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sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Novelas e decotes


Uma novela portuguesa chamada “Meu Amor”, da autoria de António Barreiras, ganhou um Emmy em Nova Iorque. As notícias são abundantes mas o maior destaque vai para o decote que uma das protagonistas da novela exibiu na cerimónia de gala, como se nos dias que correm fosse uma novidade digna de títulos de jornal e muitos comentários sobre a ousadia.
Ao ver a fotografia de corpo inteiro e a escandaleira que produziu o modelo, lembrei-me do comentário que o meu sogro, austero pai de família, fez, há mais de trinta anos, a uma jovem convidada de uma das filhas, que estava a passar uns dias de férias com a família. Ao jantar, numa noite de Verão, a rapariga apresentou-se com um vestido do estilo “africano”, que se usavam muito na época, em tecido de capulana. A saia do vestido era até aos pés, para tirar o máximo efeito dos desenhos exóticos e coloridos da estampa, e depois a barra do tecido, que era diferente, era usada para fazer o corpete, numa combinação que em regra resultava muito bem.
Acontece que a convidada tinha os mesmos dotes físicos da actriz agora galardoada e a barra do tecido era manifestamente estreita para a superfície que deveria tapar. Gerou-se um silêncio embaraçoso quando ela entrou na sala, muito descontraída, sem levar em devida conta os hábitos austeros da casa e, sobretudo, o temor reverencial que se cultivava em relação ao chefe da família, cuja reacção os filhos aguardavam em pânico. Mas o patriarca, com a presença de espírito um pouco desconcertante que lhe era habitual, deitou-lhe uma olhadela rápida, entre o intrigado e o divertido e, enquanto puxava a cadeira para se sentar à mesa, disse-lhe:
- Olha, menina, não sei se reparaste mas vestiste o vestido ao contrário, sobra-te tecido em baixo e falta-te em cima, não queres voltar ao quarto para corrigir o engano?
Foi uma risota geral e a pobre da rapariga foi salva por um gesto pronto da dona da casa, que lhe chegou um casaquinho de malha bem aconchegado que a protegeu do embaraço e lhe arrefeceu a ousadia pelo menos até ao fim das férias na praia.
Mas o alvoroço do decote que agora foi célebre era bem diferente, a beldade em causa limitou-se a ter que garantir aos espantados repórteres que os seus dotes eram pura natureza, afinal tanta estranheza era só sobre se o decote seria ou não um tributo de marketing a algum cirurgião de estética! Novelas...

8 comentários:

jotaC disse...

Cara Dra. Suzana Toscano:
Ora, aqui está uma boa notícia que serve para encher de orgulho quem naquele meio ganha a vida e, também, para relaxarmos desta maldita tensão provocada pela crise, que cada vez mais nos vai corroendo a carteira e a cabeça…
Estive a analisar com a máxima acuidade o “excesso” da Rita Pereira, francamente, não acho nenhum exagero! Não sendo o motivo da notícia o puritanismo saloio, é com certeza uma pontinha de inveja por tão genuína e fresca juventude…
A este propósito, ninguém como os americanos para reinventarem negócios, nem que para isso ressuscitem puritanismos e princípios austeros de outras épocas!…
http://www.youtube.com/watch?v=tieA5wfcgH4

Jorge Oliveira disse...

Deliciosa, a tirada do anfitrião !

Mas a Suzana Toscano deixe-me que lhe diga que a sua incompreensão para o facto de o decote da artista constituir notícia, se deve à prosaica razão de ser mulher.

Por isso não compreende que para nós, homens normais, quero dizer, heterossexuais, o par de atributos que se vislumbra num decote generoso constitui sempre um motivo de primitivo fascínio.

Não sei explicar porquê, mas é assim. Podemos ser chamados tolinhos, mas é sempre uma excitação ver aquelas "coisas" semi-tapadas, ou destapadas de todo. Por mais que já tenhamos visto. O que se há-de fazer? Mesmo com a idade, não nos ponham à prova...

crotalus disse...

E os biquínis nas praias? que pouca vergonha, qualquer dia vão nuas, assim como Deus as mandou para o mundo. assim mostrando todos os pontos corporais comum ao seus semelhantes. Assim como no primórdio do raça humana onde nós ainda conseguíamos ser um animal equilibrado e naturalmente adaptado ao meio. Há sentimentos e noções maradas.Abraços a todos.

Tonibler disse...

Não reparei...

jotaC disse...

Não!?...isso está mau, caro tonibler!!!
:)

Tonibler disse...

Negue, jota! Até ao fim, NEGUE!

Pedro disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Suzana Toscano disse...

Obrigada, caro Paulo, estava a ver que ninguém tinha percebido a minha intenção :)