Número total de visualizações de página

segunda-feira, 19 de março de 2012

Dia do Pai

"Uma menina grande ou uma grande menina?"

Hoje, “Dia do Pai”, recebi alguns mimos dos “miúdos”, cada um à sua maneira. Sorrio, porque sendo previsíveis, conseguem surpreender-me. A filha do meio deu-me um desenho que tinha feito em 2010. Estava guardado. Chegou a hora de me cair nas mãos. O desenho é o complemento de um texto que me ofertou nessa altura e que eu transcrevi no 4R.

Hoje, “Dia do Pai”, publico o desenho, que me deu um enorme prazer e transcrevo o post de setembro desse ano.

Sendo “Dia do Pai”, compartilho esta oferta com todos os pais que visitam e comentam neste blog.



"Uma menina grande ou uma grande menina?

Na vida somos, por vezes, sobressaltados com confidências únicas, inesperadas e cheias de emoção. Podemos saber muito, conhecer bem as pessoas, mas há sempre algo que nos escapa e que nos surpreende. É bom ser-se surpreendido, sobretudo quando nos toca particularmente, quando fomos protagonistas e companheiros de dores, angústias e tristezas e quando esse sentir se revela de uma forma poética, filha de uma existência única e irrepetível. É bom ser-se surpreendido! E é também bom surpreender!

Hoje, recebi um pequeno texto, lindo, repleto de ternura, mas ao mesmo tempo amargo e esperançoso.

Como considero que a única coisa que faz verdadeiramente sentido na vida é a beleza da poesia, não posso deixar de a partilhar...



“Os sonhos iluminam o seu ser, a imaginação é refletida num espelho mágico e a fantasia vive dentro do seu vermelho coração...

Através de janelas vê o que se passa lá fora, à sua maneira, à sua medida, à dimensão dos seus pensamentos. Interpreta tudo o que vê, sente tudo com muita emoção, mas poucos são aqueles que a entendem...

Os seus olhos ternos e coloridos de múltiplas cores, que por vezes parecem ausentes, veem o que mais ninguém consegue observar.

Há um segredo: ela é diferente, é especial! Dentro da sua cabeça existe um mundo, com céu e tudo... onde moram o mar, árvores, nuvens, peixinhos, flores, pássaros, princesas e príncipes e, até, algumas bruxas más...

Quando toca no céu da sua cabeça, sente-se a dona do mundo, quando toca as águas do seu mar transforma-se numa sereia. Brinca alegremente com os seus amigos peixes e canta a par com os pássaros de mil cores!

Quando é hora de ser a princesa, as luzes acendem-se e os suaves panos de tule esvoaçam; é a hora de voar, de dançar e de brilhar. É a hora de ser feliz!

À luz das estrelas, e da sorridente lua do seu céu azul-escuro, aparecem multidões de pessoas. Admirada por todos, batem-lhe palmas, sorriem-lhe e abraçam-na.

Todos cabem dentro da sua cabeça, até um enorme salão de baile enfeitado de cristais brancos, repleto de flores perfumadas e velas de vários tamanhos e feitios!

Entre os seus amigos, a menina dança ao som de melodias desconcertantes, enchendo-se de alegria e de doces sorrisos.

É tão bonito este mundo! Um mundo que não foi criado nem por Deus nem pela evolução dos tempos, mas sim, por ela. Criado por uma menina de apenas seis anos. Um mundo que dura há um quarto de século! Esperemos que continue a crescer, a evoluir e a ficar cada vez mais encantado e belo.

Um dia essa menina velhinha levará até lá os seus netos e mostrar-lhes-á todos os seus tesouros e segredos. Eles vão admirar-se e questionar como é que a avó viveu uma vida inteira dentro de um mundo tão secreto e paradisíaco.

A imaginação pode ser do tamanho do mundo ou até mesmo do universo, mas não é certamente maior do que o mundo que existe dentro da cabeça dessa menina.

Dedico esta história à minha infância, à menina de seis anos, que conseguiu encontrar dentro de si, o delicioso mundo dos sonhos!

Uma menina grande, mas no fundo...uma grande menina! “

Uma menina grande que esconde uma grande menina...

3 comentários:

Catarina disse...

Lindo!... uma grande menina, de certo!

Suzana Toscano disse...

Uma das minhas filhas, quando tinha 6 anos, fez um texto para o dia da mãe, com um desenho lindo que tenho no álbum de fotografias. E o texto descrevia a fam+ilia, o api, a mãe, a irmã e os avós e acabava dizendo:"Eu sou uma criança feliz!". Por isso, posso perceber bem a emoção e a ternura do Massano Cardoso ao publicar este desenho e este texto, há presentes que valem por uma eternidade. Parabéns ao pai, que mereceu esta linda dedicatória.

Ilustre Mandatário do Réu disse...

Pois eu cá vou aproveitando o dia do Pai porque sei que mais tarde ou mais cedo a seita dos fanáticos vai acabar com ele.

Porque estes dias são antes de tudo dias do vexame da verdade para as famílias duo-parentais monozigóticas.

Vai chegar o dia em que o dia do Pai vai ser tão politicamente incorrecto como o dia da raça...

"Felizmente" o meu amigo Massano Cardoso nessa altura já estará convenientemente reciclado. Mas eu pela força da vida se calhar ainda cá estarei a aturar estas e outras.