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segunda-feira, 12 de março de 2007

Dupla oposição!...

De há muitos, muitos, muitos anos a esta parte, sempre que Santana Lopes fica afastado da direcção do PSD, logo verifica neste partido diferenças insanáveis, pessoais e políticas, que inevitavelmente levarão a cisões internas e a um pomposo realinhamento do centro direita. Para não citar outros momentos, lembro-me, já lá vão uns largos anos, governava Cavaco, das pretensões de Santana em criar o seu próprio partido, o PSL, a que, por contida modéstia, chamou Partido Social Liberal. O desaparecido jornal Semanário dedicou ao assunto títulos garrafais na sua primeira página de uma edição de Verão. Recordo que, na praia de Alvor, onde nos encontrámos, José Manuel Casqueiro, o falecido Secretário-Geral da CAP, também, ao que me disse, ligado ao projecto, gastou uma manhã a tentar convencer-me da inevitabilidade do seu aparecimento e da sua plena inserção na sociedade portuguesa. Passados uns tempos, mais ninguém falava no assunto.
Depois disso, e de acordo com as suas próprias vicissitudes políticas, Santana vai arremessando ou escondendo esse espectro que, na sua opinião, paira, ameaçador, no PSD.
Quando desempenhou as funções de 1º Ministro, foi crucificado pela comunicação social; a verdade é que, para tal, foi acumulando motivos sobre motivos, com enorme e regular competência. Pensar-se-ia numa pausa sabática, para bem do próprio, em primeiro lugar, tanto mais que chegou a referir que iria sedimentar a sua vida profissional. Ressedimentou-a novamente na política e aí está ele, agora numa dupla e diferenciada oposição: oposição formal ao Governo e oposição substancial à direcção do PSD. Mas a nação laranja, para não falar da portuguesa, está mais sofisticada e começa a estar cansada de tal pantomina, que os media apreciam e Santana e os amigos tanto gostam. Pantomina exclusiva para os seus fiéis e a sua corte, que os outros não entendem e, muito menos, desejam!...
Mas, não sendo assim, PSL tem a faca e o queijo na mão. Como ainda não chegámos à Coreia, deixe-se de ameaças e funde o seu próprio partido!...É o fundas...penso eu!...

10 comentários:

Tonibler disse...

A comunicação social é como as crianças no circo. Adoram o palhaço rico até ao ponto em que entra na jaula dos leões. Depois anseiam que os leões devorem o palhaço.
No dia em que o Barroso foi para Bruxelas, Santana Lopes entrou pela jaula dos leões. Pior de tudo é que já foi devorado e ainda não entendeu. Mas o circo todo já.

João Melo disse...

PSL não percebe que o seu problema é a falta de credibilidade .

Ruivascão disse...

Ele pode ser isso tudo...mas a gente diverte-se muito!
Já agora quero dizer que, também, me diverti imenso ao ler o post sobre os 50 anos da RTP, melhor, os respectivos comentários, pois que o post inicial é um exercício de reflexão incontestável! Até gostava de falar de alguns comentários. E de certas afirmações. E responder a certas perguntas.Mas ele já vai lá muito atrás e, como tenho andado ausente, já não vem a propósito. Para o próximo aniversário cá estarei...ou nos 100 anos!
Já agora a quem não sabe onde há serviço público, talvez ter bem sintonizados os canais cabo...ou dar uma voltinha pela Europa, - Espanha,Itália, Belgica, Alemanha, Suecia, Holanda, Noruega, Inglaterra, etc etc...Nenhum será "O EXEMPLO", mas vendo-os, percebe-se onde anda a bissectriz!
E mesmo em termos "teóricos" dar o serviço aos privados, é uma excelente "anedota". Ri-me imenso!
Mesmo que fosse só como diz, em teoria, a Suzana Toscano - espaços para Comunicações Oficiais! (isto nem sequer é serviço público, cara amiga, como bem sabe,mas admitamos que era...) Bem disse que não comentava e já aqui vou a dar palpites! Não comentarei mais..Nem as "piadas" sempre bem humoradas do amigo Félix!

Tavares Moreira disse...

Caro Pinho Cardão,

O tal novo partido - um "futuro" que não é transaccionável, por falta de mercado - para adquirir credibilidade teria de acrescentar à sigla PSL duas outras letras - M.L..
E já agora, no final do excelente POST (mais um , e não digo isto a pensar nas uvas...)o meu Amigo deveria tb acrescentar "de que" antes da exclamação...

Anónimo disse...

Apurado o sentido de atenção de Tavares Moreira na detecção da falha - imperdoável num dragão convicto - do "de que"...

