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sexta-feira, 18 de fevereiro de 2005

O modelo nórdico do Eng.º Sócrates

É importante que os projectos políticos possam afirmar-se relativamente a padrões e referências económicas e sociais. José Sócrates ao revelar o seu modelo de sociedade tomando como referência o “modelo nórdico” esclarece muito do que pretende fazer quando for Primeiro-ministro.

O “modelo nórdico” é geralmente identificado pela versão mais “pesada” do chamado “modelo social europeu”, com um peso considerável (dos mais elevados da Europa) do Estado na sociedade e na economia. Porém, é justo lembrar que esse modelo sofreu alterações profundas nos últimos dez anos.

Há dez anos atrás o peso da despesa pública no Produto interno atingia na Dinamarca cerca de 62%, na Finlândia de 64%, na Suécia de 72% e na Noruega de 55%.

Passados 10 anos, todos reduziram de forma significativa esse peso: A Dinamarca passou para cerca de 56% (-6%), a Finlândia para 50% (-14%), a Suécia para 58% (-14%) e a Noruega para 48% (-7%).

A pergunta que vale a pena fazer é: qual o modelo? O de há dez anos? O actual? Ou o que permitiu passar do anterior ao actual?

Respondendo afirmativamente à primeira ou à segunda pergunta, podemos concluir que estamos “tramados”. José Sócrates quer aproximar o nível de despesa pública do equivalente médio daqueles países, sendo que a afirmativa à primeira pergunta salda-se num desastre de proporções incalculáveis, se for à segunda o desastre é apenas menor.

Se o “modelo” for identificado como uma resposta afirmativa à terceira pergunta, gabo-lhe a ambição: equivale a reduzir em cerca de 10% a referida despesa pública.

Porque é que nenhum jornalista lhe pergunta qual dos modelos é que ele ambiciona?

3 comentários:

JSintra disse...

Pois é Dr. David Justino... Mas para reduzirem o peso da despesa pública de 10%, entre outras soluções, os nossos amigos “Vikings”, começaram por dar “machadadas” nos efectivos da administração pública. Na Suécia, por exemplo, nos últimos 10 anos, o número dos funcionários foi reduzido de 45% e na Finlândia de 35%. Não creio que esta medida esteja inscrita nos programas eleitorais de um qualquer partido.

David Justino disse...

Pois é, meu caro JSintra. Em Portugal existe uma Constituição da República que não deixa. Por isso o XV Governo travou novas admissões (excepção feita à saúde e educação). O PS é mais benévolo: por cada dois aposentados entra um. Resta saber quem vai controlar as contas.

Pinho Cardão disse...

Caro Prof.:

A sua questão é pertinente:de facto, nenhum jornalista aprofunda a questão.
E porquê?
Porque não sabem nem sonham...
Não têm, em geral,cultura económica e alguma erudição que evidenciam beberam-na nas opiniões, sempre as mesmas, que comentadores,analistas e professores , sempre os mesmos, debitam sobre a "virtude" da despesa pública, quaisquer que sejam as circunstâncias e o modo!...
Como economista, entristece-me ver a leitura que muitos professores fazem de Keynes: interpretam-no pela rama e são mais papistas do que o papa...
Oxalá tenham a honestidade científica de não transmitir aos alunos as ideias que tão simplisticamente debitam nos meios de comunicação social!....