Número total de visualizações de páginas
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
Grécia abandona o Euro: Cenário de Terror...
2. Esse cenário, que irei apresentar sintéticamente, desenvolver-se-ia de forma sequencial, avisando desde já que a leitura dos pontos 4 e seguintes não é recomendável a pessoas que padeçam de insuficiências cardíacas ou de hipertensão...
3.Não vou entrar na questão de saber se a saída do Euro implica tb o abandono da União Europeia, como parece ser a opinião jurídica mais consistente, uma vez que essa circunstância apenas agravaria as perspectivas, reforçando a nota de Terror deste cenário.
4.A 1ª etapa deste cenário consistiria na decisão do Governo grego de avançar, ainda sem confirmação, para a saída, começando de imediato os rumores sobre o tema e o consequente levantamento de dinheiro (notas) dos bancos gregos por particulares, as empresas ordenam transferências de fundos para contas no exterior. Os financiadores externos de empresas sediadas na Grécia cancelam as linhas de crédito, os bancos gregos são forçados a suspender a actividade por falta de recursos...
5. 2ª Etapa, o Governo grego reúne de emergência, anunciando o regresso ao drachma, impondo controlos de capitais, incluindo o controlo das saídas de dinheiro (notas e outros valores) através das fronteiras. A dívida pública é redenominada para drachmas, o valor externo do drachma cai a pique, a inflação dispara...
6. 3ª Etapa, começam as disputas jurídicas para saber, por exemplo, se um empréstimo que tenha sido concedido por um banco alemão à Filial grega de uma multinacional alemã, passa a ser denominado em drachmas ou se continua ser denominado e exigível em drachmas...se o entendimento for no sentido do drachma, então o banco alemão passa a ter um sério problema pois o seu activo passará a valer muito menos...
7. 4ª Etapa, aparecem fenómenos de contágio, pois os cidadãos portugueses, italianos e outros, pensando que o mesmo pode acontecer no seu País, começam também a fazer levantamentos em massa das suas contas bancárias e as empresas transferem fundos para o exterior enquanto é tempo, colocando a banca entre a espada e a parede, forçando alguns bancos (para começar) a suspender a actividade...
8.5ª Etapa, espalha-se a confusão acerca da magnitude da exposição dos bancos europeus em geral ao sector privado da periferia atingida pela brutal crise de confiança, pelo que as transacções entre bancos são suspensas, as acções representativas do capital dos bancos, já muito depreciadas, tombam vertiginosamente...
9.6ª Etapa, em resposta a uma entrada maciça de capitais, a Suíça decide impor taxas de juro negativas aos depósitos de não-residentes...
10. 7ª Etapa, o crédito concedido pelos bancos por toda a zona Euro fica praticamente paralisado, a economia entra em abrupta recessão...
11. Não me vou estender mais, esclareço que este “Cenário de Terror” não é criação minha, foi publicado na edição do F. Times de 8 do corrente, num interessantíssimo artigo assinado por Robert Jenkins, membro do ínterim Financial Policy Commitee do Bank of England...para quem queira ler, o título do artigo é “Greece will restructure but it must do so within the Euro”.
12.Pela minha parte, direi apenas mais o seguinte: vai ser preciso termos todos (europeus) muito “juizinho”, pois apesar de não ser certo/garantido, a simples possibilidade deste Cenário se verificar é de molde a deixar-nos os cabelos em pé...
terça-feira, 15 de novembro de 2011
Falta de honestidade
Os novos bobos da corte
Suspeitava, mas enganei-me redondamente. A avaliar pelos principais telejornais de ontem e pela informação de hoje, o Ministro e os seus Secretários de Estado estiveram sempre calados. Com a única excepção de o Ministro ter dito que o ano de 2012 seria o ano do fim da crise ou que seria o ano do princípio do fim da crise. Facto que deu pretexto aos mais fundamentalistas, primários e grosseiros comentários. Mesmo que, face ao contexto em que o referiu, o significado seja exactamente o mesmo, também os puros, sempre exactos e talibânicos jornalistas não perderam a ocasião de ver aí uma “colossal” contradição. Fazendo, deputados e jornalistas, tábua rasa da inteligência alheia.
E por aqui se teriam ficado as longas horas do debate parlamentar, caso não se desse a maltrapilha e carroceira invectiva ao Ministro por parte de um Deputado e a que me referi no meu post anterior, e que a exigente comunicação social logo tomou como um dos pontos dominantes do debate. Com particular destaque para uma venerável jornalista que grotescamente “lamentou” que tais palavras não tivessem tido mais impacto por não terem tido resposta do Ministro...
