documento que já li há algum tempo.

O busílis tem residido na recusa dos partidos em modificar as leis no sentido que aquele documento propõe. Todo os partidos, sem excepção, recusam candidaturas independentes (e, pode perguntar-se, independentes, como, de quê e de quem) e algumas propostas para eleições por círculos uninominais defrontam-se com o fantasma do caciquismo.
Quanto a riscar nomes, subscrevo.
E os partidos? Fogem da ideia a sete pés ...

Mas nada disto encaixa na comparação feita por Henrique Neto.
A competitividade do futebol, como em qualquer negócio não monopolista, joga-se no mercado.
Há um mercado político?
Em certo sentido, há, e presumo que não seja dócil. A grande diferença está no facto de a avaliação dos resultados no mercado político ser subjectiva, contando decisivamente os "golos demagógicos".

A maturidade democrática adquire-se com o seu exercício continuado em ambiente de Estado de Direito. O nosso problema é, do meu ponto de vista, o péssimo funcionamento da Justiça. Sem um sistema judiciário eficiente, oportuno, a democracia será sempre um arremedo do que pretende ser.


E, já se sabe,
"A democracia é a pior forma de governo, salvo todas as demais formas que têm sido experimentadas de tempos em tempos".

Fernando Vouga disse...

Em política (e não só...), o que vale é a fidelidade, não a competência.
Sempre foi assim e sempre será. O resto é fantasia.