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terça-feira, 12 de dezembro de 2006

Batemos no fundo?

A enorme maioria dos nossos bons escritores e poetas nunca teve por parte da comunicação social a promoção de um qualquer dos seus livros como uma senhora autora que acabou de lançar a obra que penso chamar-se Eu Carolina.
Não sei se tem sido mais publicitada a autora se a obra. Mas sei que há muita gente notável neste país, pela solidariedade que nunca nega, pelo espírito empreendedor que cria trabalho e riqueza, pela investigação que permite inovar, pela obra realizada nas mais diversas áreas, que nunca mereceu uma linha num jornal, uma palavra na rádio ou uma imagem na televisão.
Não é preciso mais nada para demonstrar os valores que presidem à nossa comunicação social, cujos responsáveis são ciclicamente condecorados pelo elevado critério editorial que exibem.
De qualquer forma, ou me engano muito ou aí teremos em breve a escritora Carolina a integrar algum ou alguns grupos da comunidade cultural que ciclicamente aparecem com abaixo-assinados na defesa dos grandes valores civilizacionais e democráticos. Com merecimento idêntico ao dos seus pares. Obviamente!...
Nota: Quando falo em publicitação do livro nos media, falo do espaço informativo que os "critérios editoriais" dedicaram à "obra"; não estou, pois, a referir-me a publicidade paga.
Contudo, também se poderá dar o caso de tal publicitação entrar na crescente categoria de "informação" devidamente remunerada...

10 comentários:

Tonibler disse...

Quantas edições teve já o livro do menino guerreiro? Não me parece que esta seja muito pior...

Jorge Lucio disse...

Felizmente o sketch do Gato Fedorento deste Domingo arrasou o livro de tal modo, que não me admiro que o seu "impacto" passe a ser limitado a piadas de caserna. Quase que poderíamos dizer que O GF realizou Serviço Público na RTP!

Bartolomeu disse...

Lembro-me de o saudoso Sr. Agostinho da Silva referir que os povos se conheciam em doi quereres, os povos do "ou" e os do "e", e que o português se encaixava no povo do "e"... isto "e" aquilo "e" mais aqueloutro.
De tantos "e" perseguirmos, vivemos uma alienação global, valorizando a futilidade e o superficialismo, não notando sequer o que de valioso é feito, por todos os que ainda acreditam e valorizam o que de humano nos resta.

Anónimo disse...

realmente a personagem pode não ser muito recomendável ( andava com más companhias..) , mas o que diz no livro não se pode ignorar .
e até estranho que o dr pc o ignore , apenas porque fala mal do seu clube.
é um testemunho daquilo que já toda a gente sabia : o conluio entre autarquias e futebol, uma classe ( o futebol ) que se julga acima da lei ,etc.etc..já conhecem todos a ladainha...
Ah: e gostei especialmente da parte em que a "mui doce e candida " carolinha diz que Pinto da costa "sofre de gases".é da idade.lOl

Anónimo disse...

Há cerca de 10 anos atrás, li uma entrevista algures a um ex-jetset da Quinta da Marinha. Dizia o entrevistado que um dia o seu filho chegou a casa a dizer que tinham que mudar de carro. Isto porque o vizinho tinha trocado o seu topo de gama da BMW por outro qualquer.
Nessa data o pai de familia decidiu trocar de cidade e ir viver para o interior. Pelas fotografias perceber-se-ia que viviam numa grande herdade alentejana. É fácil deduzir que essa herdade terá custado um terço dos seus 2000 m2 da Quinta da Marinha e que a sua qualidade de vida passou a ser incomparavelmente superior.

Vem isto a propósito da necessidade de reflexão sobre o que todos andamos a fazer: Fará sentido considerar a comunicação social, com destaque para a TV, como fonte informativa? Os responsáveis pelos conteúdos televisivos são profissionais idoneos e com elevado sentido de responsabilidade social? Foram eleitos? Quem os elegeu?

