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sábado, 2 de julho de 2016

Reparação histórica e omissão histórica

Basta uma simples consulta à Wikipédia ou às inúmeras notícias biográficas de Salgueiro Maia para saber que recebeu, em 1983, a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade, e, a título póstumo, o grau de Grande-Oficial da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito, em 1992.
A Ordem da Liberdade é uma Ordem honorífica portuguesa, que se destina a distinguir serviços relevantes prestados em defesa dos valores da Civilização, em prol da dignificação do Homem e à causa da Liberdade.
A Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito é a mais elevada  Ordem Honorífica de Portugal,
Foi-lhe agora conferida nova distinção, desta vez a Grã Cruz da Ordem do Infante, a qual visa reconhecer a prestação de serviços relevantes a Portugal, no País ou no estrangeiro, ou serviços na expansão da cultura portuguesa, da sua História e dos seus valores.
Entre as muitas e certamente atendíveis razões que podiam justificar este novo agraciamento foi, no entanto, destacada a da necessidade de " reparação histórica" sem qualquer referência às condecorações anteriores, -incluindo na comunicação social - como se cada gesto de renovação de reconhecimento só tivesse brilho se ofuscasse os critérios e homenagens até agora decididas. 
A omissão histórica a exigir reparação, a bem da verdade histórica.

16 comentários:

Bartolomeu disse...

Bom... para já, como bons portugueses, amantes e defensores da ordem, da honra e dos bons costumes, temos de nos sentir felizes por este Presidente, não ter "ainda" imposto condecorações a indivíduos envolvidos no escândalo "Panama Papers", como fez o seu antecessor... aquele que nunca se enganava e raramente tinha dúvidas.

Tiro ao Alvo disse...

Tem toda a razão. Não se entende esta pressa de reomenagear o Capitão Salgueiro Maia. Entender-se-ia era que fossem censurados aqueles que, em vida, o menosprezaram.

luis barreiro disse...

Sinceramente pelo que vi nas 2 últimas semanas na comunicação social pensava que Salgueiro Maia ia ser agraciado pela 1ª vez, isto não é informar mas sim formar.

Fernando Vouga disse...

Pena é que as condecorações estejam a cair no descrédito, para não dizer no ridículo. De tantas e tantas que têm sido distribuídas nos últimos tempos, só nos resta dizer: «foge cão que levas com uma condecoração».
Salgueiro Maia merecia melhor.

Bartolomeu disse...

Fernando Vouga,
ainda há quem dê muita importância e atribua significado sincero ao facto de ser agraciado. pensam que o ato e a medalha, ou a banda, seja o que for, representam o reconhecimento de uma sociedade, ou uma classe que, em alguns casos, desconhece tanto a existência do condecorado, como os factos que o distinguem.
estive por motivos profissionais, envolvido em algumas cerimónias em que várias dezenas de ilustres desconhecidos receberam das mãos do PR a tão subida honra. o mais caricato de tudo isto, é que em muitos casos, nem o próprio presidente conhecia os personagens, dado que, muitos dos agraciados são propostos por outras entidades. também houve quem declinasse essa distinção e de forma mais ou menos polida, os tivesse mandado enfiar a medalha... de novo na caixa. aliás, uma cerimónia de "medalhação", custa uma pipa de massa ao estado, as medalhas nas caixinhas todas bonitinhas custam um balúrdio, a logística, o cenário, o painel de personalidades e a plateia que é preciso montar, custam outro balúrdio e no fim de contas, ninguém sabe ao certo para quê. sabe-se que serve para as "altas competências (citando António Aleixo) desfilarem as suas mejestáticas figuras, proferir sonolentos discursos e receber enfadados aplausos. Num país de marionetes e de "yes man" que ainda não decidiu se é monárquico ou republicano, católico ou laico, ditador ou democrata, que outra coisa podemos esperar?

ainda ha disse...

SM nada merecia de "sobrenatural". Alcoólico, batia na mulher; e chegou a receber um grupo visitante ao quartel em Santarém de jeans e alpercatas. Um louco. E agradece-se o quê? Nada fez de importante no 25. Foi "maltratado" pelo MFA: sabiam bem de que esoécie ele era.
eao

Fernando Vouga disse...

ainda ha

Deve estar a falar de outra pessoa...

Conheci pessoalmente Salgueiro Maia e a sua mulher, bem como os filhos adoptivos. Prestei serviço com ele em Santarém, embora não tivesse participado no movimento do 25 de Abril (encontrava-me em Angola na região dos Dembos). Éramos amigos e bons camaradas. Convivíamos com frequência e estive em casa dele e ele na minha.
Era expansivo, muito leal e franco, aberto e educado. Tive com ele, como é normal, algumas discordâncias, que discutimos com frontalidade. Mas nunca guardou qualquer ressentimento.
Nunca o vi ébrio nem perto disso e, do relacionamento com a mulher, nunca ouvi qualquer reparo. Sempre que os vi juntos, pareceram-me carinhosos e cordiais.
Muito mais posso dizer em seu abono. Mas, para já, basta o que acabei de dizer.

