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sábado, 22 de fevereiro de 2014

Empresas prepotentes e arrogantes

Hoje fui a casa do meu pai. Tinha uma carta da OPTIMUS a dizer que o pedido de cessação de contrato que tinha enviado, conjuntamente com um atestado médico passado por mim, a justificar a razão do cancelamento, não foi aceite! Depois vêm com um arrazoado jurídico que me pôs os cabelos em pé com as exigências. Fiquei incomodado e telefonei mais uma vez a mostrar o meu desalento e tristeza pela prepotência, arrogância e a total falta de respeito pelo cidadão. Sou eu que pago, não é um ser em estado vegetativo. Mesmo anteriormente, quando a sua cabeça funcionava a 100% aos 90 anos, era eu que assumia financeiramente as suas obrigações, embora não necessitasse do telefone, mas há que respeitar certos hábitos e condutas dos mais velhos. Sou eu que assumo e assumi muitos compromissos como, naturalmente, compete a um filho. Falei durante muito tempo, com calma, fazendo das tripas coração. Do outro lado o interlocutor ouvia-me e tentava justificar o que para mim não tinha justificação. Chegou a perguntar-me, muito admirado, porque razão não tinha uma procuração. Expliquei-lhe que não tinha porque isso poderia ser incómodo para quem tinha uma memória e capacidade de argumentação capaz de fazer inveja a qualquer pessoa dotada de inteligência. Falei, expliquei, mostrei o meu mais profundo desagrado, não por causa dos 11 ou 12 euros que pagava pela linha, que o meu pai praticamente nunca usava, eu tinha-lhe oferecido um telemóvel há muitos anos, sabia lidar bem com as novas tecnologias apesar dos seus 90 anos, mas por causa da prepotência, arrogância e a falta de respeito por um cidadão, neste caso, dois, o meu pai e eu. 
A conversa continuou e o meu tormento e tristeza aumentou. 
Falei com o meu advogado e coloquei-lhe a situação. Agora espero que faça uso de todos os instrumentos legais para por cobro a esta falta de respeito que, confesso, é muito doloroso para mim, não pelo que tenho de pagar, mas pelo sentimento de humilhação e de impotência face a gigantes prepotentes, arrogantes e não respeitadores dos direitos humanos. Cheguei a dizer-lhe que podia deixar de pagar e depois que se "entendessem" com ele. Claro que não o faço, porque aprendi o significado da honestidade com o meu pai e até uma máxima, podemos morrer a qualquer momento, mas quando morrermos não devemos ter dívidas para com ninguém. Ele não tem, e não terá, nem agora, nem depois de morrer. O senhor, do outro lado, ficou admirado e disse-me: - Não tinha pensado nessa hipótese, não pagar. Olhe, então fica cancelada a assinatura por três meses e durante este tempo tem que entregar os documentos legais. - Três meses? Nesse caso posso enviar-lhe apenas a certidão de óbito? Chega para cumprir as vossas exigências? É que na missiva que me tinham enviado não estava contemplada esta hipótese ou solução. Do outro lado ouvi apenas silêncio. Fui ter com o meu advogado e coloquei nas suas mãos a solução deste problema. Não aguento mais. Não quero falar mais. Não quero ouvir mais nada vindo daquela empresa. 
Quanto à outra empresa, aguardo o resultado do envio de alguns documentos que tenho ali em cima da minha secretária para tentar a cessação do contrato da televisão com a ZON. Segunda-feira vou enviar a carta, mas, atendendo a este comportamento da OPTIMUS, pedi ao advogado que fizesse o mesmo com aquela empresa, porque deve rezar pelo mesmo missal. O que é certo é que tenho de pagar este mês, depois de ter pedido o cancelamento do contrato seguindo as instruções do operador. Não serviu de nada, pelos vistos. E a conversa de ontem, meu Deus, não vou esquecê-la, nunca mais. Quem paga esta conta, e outras, sou eu, não é o meu pai. Hoje, em Santa Comba Dão, já lá estava para pagar a dita conta da ZON. Vou pagá-la, obviamente. Não sei durante quanto tempo é que terei de pagar, mas vou "alimentar", pelo menos mais um mês, uma poderosa, prepotente e arrogante empresa.
É preciso, urgentemente, travar e limitar a prepotência, a arrogância e a falta de respeito pelos cidadãos por parte destas empresas. Invocam preceitos legais e os definidos pela ANACOM. Mas há outros valores que têm de ser respeitados. É preciso que se produza legislação nesse sentido transferindo o poder para quem o merece e necessita, o cidadão.

Assim, meus caros amigos, comentadores e leitores, faço a atualização destes episódios.

5 comentários:

António Barreto disse...

Bem compreendo a sua indignação; li há pouco, não recordo bem onde, que a liberdade foi também para os maus. A verdade é que, paradoxalmente,estamos, efetivamente, indefesos perante essa gente. Já me aconteceu bem pior, mais que uma vez!

Outro caso exemplar acontece com o cancelamento das contas bancárias; os bancos tudo fazem para o impedir, na espetativa de cobrar mais uns milhões ao incauto cliente.

Tudo isto perante a passividade cúmplice do Estado, apesar da vasta panóplia de entidades reguladoras e observadoras!

A opção pelo não pagamento incomodá-lo-á ainda mais. Já pensou juntar aos pedidos de cancelamento uma declaração médica ou da Junta de freguesia respectiva, e fazê-lo simultaneamente para a respetiva entidade tutelante?

Zuricher disse...

Caro Professor, contei esta sua aventura a alguém hoje que me respondeu com toda a normalidade que é um assunto que se resolve facilmente. Primeiro deixa-se de pagar. Ao fim duns meses a companhia cancela o contrato totalmente. Não é só suspensão do serviço mas sim cancelamento do contrato. Uns meses depois de deixar de pagar fala-se para a companhia a confirmar que o contrato já está cancelado e nessa altura paga-se tudo. Quem me deu esta resposta tinha-a tão pronta porque foi o que fez. Há o inconveniente de ter que pagar-se mais 2 ou 3 meses mas pelo menos não há maçadas.

Nunca me teria ocorrido esta solução mas não deixa de ter a sua lógica...

Ramiro Marques disse...

Aconteceu-me coisa idêntica com um contrato da Optimus (kanguru). Para não ter chatices, tive de pagar quase 300 euros para me cancelarem o contrato. Não quero mais nada com tal gente.

Paulo Leite disse...

Caro amigo: abra uma página no facebook comece uma campanha para mostrar a falta de senso da empresa que tenta por todas as vias explorar MESMO aqueles que ja nao estao em condicoes de usar o serviço. Faça isto e verá que a empresa irá preferir aceitar o cancelamento a ter uma campanha de más relacoes públicas.

Paulo Leite disse...

Caro amigo: abra uma página no facebook comece uma campanha para mostrar a falta de senso da empresa que tenta por todas as vias explorar MESMO aqueles que ja nao estao em condicoes de usar o serviço. Faça isto e verá que a empresa irá preferir aceitar o cancelamento a ter uma campanha de más relacoes públicas.