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sexta-feira, 16 de maio de 2014

PIB no 1º trimestre de 2014: nem "excepção" nem "sinal de alarme" - um SINAL, apenas, mas um SINAL...

1. Um dos mais conhecidos jornais “on-line” questionava-se ontem quanto à interpretação da estimativa rápida divulgada pelo INE para o PIB do 1º trimestre/2014: tratar-se-ia de uma “excepção”, como terá sido a interpretação do Governo, ou antes um “sinal de alarme” como sugeriram sectores opostos?

2. A 1ª estimativa rápida do INE para o PIB do 1º trimestre apontou ontem, como se sabe, para uma queda, em cadeia (1º trim de 2014/4º trim 2013) de 0,7% e para uma subida, em termos homólogos (1ºtrim 2014/1º trim 2013), de 1,2%...

3. ...sendo que a queda em cadeia interrompe 3 subidas sucessivas, desde o 2º trimestre de 2013, e que a subida em termos homólogos, é a segunda positiva desde o último trimestre de 2009 (a primeira foi exactamente no 4º trim/2013)...

4. O que se poderá dizer destes números que ficam aquém do que apontavam previsões de entidades independentes? A primeira conclusão é de que não foram produto apenas de uma evolução menos favorável das exportações no 1º trimestre, ditada em especial pela suspensão temporária da Refinaria de Sines como foi sugerido por fonte governamental...

5. ...esse factor terá certamente pesado, mas não se pode esquecer o contributo do forte incremento das importações de bens, a que já aqui fizemos referência, arrastado pela recuperação da procura interna (consumo+investimento)...

6. ...não deixando de ser verdade que, se excluirmos os combustíveis na balança de bens, as exportações teriam crescido 5% no 1º trimestre de 2014 (em vez dos 1,7% globais), o que é certo é que as importações cresceram bem mais, concretamente 8,1%.

7. Mas também não se justifica considerar este resultado como um “sinal de alarme”: apesar do forte incremento das importações de bens, tudo indica que em termos de contas com o exterior se irá manter em 2014 um padrão positivo - talvez não tão positivo como os de 2013, mas ainda bem positivo, não justificando alarme...

8. Assim, este resultado deve ser tomado, em nossa opinião, como um SINAL: o SINAL de que temos de evitar derrapagens, sobretudo na despesa pública, que façam acelerar ainda mais a procura interna, ao ponto de poder vir a inverter de novo o sinal positivo das contas com o exterior...

9. Nesta óptica, não deixa de ser paradoxal que os que opinam “sinal de alarme” sejam exactamente os mesmos que advogam carregar mais e mais no acelerador da despesa pública, que clamam a toda a hora contra a dita austeridade...

8 comentários:

João Pires da Cruz disse...

Pois, mas parece, no entanto, que a industria da asneira continua a refinar em grande forma, particularmente agora que o governo se parece ter unido à presidencia na movimento Que Se Lixe Portugal.

Tavares Moreira disse...

Caro João Pires da Cruz,

Adiro sem dificuldade a essa ideia de que a industria da asneira - que agora está investindo ousadamente na ideia de festejar a saída da Troika como se de um Renascimento do País se tratasse - se encontra em fase de forte expansão.
Os resultados esperados, caso essa expansão prossiga, são já nossos conhecidos, infelizmente!

João Pires da Cruz disse...

Hoje estive a ler as medidas do Seguro e estamos a produzir mais asneira que os chineses produzem electronica....

Bartolomeu disse...

Até parece que essa produção é de hoje e só se atribui a Seguro...

Tavares Moreira disse...

Caro João Pires da Cruz,

Seguro, sendo uma criatura estruturalmente sã, estou plenamente convencido, encontra-se todavia numa situação impossível, decorrente da necessidade de sobrevivência política: é forçado a debitar toda a sorte de disparates disponíveis no mercado, para simular agradar a todas as audazes corporações que a sua corporação geral alberga...em particular, aos fãs do delírio despesista...
Não me surpreende, pois, a sua conclusão na sequência da heroica leitura que refere.
Surpreende-me, sim, que o JPC tenha conseguido sobreviver a essa mesma leitura...

João Pires da Cruz disse...

Caro Bartolomeu, como os alemães que sempre produziram carros, os portugueses sempre produziram asneira. Mas tal como a Mercedes, o Seguro está em grande!

João Pires da Cruz disse...

Caro Tavares Moreira, a sobrevivência politica do Seguro estava garantida a partir do momento que meteu a trupe do Sócrates nos lugares bem pagos, perdão, nos lugares elegíveis...

Tavares Moreira disse...

Caro João Pires da Cruz,

Essa garantia que refere é de 2ª ordem, tem natureza pessoal; a 1ª garantia, de natureza prestidigitacional, consistiu em debitar, com aparente convicção, toda a sorte de pronunciamentos utópicos em sede de política económica, para satisfação das distintas facções internas.