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sexta-feira, 2 de maio de 2014

O nosso grande passivo

Não tendo efectuado as reformas que deveria ter feito de modo a diminuir a despesa de forma permanente e tornar atractivo o investimento, o governo vai substituindo uns impostos por outros, mudando alguma coisa para que tudo fique na mesma. Isto é, na mesma continuam os cidadãos e a economia a pagar a factura. Nesta questão fundamental o governo iniludivelmente falhou.  O DEO comprova-o.
Mas, quando também ouço as Oposições, maxime o PS, a criticar as políticas, exigindo chuva no naval e sol na eira, equilíbrio orçamental, menos juros e menos impostos, mais despesa e menos dívida pública, vejo que a nossa classe política não é séria, nem competente. No geral formada e promovida nas jotas e universidades de verão, enquanto o processo de selecção não mudar, dela não pode esperar muito o país.
Se o governo engana, o PS promete e ilude. Se o governo não reforma, o PS nem pensa em tal, apresentando como solução mutualizações de dívida, eurobonds, pagamento do desemprego pela União Europeia.  
Se o Governo é mau, o PS é bem pior. Esse é o nosso grande passivo. Uns minutos do debate de hoje no Parlamento comprovam-no à saciedade. 

7 comentários:

JM Ferreira de Almeida disse...

Não posso estar mais de acordo, Pinho Cardão. Passivo endógeno, garantidamente preservado pela permanência de um sistema que não se renova porque não se renova a maneira de pensar que lhe está subjacente.
Fico espantado como pode o PM dizer que uma maior carga fiscal, por pequeno que seja o agravamento, faz bem à economia quando é intuitivo que retirar mais recursos à economia para financiar o inconseguimento da redução da despesa ´pública primária é mais um golpe nas pretensões de dinamizar o tecido económico. Valha-nos ao menos a lucidez e visão de longo alcance do ministro da economia ao criar o grupo de trabalho para que Portugal aposte na internacionalização da sua gastronomia para lá do pastel de nata! É a esperança que me resta de que por aí apanhemos o elevador da glória...
Quanto à oposição e ao Dr. Seguro, ninguém melhor do que ele depõe a favor da frivolidade e do mais absoluto nihilismo político, características de um político que sempre atraíram multidões de mansos seguidores. Vai pelo bom caminho, em direção ao cargo que tranquilamente o espera. Uma confirmação, pois.

Bartolomeu disse...

Mais um post que expõe uma visão muito coerente da atual situação. Ia escrever; parabéns, caro Dr. Pinho Cardão, mas não o faço, pela simples razão, que penso não ser necessário que chova sobre o molhado. De tudo o que o caro Dr. escreve, só discordo de parte do mais pequeno período do texto: "Se o Governo é mau, o PS é bem pior." Se fosse eu a escreve-lo - o que seria praticamente impossível, dado que não possuo as mesmas capacidades de escrita e de análise - teria escrito: "Se o Governo é mau, o PS não é melhor.
Agora, imagine o caro Dr. Pinho Cardão, que "um" governo se reunia com os parceiros sociais, os sindicatos, os representantes de trabalhadores e de patrões e da banca, e acordavam fixar o ordenado mínimo nacional nos € 1.000 e conjuntamente, deliberavam reduzir as importações dos bens de consumo e não permitir aplicações financeiras com juros superiores a 1,5%.
Qual supõe o caro Dr. Pinho Cardão que iria ser o efeito a curto prazo, destas decisões ?

João Pires da Cruz disse...

Aparentemente só a troika protegia Portugal da república portuguesa e o PR ganhou a guerra.

Bmonteiro disse...

De um jornalista dedicado à informação militar num diário de referência: a reforma dos hospitais militares, apenas avançou por não haver dinheiro.
Confirmo.
O resultado do que vai nas cabeças de ministro, secretário/a de estado, chefes militares, and so on.
O DN de hoje (convidados), dá-nos uma óptima perspectiva noutro campo - Programa XIX GC: integrar a Justiça no MAI (nada); juntar as múltiplas e diversas polícias numa Polícia Nacional (zero).
E foi tendo um PM e governo com laivos de liberais e reformistas. Como teria sido se o não fossem.

João Pires da Cruz disse...

O único passo político para reformar o que quer que seja é tirar dinheiro. O resto é deixado aos profissionais. O nosso problema é que as decisões estão entregues a rendistas que bloquearam a axcção do governo. O pior aconteceu, não consegues vence-los...

Pinho Cardão disse...

Caro Ferreira de Almeida:
Tocou 2 pontos, cada qual o mais anedótico:
a) que a subida de impostos faz bem à economia
b) criaçao do grupo de trabalho gastronómico
Isto e o mencionado e seguro nihilismo político do Dr. Seguro por certo demonstram a altura dos conhecimentos adquiridos na Castelo de Vide Unversity e na congénere socialista.

Caro Bartolomeu:
Assim a modos que um Estado corporativo de direcção central?
Creio que não sairia daí nada de bom...

Caro Bmonteiro:
Bondade a sua. Ministro com cabeça? (Hoje devo ter acordado não muito bem disposto...)

Caro João Pires da Cruz:

De facto, assim tem sido. As grandes decisões estratégicas têm sido aumento de impostos (aliás apresentadas como diminuição, na boa linha socrática...)

Bartolomeu disse...

Caro Dr. Pinho Cardão; será que é assim tão necessário colocar um título prévio em tudo, mesmo àquilo que ainda não se provou ser, ou não, capaz de fazer melhorar aquilo que todos concordam estar mal?
Bom... devo retificar; todos, não. Alguns...