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sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

"FDP"

Gosto de cumprir com certas formalidades. Tive necessidade de entrar em contacto com duas empresas de telecomunicações portuguesas, explicando-lhes a necessidade de cancelar dois contratos, um de televisão e outro de telefone. Disse quais as razões, o titular das mesmas é um familiar que não necessita, nem nunca mais vai necessitar, daqueles serviços. Explicaram-me o que deveria fazer, e fiz. Enviei os elementos necessários ao cancelamento. Quanto à outra, foi um desatino o diálogo com o interlocutor. Um desatino que me pôs meio louco. Expliquei vezes sem conta as razões e recebi em troca pedidos impossíveis quase a raiar a obscenidade. Fiquei de boca aberta. Expliquei-lhe novamente as razões, mais do que pertinentes, quase que me apetece dizer, fatais, mas, do outro lado, o discurso parvo e sem sentido continuava em estado de puro anedotário. Fiquei com a sensação de que estão instruídos para evitar a todo o custo o não cancelamento dos contratos, mesmo quando as razões apontadas atingem o limite máximo do impedimento. Cretinos. Pensei. Fiquei com uma urticária a ponto de não conseguir ouvir o nome da empresa. Escrevi, juntei a documentação, e enviei uma carta de protesto à direção da dita. Pensei, não passam de uns filhos da puta!  
Quanto à segunda fiz tudo direitinho de acordo com a informação de um colaborador. Enviei o pedido com os elementos de identificação e até fui mais longe ao descrever a razão da cessação. Hoje, telefonaram-me. Queria falar com o titular. Não sei se devia rir ou chorar. Expliquei-lhe que o mesmo não podia, nem nunca mais vai poder. Entrou de seguida a perguntar o motivo do pedido de cessação, se era por causa de alguma insatisfação ou outro motivo relacionado com a empresa. Fiquei estupefacto e tentei controlar-me, dizendo-lhe novamente o que tinha dito logo de início. Um diálogo doloroso a raiar a obscenidade e a faltar ao respeito de um cidadão. As coisas não ficaram por aqui. Queria que o titular assinasse. Fiquei com um aperto e uma vontade de o mandar ao sítio mais adequado. Tentei controlar-me perante tão lamentável comportamento. Expliquei que tinha feito tudo certinho de acordo com as informações da sua empresa. Nada feito. O tolinho, estúpido ou a fazer-se de estúpido, cumprindo naturalmente ordens para dificultar ou, quiçá, impedir a cessação do contrato continuava na sua estranha, complexa e ridícula exigência. Respirei fundo e com os dedos a tremer registei os dados solicitados. Afinal o que tinha enviado não era suficiente. Para cancelar um contrato é preciso certas formalidades que são a antítese das facilidades inerentes à sua realização. Ainda cheguei a perguntar se não quereria esperar mais uns dias para poder enviar a certidão de óbito, entretanto ainda podiam mamar mais alguns euros. Pensei. É um horror dialogar com certas empresas. Um tormento. Uma ofensa. Um sentimento de humilhação invade-me com frequência. Fiquei com um amargo na mente onde espetei um placa com os seguintes dizeres, "filhos da puta". Nunca mais vou conseguir tolerar ou ouvir os seus nomes. Foi duro. Foram cruéis, indelicados, despropositados e, até, mesmo ofensivos.

10 comentários:

Zuricher disse...

Caro Professor, efectivamente assim é. Para cancelar um contracto com uma dessas empresas é um pesadelo. Precisamente por isso cá em Espanha chegou-se ao ponto de ter que legislar que os cancelamentos não só não podem ter formalidades desnecessárias e desproporcionadas com as necessárias para contratar como e mais importante, que devem poder ser feitas pelos mesmos meios disponiveis para contratar os serviços. Ou seja, telefone, internet, lojas, o que for. Foi a maneira de pôr cobro a situações kafkianas como a que descreve.

Carlos Sério disse...

E para que a sua indignação surta algum efeito, só falta mesmo explicitar o nome dessas empresas.

Tiro ao Alvo disse...

Professor, eu também penso que seria razoável dizer quais são essas duas empresas, até para que, eventualmente, algum dos seus responsáveis de nível superior tome conhecimento e mande alterar tão estúpida prática, como se impõe e é urgente.

Henrique Pereira dos Santos disse...

Eu resolvi uma situação dessas dizendo que se não queriam cancelar, não cancelassem, mas que deveriam mandar as contas para a campa tal do cemitério tal que eu tinha mais que fazer que os aturar, visto que o responsável pelo pagamento das contas era o titular do contrato eles que fossem cobrar as contas à sua nova morada.
Confesso que nunca cheguei a saber se seguiram o meu conselho ou não, mas tenho as maiores dúvidas de que tenham conseguido fazer o titular pagar fosse o que fosse.
henrique pereira dos santos

Paulo Helmich disse...

Portugal está a necessitar, URGENTEMENTE, de uma legislação que permita ao usuário o cancelamento unilateral e automático de serviços telefônicos, de TV por assinatura e Internet, mediante simples opção via internet e/ou telefone, sem a necessidade de passar por atendentes.

Luis Franco disse...

Mande-os receber à nova morada do titular.
Já agora gostava, e penso que toda a gente, de saber o nome dessas empresas.

Dudu disse...

Ha cerca de 3 anos faleceu o meu sogro e o serviço da agua da Camara da Marinha Grande exigiu a assinatura dos 2 filhos herdeiros. Mas um vivia e vive na Austria e a assinatura da irma e a certidao de obito nao eram suficientes. Acabaram por aceitar contrariados.

Camisa disse...

Por acaso aqui há uns 2 anos cancelei o serviço de internet+telefone dos meus pais via fax e ficou logo resolvido...

Camisa disse...

PS: foi na PT

Catarina disse...

Os meus sentimentos, caro Prof.