Félix Esménio disse...

Santana Lopes esbraceja pela sobrevivência política, qual náufrago da sua própria pilotagem.
Ele não aguenta o recato, o silêncio, a indiferença (aliás rara!) dos Media.
Sem factos políticos – conforme ensinou o Prof. Marcelo – não há vida política, no sentido quase lúdico do termo.
Santana Lopes adquiriu, por “usucapião”, o direito de usar um determinado discurso político.
Valorizar excessivamente o que ele diz, no actual contexto, é desfocar a atenção das pessoas daquilo que deve ser uma oposição lúcida e impressiva sobre o Estado da Nação e a equidade das políticas de quem nos governa.
Em todas as Cortes alguém tem que cumprir o papel de animador.
___________________

Sempre que se fala de televisão pública o meu amigo Ruivascão (ex-RuiVasco, quiçá ex-Mafr) não resiste a embrulhar a sua opinião numas boas “caneladas”, certo de que a sua visão do assunto goza de uma espécie de iluminação divina. Talvez… mas, não enxergo a luz que o inspira de forma tão taxativa, salvo a sua própria convicção de uma espécie de “superioridade azulada” sobre qualquer outra nuance cromática.
Em jeito de comentário ampliativo sobre o anteriormente vertido, caso não leia o ABRUPTO, aqui vai uma longa citação na linha daquilo que penso sobre o “Serviço Público” de Televisão:

“RTP. CINQUENTA ANOS DE SERVIÇO A REGIMES E GOVERNOS

Nas comemorações do cinquentenário da RTP foi patente que, mais que tudo, a televisão pública é um espelho eficaz de regimes e de governos. Foi a porta-voz de pelo menos três regimes: o de Salazar e Caetano, o do PREC comunista e o da democracia pós-1975.
Este absurdo panegírico é o texto que no sítio da RTP abre a história dos seus cinquenta anos:

O Renascimento foi há 50 anos. 5 décadas de um futuro que se oferece, como o presente... que é eterno. Para sempre a memória. De um país tornado mundo no olhar que se fez novo, no saber que foi notícia, no mostrar que abriu as portas ao Portugal que somos. Fomos a gente que somos nos idos de 56. Construímos, edificámos, testámos. Fomos ouvidos, escutados, olhados e admirados. A gente que somos foi ver-nos. Encontrámos o espanto, reencaminhámos o sonho. Surpreendemos. Demos rosto às vozes que passeavam no éter. Fomos à rádio, ao teatro, aos espectáculos., às artes. Formámos e incorporámos entretenimento e notícia.
Fomos bailarinos, cantores, jornalistas e locutores. Abraçámos coreógrafos, dramaturgos, músicos e compositores. Fomos clássicos e inovadores, honrámos heranças da portugalidade que somos. Juntámos famílias, cruzámos olhares que encheram de orgulho as montras da grande montra do mundo. Fomos rectângulo de vidro espelhado nas formas da realidade. Tornámo-nos companhia. Aguardados pelo inesperado, motivados pelo desejo de mostrar; um país e um mundo feitos à escala de todos e de cada um.
Comunicámos. Gente de um palco com lugar próprio no mais vasto dos anfiteatros. Assim revelámos o Portugal desconhecido, o mundo cada vez mais próximo. Os primeiros anos da RTP foram verdes... e vermelhos, nas cores de um país a preto e branco, ainda e sempre matizado pela diversidade de um renovado universo que não desvia o olhar do que é nosso. Ficção, humor, teatro, folhetins, desporto, variedades. O universo onírico do Portugal redescoberto absorve atento, surpreso e deliciado a nova ementa que renova o soneto de um país que parecia irremediavelmente condenado aos versos do imobilismo." (Sublinhados meus)
Os actos comemorativos juntaram "forças vivas", dignitários e "altas autoridades" numa mescla que curiosamente poderia mudar em cada um dos regimes na sua composição, mas não mudaria, nem em conteúdo nem em simbologia. Presidentes, chefes de governo, cardeais, sindicatos, chefes de partido, dignitários do Estado, estiveram sempre nas comemorações, década a década, unidos pela mesma pompa e circunstância de se verem no espelho mais eficaz do seu poder, a televisão do Estado. Os que não estariam, nem aos dez anos (1967), nem aos vinte (1977), nem aos cinquenta (2007), seriam os accionistas, os espectadores, os contribuintes, os que a televisão pública deixa de fora. Os accionistas, que não existem, porque os governos têm medo que a "lógica liberal" na informação possa prejudicar a propaganda; os consumidores, porque podiam ter a exigência de perguntar onde é que está o "serviço público" no Preço Certo; e os contribuintes que poderiam querer contas sobre a razoabilidade das vultuosas quantias que a RTP engole todos os anos, para lhes dar quase o mesmo que as privadas.

