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segunda-feira, 11 de abril de 2016

Oh, patego...olha os panama papers...

Continua novela dos Panama Papers. Óbvio que que os off-shores escondem capitais criminosos, de branqueamento de capitais, tráfico de armas e de droga, de financiamento do terrorismo,  de favores políticos, de corrupção, etc, etc. E óbvio que escondem também fugas ao fisco. E que também escondem capitais legalmente obtidos, mas que, por uma razão ou outra, o dono não quer revelados.
A divulgação dos Panama Papers deve-se a um Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação e foi feita com grande sensacionalismo, como resultado, dizem, de investigação de um ano de trabalho. 
Todavia, pelo que li, a descoberta não se deveu a qualquer iniciativa ou trabalho do Consórcio, mas a uma oferta de alguém que teve acesso aos ficheiros de uma sociedade de advogados. Depois, também a avaliar pelo que venho lendo, e no que a Portugal respeita, não terá havido, qualquer investigação digna desse nome. Pois uma investigação não se reduz e traduz em indicar meia dúzia de nomes, e indiciando apontar outros, mas deixando-os a todos na mesma nebulosa, não distinguindo entre situações criminosas, ilícitas, ilegais ou legais e éticas ou passíveis de algum julgamento ético desfavorável. Por outro lado, não foi feita qualquer distinção entre off-shores puros e centros cobertos, por exemplo, por normas europeias, como o off-shore da Madeira, ou outros, onde o reporte de informação é exigido e cumprido. Tudo foi colocado no mesmo plano sensacionalista, com nomes lançados à fogueira e que de imediato vieram a desmentir ou a justificar os seus actos.
Esta informação indiscriminada que, só por si, parece negar qualquer investigação prévia, só serve para branquear a grave questão dos off-shores. Com efeito, os continuados desmentidos não desmentidos pelos jornalistas ditos de investigação que divulgaram as notícias, pelos vistos em bruto, sem tratamento, acaba por causar o desinteresse do público que deixa de comprar o produto e, logo, o rápido desinteresse da própria comunicação social perante um mercado já saturado. De modo que, não tendo sido separado o trigo do joio, a novela irá terminar abruptamente de um dia para o outro, por cansaço de todas as partes.
Descansam assim os governos que, podendo invocar a complexidade e diversidade das situações como atenuantes, e que os cidadãos foram “forçados” a admitir pela controvérsia estabelecida, terão tendência a nada fazer. Ou então, na atitude mais demagógica de todas, "sancionam" os prevaricadores, aumentando-lhes os impostos sobre aplicações nos off-shores,  como se esse acto não fosse o mais estúpido de todos. Mas tem sempre servido para enganar pategos, que os governos gostam de ver entretidos, a olhar para o balão. 

1 comentário:

Fernando Vouga disse...

Devo ser patego...
Em termos teóricos, a existência destas organizações parece-me imoral. A Lei tem de ser igual para todos, especialmente nos tempos que correm, em que o cidadão comum é espremido pelo fisco até ao tutano.
Em termos práticos, escancaram-se as portas ao crime organizado.
Acabem com elas já!