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domingo, 26 de abril de 2015

"Temos que ir à raiz dos problemas": como?


Esta é uma fotografia que anda a correr mundo sobre o horror dos naufrágios que levam à morte de milhares de seres humanos que fogem todos os dias da morte nos seus países. Fogem literalmente, não sabem o que lhes espera, confiam numa outra sorte.
Interessante este texto de Teresa de Sousa sobre a actuação da Europa perante este flagelo. De facto, o problema não se resolve apenas com mais dinheiro para ajudar as actividades de patrulhamento e de salvamento.  À pergunta sobre o que fazer para travar o êxodo migratório de proporções tão catastróficas faltam respostas. A situação parece ganhar, a cada dia que passa, contornos mais complexos. Para onde estamos todos a caminhar?  A Europa das fronteiras acabou...

12 comentários:

Zuricher disse...

Cara Margarida, li por aí ao longo destes dias que a solução adoptada na Austrália funcionou e logrou tanto acabar com as mortes no mar como com a imigração ilegal chegada por via marítima. Porque não copiar, adaptando onde necessário, o que funcionou?

septuagenário disse...

São muitos milhões de jovens africanos sem a mínima perspectiva de vida, que povoam cidades desde a Cidade do Cabo, Luanda, Lagos, Kinshasa, Dakar, até Argel.

São muitos milhões, sendo que alguns são dois em um (grávidas).

Os africanos estão pedindo explicações à Europa, e não vão desistir enquanto a África colonizadora e descolonizadora, não lhes der uma boa explicação.

Bartolomeu disse...

A explicação que a Europa deve ao povo africano, caro septuagenário, não tem já a ver com colonização e descolonização. A meu ver, a explicação devida - até porque depois das descolonizações já existiram situações de guerras civis que causaram profundas feridas na sociedade africana em geral - tem de ser dada pelos governos europeus que apoiam os governos africanos e fecham os olhos à sua forma ditatorial de governar, ajudando-os a manter a injustiça social, a exploração, a fome e a doença. Enquanto este cenário se mantiver, não haverá forma de impedir as ondas humanas que todos os dias se desfazem a meio caminho entre a costa do norte de áfrica e da europa.

Zuricher disse...

Caro Bartolomeu, acho que está a ver uma parte da história ao contrário.

Contrariamente ao que diz os governos Europeus não fecham os olhos à forma dos governos africanos conduzirem a sua acção. E precisamente por não fecharem e estarem volta e meia a bater na mesma tecla e a fazer depender as ajudas de mudanças nos governos e incómodos similares é que a Europa perdeu toda a sua influência na África subsaariana mal apareceu em cena a China. Os Chineses dão as ajudas, constroem as linhas de caminho de ferro, os hospitais, as estradas, os portos e a única coisa que pedem em troca são matérias primas. E são até generosos nas gentilezas pessoais! Ora, entre uns Europeus maçadores e sempre a falar em democracias e bom governo e incómodos do género e os adoraveis Chineses que não incomodam ninguém está bem de ver quem é que os governantes Africanos escolheram, não é?

Tudo isto evoluiu a tal ponto que neste momento em várias partes de África a influencia chinesa é muito mais notória do que a Europeia e uma grande parte dos governantes do continente não quer saber da Europa nem dos Europeus para rigorosamente nada.

Bartolomeu disse...

Caro Zuricher, não vou querer discutir esta questão, pela simples razão que todos sabemos qual foi e continua a ser a influência europeia no que diz respeito à eleição e deposição dos governantes dos paises africanos que referiu. E ainda dos países mais a norte; tem os exemplos recentes de Muammar Kadafi na Libia e de Saddam Hussein no Iraque. Mas, como dizia, todos conhecemos perfeitamente a sumptuosidade em que vivem as cortes desses paises em contraposição às condições infra-humanas em que sobrevivem as populações. E sabemos tambem que os governos europeus fecham os olhos a essa realidade para protegerem as posições das suas empresas que manteem relações comerciais muito vantajosas.

septuagenário disse...

São muitos milhões de jovens africanos, mulheres e homens, que não têm mais qualquer perspectiva de vida, naquelas enormes capitais, que ficaram superpovoadas e incontroláveis nestes 50 anos de independências.

Os governantes já têm as numerosíssimas familias, com nacionalidades europeias, porque todos nasceram em maternidades europeias.

No caso português são incontáveis os africanos naturais da freguesia de São Sebastião da Pedreira.

E o povo simples tem absoluta consciência da ingobernabilidade das imensas tribos, e que os ambientes daqueles aglomerados citadinos é cada vez mais insuportável.

Daí que por não terem as facilidades das famílias dos governantes, tentam de qualquer maneira escapar do «inferno», mesmo arriscando a vida em fugas como as mediterrânicas.

A Europa vai ser a mais responsabilizada pela catástrofe africana.

Zuricher disse...