Enfim, vamos tendo os bobos que merecemos, nos media e no Parlamento. Com todo o respeito aos bobos que, esses, sabiam ao que iam e, quando exorbitavam, eram punidos. Agora, são promovidos. No caso, a deputados ou a jornalistas.
Democracia e mesa farta?
Mas isso era no tempo em que democracia era sinónimo de via única para o desenvolvimento. Será que a democracia europeia e os seus sistemas partidários só resistem quando sentados à mesa farta do crescimento económico?
Assim vai a Europa...

segunda-feira, 14 de novembro de 2011
Obviamente...demita-se!...
Depois de exibir no Parlamento um Relatório que atribuiu à KPMG, mas que esta empresa afirma que nunca elaborou, hoje dirigiu-se em tom ofensivo, soez e grosseiro ao Ministro Álvaro Pereira, desafiando-o a imitar Manuel Pinho, e convidando-o torpemente a fazer “um gesto feio”, agora em direcção à bancada do PS, “porque as consequências vêm logo a seguir”...
A atitude de Paulo Campos vai de indignidade em indignidade.
Não bastaram a Paulo Campos, para ter vergonha e se calar por uns tempos, as nefastas políticas que promoveu e as danosas iniciativas e decisões que tomou quando esteve no governo, muitas das quais estão na origem directa da ruptura das finanças públicas e da intervenção da Troyka. Nada disso bastou, porque continua a vangloriar-se da obra e do mal que fez. Mais, permite-se agora, e no próprio Parlamento, vilipendiar e chamar incompetente a quem se esforça por corrigir os erros e os desmandos das erradas políticas de que é um dos maiores responsáveis.
domingo, 13 de novembro de 2011
Grécia e Itália: Intermezzo democrático, quem diria?
2.A frase em questão, na versão original, é “Eurozone policy makers have decided to suspend politics as normal in two countries because they judge it to be a mortal threat to Europe’s monetary union”…
3.Os responsáveis europeus terão percebido (não era difícil...) que a continuação das soluções políticas vigentes tanto na Grécia como na Itália – soluções político-partidárias, decorrentes de escolhas livremente feitas pelos cidadãos nacionais em actos eleitorais – estavam a colocar gravemente em risco a continuidade do projecto do Euro...
4....e não hesitaram em forçar mudanças de governo com a nomeação de personalidades de prestígio técnico mas fora da vida política activa para chefiar governos de “salvação nacional”.
5.É muito curioso notar que, em ambos os casos, essa pressão dos lideres europeus (com relevo para a Alemanha e a França mas não só estes…) encontrou eco dentro dos próprios países visados, cujos “establishments” também terão percebido que além da sobrevivência do Euro estaria também a sua…
6.Estamos pois a entrar numa nova fase da vida política na Europa, em que as questões de natureza económica e financeira mostram uma tal importância que chegam ao ponto de se sobrepor às regras do jogo democrático a nível nacional, forçando um INTERMEZZO na aplicação das regras habituais desse jogo.
7.Estaremos quiçá a assistir aos primeiros passos de uma União Política Europeia? Passos dados aos sobressaltos e com inevitável dramatismo, mas em qq caso passos muito concretos e que traduzem uma clara afirmação da prevalência das questões económicas, financeiras e monetárias sobre as regras da política nacional?
8.Noutro registo, estes episódios trazem-me à memória a declaração de M.F. Leite, há cerca de dois anos e meio, sugerindo a necessidade de um intervalo democrático em Portugal – a suspensão das regras de jogo democrático - para resolver problemas mais urgentes do País, nomeadamente o excesso de endividamento…
9.Como seria de esperar num País de “opinion-makers” altamente “clarividentes” e de grande “visão” – ontem ou hoje sempre os mesmos – a sugestão de MFL foi satirizada e ridicularizada pela esmagadora generalidade dos comentadores…o paupérrimo "establishment" não os podia suportar…
10.Como agora se constata, MFL estava cheia de razão (antes do tempo): se a sua sugestão tivesse sido escutada provavelmente não teríamos chegado à triste situação em que hoje nos encontramos…
11.Vai ser muito interessante acompanhar este INTERMEZZO político em Itália e na Grécia e ver se e como é que os prestigiados tecnocratas, escolhidos a dedo, vão ser capazes de fazer o que os políticos eleitos não souberam ou não tiveram coragem de fazer…
Dar-lhes-emos sacos de arroz...
