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segunda-feira, 27 de junho de 2016

Importam-se de repetir?

Uma das notícias mais curiosas de hoje é a que dá conta de que o site mais procurado no RU no dia seguinte ao referendo foi " O que é a Europa?". No dia seguinte, note-se, e ao fim de três anos com o tema em cima da mesa.  Também noticiam hoje que mais de 1 milhão de ingleses estão arrependidos de terem votado Exit, que há uma petição de mais de 3 milhões de pessoas a querer repetir o referendo e, por fim, que os políticos que encabeçaram a campanha pela "independência" do RU não fazem a menor ideia do que se vai seguir para cumprir o mandato popular.
Tudo isto é extraordinário e diz muito do modo como as pessoas dão hoje por adquirido que podem votar por raiva, por "contra" ou por qualquer razão irreverente, porque afinal confiam que a maioria irá decidir sensatamente e prevalecer sobre os ímpetos dos desenfiados. Também é difícil de acreditar que se possa conduzir uma campanha desta natureza sem que tenha sido exigido pelos cidadãos que se explicasse muito explicadinho o que decorreria muito provavelmente de cada uma das opções.
Talvez este referendo tenha pelo menos o mérito de relembrar aos cidadãos das democracias que, afinal, o poder está mesmo no voto de cada um, e é para levar a sério.

8 comentários:

Bartolomeu disse...

" O que é a Europa?" Quer ingleses como os restantes países membros, estão a colocar a mesma questão; " O que é a Europa?".
Na realidade, no dia-a-dia do cidadão, não são sentidos sinais da Europa que foi prometida, da Europa solidária, cooperante, apoiante, bem estruturada, equilibrada, etc.
Não me admiro que muito brevemente (bloco de esquerda á parte) muitos países mas sobretudo, muitos desempregados, muitos empresários falidos, muitos cidadãos sem acesso a cuidados de saúde, etc, irão colocar a mesma questão: " O que é a Europa?".

Suzana Toscano disse...

Sim, caro Bartolomeu, e mais do que legítima e oportuna a questão que põe, mas acontece que fora da Europa não se conseguiu melhor, duvido que a solução seja acabar com o que temos antes de sabermos fazer melhor. Não sei o que sucederá se a Europa se desmembrar, ou se ficar reduzida aos " países fundadores" aí sim, ficando uma ilha mas que não será inexpugnável., bem pelo contrário.

Pinho Cardão disse...

A Europa, caro Bartolomeu, é a maior construção e o maior espaço de democracia, de solidariedade, de respeito pelos direitos humanos, de compaixão pelos mais fracos e desfavorecidos, de consideração pela pessoa humana. Aponta-me o meu amigo uma outra região do globo onde se tenha ido mais longe? China, Monarquias Árabes,índia, Ásia, América do Sul, África ?
EUA, Austrália, Japão, N.Zelândia, sim, mas não com a profundidade da Europa.

Jose' Salcedo disse...

É lamentável que esses cidadãos que se interrogam "O que é a Europa?" não se preocupem com a mediocridade e corrupção que caracterizam os políticos que elegem. Vivemos na "Age of Unreason", de facto. Entre a ausência de pensamento crítico e a droga da gratificação instantânea, a estupidez humana tem vindo a ganhar adeptos diariamente.

João Pires da Cruz disse...

Noutros locais, talvez o voto seja importante. Por cá há 130 pessoas que por serem eleitas para o poder legislativo, decidem substituir-se ao povo na escolha do poder executivo e o PR bate palmas. O meu não vão voltar a vê-lo, de certeza....

Bartolomeu disse...

