Agora foi Miguel Sousa Tavares a focar o TLEBS num belo artigo da sua coluna de opinião na última edição do Expresso. Aí Sousa Tavares reflectia sobre o futuro do seu cão face à nova terminologia e filosofava a propósito: não sei se cão ainda é cão, mas substantivo é que já não!...
Pois, cão deixou de ser um mero substantivo e passou a nome comum, concreto, contável, não humano, animado, masculino do singular!... O que denota a nobreza da linhagem!...
Mas, por exemplo, a palavra gay, que era substantivo masculino, passou à seguinte classificação: nome comum concreto, contável, humano, animado, epiceno do singular. Epiceno, porque designa tanto o indivíduo homem como mulher.
Ser ou não ser gay não é questão, é um imponderável da natureza, como também já aqui explicou o nosso Professor Massano. Gay ou não gay merecem respeito por igual. Mas ser epiceno, senhores! Será isso constitucional?
Pois, cão deixou de ser um mero substantivo e passou a nome comum, concreto, contável, não humano, animado, masculino do singular!... O que denota a nobreza da linhagem!...
Mas, por exemplo, a palavra gay, que era substantivo masculino, passou à seguinte classificação: nome comum concreto, contável, humano, animado, epiceno do singular. Epiceno, porque designa tanto o indivíduo homem como mulher.
Ser ou não ser gay não é questão, é um imponderável da natureza, como também já aqui explicou o nosso Professor Massano. Gay ou não gay merecem respeito por igual. Mas ser epiceno, senhores! Será isso constitucional?
9 comentários:
Caro Pinho Cardão
Pessoalmente o TLBES é, parafraseando uma frase marxista, o resultado final do ensino que temos.
Não passa de um esperanto para analfabetos literatos e funcionais, ou se quizer, uma redição daqueles livros que ajudam a rir, viver, ser gestor, ter amigos tudo, mais ou menos, em um minuto.
Grave, é que não inventamos palavras,porque nos dedicamos, apenas, a grafarmos as existentes de outro modo.
Estamos mais neograficos e menos neologistas. Ainda não conseguimos verbalizar, tornar em verbo atitudes ou comportamentos e continuamos, como sempre, a utilizar os condicionais que se equivalem (com todos os equívocos) a conjuntivos. O imperativo desapareceu, exilado na comédia e o gerúndio só para acções politicamente correctas e muito estereotipadas.
O futuro só em casos mais do que óbvios, do tipo: o Sol nasce amanhã, senão voltamos para os condicionais.
As frases não podem ultrapassar as quatro palavras, de preferência sem qualquer conceito subjacente. O que se assiste é ao aparecimento de um dialecto local, próximo dos dialectos primitivos.
Estamos no limiar perigoso da regressão: as últimas contas apontam para que, a maioria da população, utiliza, no trato diário, menos de 2.500 palavras.
Dito isto, não vale atacar o TLEBS apenas, mas criar um movimento de renascimento da língua, ou poderemos passar a ser uma tribo incompreensível no seio da lusofonia.
Mas por favor não peça ao Compromisso Portugal para o ajudar, eles ainda usam menos palavras e menos conceitos.
Cumprimentos
Adriano Volframista
Dr. Pinho Cardão,
Não fosse o assunto realmente sério e estaríamos todos a rir.
Mas que grande desgraça!
Estive a analisar o significado do dito "epiceno".
Segundo percebo, se é que percebi bem, uma cadela em TLEBS passará a ser cão fêmea! Portanto, quando falarmos de uma "cadela" passamos a dizer o nosso cão fêmea! Será assim? Ao que isto chegou. Mas para quê?
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Retirado do Wikcionário
[editar] Adjetivo | Adjectivo
e.pi.ce.no adjetivo masculino singular
Aquilo que é comum aos dois sexos;
classificação gramática do substantivo que se refere a animais e algumas plantas e tem apenas uma forma para ambos os gêneros, sendo que a distinção de sexo é feita por meio do uso de macho e fêmea;
e.g. "o mamoeiro macho", "o tucano fêmeo", "a cobra fêmea"
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Acho que é apropriado, gay ser um nome comum animado. Contável também, um gay, dois gays, três, gays...
Sem querer ser "intolerante" acho que gay já começa a ser comum demais! Como diz um amigo meu " Deus me leve antes que seja orbigatório"! Talvez por isso a sigla TeLeBes venha bem a proposito! (Oxalá o Miguel Vale de Almeida não seja "cliente-leitor" deste blog)
Por falar em TeLeBes - que é feito do Acordo ortografico, que já está adolescente de idade, acabou por ser asssinado pelos seus maiores "contestadores", brasileiros, angolanos entre outros e Portugal ainda não subscreveu? Será que é verdade?
É que o TeLebes macho, ainda vai colidir com o Acordo macho, e vai dar uma Confusão fêmea do caraças!!