Bartolomeu, a única influencia que a Europa tem hoje em dia é fazendo o que fez com Khadaffi ou, doutra forma, no Mali, esquecendo-se de ir saindo de lá após debelar a rebelião que por lá houve. De resto, se for por África fora, hoje em dia vê tantas ou mais empresas chinesas do que europeias. Já lá vai o tempo em que alguns países Europeus punham e dispunham conforme queriam em África. Os tempos da Elf toda poderosa que apeava e punha presidentes e até chegava ao caricato de depôr um, pôr outro, o novo ir contra os seus interesses, ir buscar o que tinha deposto e voltar a pô-lo. Não há empresa nem governo Europeu absolutamente nenhum que consiga fazer isto na generalidade de África hoje em dia. Olhe Angola. Quem é que está a fazer a reconstrução Angolana? Empresas chinesas. Para as empresas Portuguesas sobram as raspas. Há 25 anos a reconstrução de Angola teria sido feita por empresas Portuguesas, Americanas e Francesas. Hoje em dia vê-as por um monóculo.

A sua posição, Bartolomeu, é bem intencionada mas sonhadora. Precisamente é a que foi seguida pelos Europeus em África e que redundou na perda de influencia da Europa... para benefício da China. Veja as grandes companhias mineiras que se estabeleceram nos últimos 15-20 anos em África. Veja quem são as madeireiras que operam por todo o lado da Libéria ao Congo-Leo. Veja para onde vão neste momento os benefícios do petroleo Angolano. Já que falei no Congo-Leo, veja a quem realmente pertence a economia do país hoje em dia, desde as madeiras a minerios vários. Veja quem constroi estradas e caminhos de ferro, quem vende lá de tudo e mais alguma coisa. Tudo isto já foi de empresas Europeias. Foi, passado. Os africanos tão depressa encontraram uma alternativa não quiseram saber dos Europeus para nada e hoje em dia são empresas chinesas que estão em África. E isto aconteceu precisamente porque os Europeus estavam sempre a impôr condições disto e daquilo para dar ajudas, para perdoar dívida, para isto e para aquilo. Ainda por cima aprovaram leis a proibir a corrupção de dignatários estrangeiros, coisa que os chineses não têem. Só alguém muito anjinho supõe que podem fazer-se negócios em África sem presentes aqui e ali. Nuns países mais que noutros mas em todos são parte do normal.

Repito, a sua posição, embora bem intencionada, é sonhadora. Mas redundou em prejuízos para a Europa e para as empresas Europeias.

Bartolomeu disse...

Bom, analizando o problema pelo seu ponto de vista, caro Zuricher, a resposta à pergunta que dá título ao post, está encontrada. A Europa só tem de fazer como os americanos fizeram no Vietname no Iraque, no Afeganistão e na Coreia: mandam uns elicópeteros sobrevoar as cidades e aldeias africanas e lançam uns panfletos a informar os promitentes fugitivos da situação estafada em que a europa se encontra e o conselho que deverão rumar à China, porque é lá que irão encontrar uma economia forte, a crescer e que lhes proporcionará o bem-estar e a segurança que almejam; no verso podem até colocar um mapa que lhes indique o caminho, por terra (porque por mar está visto que seria mais do mesmo) até ao país que fica ao lado do do Sol Nascente.

Margarida Corrêa de Aguiar disse...

Caros Bartolomeu e Zuricher
Não me atrevo a meter a "colher", apenas quero registar a estimulante discussão que acompanhei.

Bartolomeu disse...

;) Pois, cara Drª Margarida, as nossas colheres, apesar de toda a nossa boa-vontade e espírito de humanidade e fraternidade, não possuem o poder de uma "varinha mágica". Na realidade, nem a férula papal, apesar de todo o poder do braço que a segura e das duras e diretas advertências dirigidas aos governantes dos países africanos pelo seu guardião, operou o milagre da redenção. A nós, porque a sensibilidade que possuimos nos causa enorme angústia quando assistirmos às imagens e escutamos as notícias que ilustram; assiste-nos somente o direito a exteriorizar a indignação que nos causam as "causas" que impelem estes fugitivos (algumas mães acompanhads de filhos pequenos) a enfrentar uma travessia de muitos kilómetros por terra e muitas milhas por mar, e vê-los sucumbir, vítimas da maldade dos governantes dos seus paises, dos passadores e da quase indiferença do resto do mundo.

Margarida Corrêa de Aguiar disse...

Caro Bartolomeu
É penoso assistirmos a toda esta brutalidade. A nossa civilização está em crise e como sempre são pessoas inocentes as vítimas. Mas não podemos deixar de pensar sobre o que ainda podemos fazer para que estas pessoas possam simplesmente viver! Já fizemos tudo?

Bartolomeu disse...

Cara Drª Margarida,
Seria demasiada presunção, pensarmos que já fizemos tudo; que a Europa já fez tudo; que os líderes politicos e religiosos já fizeram tudo, para ajudar estes seres humanos a viver, mais: para os ajudar a conquistar um lugar no mundo e a dignidade que nem eles nem aqueles que governam os seus países, parece nunca terem tido.
É um paradoxo, a Europa estar a receber fugitivos de países com imensos recursos naturais que geram riquezas incalculáveis e cuja exploração é concedida a paises estrangeiros, mediante pagamento de contrapartidas que s+o conhecem um destino: os bolsos das elites.