2. Os seus industriais deslocalizam-se porque não estão disponíveis para suportar o custo de trabalho na Europa, os seus impostos e taxas para financiar a sua assistência generalizada.
3. Portanto endividam-se, vivem a crédito. Mas os seus filhos não poderão pagar a conta.
4. Os europeus destruíram, assim, a sua qualidade de vida empobrecendo. Votam orçamentos sempre deficitários. Estão asfixiados pela dívida e não poderão honrá-la.
5. Mas, para além de se endividar, têm outro vício: os seus governos 'sangram' os contribuintes. A Europa detém o recorde mundial da pressão fiscal. É um verdadeiro 'inferno fiscal' para aqueles que criam riqueza.
6. Não compreenderam que não se produz riqueza dividindo e partilhando, mas sim trabalhando. Porque quanto mais se reparte esta riqueza limitada menos há para cada um. Aqueles que produzem e criam empregos são punidos por impostos e taxas e aqueles que não trabalham são encorajados por ajudas. É uma inversão de valores.
7. Portanto o seu sistema é perverso e vai implodir por esgotamento e sufocação. A deslocalização da sua capacidade produtiva provoca o abaixamento do seu nível de vida e o aumento do... da China!
8. Dentro de uma ou duas gerações, 'nós' (chineses) iremos ultrapassá-los. Eles tornar-se-ão os nossos pobres. Dar-lhes-emos sacos de arroz...
9. Existe um outro cancro na Europa: existem funcionários a mais, um emprego em cada cinco. Estes funcionários são sedentos de dinheiro público, são de uma grande ineficácia, querem trabalhar o menos possível e apesar das inúmeras vantagens e direitos sociais, estão muitas vezes em greve. Mas os decisores acham que vale mais um funcionário ineficaz do que um desempregado...
10. Os europeus vão direitos a um muro e a alta velocidade...
Nota: Considerações de autor desconhecido, mas com grande fundo de verdade.
Doença, violência e democracia
A crise das negações
sábado, 12 de novembro de 2011
Células embrionárias
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
Juízes não são deuses.
José Estêvão para as Berlengas, já!...

Devotos imitadores de José Estêvão, o expoente máximo da retórica parlamentar. Só da retórica, pois não se lhe conhece qualquer ideia. Talvez por isso, botaram-lhe estátua junto ao Parlamento.
Deixando em S. Bento apenas aqueles que se interessam pelo país, com trabalho e sem retórica. Ficariam poucos, mas esses seriam bastantes. José Estêvão para as Berlengas, já!...
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
Cornudo?
Retórica orçamental: a folga e o paradigma
A folga esteve omnipresente. Para os socialistas, a folga é a maior evidência do orçamento e foi ela que conduziu ao aperto; para o governo, a maior evidência é o aperto, devido à falta de folga.
E se o governo reivindicou para si um novo paradigma de governação, as oposições, cada qual de per si, e também ao molho, exigiram também um paradigma novo. Mas um novo, que não era igual ao novo do governo, mas um novo similar ao velho socialista que nos conduziu ao novo que o governo quer.
No paradigma socialista de cigarra cantante, a folga é festa e o inverno vem sempre longe; no austero paradigma governamental, a festa acabou, e há que trabalhar para resistir ao rude e frio inverno que por aí se vai apresentando.
Para o governo, a folga não faz parte do novo paradigma; para a oposição, era o novo paradigma que devia ficar de folga.
E nesta folga do paradigma e neste paradigma da folga se esvaiu um dia de retórica parlamentar.
Os Deputados saíram satisfeitos. Não deram qualquer folga ao paradigma habitual!
É demais!
Vamos ter reportagens diárias nas televisões, directos, de dia e de noite, faça chuva ou faça sol, em hora prime de preferência, tudo a bem da informação da opinião pública que quer saber quem recebeu robalos a troco de alheiras.
Hoje tivemos uma amostra - acho que foi na TVI - com arguidos e advogados a serem literalmente perseguidos e apanhados - talvez estivessem à espera - para serem confrontados a explicarem às televisões o que disseram ou não disseram, lá dentro na sala de audiências, questionados porque não disseram o que se esperava que dissessem ou porque disseram o que não se esperava que dissessem. Uma grande confusão. Tudo misturado com insinuações e afirmações dos jornalistas a ver se alguém se contradiz e faz a notícia de um dia de grande azáfama mediática. E pelo caminho sempre haverá quem se preste a uma conversa mais longa, para aproveitar tempo de antena. Tudo a bem do sensacionalismo, se há confusão ou desinformação, paciência, nem tudo pode ser perfeito. Será que as pessoas ainda têm paciência para aguentar este género de “big brother”? É demais!
