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quarta-feira, 2 de outubro de 2013

"Lentamente"...

Não sei o que se passa, sei apenas que começo a ficar diferente. Não interessa saber quais as causas, se são "internas", próprias do envelhecimento esperado, ou se do cansaço de viver numa sociedade sem encanto e que me convida ao desalento. Não sei, nem me interessa. O que eu sei é que me sinto diferente. Continuo a gostar de escrever, cada vez mais, mas para escrever preciso de me desnudar, e não é bom, não é aceitável e muito menos aconselhável partilhar certos pensamentos ou reflexões. Continuo a escrever alguns textos sem esperança de alcançar ou materializar o que quer que seja, não é isso que me interessa, mas confesso que também não sei qual é a verdadeira razão. É curioso querer, ao mesmo tempo, escrever e esconder o que escrevo. Lentamente vou deixando de publicar, lentamente vou deixando de viver, lentamente vou escrevendo cada vez mais, lentamente sou tentado a esconder os meus pequenos textos. Lentamente esqueço-me que existo. Tudo na vida tem de ser feito lentamente. É a forma mais certeira de ser esquecido. É a forma mais agradável de saborear alguma paz. É bom, espero que sim, mesmo que seja lentamente...

4 comentários:

Suzana Toscano disse...

Caro amigo, ser feliz dá um trabalhão, é natural que de vez em quando faltem as energias, mas não estou a vê-lo a baixar os braços....

JM Ferreira de Almeida disse...

Não foi lentamente mas com o imediatismo próprio das afetividades que nos habituámos a "ouvi-lo" aqui, meu caro Professor Massano. Lentamente, só se for a ler os seus escritos, para melhor os saborear. Até logo e um abraço.

Bartolomeu disse...

Na verdade, viver, não é mais que representar uma variedade de papeis em diferentes palcos. Mesmo quando julgamos ter decidido não representar certos géneros ou, representar somente um, acabamos por perceber que mesmo essa decisão fêz parte do mesmo papel que nos foi dado representar. Percebemos também que a representação não tem guião estabelecido, sucede conforme as circunstâncias e desenvolve-se influênciando e recebendo a influência dos actores que ao mesmo tempo, no mesmo palco, representam papeis diferentes. Desses actores, guardamos os rostos de alguns, enterramos outros no buraco fundo do esquecimento. Uns, que pelo seu representar desastrado nos provocaram feridas profundas, outros porque foram doces e carinhosos na forma com nos foram dando as "deixas" que mantiveram acesa a chama do diálogo, da compreensão, da cumplicidade.
Mas chega um dia em que olhamos em volta e só podemos enxergar as silhuetas quase desfeitas dessas figuras que nos marcaram e pensamos..."viver, não é mais que representar".
;)

Margarida Corrêa de Aguiar disse...

Caro Professor Massano Cardoso
Escrever é bom, faz bem, a quem escreve e a quem lê. Cá o esperamos sempre, não propriamente lentamente, faz-nos falta.