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domingo, 17 de novembro de 2013

"Moral tribal"...

O comportamento moral é ditado por regras biológicas que estiveram na base da evolução humana. Vários estudos, das áreas da psicologia e da neurologia aliados à capacidade de "ver" o funcionamento do cérebro, revelam que existem duas formas de nos comportarmos face a certas situações e dilemas, emocional e racionalmente. A base biológica da moral começa a ser entendida. Há uma força irracional que leva as pessoas a agruparem-se de forma a garantirem o sucesso da sua existência, um "eu" que se transforma em "nós" e que ao transformar-se neste último, "nós", permite separar de os "outros". Tudo isto baseado numa moral cujas raízes mergulham na emoção. Uma moralidade que se distingue da de os outros, logo, torna-se numa fonte de conflitos. Onde se vê isso? Na política, na economia, na religião, no desporto, nos partidos e em muitas mais coisas. A base da sobrevivência humana é a tribo, que, de facto, foi determinante para a nossa sobrevivência durante o longo período de caçador/coletor. Tudo bem se vivêssemos na idade da pedra, mas o pior é que interagimos cada vez mais, estamos em cima uns dos outros, falamos e vivemos porta com porta com pessoas que pertencem a partidos diferentes, religiões diferentes, ou sem religião, com interesses económicos diversos, adeptos de clubes diferentes, tudo num mundo cada vez mais pequeno. É certo que parece haver um rudimento elementar do que é o mal e o bem, o qual já se observa nas crianças, mas o pior é saber quem é o "bom" e quem é o "mau". Se um grupo achar que ele é o "bom", então o outro passa a ser o "mau". Daqui ao conflito é um passo. Os tutsi e os hutus, no Ruanda, têm, também, essa noção, mas quando passaram para a prática, o outro é que era o mau. A forma irracional e emocional como o homem se comporta foi útil na sua evolução, mas hoje não serve para grande coisa. Seria necessário passar para a "razão" de forma a tratar os problemas, admitindo que o "mal" também está dentro de nós, e não só nos outros, mas o homem prefere a moralidade da emoção e evita a que devia ser sustentada na razão. Os estudos de "imagiologia" cerebral mostram inequivocamente quais as zonas de decisão e de escolha, pelo que há um substrato anátomo-funcional que permite compreender melhor a moralidade e contribuir para a criação e desenvolvimento de uma meta moralidade suscetível de mudar o futuro do homem, o que, muito provavelmente, nunca irá acontecer. A "moralidade emocional" é um sinal de inquietação, desajustada ao momento presente, e que está na origem de preconceitos em que certos valores são considerados como os mais corretos. Não há área que não demonstre esse princípio, desde a religião, passando pelo desporto, economia, até à política. O ser humano esquece-se frequentemente dos seus pecados, e arvora-se, na maioria dos casos, como vítima do sofrimento. Esquece-se que também faz sofrer os outros e identifica-se com os grupos que lhe permite garantir a sua identidade e "razão". "Razão emocional", favorecendo o já longo comportamento tribal. Teria de ser mais racional e desenvolver uma outra forma de moral, mais utilitarista, mais adequada ao mundo moderno, que é pequeno, sobrepovoado, demasiado diversificado, e que ainda pensa, e se comporta, como se estivesse na idade da pedra. Mas não está. Mas para lá poderá voltar um dia destes..

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