Caro Senhor Pinho Cardão e Senhora Maragrida Corrêa de Aguiar, não vou disfarçar. A vontade de rir é enorme, não pela "objectividade" da classificação do ex-substantivo, ou pela conclusão do termo epiceno, mas sim pelo facto de imaginar a hipotese de este TLEBS estar a tentar descaracterizar a raça humana a reduzi-la aos tempos pre-pre-historicos, em que, segundo Darwin a espécie não teria ainda evoluído e seríamos portanto todos... epicenos.
Será ainda pertinente concluir que esta classificação é uma forma de seleccionar pela etimologia?
Sinceramente, nem quero pensar nisso...
Caro AdrianoVolframista:
O seu comentário é um texto de antologia, que eu gostava de publicar no 4R, se para tal me desse autorização, como um post seu, para ser apreciado por quem eventualmente não leia os comentários.
Quanto à alusão ao Compromisso Portugal, gostava de dizer que não faço parte da tribo.Apesar disso, alguns dos seus membros têm algumas ideias bem acertadas e outras que logo esquecerão, quando crescerem.Muitos estão ainda deslumbrados com a tecnocracia, que não precisa, de facto, de grande número de palavras para se exprimir.Mas, sendo inteligentes, como alguns são, aprenderão, talvez à sua própria custa, que negócio sem ética acaba por dar mau resultado e a filosofia é a melhor arma da gestão.
Caro RuiVasco:
O que o meu amigo foi lembrar, o Acordo Ortográfico!...Se o TLEBES lhe pega, nem uma letra escapará...
Caro Bartolomeu:
Nunca fiando...aquelas mentes são capazes do pior...
Tudo isto me dá uma vontade de rir imensa. Então, mas fui só eu que aprendi nos idos de 60 o que é um epiceno? Minha rica professora de português. Porque é que andam a dizer que isso é novidade?
Mais a sério: preocupa-me a forma de fazer opinião neste país.
Uns iluminados, nos quais o Miguel Sousa Tavares não resistiu a incluir-se, andam a dizer disparate atrás de disparate sobre esta TLEBS. Têm aparecido artigos importantes a desmontar os ditos disparates, mas em lugares escolhidos pelos directores dos jornais e das revistas para ninguém os ler (qual será o interesse dos jornalistas neste tratamento desigual?) e está a vingar a opinião construída em cima do disparate.
Lamentável, não é?
À cabeça do comentário: insurgi-me contra a TLEBS (tal como foi descarregada nas escolas), desde o início, tal como me insurgi contra a revisão curricular e os novos programas de Português do Secundário, aquando da sua discussão e posterior homologação. Espero que a TLEBS seja retirada do Ensino Básico e repensada no Secundário, até ser revista, depurada, didactizada. Dito isto, queria fazer um reparo: nada prejudica mais a tese do que a argumentação capciosa e mal fundada. Caso para dizer: se estes são os meus inimigos, livrai-me, Senhor... Gay passa a epiceno?! Homessa, onde é que a mente preclara do Sousa Tavares leu tal coisa?! Ah, tenho tido brigas com a lourinhã, mas aqui estamos de acordo: a noção de epiceno é velhinha de barbas brancas, e é simples, e é "produtiva". E já agora uma pergunta: alguém ouviu de David Justino uma opinião sobre este assunto? Ninguém se lembra de o ver na tv, explicando aos portugueses as razões que o levaram a arrancar com meia dúzia de programas (e tlebs num deles), invocando pressões das editoras? Que memória curta!
Caro Lourinhã:
Defender o TLEBS é tão legítimo como atacá-lo.Mas, de facto, ainda não consegui ver opinião bem fundamentada que me leve a gostar do produto. Tenho lido o que diz o Presidente, creio que da Associação dos Professores de Português. Não me convenceu até ao momento.As opiniões a favor derivam mais da emoção de quem se tomou de paixão pela nova terminologia do que da razão.Na minha opinião, claro!...
Caro tempodividido:
Queria esclarecer que Miguel Sousa Tavares não dizia no artigo citado que gay passava a epiceno.Nada de o culpar por falta que não cometeu!...Para bem ou para mal, o exemplo foi meu.
Quanto à "memória", acho que não devemos fulanizar o que quer que seja. Não sei qual a posição tomada pelo Prof. David Justino ou se tomou alguma.Em qualquer caso, terá, com toda a certeza, a sua justificação.
Todos nós, aqui no Blog, gostamos e apreciamos o Prof. David Justino.
Pessoalmente, acho que foi um excelente Ministro, pese a questão burocrático-administrativa do concurso dos professores, que fez empalidecer as boas medidas que tomou à frente do Ministério.
Mas também nós, aqui no Blog,gostamos e apreciamos muito a nossa opinião.
Pelo que essa da "memória curta" não se aplica cá ao pessoal!...
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