RuiVasco disse...

Confesso que é assunto que me enoja de tal forma que decidira não opinar sobre ele. Consegui conter-me, ontem. Hoje não resisto, porque a bissectriz do problema se deslocou um pouco!
O que tem o Livro, a sra Carolina, a promiscuidade no futebol, politica e justiça, com os OCS, as TVs, os responsaveis dos conteudos e sua idoneidade, e a "sua eleição" (?), de que fala aí o comentador Frederico? "Foram eleitos"? "Quem os elegeu"! Que raio de dúvidas!
Vá lá...haja contenção e mais rigor, caro Frederico, e não misture "alhos com bugalhos"!
Quanto ao caro Menino Mau, e à sua referencia aos problemas gasosos de alguem, pois bem,... você é mesmo Mau! Deus o livre de "dolorosas flatulências" que por aí atacam alguns, ao que ouço dizer...! Mas era um bom castigo para a sua maldade!

Anónimo disse...

Caro Rui Vasco,
Elucide-me:
O post era sobre critérios editoriais, certo?
Quem os decide, num meio tão poderoso como o da TV não é uma figura pública, não estando por isso sujeita a uma análise critica como a que fazemos a políticos ou a jornalistas, certo?
Não elegemos esses editores, pois não?
Mas todos viram o espectáculo Carolina Salgado, sem que para isso tivessem manifestado qualquer interesse, não foi?

Pelo exposto não compreendo a razão do seu comentário.

Julgo que o que possa não ter entendido foi a introdução, mas nesse caso elucido-o:

Estamos a construir uma sociedade mesquinha, centrada na invasão da vida alheia e nos piores comportamentos que são conhecidos aos seres humanos, como são os actos criminais.
Tal sucede porque são esses conteúdos que nos são servidos. Pior: São os conteúdos que permitimos que sejam servidos aos nossos filhos cujas auto-defesas não são comparáveis às nossas.
O exemplo que dei para introdução representa algo que há dez anos não compreenderia mas que faz para mim, actualmente, todo o sentido. Alem disso, as vidas distantes da “tvcracia”, onde as crianças crescem com a natureza, são bem melhores e bastante menos onerosas que alguma vez poderíamos pensar.

Concluindo: Depois do exposto, acha o Rui Vasco que eu tomei conhecimento do caso "Carolina Salgado"?! Coloca a hipotese de os meus três filhos terem assistido a mais essa triste novela?

RuiVasco disse...

Talvez eu não tenha percebido o sentido exacto do seu comentario, ou, você não entendeu o meu!
Porém:
- acha que toda a gente viu o caso carolina sem que tal tenha pedido?
- mas olhe que o livro saiu sem os OCS terem interferido.
E parte do conteudo do mesmo é noticia queiramos ou não, goste-se ou não! Pelo menos na parte que respeita à corrupção, à nossa justiça, às agressões fisicas, ao trafico de influencias, às fugas de informação, ao segredo de justiça, aos dirigentes que por aí existem! Pelo menos os tribunais têm de confirmar se o que ali está é falso ou verdadeiro! Até pode ser tudo falso! Mas está lá! E o nosso hábito português é meter a cabeça na areia e ignorar. Por isso somos o que sabemos!
Vamos mais ainda à profundeza da sua preocupação:
- 2 jornais ou duas Tvs, ou 2 quaisquer OCS, têm comportamento diferente perante o facto! - Um, minimiza ou ignora; outro dá-lhe primeira pagina e espaço!
Dois editores ou directores, tomaram duas opções, diferentes, nenhum deles eleitos ( essa do eleitos, acho graça, nada mais!). Qual dos jornais foi mais visto, ou lido? Tem alguma duvida? Entao se o assunto chega mais longe e a mais gente, ou a menos, é opçao do editor, ou dos compradores que somos nós, eu, você e os outros!
Quem alimenta a Com. Social sensacionalista, se não o comprador, você e eu, e outros como nós?
O mercado comanda estas e outras actividades e nós somos o mercado! Diz voce "... que todos viram sem que para isso tivessem manifestado qualquer interesse!"
Pode dizer-me onde vive? Quero mudar-me para aí, pois você reside no Paraíso!
Porque havemos de deslocalizar a responsabilidade?
É verdade que existe um tvcracia ou Telecracia como prefiro dizer! Mas cada cidadão, cada família não tem a sua liberdade de escolha, de repudiar e de recusar tais produtos. Façamo-lo e veremos como eles se reorganizam.
Eu proprio afirmei que me recusara a falar do tema, porque me enojava! Mas não disse, nem posso dizer, que os OCS o devam ou possam ignorar! É um facto, concreto, obsceno, mas real, da nossa sociedade!
O probema está no exagero e na exploração- e essa só acontece, repito, porque o público comprador, o escolhe e compra! Sabe quanto aumentou o nº de vendas do jornal 24Horas, por exemplo, nestes dias? E quem comprou os jornais? Foram os editores? Não, fomos nós...isto é, eu não comprei, mas comprou toda a gente do meu bairro e do seu, e dos outros! E discutiu! E esperou pelo dia seguinte para mais novidades!
Para acabar- só - outra vez - essa de eleger os directores dos OCS, nem nas democracias populares, que não sei se existem! E seriam eleitos em votação universal, ou haveria um colégio eleitoral? Falo dos publicos ( que quase não há!) e dos privados, claro!