A "guerra" das "almofadas" orçamentais - apetência pelo abismo?
2.A ideia das "almofadas" horizontais foi lançada pelo PS, compreendendo-se como operação política com objectivos relativamente simples: ao mesmo tempo que mostra colaboração e responsabilidade, disponibilizando-se “ab initio” e incondicionalmente (parece, pelo menos) para se abster nas votações da proposta orçamental, colocam na mesa uma proposta de alteração muito arriscada mas tb muito simpática, que consiste em prescindir da suspensão de um dos dois subsídios (férias+Natal) que o Governo pretende congelar.
3.Não é difícil imaginar o que poderia acontecer caso esta proposta aparentemente simples fosse acolhida: o PS colheria os louros, junto da imensa legião dos beneficiários da medida, aparecendo de novo (renovado) como amigo dos funcionários públicos...
4....e o Governo ficava com um enorme risco entre mãos, sujeitando-se, lá para meados de 2012, a ter de apresentar um OE-R repondo a suspensão do subsídio, no meio de um imenso clamor de protestos e em fase de adiantado desgaste político decorrente da aplicação das restantes medidas de austeridade...
5.E então a "almofada" orçamental em 2012, ela existe ou não?
6.A "almofada orçamental" em causa deverá ser muito semelhante às almofadas que existiam nos horizontes de 2009, 2010 e 2011...no início almofadas confortáveis, que por alturas de Abril já mostravam um elevado grau de esvaziamento, à entrada do Verão se apresentavam totalmente vazias e que no Outono adiantado revelavam um imenso buraco!
7.É um exercício absolutamente prematuro, direi mesmo quase delirante, para quem está habituado a acompanhar o ciclo orçamental, num cenário económico e financeiro de tão grande incerteza como aquele que agora se coloca para 2012 (a Comissão Europeia acaba de apresentar uma perspectiva de contracção da economia portuguesa de -3%, mais acentuada do que as anteriores), avançar a hipótese de uma "almofada" orçamental e sobre essa quimera tomar decisões de altíssimo risco...
8.Que o PS o proponha compreende-se: (i) em função de um jogo político em que não lhe cabe qq dose de responsabilidade, em que todo o RISCO é assumido pela outra parte, ou seja pelo Governo, e também (ii) por um passado muito recente de altíssima irresponsabilidade financeira que atirou o País para a beira de um abismo em que estes jogos se mostram de risco quase fatal!
9.Mas que “opinion makers” ilustrados ou, ainda pior, pessoas que têm responsabilidade de decisão entrem nesse jogo é que já se afigura muito estranho...parece que não se deram ainda conta que estamos mesmo no limite do abismo e que qualquer passo em falso será já parte da queda no precipício...
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
Miguel Frasquilho
Encontrando-me fora de Portugal (numa reunião de um grupo de trabalho do PPE em Bruxelas, em representação do PSD), vi hoje o meu nome envolto em suspeição, tendo sido colocada em causa a minha integridade, bem como a (in)compatibilidade das funções que exerço enquanto Deputado e as funções que desempenho desde 1998 – muito antes de exercer funções políticas – numa instituição financeira privada. Uma notícia que nada tem de novo, muito pelo contrário.
Tratou-se de mais uma lamentável ofensiva do Dr. Paulo Morais que, nos últimos anos, depois da sua passagem pela Câmara do Porto, tem sido pródigo em lançar atoardas e ataques deste tipo, para denegrir a imagem e o bom nome de determinadas pessoas sem qualquer tipo de fundamento e com o único objectivo de ganhar notoriedade. Calhou-me a mim, agora. Muitos outros foram já vítimas deste tipo de iniciativas no passado.
Não pretendo contribuir para a agenda pessoal de notoriedade do Dr. Paulo Morais.
Sobre este assunto, apenas tenho a referir que sempre cumpri todas as minhas obrigações e deveres legais e éticos para com a Assembleia da República, nomeadamente através da Comissão Parlamentar de Ética, e o meu registo de interesses é absolutamente claro e transparente, dele constando todas as actividades que desempenho.
Foi, aliás, devido à total transparência que sempre conduziu a minha vida, nesta como noutras matérias, que o Dr. Paulo Morais pôde, agora, lançar esta suspeição sobre a minha pessoa.