Peço desculpa aos caros comentadores e autora por não compreender a necessidade de manter a Europa Unida, comparando-a com outros países de outros continentes onde existe menos de tudo, que nela.
Parece a história do fulano que vai visitar o amigo que teve um acidente e ficou hospitalizado em estado crítico. O amigo pode acabar por morrer mas o outro para o animar conta-lhe que ainda a semana passada, um outro amigo não teve tanta sorte e morreu num acidente. Quer lá saber o desgraçado que está na cama do hospital, se o outro morreu! Ele quer é recuperar e o mais rápido possível.
Essa coisa de nos comparar-nos com os "modelitos" estrangeiros, habito que aliás já vem do tempo dos Afonsinhos, lembra-me o projeto daquela escola nortenha, pioneira na implementação de um modelo de sucesso na Finlândia. A cópia foi levada tão a sério e com tanto rigor, que no pátio da escola ficou implantada uma "escultura" em ferro que, ninguém soube interpretar. Foi um emigrante que veio de férias e perguntou: mas porque raio puseram ali um suporte para skis? Pois é... na terra onde o plano funcionava exemplarmente, os alunos chegavam a ter e ir para a escola de skis, na terra para onde o plano foi copiado, a maioria dos alunos sequer sabia o que era um ski.
Quero eu dizer com isto, que os planos, tem de ser colocados em perspetiva e adaptados ás condições que existem onde se pretendem aplicar, tendo em conta que os moldes dessa aplicação nunca serão estáticos, necessitarão de ajustes permanentes. A pergunta, "O que é a Europa", significa que já ninguém consegue identificar aquele continente que um dia, por razões várias criou um plano de união, estabeleceu regras para que esse plano funcionasse e selecionou países para dele fazerem parte. Esse plano tem vindo ao longo da sua execução, a ser alterado mas não a ser ajustado de acordo e acompanhando as mudanças que no resto do mundo foram sucedendo. Quando a União Europeia atingiu o auge, e o dinheiro transbordava, existia abundância na América, depois seguiu-se o crash, depois seguiu-se a emergência dos mercados asiáticos, e por último a invasão da Europa pelos refugiados de uma guerra que a própria Europa ajudou a criar.
Faz todo o sentido que se pergunte: O que é a Europa?
A Europa, meus estimados Amigos, desde o século V tem sido, ciclicamente, o que está a ser de novo... um continente eminentemente autodestrutivo. E vá-se lá perceber porque carga de água, ciclicamente autoregenerativo.

Carlos Sério disse...

Pelo modo arrogante e musculado como as estruturas do poder político, financeiro e mediático, que hoje governam as instituições europeias e os países do euro, estão a enfrentar, a dirigir e a comentar a saída do Reino Unido da União Europeia, parece que os líderes de tais instituições não querem entender ou, o que nos parece mais exacto, aparentam fingir não entender os verdadeiros motivos, a razão pela qual os cidadãos daquele país se opuseram em referendo à permanência na UE.

As estruturas do poder político, financeiro e mediático, que hoje governam as instituições europeias, dirigem as suas políticas para o favorecimento da classe mais poderosa económica e financeiramente em cada país do euro. Ao mesmo tempo, manifestam um total alheamento, até mesmo um total desprezo pelos reais problemas dos trabalhadores e da classe média de baixos e médios rendimentos.
É por esta razão que lhes custa admitir os verdadeiros motivos do desencanto das populações nos diversos países quanto à União Europeia. Uma UE que coloca como única preocupação servir os interesses de uma minoria de privilegiados, desfavorecendo e agindo contra os naturais e justos anseios e interesses da esmagadora maioria da população em cada um dos países da União.

E, por outro lado, se esforçam por apresentar os interesses da classe minoritária que servem, como interesses gerais, como interesses únicos de toda a população, omitindo malevolamente que hoje existe em cada país do euro duas grandes classes sociais, com interesses divergentes e contraditórios.
A classe dos trabalhadores e classes médias e a classe dos donos e gestores das grandes empresas e multinacionais. Uma desfavorável e outra favorável ao euro e á União Europeia.


Ilustre Mandatário do Réu disse...

Quanto às teorias do Carlos Sério, nada como a realidade Venezuelana para comprovar a sua falácia. Mas é certo que a EU não foi explicada ao povo como devia. E agora os mais frágeis (os que votaram brexit) vão ser os primeiros a levar com o ricochete.