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terça-feira, 20 de março de 2012

Robotarium: aplicação exemplar de fundos estruturais...

1.É hoje notícia o estado de total abandono e quase destruição a que há cerca de 3 anos se encontra votado o Robotarium, emblemático projecto financiado por fundos estruturais, inaugurado em Junho de 2007, no quase apogeu da famosa política de dinamização da economia nacional assente no aproveitamento “estratégico” dos fundos estruturais...
2.O Robotarium na sua versão original consistia numa grande estrutura metálica envidraçada (de vidro supostamente à prova de bala, para ser mais barato...), no interior da qual se encontravam montados 40 Robots que, alimentados por pequenos painéis solares, reagiam e movimentavam-se com a aproximação dos visitantes...
3.Instalado numa praceta ajardinada de Alverca, o Robotarium, depois de ter funcionado durante menos de 2 anos, encontra-se actualmente em adiantado estado de degradação: os Robots fugiram e terão pedido asilo político nalgum consulado mais próximo e a estrutura exterior está completamente vandalizada pelo efeito (i) das pedradas com que diariamente é contemplada pela rapaziada que por ali anda sem ter que fazer e (ii) até dos disparos de caçadeira de alguns cidadãos mais belicosos que aproveitam o Robotarium para exercícios de tiro ao alvo (e parece que lá se foi o vidro supostamente à prova de bala)...
4.Curiosamente, apesar do cenário de devastação que atingiu a sua obra, o arquitecto autor do Robotarium mostra-se optimista, justificando esta fase “menos boa” do projecto em que o projecto se encontra com a crise económica e social que deixa os jovens sem ter que fazer, entretendo-se a destruir o Robotarium na ausência de uma actividade mais solidária...
5.... mas manifesta esperança de que, uma vez ultrapassada esta fase de crise seja possível recuperar o Robotarium neste ou noutro local menos problemático e, quiçá, replicar o modelo noutros locais adequados...os fundos estruturais é que poderão desaparecer, entretanto (2013, supostamente)...
6.A notícia reza também que algumas tentativas feitas pela Câmara Municipal de V.F. Xira - magnânima dona da obra e responsável pela sua manutenção – no sentido de transferir o Robotarium para outro local têm sido mal sucedidas, ao que consta por falta de verbas e também por receio da reacção negativa dos actuais utilizadores/destruidores do Robotarium, cujos interesses numa avaliação plenamente democrática não podem deixar de ser tidos em conta...
7.Confesso que ao ler este notícia não pude conter um certo sorriso, rapidamente substituído por uma sensação de tristeza por ver tanta falta de senso e de responsabilidade na aplicação de recursos públicos que poderiam, com muito maior vantagem, ter sido aplicados na actividade “keynesiana” mais famosa: abrir buracos e voltar a tapa-los, para assegurar emprego e rendimento...
8.Que me perdoe John Maynard Keynes...

21 comentários:

Margarida Corrêa de Aguiar disse...

Dr. Tavares Moreira
Tanta ignorância junta não pode mesmo dar bom resultado. O país tem por aí muitos desses "robotarium" edificados com dinheiro fácil. Realmente, dinheiro nas mãos de quem não sabe ganhá-lo pode ter como consequência o estado de depravação que tão bem descreveu.

Zuricher disse...

Caro Tavares Moreira, realmente li por aí pela imprensa cibernética de hoje essa história do Robotarium e para lhe ser sincero foi um dos casos em que preferi não dar-me por inteirado. A coisa é tão absurda e sem sentido que prefiro nem sequer tentar entender.

Dá-se o infeliz caso que de absurdo em absurdo, de sem-sentido em sem-sentido, chegou Portugal onde chegou. Mas acho que não vale a pena tentar entender.

Ilustre Mandatário do Réu disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ilustre Mandatário do Réu disse...

Caro Tavares Moreira,

Melhor que o esse roubotarium de que nos fala é outro roubotarium, também artístico, da pintura de barragens pela fundação da EDP.

Deve ser para chinês ver...

Cumprimentos,

Tonibler disse...

Vejamos as coisas do lado positivo, se tivessem construído um Otarium estávamos todos a levar pedradas em Alverca.

Suzana Toscano disse...

E ainda se queixam de que não somos criativos!

