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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

A primazia dos procedimentos administrativos...

Leio estas notícias e fico arrepiada: O gabinete de comunicação do  Centro Hospitalar de Lisboa Central respondeu que se dá prioridade absoluta ao tratamento e que, como o doente tinha documentos que permitiam identificá-lo, a regra é esperar que algum familiar apareça até ao final da hora da visita do dia seguinte ao internamento. Caso ninguém apareça, tentam então contactar a família. A excepção só acontece se o doente tiver morrido ou se precisarem de informação clínica.
O que é relatado nesta história triste pode acontecer a qualquer pessoa. Não há dúvida que o socorro de cuidados de saúde perante uma situação de emergência é uma prioridade, é a prioridade. O que não se compreende é que o socorro tecnicamente competente prejudique uma relação humana e respeitosa dos hospitais para com o próprio doente e a sua família. Esta relação não pode ser reduzida a um mero procedimento administrativo. Mas é assim que funciona. Pelos vistos os hospitais dignam-se avisar as famílias dos doentes que lhe são confiados numa situação de emergência se estes morrerem ou se precisarem de informação clínica. No entretanto, doentes e famílias ficam mutuamente abandonados, sem saberem uns dos outros. Há aqui uma grande falta de sensibilidade, as pessoas são tratadas como máquinas, não é bom caminho. A tecnocracia só por si não chega, o desenvolvimento humano exige muito mais...

4 comentários:

António Barreto disse...

As máquinas têm de ser bem tratadas para fazerem o que lhes é próprio. Neste caso, nem das máquinas as pessoas têm a "dignidade". Presume-se da sua irrelevância. Chama-se a isto?...

Bartolomeu disse...

Bom, salve-se contudo, o princípio de prestar assistência ao doente antes de qualquer outro procedimento. Assim sendo... e se assim for, do mal o menos.

Luis Moreira disse...

O problema (insolúvel?) é que quem está doente considera-se a prioridade das prioridades. E todos pensamos assim. Somos todos a primeira prioridade.

Suzana Toscano disse...

Não vejo em que é que avisar a família implique com a prioridade do tratamento se o doente tem identificação, náo serão os médicos a tratar disso, em qualquer caso esperar até ao fim do dia seguinte é absurdo, não sabia desses "procedimentos".