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segunda-feira, 9 de junho de 2014

Para fazer a paz é preciso coragem...

Aconteceu ontem no Vaticano: um encontro histórico para a paz. O Papa Francisco reuniu o presidente de Israel, Shimon Peres, e o presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Abbas, para em conjunto rezarem pela paz. O Santo Padre já nos habituou a gestos simples carregados de significado: "Para fazer a paz é preciso coragem, muita mais do que para fazer a guerra. É preciso coragem para dizer sim ao encontro e não à briga; sim ao diálogo e não à violência; sim às negociações e não às hostilidades; sim ao respeito dos pactos e não às provocações; sim à sinceridade e não à duplicidade. Para tudo isto, é preciso coragem, grande força de ânimo."

11 comentários:

Pinho Cardão disse...

Foi, sem dúvida, o grande acontecimento de ontem.
A nossa estação de televisão de serviço público, no seu principal telejornal, o das 20 horas, alinhou a notícia no rol das coisa menores, depois da selecção e do ronaldo, dos incêndios e dos tiros, e de mais não sei quantas coisas de similar relevância.
Pelo contrário, na SIC foi abertura de telejornal.

Margarida Corrêa de Aguiar disse...

Bem anotado, Dr. Pinho Cardão!

Bartolomeu disse...

O "gesto simples" como a cara Drª Margarida refere, exige daqueles 3 homens, mais que coragem. Exige sobretudo que a vontade que os move e os faz reunir e objetivar a preparação de um caminho sólido e isento de equívocos, capaz de conduzir as nações a uma situação de paz global, a uma situação de respeito pelas diferenças e também de apoio, seja mais forte que a sua coragem. Porque qualquer um daqueles 3 homens, sabe que a paz mundial, não depende daquele gesto simples em que participaram. A paz mundial, não depende sequer da luta entre o bem e o mal; depende acima de tudo da insaciabilidade dos poderes económicos e de quem os detém. Eles são a origem de todas as guerras, de todas as fomes, de toda a miséria que humanidade é incapaz de debelar, apesar dos esforços daqueles que possuem no coração, amor pelo próximo.

Margarida Corrêa de Aguiar disse...

Caro Bartolomeu
O Papa Francisco esclareceu que o seu papel não é de mediação política. Claro que este gesto magnífico só por si não será suficiente, mas apela e compromete as partes em conflito a elegerem a paz como o principal objectivo político, o que significa terem que vencer muitas paredes de ódio que o tempo se encarregou de construir. É este o grande desafio que o Santo Padre lançou, porque nada é impossível quando o Homem está acima de tudo o resto, como o Bartolomeu bem assinalou.

Bartolomeu disse...

Toda a caminhada, por mais longa que seja, inicia-se sempre com um passo. É necessário que os nossos pés se movam, para que comecemos a caminhar. Mas para isso, é necessário Vontade. Não duvido minimamente que aquilo que animou aqueles 3 Homens a iniciar esta caminhada, tenha um motivo cujo ideal posto, seja: atingir a Paz; alcançar a harmonia entre os povos, partilhar as culturas, as religiões e com isso crescer na dimensão Humana.
Mas, o grande problema do mundo; as guerras entre os povos, das quais, as únicas vítimas são os próprios povos, tem nos bastidores poderes maiores que o das armas empregues, que o dos obus, das granadas, dos mísseis, das bombas químicas... tem o poder do dinheiro. Este poder é de tal forma, que consegue corromper chefes de estado, juízes, chefes religiosos, etc.
Na minha insignificância, louvo sem dúvida, a iniciativa promovida pelo Papa Francisco e faço votos sinceros para que dela venham a surtir efeitos positivos.
O caminho é longo, sinuoso, pedregoso e perigoso, acima de tudo mas, ele não estará só nesta empresa.

Bartolomeu disse...

https://www.youtube.com/watch?v=gLG91tOLPdQ

Bartolomeu disse...