Nada tenho, nem nunca tive, a esconder, e sempre exerci com total independência e lealdade para com quem me elegeu – os eleitores Portugueses – as minhas actividades parlamentares e as matérias e assuntos que são objecto da minha atenção e análise, desprendido de quaisquer outros interesses.
É lamentável que a integridade, a seriedade e a indepedência de uma pessoa sejam colocadas em causa da forma como hoje me aconteceu – e que tanta atenção seja concedida a este tipo de manobras.
Bruxelas, Novembro 07, 2011
Miguel Frasquilho
Um abraço
"Arte de Passau"
terça-feira, 8 de novembro de 2011
Qual equidade?

A informação, produto tóxico
É falso; não vai!
Não vai, porque os Bancos estão obrigados pelos Reguladores europeus a baixarem o rácio Crédito concedido em relação aos Depósitos de cerca de 150% para 120%, em dois anos.
Mesmo que os principais Bancos portugueses estivessem super capitalizados e sentados em almofadas de dinheiro, não estariam em condições de dar um cêntimo à economia, por força da obrigatoriedade do cumprimento daquele rácio. É um paradoxo tecnocrático, mas é assim. Compete ao Governo removê-lo, em conversações com a Troyka.
O especialista económico da RDP devia saber isto. Tinha essa obrigação estrita. Assim, engana os ouvintes e anda a espalhar falsas expectativas. Falar do que não se sabe é mais um produto estruturado, mas bem tóxico, do serviço público.
A RTP e a RDP andam cá numa fona!...
segunda-feira, 7 de novembro de 2011
Cortes de salários para todos? Discordo em absoluto, tenho muita pena!
2.Esta mesma ideia terá sido já alvitrada pelo Presidente da República e por mais algumas notáveis personalidades, estando ainda na base da argumentação, sustentada por diversos quadrantes, quanto à suposta inconstitucionalidade da medida de suspensão do pagamento dos subsídios de férias e de Natal, por ferirem o princípio da universalidade da imposição fiscal...
3.Impressionam-me estas proclamações, que ignoram alguns factos de enorme relevância para a apreciação do princípio da equidade, que deixo enunciados em forma interrogativa:
(i)Quantos desempregados, dos mais de 13% da população activa segundo os dados oficiais, são desempregados que tinham vínculo laboral efectivo no sector público, central, regional ou autárquico?
(ii)Em contraponto aos milhares de insolvências de empresas registados nos últimos anos, que induziram centenas de milhares de desempregados, quantos serviços públicos ou empresas públicas estatais, regionais ou municipais encerraram as portas lançando seus trabalhadores no desemprego?
(iii)Como comparar a segurança do emprego no sector privado e no sector público - será que a situação é idêntica e que os trabalhadores das empresas privadas em geral sentem a segurança do emprego da mesma forma que os do sector público?
4.Não me parece que estas questões possam ser ignoradas quando se discute a questão da igualdade de tratamento entre os trabalhadores do sector público e do sector privado.
5.E também não me parece adequado que, tendo o Estado que resolver um problema financeiro que alimentou por culpa própria, dos seus gestores ao mais alto nível, no momento em que se vê forçado a tomar medidas de contenção indispensáveis para repor um mínimo de equilíbrio nas contas públicas, nas suas contas, venham altos responsáveis do Estado clamar pela solidariedade dos trabalhadores do privado...
6....Será que o Estado se lembrou dessa solidariedade, sempre que ao longo dos últimos anos foram sucessivamente noticiados, a ritmo ensurdecedor, encerramentos de empresas privadas, normalmente do sector da industria transformadora, lançando no desemprego ou atirando para a emigração milhares de trabalhadores?
7.E será que nos processos de insolvência de milhares de empresas privadas, o Estado credor – fisco e segurança social - tem assumido atitudes de solidariedade, facilitando as recuperações de empresas...
8....Ou, ao contrário e não raro, assume papel de grande dureza na cobrança dos seus créditos, mandando mesmo congelar contas bancárias a esmo, pondo em risco a subsistência de postos de trabalho em muitas empresas, algumas delas até viáveis economicamente, forçando iniquamente o seu encerramento?
9.Por todas estas razões e algumas mais que seria fastidioso aqui enunciar, afirmo a minha frontal oposição a esta ideia, considerando-a até, ao invés do que os seus proponentes sugerem, abertamente contrária aos mais elementares princípios da equidade!
