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domingo, 15 de junho de 2014

O melhor do mundo

Cristiano Ronaldo, o melhor do mundo, monopoliza por inteiro primeiras páginas, fotografias, aberturas de telejornal, entrevistas exclusivas, pedidos de comentários, como se para os media não houvesse mais vida para além da ronaldolatria. Assim a modos como, noutro contexto e noutro lugar, se invoca o Presidente Eterno e o Grande e Querido Líder
Tal se deve ao sucesso desportivo, dirão muitos. Mas não só e, sobretudo não só, direi eu.
Devido àquele, multinacionais globais, incluindo companhias aéreas, linhas de roupa interior, empresas de produtos alimentares, higiene capilar ou equipamento desportivo, e até um banco português, fizeram de Ronaldo o seu símbolo. O melhor do mundo deixou de ser um qualificativo pessoal, tornando-se um instrumento de marketing sujeito às suas regras. Os patrocinadores naturalmente promovem tal onda avassaladora de presença maciça nos media, já que o simples facto dessa presença se torna, por si só, uma poderosa forma de publicidade subliminar, levando à recordação dos produtos patrocinados e associando-os à qualidade de melhor do mundo. Uma publicidade eficaz e aparentemente gratuita. 
Aprentemente, porque instrumentalizados são muitos dos jornalistas, cabendo-lhes o papel de bons da fita ou de ingénuos, para gáudio dos mercenários, sempre disponíveis para confundir critério informativo com critério comercial , tanto mais bem pago quanto mais tingido de informação.
Afinal, o grande lema (mal) encapotado do actual jornalismo.
Nota: Obviamente que Ronaldo é um excelentíssimo profissional e merece, por isso, todos os elogios. Mas com conta, peso e medida e não, como muitos, a soldo, dizem, Ronaldo e mais dez. Elogio para um, vitupério para os outros todos normalmente só traz derrota.  

3 comentários:

SLGS disse...

Subescrevo totalmente.

Pinho Cardão disse...

Agradecido!

Diogo disse...

Mais uma grande pecha no liberalismo (monopolista) desbragado...