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terça-feira, 19 de dezembro de 2006

Liberdade para as vítimas de Kadafi


Hoje foi confirmado mais uma vez a condenação à morte de cinco enfermeiras búlgaras e um médico palestiniano pelos tribunais líbios devido a uma hipotética bioconspiração. São acusados de infectarem deliberadamente 428 crianças no hospital de Benghazi com o VIH/SIDA. Este processo arrasta-se desde há alguns anos e é uma perfeita obscenidade. Em tempos, especialistas de renome internacional, na área da SIDA, demonstraram a inocência dos profissionais de saúde apontando para as péssimas condições dos hospitais líbios como sendo o factor responsável.
Em 3 de Maio de 2005 escrevi uma nota a este propósito sob o título “Bioconspiração”.
A Comissão Europeia e o seu respectivo presidente acabam de denunciar esta horrível decisão. Mas não chega. Não sendo necessário dissertar sobre as características do governo líbio e do seu esquizofrénico chefe, porque todos o conhecem, é vital que a comunidade internacional o pressione de forma ímpar, a fim de evitar o “assassínio legal” de seis profissionais de saúde. Deveria haver um boicote total aquele país que não respeita os direitos, as liberdades e sobretudo, neste caso concreto, a generosidade e o altruísmo de seis seres humanos cuja causa é, precisamente, a saúde e o bem-estar de outros seres humanos.

9 comentários:

Anónimo disse...

Hoje ao início da tarde também li essa notícia. Parece que análises às mutações do HIV indicam que a infecções ocorreram antes da chegada do médico e das enfermeiras.

Jaime
www.blog.jaimegaspar.com

RuiVasco disse...

Pois é. Às vezes é dificil decidir o mal menor. E também é verdade que o mais perigoso é transigir! Há que fazer tudo, e o máximo, perante esta situação anomala e impressionante! Mas todas as pressões e acções sobre o lider libio, não podem provocar um retrocesso nos comportamentos de um homem, que, independentemente das razões, e apesar da sua esquizofrenia, na ultima decada se aproximou dos países mais desenvolvidos, e abandonou o radicalismo dos seus comportamentos anteriores! É uma acção que, com a máxima força, tem de ser enfrentada, mas que a cura não se torne pior que a doença! Diria que é uma situação a enfrentar com todo o vigor, mas com pinças!...
Com inteligência e com as armas disponiveis! Sem cedências, mas com consciência que por trás de tudo isto está uma bomba que pode explodir!

Massano Cardoso disse...

Caro RuiVasco

As suas palavras são sensatas, mas, há um importante mas nisto tudo. São seis vidas humanas! Não posso considerar que entrem no jogo do mal menor. Bombas por explodir parece que não faltam por aí! É evidente que se tem de fazer o possível e impossível para salvar aquelas vidas. Muitos profissionais de saúde revêem-se naquela situação verdadeiramente angustiante e inconcebível. Se forem executados é um assassínio perpetrado por um “governo”. Não há povo nenhum que tenha “legitimidade” para executar seres humanos e muito menos os inocentes! Qual a diferença entre matar um inocente ou milhares deles? Nenhuma.
Não deixa de ser paradoxal que tal ocorra na cultura árabe, a qual tem um ditado muito interessante que li há já uns bons anos no livro “O Médico de Córdoba” e que não me esqueci. Na sua essência transmite o seguinte conceito:”Uma vida não vale nada, mas não há nada que valha uma vida”!

crack disse...

Este triste exemplo recorda-nos a todos, em qualquer profissão, o perigo que corremos quando pomos as nossas aptidões profissionais ao serviço de populações, cujos países não oferecem condições de segurança mínimas, e onde não existe qualquer respeito pela vida humana.

RuiVasco disse...

Caro Prof:
Claro que concordo consigo! Disse e repito, que "às vezes é dificil decidir o mal menor",... mas "o mais perigoso é transgir"!
O que pretendo dizer é que temos obrigação de saber lidar com a questão de forma a defender estas vidas e as "outras"...que nunca sabemos onde estão e quem são!

Nuno Nasoni disse...

O nosso primeiro-ministro não estará interessado em ir novamente à Líbia, interceder junto de Kadafi?

cadeiradopoder disse...

A sede desmesurada de poder leva a que este e outros ditadores não admitam que erraram e, neste caso, que os seus hospitais não têm condições de higiene.

Margarida Corrêa de Aguiar disse...

Caro Professor Massano Cardoso,
A Líbia não reúne credibilidade por parte do mundo ocidental. O seu aparelho judicial é um abcesso porque está politizado, tratando-se de um instrumento de poder do coronel Kadafi, que dele faz uso para manobras de chantagem política – que tem grandes probabilidades de ser o caso.

A Líbia não reúne condições de integridade para os cidadãos estrangeiros que se deslocam para aí desenvolverem a sua actividade profissional, muitas vezes integrados em acções humanitárias, porque são utilizados para deles se retirarem dividendos políticos.

Qual é a chantagem que desta vez está em causa? Seja qual for, constitui um imperativo humano que todos nós, Europeus, tudo façamos para impedir a barbárie que o coronel Kadafi anuncia relativamente às enfermeiras búlgaras e ao médico palestiniano.

Não quero sequer pensar nas condições em que estas pessoas têm vivido ao longo do processo, certamente com todos os requintes de violações dos direitos humanos. É repugnante imaginar os métodos aplicados para extrair confissões falsas.

Unknown disse...

Meu Caro termina hoje a votação para os Conjurados 2006!

Ainda estou à espera da vossa votação.

Um abraço!