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domingo, 13 de julho de 2014

NOS COMUNICAÇÕES, S.A. (Pai Nosso que estais no céu venha a NOS...)

Confesso que tenho medo das telecomunicações. Quando se pretende resolver algum problema é um verdadeiro calvário, sobretudo para cancelar uma assinatura. 
O meu pai faleceu em fevereiro. Na altura, antes de falecer, tomei as providências necessárias para cancelar as assinaturas da televisão e de um telefone. A situação que configurava um fim próximo levou-me a tomar certas formalidades. Não fazia sentido continuar com algo que nunca mais utilizaria e que, também, praticamente não utilizava. Nunca cancelei as assinaturas por uma questão de respeito. Nunca pensei ser um tormento ter de cancelar os contratos com a Optimus e com a ZON. Um verdadeiro calvário cujos diálogos devem estar gravados e na posse da então duas empresas que se "casaram" há pouco tempo, adotando o nome conjunto de NOS. Depois de muita labuta, dores de cabeça e telefonemas atrás de telefonemas, julguei ter resolvido os casos. 
O problema com a OPTIMUS foi de tal maneira, quase que diria violento sob o ponto de vista verbal, que tive de entregar o problema ao meu advogado. Com muito esforço consegui a suspensão do contrato. No dia do funeral recebi um telefonema da OPTIMUS a comunicar que o assunto estava resolvido. Achei a atitude simpática e até agradeci. Perguntei se a última fatura ainda tinha de ser paga, mas não, estava tudo tratado. Bom, pensei, pelo menos foram simpáticos. Já tenho este problema resolvido. Menos um. Pensei.
Hoje, passados vários meses, fui, como é habitual, a casa dos meus pais para ver se havia qualquer coisa, porque nestas coisas de morte de familiares caem com alguma facilidade assuntos para resolver. Tinha uma carta de advogados a exigir pagamento de uma dívida à NOS COMUNICAÇÕES, S.A.!
Fiquei de boca aberta, uma carta de advogados a exigir o pagamento de uma dívida do meu pai?! Os termos destas cartas irritam-me sobremaneira. Uma prepotência, uma arrogância sem limites, um atentado à dignidade de quem tinha e tem tudo em ordem, com ameaças de procedimento judiciário. Enfim, a merda de uma linguagem imprópria para quem cumpre e respeita a ordem e os valores da sociedade. Ainda por cima ameaçam que iriam, caso não pagasse, incluir os dados do meu pai "em base de dados partilhada entre as empresas que oferecem redes e serviços de comunicações eletrónicas, com todas as consequências daí decorrentes, nomeadamente a impossibilidade de celebrar novos contratos", como se o meu pai tivesse necessidade depois de morto de celebrar novos contratos de comunicações eletrónicas! Que eu saiba a NOS ainda não conseguiu estabelecer comunicações com o além! Que eu saiba!!! 
O que é que eu fiz? Ainda com o carro a trabalhar fiz o pagamento através da internet. Depois tentei entrar em contacto com a NOS que me remeteu para um outro número, que, por sua vez, não me levou a lado nenhum, até ter de procurar forma de contactar. Não foi fácil, e também não foi gratuito, ouvindo sempre aquela cascata de água fria de vozes impessoais e irritantes. Surgiu-me um senhor com o qual conversei sem ter resultado nenhum. Aconselhou-me a ligar amanhã  para um número para ver o que é que se passava. 
Confesso, publicamente, que tenho medo destas empresas. São autoritárias, humilham, fazem conforme lhes apetece, segundo as suas regras e sinto um desprezo e um distanciamento quando há um problema a resolver, caso lhes retirem qualquer coisa.
Amanhã vou falar para o 800932900 para ver porque é que o meu falecido pai foi intimado a pagar uma dívida de 16,52€ (onde estão incluídos 0,25 juros de mora e 4,99 € de despesas administrativas) depois da OPTIMUS ter, na altura, e por iniciativa própria, repito, por iniciativa própria, comunicado que o problema do cancelamento da assinatura estava resolvido. Ficou tudo regularizado. Basta irem ouvir os registos telefónicos para comprovar toda esta situação.
Para que fique registado, e caso haja alguém da NOS que ande no Facebook ou nos Blogs a pesquisar coisas sobre a empresa, informo que a conta cliente é: 1.29097325_1 (OPTIMUS).
Pronto. Foi assim que acabei a minha tarde de domingo. Fiquei com má impressão da NOS, o que não é para admirar, já que me fez recordar uma piada que em tempos ouvi a propósito dos habitantes de uma certa cidade. - Sabe, senhor doutor, estas pessoas só conseguem rezar o Pai Nosso até ao venha a nós...Lembrei-me desta tirada a propósito da novel empresa NOS. Podem utilizá-la. Eu não vou exigir direitos de autor. Mas sabem o que me apetece dizer é mandar-vos para o raio que vos partam, embora preferisse outra, mais portuguesa, mais vicentina...


