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segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

"Células de Deus"...

Procuramos incessantemente soluções para os nossos problemas. O homem inquieta-se face ao sofrimento. Não é de hoje esta inquietação, é de sempre, mas quem sabe se um dia não irá conseguir apagar grande parte do seu sofrimento graças às suas descobertas.
Quando descobriu as propriedades das células estaminais levantaram-se esperanças quase que infinitas, indo da reparação das lesões até à clonagem. A fonte miraculosa começou a abrir novas perspetivas e, ao mesmo tempo, a criar pruridos intensos sob o ponto de vista ético. A problemática dos embriões excedentários e a sua utilização para fins específicos, tipo regenerativo, causou, e continua a causar, muita discussão e tentativas de impedimento a muitos níveis. De qualquer modo este tipo de células também têm o seu senão. Depois conseguiu-se obter células estaminais induzidas a partir de células do adulto o que permitiu eliminar graves problemas éticos. Mas não são suficientes porque apesar de serem pluripotentes não são totipotentes. Estas últimas possuem toadas as capacidades inerentes às primeiras células embrionárias capazes de dar origem a qualquer tipo de célula. Mais um avanço em termos biológicos e até éticos. Agora as coisas deram um salto pouco comum. Células do adulto, qualquer uma, que sejam sujeitas a um stress intenso, a lamber os limites da morte, faz com que as células consigam regredir a um estádio perfeitamente idêntico às das primeiras células que se dividem, totipotentes, podendo originar qualquer tipo de célula. Basta, por exemplo, submeter células a um meio ácido durante meia-hora para que possam adquirir este potencial. Depois é fácil, pelo menos aparentemente, transformar um órgão doente semeando as tais células novinhas em folha. Até é possível criar um embrião a partir da célula de um adulto dando origem a um indivíduo perfeitamente igual a si próprio. O processo, repito, é simples, demasiado simples e levanta a hipótese de no futuro a medicina regenerativa conseguir reparar tudo e mais qualquer coisa. Não é ficção, é uma realidade cujas portas começam a abrir-se. Deste modo é legítimo perguntar se um dia destes não irá ser possível tratar e regenerar tudo que ameace a integridade física humana, transportando-nos a um patamar muito interessante e até esquisito. Uma espécie de imortalidade à custa de uma agressão extrema, quase mortal, de uma célula do adulto. O homem caminha a passos largos para atingir o seu maior sonho, transformar-se num deus igual aquele que sempre criou e amou, mas que vai perdendo lugar neste planeta para o criativo ser humano. 

1 comentário:

Margarida Corrêa de Aguiar disse...

Caro Professor Massano Cardoso
Ainda assim, assustador...