Existirem órgãos de comunicação social do Estado há muito tempo que deveria ser considerado um arcaísmo ou um sinal de autoritarismo de um Estado que abusivamente mantém funções de controlo da opinião pública na área mais sensível à liberdade e (ou) à falta dela: a informação. Porque, dito em termos brutos e simples na sua verdade, não existe isso que eufemisticamente se chama "comunicação social pública", mas apenas aquilo que, quando tínhamos uma noção mais saudável e "transparente" das coisas, chamávamos propaganda.

Se olharmos o "serviço público" da RTP, é-nos imediatamente evidente que muito do que lá é feito é do domínio estrito da política externa: a RTP África é um canal da nossa política externa para os PALOP, na qual as conveniências de silêncio sobre as ditaduras africanas que deixámos depois da colonização permitem apenas o que é "aceitável" para os interesses em causa. O caso de Angola é paradigmático: qualquer critério jornalístico implicava que na RTP África os angolanos encontrassem as histórias de corrupção da elite dirigente do MPLA, mas, se alguma vez elas fossem contadas, a RTP seria expulsa imediatamente e o Estado português sujeito às represálias dos seus hipersensíveis dirigentes. O mesmo se poderia dizer da Guiné e em menor grau de Moçambique.

A cobertura regional dos Açores e da Madeira, como a RTP Internacional, podem, como tudo, ser contratadas com entidades privadas, por valores muito inferiores ao que custa manter as delegações locais e sem os problemas, que aí são exponenciados, de controlo político regional das emissões nas ilhas e da Secretaria de Estado para as Comunidades das emissões para os emigrantes. O mesmo se pode dizer dos "tempos de antena" para a representação das minorias, os programas que em horários mortos e numa óptica quase de jardim zoológico, a RTP oferece. O modo como a RTP concebe o "serviço público" nesses tempos a que está obrigada por lei é bem evidente na forma como pretende antecipar os "tempos de antena" das entidades com direito de acesso, para horários secundários, com audiências mínimas. O "serviço público" é na verdade pouco mais do que uma justificação para a existência da televisão pública e dos seus canais, em que ninguém o toma a sério como "serviço" de valor acrescentado.

Objectivos "politicamente correctos" do canal 2:, o único que tem uma "missão":

"O 2º Canal de serviço público constitui-se como um serviço alternativo aberto à sociedade civil que possa reforçar, pela diferença, os princípios de universalidade, coesão e proximidade do Serviço Público de Televisão. (...) O Canal tem como vocação primordial promover a integração do indivíduo na sociedade e no mundo, combatendo a exclusão social e facilitando o acesso da população em geral ao conhecimento nas suas diversas vertentes: humana, social, artística, cultural, intelectual, profissional, académica e científica.” (Sublinhados meus).

Mas todo este resíduo de "serviço público" já de há muito teria encontrado outras vias para ser garantido, se não fosse o interesse crucial que todos os governos e todos os partidos têm na televisão como mecanismo de poder. Olhando para a emissão dos dois canais, entende-se muito bem para que serve o "serviço público": para manter um canal pseudo-elitista, aliviando o primeiro canal de toda uma tralha que a legitimação "cultural" da RTP necessita e um primeiro canal que é, como é óbvio, a razão de tudo. É no primeiro canal que a governamentalização é iniludível.

A concepção de fundo é clara e atravessou governos do PS e do PSD: entretenimento competitivo com as privadas, futebol, concursos e telenovelas, para manter as audiências para o que verdadeiramente interessa - a manutenção de uma informação (nos telejornais e nos programas de debate) controlada nos seus efeitos perturbadores. Quanto ao entretenimento, em particular as doses maciças de futebol, o seu papel circense é conhecido como forma de distracção cívica, ocultando a percepção pública dos problemas e minimizando, na economia do tempo televisivo, a informação e o debate, o que é sempre favorável aos governos.

De há muito que o que é importante na governamentalização da informação se encontra mais no estilo e na contenção de prejuízos e menos na propaganda directa. Mesmo assim, com o actual Governo socialista voltou a propaganda directa em todo o seu esplendor com a simbiose acrítica das sessões montadas pelo Governo para o primeiro-ministro a falar de palco, com luzes, fundo, cenário feito para a televisão e a RTP a transmiti-las sem qualquer edição, nem mediação, nos telejornais. São os "momentos Chávez", que revelam, por comparação com os outros noticiários da SIC e da TVI, uma diferença de tratamento, passando intactas todas as "mensagens" que os técnicos de propaganda governamental desejam.