Problema da Grécia, de Portugal e da Europa é, afinal, político...ufa, que alívio!
2.Ainda ao abrigo dessa análise, a responsabilidade por esta situação não é apenas nem principalmente dos países mais incumpridores da disciplina financeira e económica, é fundamentalmente dos líderes europeus que se têm mostrado incapazes de encontrar fórmulas globais e adequadas, de carácter político obviamente, para colocar um ponto final nesta inaceitável crise...
3.A esta mesma luz, a Grécia e Portugal em especial (da Irlanda não é conveniente falar) são agora vistos como os “bons da fita”, as vítimas inocentes da incompetência dos líderes europeus, prontos para serem imolados no altar dos egoísmos de Bruxelas, sujeitos a um tratamento quase desumano e intolerável...
4.Há assim que repensar todo o esquema estrangulador das economias do sul da Europa, sujeitas a um programa de saneamento que é mais um espartilho do que uma ajuda, que acabará por liquidar o paciente em vez de lhe restituir a saúde económica e financeira...
5.Aguardam-se pois sugestões quanto às soluções alternativas para os programas em vigor – soluções políticas, globais e adequadas, convém reiterar – que trarão de volta o bem-estar destas populações seriamente ameaçado por programas financeiros mal concebidos e ainda pior executados, que ameaçam a nossa sobrevivência económica...
6.Pela minha parte, acrescentarei apenas “ufa, que alívio!”, pois estava até agora convencido (i) que teríamos que pagar as dívidas que durante anos a fio fomos acumulando de uma forma quase demencial, (ii) que teríamos de “apertar o cinto” para reduzir o insustentável desequilíbrio externo da economia, (iii) que precisávamos de corrigir seria e urgentemente o brutal excesso de despesa pública que nos obriga a pagar impostos cada vez mais elevados e na minha errada análise tem contribuído para asfixiar a economia, etc, etc...
7.Finalmente e felizmente vem aí uma solução política (global e adequada) que nos vai aliviar desta enorme pressão em que temos vivido, encontrando fórmulas mágicas de pagar as nossas dívidas, restaurar a competitividade perdida, aumentar as exportações e reduzir as importações sem termos de contrair a despesa e o consumo em especial...quiçà mesmo permitir retomar o programa de grandes obras públicas, para "dinamizar a economia".
8.Só espero que comecem também rapidamente a reduzir as taxas dos impostos, pois não acredito que nessa bem-vinda solução política não haja lugar para impostos muito mais baixos do que aqueles que hoje temos de suportar...
9.Ufa, que alívio!
domingo, 6 de novembro de 2011
O direito (natural) a compreender o mundo em que vivemos
"Loucura"
sábado, 5 de novembro de 2011
"Bruxo de Fafe" e aprendizes de enfermagem.
Nem sempre a História se escreve na secretaria

O que é mais interessante é pensarmos que, se Papandreu fosse na conversa dos colegas europeus, se se tivesse comportado com “lealdade”, como ouvi alguns dizer, teria sido absolutamente impedido de fazer a política à sua maneira, e teria sido vencido. E, com ele, a Grécia, que entraria em convulsão total.
Por aqui se vê a visão política dos “europeus” e o pouco que se ralam com o modo como as coisas andam nos países em ajuda. A mal ou a bem, avancem. Papandreu conhece o seu povo e sabe que a mal, pior. Jogou e ganhou. Fez política a sério e ainda bem, ninguém se salva se não se salvar a si próprio. Para já, a Grécia vai acalmar, a Europa vai desejavelmente deixá-lo fazer as coisas à sua maneira e, com sorte, tudo vai correr melhor. Por mim, que sempre achei impossível que Papandreu não soubesse o que estava a fazer, experiente e preparado como é, gostei de ver este lance de grande risco e de grande rasgo. Nem sempre a História se escreve na secretaria. Ou com as opiniões dos jornais.
Boa sorte Grécia!
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
Em crise acelerada...
Quem poderia prever mais este avanço da crise? O FMI e a Comissão Europeia vão vigiar as reformas que a Itália se comprometeu implementar. A Itália vai a partir de agora prestar contas a mais esta “Troika” sobre o que anda a fazer. Será apenas uma questão de falta de credibilidade ou haverá a suspeita de existência de buracos financeiros?
Mas é a credibilidade do projecto Europeu que está em causa. É a Europa das proclamações e da política mediatizada que está em crise. Chegou a hora da política dura e crua porque o problema da Europa é político.
Um sino muito popular...