Luís Lavoura disse...

tanta falta de senso e de responsabilidade na aplicação de recursos públicos

Se em vez de ser um robotarium fosse, digamos, uma estátua de Guerra Junqueiro, o Tavares Moreira também consideraria tratar-se de uma falta de senso e responsabilidade? (Repare que a estátua também poderia ser vandalizada de diversas maneiras.)
E se, em vez de um robotarium ou uma estátua, se tratasse, sei lá, de umas árvores plantadas no jardim público, ou de um relógio instalado numa rotunda, ou de um arranjo floral, ou de qualquer outro elemento decorativo do espaço público - todos eles suscetíveis de serem vandalizados? O Tavares Moreira também acharia digno de um sorriso?

Pinho Cardão disse...

Caro Tavares Moreira:
Diz o meu amigo que mais vantagem haveria terem os fundos sido aplicados na actividade “keynesiana” mais famosa: abrir buracos e voltar a tapa-los, para assegurar emprego e rendimento...
Mas claro que o foram, mas agora numa interpretação neokeynesiana da doutrina, que passa só pela parte da abertura de buracos. Por todas as formas, mesmo, como no caso, a poder de tiro ao alvo. Quanto a tapá-los, o encargo fica para outros…

Tavares Moreira disse...

Cara Margarida,

Sem dúvida, uma lástima esta política de delapidação e esbanjamento de recursos públicos...que agora estamos a pagar com "língua de palmo"!

Caro Zuricher,

Acrescentarei, se me permita, que é melhor nem tentar entender...provavelmente nunca se conseguiria entender, seria tempo perdido esse exercício de inútil lucubração...

Ilustre Mnadatário,

Muito bem vista essa expressão Roubotarium...

Caro Tonibler,

Tem toda a razão, num Otarium estaríamos todos lá metiddos, a levar pedradas e bazookadas...ao menos no Robotarium esse papel ficou só para os Robots, que entretanto desapareceram, ao que consta procurando refúgio no consulado de Marte mais próximo...

Cara Suzana,

Sim, que criatividade, mas sobretudo no desenvolvimento das mais modernas tecnologias de ataque (à pedrada e a tiro) a Robotarios...

Caro Lavoura,

Estátuas a Guerra Junqueiro não são necessárias, as que existem chegam bem para lembrar esse enorme vulto da cultura portuguesa.
Plantar arvores e/ou flores dispensaria fundos estruturais e orçamentais e seria bem mais útil do que o fenecido Robotarium...
Estranho que não se tenha recordado das rotundas, as parentes mais próximas do Robotarium, sendo certo que o País tem ainda um enorme défice de rotundas...
Importa por isso desenvolver muitos mais projectos desse tipo, com ou sem fundos estruturais pouco importa pois se torna urgente dinamizar uma economia que está a braços com uma séria recessão...
Não concorda? Olhe que J.M. Keynes abençoaria essa estratégia...nos anos 40, claro!

Carlos Sério disse...

Reduzir a "actividade “keynesiana” à abertura buracos e voltar a tapa-los, para assegurar emprego e rendimento..." é demonstrativo do ressabiamento, da antipatia quase rancor, que ateoria económica de Keynes vem provocando nos quadros neoliberais.

Carlos Sério disse...

Fabricar dinheiro e entregá-lo aos bancos a juros de 1%, 450 mil milhões em Dezembro e 560 mil milhões em Março enquanto aos sacrificados países o mesmo BCE exige juros de 4% não é apenas abrir buracos. É abrir buracos e nem sequer ter a preocupação de tapá-los.

Tonibler disse...

Nos quadros neoliberais, nos especuladores da economia de casino e nos servos do capitalismo imperialista, acrescentaria! Já agora, para quando a minha nomeação para secretario geral?

Carlos Sério disse...

O que tem neutralizado a consciência da maioria das populações da agressão de que estão sendo vítimas, a passividade, o abandono, a desesperança, o fatalismo, o conformismo com que aceitam as medidas que empobrecem as suas vidas, deve-se seguramente ao apoio activo dos líderes da Social Democracia, que fizeram suas, as medidas deste “novo modelo económico e social”. Os lideres socialistas europeus, os trabalhistas, os sociais democratas europeus, a Social Democracia Europeia, que vinham representando amplos sectores da classe média e dos trabalhadores, tornaram-se agora os maiores defensores e impulsionadores das medidas anti-sociais que atingem a esmagadora maioria dos cidadãos. O que explica também, o actual domínio ideológico desta “nova” ordem económica. As pessoas perdem a iniciativa de mudança porque de algum modo imaginam, ser possível ainda, nesta nova ordem económica, satisfazer os seus problemas e necessidades. Como diz Jesús Aguiló “não pode mudar-se o que não se conhece, como tão pouco pode mudar-se o que simples ou resignadamente se aceita”.

