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sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Palavreado "rosa" e Consolidação Orçamental não rimam, de todo...

1. Assistimos há dias a uma conferência de imprensa de responsáveis governamentais por via da qual foi feita uma tentativa de transmitir uma visão quase “rosa” do esforço de Consolidação Orçamental (Austeridade, segundo o léxico crescimentista) que o OE/2014 terá, necessariamente, de incorporar.

2. A redução do défice das Administrações Públicas dos (esperados) 5,5% do PIB em 2013 para os (pretendidos) 4% do PIB em 2014, ainda que o PIB (denominador, no cálculo do rácio) venha a registar alguma valorização, exigirá sempre uma redução do défice não inferior a € 2 mil milhões...

3. ...o que, na ausência de um agravamento da carga fiscal (e já basta o enorme agravamento, manifestamente excessivo, verificado em 2013, embora por excelentes razões constitucionais) implicará reduções muito expressivas nas principais rubricas da despesa corrente do Estado e demais Administrações Públicas.

4. E se, como Governo tem agora afirmado (bem, a meu ver) que existe a efectiva intenção de concluir o PAEF até Junho de 2014 e de fazer todo o possível para regressar ao financiamento via mercados até essa altura (ainda que sob alguma protecção dos financiadores oficiais), não poderá haver a menor hesitação em avançar com medidas importantes de redução da despesa corrente primária (juros à parte)...

5. Neste contexto, uma estratégia de comunicação do tipo “rosa” não bate certo de maneira nenhuma, arrisca-se mesmo a ser ferozmente contraproducente: as pessoas poderão não aceitar bem as medidas que lhes vão impor reduções adicionais de rendimentos; mas, se pretenderem embalar essas medidas como se tratasse de chocolate belga ou gelado santini, certamente que vão reagir da pior maneira, sentindo-se enganadas, quase “gozadas” como se diz na gíria...

6. Para esse tipo de exercícios melífluos já nos bastam os inefáveis Crescimentistas que não tendo (ou enquanto não têm) responsabilidades executivas ao nível do Estado e outras Administrações Centrais, se entretêm, dia sim, dia não, a vender ilusões ao desbarato, traduzidas em mensagens de alívio fiscal e de patriótica oposição às medidas que apelidam de Austeridade...

7. Decididamente, palavreado “rosa” e Consolidação Orçamental não são compagináveis, não rimam, de todo...



2 comentários:

António Barreto disse...

Pois não!

Tavares Moreira disse...

Assim parece, Caro A. Barreto mas, como bem saberá, não falta quem entenda ao contrário...e nesta altura, pelo menos no plano mediático, até estão em maioria!