É no controlo dos efeitos negativos das notícias que se percebe melhor a governamentalização. Não é censurando as notícias, mas dando-as "compostas", numa ordem secundária, sem imagens perturbadoras, sem "escândalo", mesmo quando o haja, "equilibradas" com outras notícias, e, muito importante, com atribuição do pódio do comentário às pessoas certas, críticos mas não muito muito, salomónicos, moderados, inócuos. Tudo isto se faz sem qualquer conspiração, ou telefonema directo, ou instrução ou ordem, mas em primeiro lugar pela escolha para os lugares-chaves de pessoas confiáveis, simpatizantes do governo, ou pelo menos, de gente incapaz de ser activamente crítica e muito menos hostil. Escolhidas as pessoas, está quase todo o caminho feito. Convém lembrar que na RTP as cadeias hierárquicas de comando, escolhidas de cima para baixo, vão ter a um ministro, um ministro político por excelência como é o dos Assuntos Parlamentares, e por ele ao governo e ao primeiro-ministro.

O país ficava muito melhor sem televisão pública, o que inevitavelmente irá acontecer a prazo, com o também inevitável atraso com que fazemos estas coisas, e depois de muitos milhões de euros de dinheiro gastos em vão. Vale sempre a pena repetir que não há nada que a RTP hoje faça, mesmo como instrumento da política externa, que se não possa contratualizar com as privadas, com muito menos custo e muito mais controlo, até porque, tratando-se de concursos públicos, será sempre possível mudar. Pode-se garantir "serviço público" sem televisão pública, sem televisão do Estado e dos governos. Só não se pode garantir a propaganda.

(Pacheco Pereira, No Público de 10 de Março de 2007)”

Pinho Cardão disse...

Caro RuiVasco:
De facto, e voltando aos 50 anos da RTP, o meu caro amigo, como não seria de esperar outra coisa, interpretou bem o que escrevi, uma reflexão sobre como vejo o serviço público. Acontece que alguns comentários levam a pressupor que os comentadores, porventura em leitura rápida, entenderam coisa diferente da que eu escrevi. É o risco de quem escreve!...

Pinho Cardão disse...

Caro Félix Esménio:
Concordo com a grande maioria das teses que o Pacheco Pereira defende. Mas quanto ao citado artigo sobre a RTP, se concordo em alguns aspectos importantes,discordo substancialmente em muitos pontos.
Mas é uma discussão que não cabe num simples (re)comentário!...

Ruivascão disse...

Fico muito lisongeado por Felix Esmenio se recordar tão bem de mim, como um tal quiçá Mafr e um tal Ruivasco, que não sei quem são, mas ele sabe, e isso é que importa!
Fico muito lisongeado por Felix contrapor à minha opinião não a sua, que já conheço e não é muito fundada, mas a de Pacheco Pereira que foi citar como seu avalista! Pacheco Pereira, cuja opinião, inteligência e cultura admiro. Mas, nem por isso, tem sempre razão e menos ainda sabe de tudo...nem eu! Talvez Deus na sua omnisciência! Conhecemos o radicalismo de PP neste tema e do seu liberalismo nesta matéria. E repare Felix: PP fala muito, no texto que cita, de governamentalização, de regimes e governos e eu não falei disso. Diz PP que os privados fariam melhor e mais barato...Grosso equivoco, mas PP tambem não é obrigado a saber tudo!E mais, no dia em que as privadas assumirem tudo, e 3 ou 4 canais entrarem no mercado, fecha tudo ou entra tudo na "qualidade de sarjeta!" Já assim vemos o que acontece...
Em suma. Avante! E o amigo Felix andou tanto tempo fugido? Que lhe sucedeu?
Ah e falta uma coisa: esclareço o amigo Feliz Esménio que não possuo qualquer "iluminação divina", mas não há duvida que sou portador de uma "superioridade azulada" (uso a expressão apenas porque é sua!)
E pelo que vejo na minha santa ignorância parece-me que vejo um pouco mais disto que a maioria, passe a presunção, que é tal como a àgua benta!
Um abração do Ruivascão caro Esménio Félix e restantes bloguistas republicanos a quem visito agora mais esporadicamente, porque ando a fazer um curso intensivo sobre Televisão,Serviço Público, e afins no audiovisual, na universidade Independente! Como não tenho tido aulas, por razões conhecidas, vim cá ao 4R de visita.

Pinho Cardão disse...

Caro RVascão:
Então aproveite essas férias para voltar a passar uns tempos connosco!...