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domingo, 13 de julho de 2014

Pois é, o inglês é a língua universal.

Afinal o ensino do inglês vai ser obrigatório, do 3º ano ao 9º ano. Uma decisão que peca por tardia. Depois de ter sido suspenso, depois de ter sido enquadrado nas actividades de Enriquecimento Escolar Curricular, mas de frequência facultativa, e depois de o Ministério da Educação se ter convencido que o nível de conhecimentos da língua inglesa no 9º ano é menos do que suficiente, a decisão óbvia foi finalmente tomada. Mas não há fome que não dê em fartura. Agora decidimos que "Queremos ser o primeiro país do mundo a conseguir este objectivo": o objectivo é que dentro de três ou quatro anos todos os alunos do ensino secundário sejam certificados pelo Cambridge com o nível First Certificate. Fantástico!
Esperemos que a partir de agora haja uma aposta sem retrocessos, que os governos acabem com o stop and go do ensino do inglês e levem a sério que o domínio da língua inglesa é fundamental no mundo global da competitividade...

3 comentários:

Luis Moreira disse...

Para que o meu rapaz não tivesse de andar no stop and go da educação co-governada pela Fenprof e 5 de Outubro, meti-o num avião ao cuidado de uma hospedeira da TAP e enviei-o para umas férias no sul de Inglaterra. Três meses depois veio de lá com os alicerces que lhe dão hoje o domínio da língua como instrumento de trabalho. E depois meteu-se ele num avião e foi acabar o curso em Itália. E depois foi trabalhar para Roterdão e para Paris. E frequentou cursos profissionais em Barcelona. Fala 5 línguas.A educação só precisa de mais liberdade de escolha por parte das famílias.

Jorge Oliveira disse...

Fica bem ao Ministério da Educação perseguir o objectivo de que “dentro de três ou quatro anos todos os alunos do ensino secundário sejam certificados pelo Cambridge com o nível First Certificate”.

No entanto, já parece conversa à moda do ex-PM José Sócrates a declaração de que "Queremos ser o primeiro país do mundo a conseguir este objectivo". Compreende-se, por isso, a exclamação irónica “Fantástico!” de Margarida Correa de Aguiar.

É um facto que o inglês se tornou a língua universal. Como diz, e bem, Margarida Correa de Aguiar, “o domínio da língua inglesa é fundamental no mundo global da competitividade”. Também à moda de Sócrates, posso dizer que me encontro na linha da frente dos que apoiam tal afirmação.

Com efeito, já em Março de 1999 a revista Ingenium, da Ordem dos Engenheiros, publicou um artigo meu em que defendi a ideia de que deveríamos reconhecer que o inglês se tinha tornado a língua universal, razão pela qual se justificava começar a ser ensinado aos nossos miúdos o mais cedo possível, desde a escola primária.

Uns anos mais tarde, em 06/12/2007, o jornal Diário Económico publicou um outro artigo meu com o elucidativo título “A competitividade nacional e a questão da língua”.

Isto para concluir que ensinar o inglês nas escolas de forma a satisfazer os critérios de Cambridge pode ser uma boa razão instrumental, mas falta-lhe a solidez de um objectivo mais ambicioso, de carácter estratégico.

Julgo ter deixado esse objectivo bem identificado nos artigos que publiquei, ao defender a intenção de tornar o inglês a segunda língua oficial do nosso país num prazo relativamente curto.

Dessa forma, a satisfação dos critérios de Cambridge, que se admitem aceitáveis como instrumentos de avaliação, seria complementada e justificada por um objectivo mais amplo, de índole nacional, a alcançar.

Margarida Corrêa de Aguiar disse...

Caro Luis Moreira
A esmagadora maioria dos pais não pode fazer o mesmo, não apenas por razões económicas mas também por falta de cultura. O domínio da língua inglesa é, sem dúvida, um passaporte para a vida profissional.
Caro Jorge Oliveira
Agradeço as suas notas, estamos de acordo. Não tenho nada contra os critérios de Cambridge, muito pelo contrário, defendo que o ensino do inglês seja exigente, como aliás deveria acontecer com todas as outras disciplinas.
O que me preocupa é a falta crónica de estratégia, é a política do stop and go, quando precisamos de ter objectivos e políticas consistentes, intertemporalmente também, para os atingir. Não temos que ser os melhores do mundo, temos que fazer boas opções e trabalhar bem para conseguirmos bons resultados. Se conseguirmos alcançar lugares cimeiros tanto melhor, temos é que nos pôr ao caminho com convicção.