Bartolomeu disse...

ainda há,
aquilo que subjaz ao ato de Marcelo, não tem a ver com essas tretas das alpercatas e de arrear na Maria, tão pouco com a epopeica "reparação histórica".
Marcelo está-se a cagar (se me é permitida a utilização do termo escatológico) para o MFA, para os visitantes ao quartel de Santarém.
Tanto ontem como hoje, os líderes políticos precisam fazer renascer os heróis do povo e, salgueiro Maia, foi o gajo que "os" teve para colocar o chaimite em frente ao Carmo e dizer a Marcelo Caetano, ou entrega o governo a António de Spínola, ou leva uma bujardada na mechela que fica a anhar para o resto da vida.
Não nos podemos esquecer que a primeira visita de Marcelo Rebelo de Sousa, após ser eleito Presidente da República, foi feita ao Papa Francisco.
Pois é... ao Papa Francisco... um papa Franciscano, seguidor das regras de Francisco de Assis, do Ascetismo, da verdade, da reposição do verdadeiro sentido do Cristianismo.
O Cristianismo, na sua essência, só possui qualidades humanas, cívicas e sociais, aquilo de que o nosso país está deficitário a todos os níveis da sociedade.
Não faço a menor ideia do teor da conversa entre Bergoglio e Marcelo, mas não me custa imaginar que terá convergido na necessidade de contribuir para o estabelecimento do bom senso, do consenso e da civilidade.
Neste nosso país quase insignificante, muitos se destacaram por possuir coragem, sentido de unidade e de respeito pelo outro.
Hoje, que o país parece ter mergulhado numa letargia da qual se mostra incapaz de sair, uma solução, ou o caminho para ele, pode passar por fazer ressuscitar esse espírito, fazer abanar os alicerces, fazer ruir o que está podre e convocar os bons pedreiros de boa índole e motiva-los para a construção de um novo Portugal.

ainda ha disse...

Fernando Vouga e Bartolomeu podem invocar tudo. É o que eu também faço com conhecimento de causa, como eles dizem.

Suzana Toscano disse...

Caros comentadores, não era minha intenção duvidar do merecimento de mais está distinção nem do critério que a determinou sendo, aliás, frequente, que haja diferentes condecorações à mesma pessoa, ou elevando o grau das anteriormente concedidas ou escolhendo uma ordem diferente para sublinhar os méritos. Não sei, e por isso escrevi sobre o tema, qual era a falta histórica que estava por reparar e esse foi o mote principal -e até único - desta atribuição, o que desvalorizou por completo os anteriores gestos de homenagem.

Gaudêncio Figueira disse...

As condecorações Portuguesas estão muito desprestigiadas.
Quarenta anos depois ainda vemos fantasmas da animosidade anti-militar a darem asas a essas ideias. Não conheci Salgueiro Maia pessoalmente. Encontrei-me (eu alf.mil. ele cap.) com Vasco Lourenço no Norte da Guiné (salvo erro Cuntima) em 1969. Sei aquilo que lhe ouvi - era um militar convicto naquilo que fazia - eu já tinha muitas dúvidas, para não dizer certezas de que não íamos a lado nenhum. Os Militares, como os médicos, há momentos em que a profissão fica vazia.
Passara oito meses (Jan a Ago de 1968) no Sul da Guiné que me vacinaram para a guerra e seu mais que provável desfecho.
Abomino condecorações atribuídas por critérios mais que subjectivos a alguém que não merecia a distinção como neste caso:
https://funchalnoticias.net/2015/05/23/da-ficcao-a-realidade/
Quando "elas assobiam" quem pode tem "pés chatos" e fica na secretária. Não é, infelizmente, único este caso. O Sr. Major Valentim Loureiro é outra situação paradigmática de como o poder analisou o processo.

Fernando Vouga disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
António disse...

Fernando Vouga, não vale a pena dar crédito a tamanho imbecile, esconde-se atrás de um nik name (ainda por cima fuleiro) e "amandou" umas bujardas.

Fernando Vouga disse...

Caro António

Imbecil ou não, ele está a difamar uma pessoa íntegra. E a dúvida fica.
Se ele não se retratar, terei de contactar a viúva, que conheço pessoalmente, e informá-la do que se está a passar. E, como se sabe, não é impossível descobrir a origem do comentário.

Gaudêncio Figueira disse...

Tão próximos e, também, tão longe de 1925 quando as camarilhas partidárias se entretinham umas com as outras.

Fernando Vouga disse...

No meu último comentário, onde escrevi "retratar" queria escrever "retractar".