Reunião muito satisfatória? - II
Reunião muito satisfatória? Acautelem-se...
2.Pela parte que me toca, interpreto essa satisfação como um (muito) mau sinal, pois tenho a noção de que existe uma correlação fortemente negativa entre o grau de satisfação dessas entidades e os interesses dos contribuintes indefesos entre os quais me incluo...
3.Quanto ao endividamento dos Municípios e das suas queridíssimas empresas municipais, quanto mais depressa for reduzido melhor...mas creio que nesse capítulo receio que tenha havido um recuo em relação aos (louváveis) propósitos do Governo em reduzir drasticamente esse limite, dos actuais 125% para 62,5% do somatório de um conjunto de receitas anuais arrecadadas pelos ou transferidas para os municípios...
4.Não percebi bem as declarações produzidas pelo responsável governamental do pelouro, segundo o qual terá sido negociada uma espécie de compromisso, com recuo no método de aplicação da redução do limite legal mas sem recuo quanto ao objectivo da redução - convenhamos que isto é demasiadamente complexo para o cidadão comum interpretar...
5.Se essa solução compromissória consistir por hipótese num regime transitório em que o limite legal é reduzido desde já mas é dado às autarquias, que o excedam neste momento, um período para se ajustarem às novas regras, “ainda vá que não vá”...
6.Mas se essa solução compromissória significar que tudo fica na mesma, então o contribuinte indefeso que assina este Post começa a ter renovadas razões para se sentir preocupado...acautelem-se...
"Filão"?

As reservas de minério nacionais - segundo dados do Laboratório Nacional de Energia e Geologia valem o equivalente a um PIB - passaram a estar na rota de algumas das maiores multinacionais do sector devido ao aumento do consumo e à subida do seu preço a nível mundial, designadamente o ouro que acumula onze anos de ganhos consecutivos e este ano já valorizou 24%.
A criação de condições para a prospecção e exploração destas reservas deve ser inserida numa preocupação mais vasta da exploração dos nossos recursos naturais. Já muito foi dito e redito sobre a importância para a nossa economia de aproveitarmos os recursos naturais de que dispomos, desde os recursos do mar, passando pelos recursos da floresta até aos recursos agrícolas. Seria importante percebermos como pretende o governo colocar os recursos naturais ao serviço de uma estratégia de desenvolvimento e crescimento. Não se trata apenas de assinar e anunciar contratos de concessão “milionários” de exploração - que esperemos defendam os interesses do Estado - mas de saber como pretendemos internamente acrescentar valor a esta actividade. Num momento em que as más notícias se multiplicam ao minuto, as boas notícias por serem raras merecem ser devidamente explicadas e informadas...
Polio
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
O EURO, esse desconhecido...
2.Numa comparação caricatural, elidível certamente, poderá dizer-se que os Europeus criaram o EURO sem muitos deles terem a menor ideia e outros tantos terem uma ideia muito vaga da espécie de criatura que estavam criando...
3.Ainda hoje, volvidos mais de 12 anos sobre a sua paridura, subsiste um notabilíssimo desconhecimento quanto ao papel desta estranha moeda e sobretudo das regras de jogo que a sua utilização exigia fossem cumpridas para que se transformasse um benefício para a generalidade dos utilizadores...
4.Basta atentar na grande maioria dos comentários que são produzidos entre nós acerca da natureza da crise grega e das soluções (?) para a ultrapassar, para se concluir que a ilusão acerca do problema que a Zona Euro deixou criar é muito grande, não menor provavelmente do que a ilusão sobre as virtualidades do EURO na época em que foi criado...
5.Quando se admite que a solução é persistir nas políticas que nos conduziram ao estado de coisas com que estamos defrontados – ainda que sob uma roupagem oratória adaptada aos novos tempos, não deixando de reconhecer a necessidade de medidas correctoras mas rejeitando sempre as que são efectivamente propostas e alvitrando em contrapartida “soluções globais” e favoráveis ao “crescimento” – é evidente que nunca mais será resolvido o problema que tornou impossível a convivência pacífica com o EURO...
6.Ao afirmar-se o primado da política para a solução de um problema que, não deixando de ser político, é na sua génese um problema económico e financeiro – resultante, como afirmei em anterior Post, de opções erradíssimas de política económica acumuladas ao longo de mais de 10 anos, geradoras de desequilíbrios insustentáveis entre economias participantes de uma mesma zona monetária – está-se, consciente ou inconscientemente, a criar o “caldinho” adequado para que a crise se eternize e se transforme num pesadelo de consequências irreparáveis...