6 comentários:

skeptikos disse...

Bom dia, infelizmente neste país o cartel das operadoras de comunicações e não só... domina tudo e todos. Acham-se no direito de passar por cima dos direitos dos consumidores e não cumprir a legislação em vigor. Em suma, gostaria apenas de lhe chamar a atenção para o que estipulou o legislador:
O direito ao recebimento do preço do serviço facturado indevidamente, prescreve no prazo de seis meses após a sua “prestação”, de acordo com a Lei 12/2008, de 26/2, in DR I.ª Série, n.º 40, de 26 de Fevereiro de 2008, que veio interpretar autenticamente a Lei 23/96 de 26/07 (Lei de Protecção [dos Utentes] dos Serviços Públicos Essenciais), na qual se passou a dispor o seguinte (artº 10º - 1º): “O direito ao recebimento do preço do serviço prestado prescreve no prazo de seis meses após a sua prestação”, não me encontrando, por isso, obrigada ao pagamento das importâncias apresentadas.
Junto da Netconsumo tem muito mais informação acerca direitos dos consumidores.

Resto de boa semana.

Salvador Massano Cardoso disse...

Obrigado pela informação.

Bmonteiro disse...

Talvez seja aquilo a que tenho chamado de "nova economia".
Expus ás Finanças do Fundão, a situação de uma antiga casa na aldeia: paredes xisto, dois pisos dos anos 40/XX, sem telhas, vigas de madeira do tecto soltas e à vista; Coeficiente de Qualidade e Conforto = 0.89; embora de taxa IMI insignificante, devia ter um CQC = 0, o que levaria a IMI Zero; claro que sem qq solução que não seja deixar andar.
Arredores Castelo Branco: um antigo forno comunitário anos 40-50; há muito desaparecido, deu origem a uma vivenda; exposição via advogado, com fotografias antigas e actuais; do serviço de Finanças, para não ser enganado, foram tirar fotografias ao local:
Resultado: continua a ser debitado o forno inexistente.
Ingovernáveis, nada a fazer.

Rui Fonseca disse...

E eu que estava a pensar mudar para a NOS por considerar intolerável a PT (MEO)... Considerando os factos que relata as minhas razões de protesto são peanuts.

Sem outra saída só nos resta a alternativa de protestar e divulgar
pelos meios ao nosso alcance.

Jorge Santos disse...

Meu Caro

Se lhe servir de alguma coisa, digo-lhe apenas que com esta mesma empresa, passei por uma situação tão kafkiana como a que relata.
O mesmo tipo de arrogância, e de incompreensão, as mesmas ameaças "balofas" cartas de "advogados" que nem se identificam como advogados, pois omitem a o número de inscrição na Ordem, etc.
Como sou advogado, "puxei" dos galões e eles anularam o débito..

Chama a Mamãe! disse...

Eita, eita, eita... Somos mesmo um povo irmão. Só mudam os espaços geográficos, mas os transtornos são os mesmos. Por aqui - Brasil - é do mesmo jeitinho, sem tirar nem pôr. Aqui temos operadoras: Oi, Claro, Tim, Vivo (lembro-me dessas).
A Oi, sou usuária, ainda é a melhor, embora não tenha abrangência em todos os recantos desta Amazônia imensa. A Vivo sempre está "morta", dizem. A Claro, claro, vive obscura... e a Tim... bem, todos que têm Tim vivem de mau (e mal) humor.
Falar com um funcionário? Nem pensar! Te deixam dias e dias a falar com uma secretária eletrônica...O jeito é ir para o meio da Floresta, jogar todo meio de comunicação no fundo do Rio Amazonas...e tentar falar com preguiças, macacos e onças...certamente serão melhores interlocutores.
Abraços