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domingo, 29 de junho de 2014

Morte de um filho

Desde pequeno que toco na morte. Ensinaram-me a conviver com ela. Nunca me esconderam esse estranho episódio que faz parte da vida. Muitas das minhas primeiras experiências construíram-se em seu redor. Velhos, menos velhos e muitas crianças. Era o tempo em que Deus recrutava anjos! Nunca percebi bem o que levava Deus Todo-Poderoso a fazer anjos desta maneira. Era o que diziam sempre que me atrevia a fazer certas perguntas. Era pequeno e mal sabia escrever ou juntar as letras, mas fazia perguntas. Perguntas que tinham como resposta olhares surpreendidos e cheios de repreensões. Um dia respondi ao silêncio dos meus porquês. - Sabem? Ainda bem que Deus não quis que eu fosse anjo. Eu também não queria. O silêncio foi mais uma vez ultrapassado por outro tipo de silêncio. - Deixa-te dessas conversas. Eu deixava, mas continuava a sentir e a ouvir as lágrimas das mães a quem Deus roubava os filhos para os transformar em anjos. Levei alguns até ao cemitério, anjos sem nome. Quando colocavam a pequenina caixa branca no chão sagrado ficava triste e indignado com Deus. Nunca tive medo Dele, nunca. Depois, com a idade, fui vendo a partida de filhos antes dos pais. Muitos. Ficaram gravadas na minha memória as dores e as lágrimas dos pais. Ainda hoje correm na minha alma esses momentos, os mais dolorosos que um ser pode viver. Sempre que acontece um caso destes, todos os dias acontece, lembro-me do que pensava quando Lhe entregava um anjo roubado à mãe. Se Ele existir decerto que não se esqueceu do pensamento de uma criança de calções e joelhos esfolados. 
Eu não me esqueci, e nem esqueço.

2 comentários:

alberico.lopes disse...

Também lamento que o filho de uma chamada "figura pública" tenha tido tal acidente!E daqui os pêsames à família enlutada!No entanto,e como tão sabiamente diz o Dr.Massano Cardoso,todos os dias há infelizmente situações análogas!E que não têm esta mediatização!E nem devem ter!E este caso também devia ter ficado no recato familiar!Mas enfim é o país que temos!Foi até confrangedora a prestação atabalhoada do Carvalho da TVI,que até se enganou a ler o panegírico!Já quanto ao prof.Marcello,para esquecer também!Que diabo:e os outros,Senhor?Que país de pequeninos!

Diogo disse...

O que significa simplesmente que o conceito de um Deus infinitamente bom, criador de todas as coisas e omnisciente é impossível.