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segunda-feira, 5 de maio de 2014

Saída limpa...e o tempo das raposas

Ainda na semana passada se multiplicavam os debates sobre a "saída limpa" ou "programa cautelar", com uma criatividade de oca argumentação verdadeiramente assinalável. Uma forma de encher chouriços na programação das rádios e televisões e nas páginas dos jornais. 
Como que por encanto, desde ontem que só ouço que "saída limpa" era coisa óbvia, evidente, só já não tinha entendido quem era burro, não tinha nada que saber. Porque assim o determinava a Europa, que não queria sarilhos antes das eleições europeias. Porque assim o ordenava a Troyca, como consagração das medidas que preconizara. E porque era isso que convinha ao Governo, para justificar o êxito da sua política. 
O que era, há dois dias, assunto de enorme complexidade e objecto de profundíssima reflexão, tornou-se assim, do pé para a mão, coisa que nem merecia qualquer discussão.
O que me faz lembrar a velha fábula de Esopo, retomada por La Fontaine: estão verdes...não prestam...  
O tempo está para as raposas matreiras, sempre boas a enganar papalvos. 

3 comentários:

Bartolomeu disse...

Pois a mim, todas estas tentativas de adivinhação e profetização, lembram-me as centúrias de Michel de Nostradamus: " Quando o fim dos tempos estiver próximo, muitos falsos profetas aparecerão sobre a Terra".
Confere...!

Alberto disse...

Mas tem dúvidas de que os países do Norte inviabilizavam qualquer solução cautelar? Há quantos meses todos sabemos disso? É bom a Troyka ir embora, é bom Portugal financiar-se nos mercados à taxa de juro actual, mas tudo o resto não passam de ficções políticas. A Europa até já diz que a Grécia é um caso de sucesso! Fantástico - com uma dívida de 175% do PIB! Ter saldo primário positivo pode ser conseguido de muitos modos. A verdade é que a Grécia está na miséria.Sempre quero ver o que vão pensar desse caso de sucesso quando tiverem, depois do Verão, de perdoar uns bons milhares de milhões. O pedido já está feito. Ao que parece desta vez já não há particulares para perdoar. A maioria da dívida da Grécia é da CE.
Evidentemente que o nosso governo construiu um cenário perfeitamente adequado ao cenário europeu. Cada um à sua maneira ficciona para vantagens políticas.

Suzana Toscano disse...

Mesmo que possa ser como diz o caro comentador Alberto, e depois se verá certamente, o post do Pinho Cardão está muito bem visto, tanto suspense que até enjoava e afinal era tudo trigo limpo (ou saída, no caso).