7.Pela observação que tenho feito da realidade nacional, quando, muito em síntese:
(i)Ouvi em 2000 um altíssimo responsável da política económica afirmar publicamente a irrelevância da balança externa corrente para uma região de uma união monetária como é actualmente Portugal, comparando-nos, nesse particular, ao Mississipi;
(ii)Ouvi em 2004 um aparte de um destacado deputado da oposição, dizendo que “isto é um um discurso do passado”, em reacção a uma intervenção que produzi na AR chamando a atenção para os altos riscos da persistência dos desequilíbrios da economia e do seu consequente endividamento;
(iii)Ouço agora apelar ao primado da política para resolver, através de soluções globais desconhecidas, rejeitando as soluções concretas que são propostas, um problema que na sua essência é económico e financeiro...
8....Começo mesmo a convencer-me de que o problema que criamos não tem porventura solução e que o EURO continua e continuará a ser, para uma fortíssima maioria dos nossos concidadãos, “esse desconhecido”...
De repente, a imprevisibilidade
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
Só em Portugal!
O DRA(C)MA da Grécia...
2.Convém recordar que a Grécia não fez parte do 1º pelotão do Euro, de Junho de 1999, só entrou um ano mais tarde, pelo facto de na altura da fundação da zona Euro não cumprir integralmente os critérios de admissão (inflação, taxas de juro, taxa de câmbio)...já então havia sinais de que nem tudo estava bem...
3.À luz do que hoje se sabe, a declaração de Sarkozy constitui uma daquelas verdades “lapalissianas” em que os políticos são férteis, pese embora o facto de tal declaração não ser 100% enquadrável no conceito do politicamente correcto...
4.Acrescentarei que o equívoco não foi apenas a adesão foram também e sobretudo as opções de política económica que acompanharam e se seguiram à instituição do Euro, em tudo contrárias ao que seria exigido pela participação numa zona monetária de moeda forte...
5.Essas erradíssimas opções de política, durante uma longa década, foram responsabilidade em 1ª mão dos políticos nacionais que as assumiram e promoveram, mas também são imputáveis aos líderes dos demais países participantes e europeus (Romano Prodi em especial, neste caso), à data da adesão e nos anos subsequentes,os quais fecharam os olhos à situação e fiaram-se na sorte, num domínio onde esse tipo de confiança é absolutamente vedado...
6.Pior ainda, foram aceitando, de forma tranquila e complacente, toda a sorte de informações falsificadas sobre as contas públicas, ignorando os claríssimos sinais que os desequilíbrios externos de economias como a grega e portuguesa transmitiam no sentido de que a situação/evolução económica e financeira desses países era insustentável...
7.Agora estamos como estamos, os gregos não sabem o que hão-de fazer, voltam-se para um referendo como se de uma “varinha mágica” se tratasse, para ver se encontram uma saída política que lhes permita sobreviver na zona monetária em que escolheram participar numa hora de escassíssima inspiração...
8.Afinal, como diz Monsieur Sarkozy, os gregos nunca deveriam ter abandonado o DRACMA, se o tivessem feito não estariam a viver o DRA(C)MA em que estão mergulhados...
9.Entre nós as coisas não se passaram de forma muito diferente, apesar de não termos conseguido errar tanto como os gregos – sem prejuízo de se reconhecer a excepcional boa vontade da generalidade dos governantes do período em análise em nos conduzir para o precipício, nomeadamente nos últimos 6 anos - por isso também estamos a precisar de um bom ESCUDO que nos proteja da crise...
terça-feira, 1 de novembro de 2011
Ficar grego em Chipre
Entre a espada e a parede, o referendo grego
Por uma boa causa!
A vigarice é de facto uma indústria em crescendo e com substrato legal. A ASAE ou qualquer entidade equivalente só atuam quando recebem as queixas. Entretanto, os crédulos acabam por fazer contratos que os espoliam até dizer chega. Uma vergonha, uma falta de pudor que brada aos céus.
Como dizem para os meus lados, "só à porrada"! Ponho-me a pensar se não será uma boa solução. Um dia destes, os vigaristas que andam por aí, aos magotes, ainda vão saber com quantos paus se faz uma canoa. Eu estou com vontade de dar um pequeno contributo, para o efeito já tenho à mão um velho varapau que serviu de arma de defesa em tempos idos, está cheio de marcas, mas está para as curvas e não se deve importar de ficar com mais algumas, é por uma boa causa!