É a argumentação da implantação das medidas de austeridade impostas à população, que os objectivos desta “nova modernidade ideológica” se tornaram absolutamente claros e transparentes. O crescimento económico só será possível se existir empobrecimento da população. Ou, de outro modo, o crescimento económico exige uma regressão social. E nesta proposição se consubstancia e concentra toda a ideologia do neoliberalismo. Nada poderia ser mais claro.

Na verdade, o crescimento económico teve e terá sempre como destino a satisfação das necessidades da sociedade. Não pode existir crescimento económico fora da sociedade. Contudo, isto não significa que do crescimento económico possa beneficiar toda a sociedade por igual. O crescimento económico pode beneficiar apenas uma pequeníssima parte da sociedade. Pelo que, quando se afirma “o crescimento económico só será possível se existir empobrecimento da população”, o que realmente tal proposição traduz, é que os benefícios do crescimento económico não serão distribuídos pela sociedade como um todo mas apenas por uma sua pequeníssima parcela. É, pura, simples e claramente, a constatação da apologia da Desigualdade. Será preciso recuar na História, aos tempos primitivos da escravatura, para que uma classe dominante alguma vez assumisse com tanta clareza uma ordem social tendo a Desigualdade como condição essencial ao desenvolvimento económico.

Tavares Moreira disse...

Caro Carlos Sério,

Depois de ler, com todo o interesse, a sua verborreia "anti-liberal", já me sinto aliviado e até tenho vontade de proclamar: viva o Robotarium e os seus delapidadores! E venham mais Robotariuns para que a população possa descarregar neles, ao menos neles, com pedras, bazookas e tudo o mais que tiverem à mão, a sua mais profunda insatisfação!
Já quanto à expressão "cavar buracos e tapa-los de novo para criar emprego e rendimento", pode encontra-la, por exemplo, em qq edição do Economics de Samuelson... e Samuelson é um reconhecido (e respeitado) Keynesiano...
Reponha lá essa raiva no bolso - COM O DEVIDO RESPEITO - que não vem mesmo nada a propósito!

Caro Tonibler,

O atraso da sua nomeação para Secretário-Geral é algo que nos deve envergonhar a todos...pode contar com todo o apoio e disponibilidade da minha parte pelo menos para realizar qq diligência que permita corrigir essa inaceitável situação!

Carlos Sério disse...

O meu caro economista neoclássico encontra-se de novo igual a si mesmo. Substitui a contra-argumentação pelos insultos costumeiros.

Tavares Moreira disse...

Caro Carlos Sério,

Insultos?! Cite-me um só que seja, se não se importa...
Há aí qq coisa que não está a bater certo, meu Caro...

Pinho Cardão disse...

Caro Carlos Sério:
De facto, " abrir buracos e voltar a tapá-los, para assegurar emprego e rendimento..." é uma síntese caricatural de que o próprio Keynes e os keynesianos se serviram para evidenciar o recurso à despesa pública para incrementar o crescimento. Numa situação em que a carga fiscal era diminuta, a dívida pública muito baixa, a despesa pública andava pelos 9% do PIB, as economias eram bastante fechadas, e na crise de consumo e investimento privado, Keynes ensinou que se deveria recorrer ao investimento público como forma de gerar rendimento e emprego. Tudo está na sua famosa fórmula, que se apresenta sob a forma mais simplificada: Rendimento=Consumo +Investimento.
Em Portugal, o grande difusor da doutrina keynesiana foi o Prof. Pereira de Moura, no antigo ISCEF, agora ISEG, e influenciou decisivamente várias gerações de economistas, muitos dos quais se tornaram mais papistas do que o papa. E pereira de Moura recorria a essa mesma síntese.
O erro é pretender transladar para os tempos de hoje fórmulas keynesianas. Num tempo em que a despesa pública anda pelos 50% do PIB, a dívida pública é enorme, a carga fiscal insuportável, pretender aplicar Keynes não é só asneira, é crime e sabotagem económica. Foi o que aconteceu por cá. Nos anos de governo de Sócrates a dívida pública praticamente duplicou, cresceu msais de 80 mil milhões. Resultado: mais umas centenas de milhares de desempregados. Foi o resultado do insano crescimento da despesa pública, fora de contexto, de tempo e de lugar. E há quem queira insistir no "remédio".

