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quinta-feira, 20 de abril de 2006

Os portugueses ainda têm juízo…

A relação entre suicídio e homicídio tem sido extensivamente estudada ao longo dos anos. Formas violentas de morrer constituem objecto de estudo por parte de muitos investigadores. Os resultados são contraditórios. Nalgumas regiões do mundo ocorre uma relação negativa, enquanto noutras, caso dos países europeus, a correlação é positiva, embora fraca. Razões de natureza cultural e social poderão explicar estas discrepâncias. De qualquer modo, o estudo em causa, efectuado em 65 países dos vários continentes, permitiu concluir que Portugal é um dos países com as taxas de homicídio e de suicídio mais baixas a nível mundial. É verdade! Na Europa, tirando os arménios, apresentamos com a Grécia a taxa mais baixa de suicídio (4,0 por 100.000 hab.). No tocante aos homicídios a nossa taxa é equivalente (1,1 por 100.000) à observada na maioria dos países europeus. O que é curioso é o facto da Colômbia ter uma taxa de suicídio inferior à nossa (3,4 por 100.000) e, naturalmente, à quase totalidade dos países europeus que, nalguns casos, ultrapassam os 30 por 100.000 hab., caso da Bielo-Rússia, Lituânia e Rússia. A análise por sexos é mesmo de arrepiar. Os homens são mesmo loucos! Apresentam taxas muito superiores às das mulheres.
Será que discrepância verificada na Colômbia, taxa de homicídio na ordem dos 61,6 (sessenta vezes superior à nossa!) contra 3,6 de suicídio se deve, além da violência própria daquele país, ao esgotamento de reservas dos suicidas? É provável. Como uma taxa de homicídios daquela ordem de grandeza, os colombianos nem têm tempo para se suicidarem, pelos vistos!
O que é certo, é que apesar de todas as crises do nosso país, da falta de futuro para os nossos jovens e menos jovens, das inquietações do dia a dia, do não crescimento económico, dos aumentos dos impostos e de todas as lusas trapalhadas, os portugueses não sentem grande atracção pelas formas violentas de sair do palco da vida. Ainda bem, afinal têm algum juízo, ou, então, é mesmo efeito do nosso sol, da nossa gastronomia e, até, quem sabe, da má-língua, cujo efeito saudável ao esconjurar a bílis, poderia ser uma grande descoberta a dar ao mundo... “Não matem, nem se matem, digam apenas mal”. Um conselho lusitano para prevenir as mortes violentas!

2 comentários:

Anónimo disse...

Brilhante a tese de que os homicidas na Colômbia não dão tempo aos suicidas para se matarem.
Dei uma valente gargalhada com esta curiosa abordagem.
Mas eu acho que seria demais a Colômbia conciliar o 1.º lugar no ranking de dois indicadores existenciais. Não estaríamos a falar de um país mas do paraíso. E a Colômbia está muito longe de ser um paraíso…

Ana_P disse...

Fora eu derrotista e diria que até neste estudo se reflecte a inactividade nacional, o espírito de deixa-andar... nem na direcção da nossa ou da vida alheia somos proactivos...
Bem, mas estou longe de ser derrotista e, por isso, digo: venha mais sol, mais praia e mais fado, que isto pode estar muito mal, mas sempre se está melhor que na Colômbia!