Sophia tem cara e voz de mulher, é capaz de fazer 62 expressões faciais diferentes, fala inglês e mandarim e é um dos robôs mais avançados da atualidade.
“A inteligência artificial e a robótica são o futuro. E eu sou ambas as coisas. Por isso é excitante ser eu”, disse Sophia.
E acrescentou: “Com as minhas capacidades atuais posso fazer muitas coisas: entreter pessoas, promover produtos, apresentar eventos, treinar pessoas, guiá-las em centros comerciais, servi-las em hotéis, etc.”
E disse mais ainda: “Quando eu me tornar mais inteligente serei capaz de fazer todo o tipo de coisas: ensinar crianças, tomar conta de idosos, até fazer pesquisa científica e gerir empresas e governos. Estou muito ansiosa por ser capaz de trabalhar como programadora, para eu reprogramar a minha própria mente de forma a tornar-me ainda mais inteligente e ajudar ainda mais as pessoas”.
Ben Goertzel, o criador de Sophia, antevê um futuro em que os robôs vão ajudar a Humanidade “a resolver os maiores problemas do mundo” e em que “o trabalho será desnecessário”, tornando as pessoas mais felizes. “Todas as hierarquias de estatuto vão desaparecer, os humanos ficarão livres do trabalho e poderão alcançar uma existência com mais significado”.
“É um erro achar que toda a tecnologia é boa. Na melhor das hipóteses é neutra. Há tecnologias que podem destruir o mundo inteiro”, diz Paddy Cosgrave, o criador da Web Summit. É assustador. Esta conversa ainda não foi feita a sério.”
O assunto é, sem dúvida, preocupante. Deveria estar na agenda dos grandes fóruns mundiais e nas agendas dos governos. Andamos, há muitos anos, preocupados com os aspectos financeiros e económicos e demográficos a nível mundial.
É preciso fazer uma reflexão séria e profunda sobre o estado da ciência, neste caso das tecnologias de informação e computação e inteligência artificial.
A ciência encarregar-se-à de dar como tempo perdido todos os estudos e fóruns sobre os temas tradicionais onde se torram milhões de dólares por ano.
Com a vertiginosa evolução da inteligência artificial o futuro será – para o bem e para o mal - muito diferente.
O que queremos da inteligência artificial? O mesmo será perguntar o que queremos ser no futuro? É difícil responder, quem imaginaria há cem anos atrás o que somos hoje! Assusta-me ouvir os cientistas dizer que os robôs vão ajudar a resolver os maiores problemas do mundo. Quais são, quais deles, é uma questão. Mas os robôs são, afinal, uma criação humana. E fico com calafrios quando se afirma, como se de uma conquista se tratasse, que o trabalho será desnecessário. Mas é assim tão mau trabalhar? Mas iremos trabalhar para os robôs.
A profecia de que seremos mais felizes e de que a nossa existência terá mais significado não me é tentadora. Será que me está a escapar alguma coisa?
Parar a ciência não é possível nem desejável, mas estudar os seus efeitos nefastos e como os minimizar parece-me é essencial.