Carlos Sério disse...

“Num tempo em que a despesa pública anda pelos 50% do PIB, a dívida pública é enorme, a carga fiscal insuportável”.
Caro Pinho Cardão, vejamos o caso da Suécia (dados 2009 em % PIB), com uma receita fiscal de 54% (insuportável?), com um gasto social de 29,3% (insuportável?) em Portugal é 24,3%, com menos de 41 horas de trabalho por semana em Portugal aproxima-se das 42,5, com 36 dias de férias e feriados enquanto em Portugal agora são 35 mas vão passar para 31 dias apenas.
“O erro é pretender transladar para os tempos de hoje fórmulas keynesianas”.
Mas onde é que tal aconteceu?
Na verdade, a confusão reside em pensar que por cá se aplicaram fórmulas keynesianas. Não, por cá aplicou-se antes, uma administração pública em que imperava (impera?) o compadrio e a corrupção que levaram na verdade a défices insuportáveis, mas que nada tem a ver com práticas keynesianas. Hoje, não se encontra qualquer diferença ideológica entre socialistas, liberais, trabalhistas ou social-democratas. Não se esforce, caro Pinho Cardão, em encontrar diferenças ideológicas entre Passos Coelho e Sócrates, ou entre o PS e o PSD, porque não as encontrará.
Todos adoptaram o mesmo figurino ideológico. O que os poderá distinguir será apenas a maior ou menor seriedade da gestão pública.

Pinho Cardão disse...

Caro Carlos Sério:
Ora aí está outra razão importante, "o compadrio e corrupção",como diz, para não aplicar fórmulas keynesianas. Aplicá-las, e foram aplicadas (fez-se gala do investimento e da despesa pública, que duplicou), é deitar gasolina na fogueira.
É espevitar o compadrio, é esbanjar, ainda mais, recursos.

Margarida disse...

Sem dúvida, uma lástima esta política de delapidação e esbanjamento de recursos públicos...que agora estamos a pagar com "língua de palmo"!(SIC)

Concordo consigo... mas esse esbanjamento não é de agora , não é Socrático é muito anterior e atinge todos os partidos políticos com assento parlamentar que estiveram no governo desde o 25 de Abril de 74. PSD, CDS e PS...Vejam-se as parcerias público privadas, os dinheiros gastos nos projectos TGV, OTA, estádios para o Euro, Expo 98, RTP, TAP, Dinheiros do Fundo social Europeu, indenizações pagas a privados por quebra de contratos mal pensados ( ou sera antes uma estatégia ou teriam algum prpósito?) e mal estruturados Etc, Etc, Etc.... e tantos outros que nos deixaram na miséria... Vocês os políticos deveriam ter um certo pudor, vergonha mesmo em se criticarem uns aos outros, porque todos têm telhados de vidro e perseguem os mesmos interesses (privados), com fundos públicos. Esbanjamento houve, há e sempre haverá, porque nenhum político lá está pela causa pública...ele apenas está interessado na sua própria causa. Arranjar um tacho quando sair do governo....

Tavares Moreira disse...

Cara Margarida,

Vocês os políticos, como? Não se importa de ser um pouco mais explícita quanto a quem quer aplicar esse qualificativo? Será que me inclui (como parece) nessa notável galeria? Em caso afirmativo, a que título?
Quanto ao resto, que me desculpe a ilustre Comentadora, mas pretender colocar toda a gente na mesma plataforma de responsabilidade pelo esbanjamento de recursos públicos, além de constituir uma bárbara injustiça conduz a um resultado inaceitável: o branqueamento de todos e mais algum...
Considera, por exemplo, que Manuela Ferreira Leite pela sua passagem no Governo, como Ministra das Finanças (2002-2004), tem responsabilidade idêntica do ex-PM?