Anónimo disse...

Caro Rui Vasco,
Quanto ao local onde vivo, posso dizer que é na cidade de Trancoso, Distrito da Guarda e a 400 kms de Lisboa: Depois de 32 anos de vida em Lisboa.
O que sei do caso Carolina Salgado é exclusivamente o que está em caixa alta nas primeiras páginas de um qualquer jornal (ou no destaque do site TSF) "Fui eu que mandei sovar o Vereador da Cãmara do Porto a pedido de Pinto da Costa" (ou algo parecido a isto). No site da TSF, onde leio as notícias, não vi ou não cliquei em tal notícia. Talvez porque não espere há muitos anos nada de bom do desporto que compra e vende pessoas.
O motivo de discórdia: "E parte do conteudo do mesmo é noticia queiramos ou não, goste-se ou não!". É noticia porque foi publicado. Porque 99,9% dos acontecimentos culturais, das vitórias nas mais diversas àreas de investigação, nos mais diversos acontecimentos positivos que ocorrem com portugueses ou em Portugal, os OCS, na sua esmagadora maioria, dedicam 0% do seu espaço informativo.
Ora é esse Portugal com que não me identifico. E aqui tem a prova.
Quanto à questão sobre o mercado da informação, não tenho dúvidas em dizer que HOJE o mais visto é o que explora até à exaustão o assunto. Mas o mercado somos nós, e não somos estáticos!
Pela parte que me toca, refiro sem problemas: Sou assinante do Expresso on line e visito várias vezes por dia o site da TSF. Para além da actualidade, vejo diariamente um filme com os meus filhos, depois do jantar, com a classificação M/6 ou M/12.
Quando este tipo de comportamento for comum a 15% ou 20% da população, os OCS serão certamente diferentes. Espero que melhores.

RuiVasco disse...

Completamente de acordo consigo, em quase tudo. Mas se num livro, não num jornal ou TV, aparece escrito por alguem que encomendou e pagou para sovar um dirigente autarquico estamos perante crime grave. Isso é sempre noticia, em qq parte do Mundo! E é um crime. Não é por acaso que o PGR está a ler o livro para se pronunciar. E que o ministerio publico vai agoir, etc, etc. Não foram os OCS. Foi o livro. E isso nao pode ser ignorado a partir daí! Queira ou nao clicar no link de qq on-line, ou ler ou ver em qq OCS!
Quanto a viver em Trancoso- bem me parecia que vc vivia num Paraíso. Parabens. E que inveja!