Acabo de assistir no canal 3 da televisão, à entrevista que o Papa Francisco concedeu ao jornalista Henrique Cymerman.
A opinião do Papa é coincidente com aquela que expressei nos comentários anteriores; o problema das populações, dos países, reside basicamente no tipo de economia atual que tomou o dinheiro como o principal deus.

Margarida Corrêa de Aguiar disse...

Caro Bartolomeu
Também vi a entrevista, muito cativante. É extarordinária a sua simplicidade, a proximidade às pessoas comuns.
O Papa Francisco tem dito muitas vezes que o sistema económico não é bom, o centro deveria ser o homem e não o dinheiro. É a ambição do dinheiro que descarta as pessoas, as crainças, os velhos, não esquecendo os jovens.
Achei muito interessante a frase do Santo Padre "a política é uma das formas mais elevadas de amor", transporta uma mensagem muito importante, um desejo e, ao mesmo, tempo, um recado.

Bartolomeu disse...

Foi exatamente dessa mesma forma que entendi a frase do Papa Francisco, cara Drª Margarida. E não só, ou, nem tanto, um recado mas, sobretudo um alerta, um chamar de atenção, um pedido exigente de entendimento do essencial que deve orientar a politica e quem a pratica.
Ele sabe, nós sabemos, acho que muita gente entendeu já, que a política se subordina ao dinheiro, mas que ela a única capaz de retirar ao dinheiro esse poder que detém. É neste ponto, creio eu, que terá de entrar na sua máxima força, a Vontade, uma vontade inabalável que terá, essa sim, ser consensual e de dimensão universal. O Papa Francisco denota uma preocupação que anula todas as barreiras que as sociedades foram erguendo e que as separa e fragiliza, e são essas barreiras, mais psicológicas do que físicas, que ele pretende, de uma forma natural, apelando às consciências, mostrando de mãos limpas, o vazio de valores sociais e humanos em que o mundo está mergulhado. Nostradamus profetizou o fim do mundo no ano 2000 e na realidade, tudo indica que o mundo que conhecemos até ao ano 2000 está tendencialmente a acabar e simultaneamente a nascer um novo, a par do surgimento de uma nova consciência universal. Também esta ideia foi aflorada na entrevista, quando o Papa Francisco, respondendo à pergunta do jornalista: qual tinha sido o político que o tinha impressionado mais, depois de ponderar um pouco respondeu algo muito revelador: que tinha notado um aspeto transversal a todos os políticos mais jovens que já tinha recebido; que todos tocavam uma música diferente mas afinada.
Quis o Santo Padre dizer com isto, penso eu, que a politica está a ganhar uma nova consciência e a consciência política não nasce nem é obra da política, é sobretudo o reflexo daquilo que as sociedades pensam e manifestam.

Margarida Corrêa de Aguiar disse...

Caro Bartolomeu
Concordo que há nas palavras do Papa Francisco um pedido exigente de mudança. Terá que haver uma consciência muito forte para mobilizar a vontade de recuperar os valores cristãos que colocam o homem no centro da razão de ser da existência. As palavras do Papa Francisco não são descartáveis porque falam do óbvio, a verdade tem muita força.

Bartolomeu disse...

Parece uma contradição ao que anteriormente deixei escrito, cara Drª. Margarida mas, o forte desejo do Papa Francisco em encontrar uma forma de unir os povos e de estabelecer entre eles uma paz que permita a todos concentrar atenções numa outra luta mais urgente, a de acabar com a fome e a doença no Mundo, é do meu ponto de vista, uma revelação. Revela que o Papa percebeu há muito que o homem está no centro e o que idealmente a humanidade deseja é que o homem saia do centro em que se encontra e se converta no Homem que Cristo lançou as sementes para que viesse a surgir na Terra. Não temos dúvidas Hoje, que essas sementes começaram já a germinar... talvez um pouco timidamente; por isso, a necessitar de rega e fertilização.
E o Papa Francisco está a revelar-se um jardineiro entendido e atento.